A saúde das mães (parte 2)

Material produzido pela Rádio Rural Internacional em 1° de março de 2008, como parte do pacote de informações n° 83.

Original em inglês disponível em: http://scripts.farmradio.fm/radio-resource-packs/package-83/maternal-health-part-two/.


Observações para as emissoras:

Os problemas relativos à gravidez enfrentados pelas mulheres são muitos e, na maioria dos casos, imprevisíveis. Alguns deles levam à morte ou causam lesões permanentes. Fatores sociais, políticos ou econômicos não deverão impedir a mulher de ter acesso ao seu direito fundamental de ter saúde na gravidez e no parto. Por isso, a redução das mortes das mães é uma questão de direitos, é urgente e prioridade. É por isso que todas as famílias precisam ser incentivadas a guardar dinheiro para preparar-se para emergências com antecedência. Felizmente, a medicina moderna tem a capacidade de cuidar da maioria dos problemas em postos de saúde.

As mães e os bebês beneficiam-se do tratamento em instalações médicas. Alguns tratamentos na fase pré-natal têm o benefício de evitar que as crianças nasçam com problemas e complicações. No parto doméstico deste radioteatro, a retenção da placenta poderia ter resultado em morte.

Esta é a segunda parte de um radioteatro em dois episódios. Na primeira parte, são apresentados o ambiente e alguns dos personagens principais. Recomenda-se que estes dois roteiros sejam apresentados de forma contínua ou em dois dias sucessivos. Você poderá querer anunciar o radioteatro com um anúncio curto ou “chamada”, que oferece uma rápida descrição do radioteatro ou uma gravação curta, para chamar a atenção dos ouvintes.


Roteiro:

Personagens:

  1. Azuma (esposa de Tontie, nora de Halosu).
  2. Tontie (marido de Azuma, filho adulto de Halosu).
  3. Halosu (mãe de Tontie, sogra de Azuma).
  4. Enfermeira (enfermeira da comunidade, que realiza visitas de rotina).

Sinopse:

Azuma, que se casou com Tontie na primeira parte deste radioteatro, está em trabalho de parto em casa, sendo atendida pela mãe de Tontie, Halosu. Azuma não foi a um centro médico, como se esperava pelos acontecimentos iniciais. Ela conseguiu dar à luz um menino, mas reteve a placenta e, por isso, está sangrando em profusão. Halosu, a sogra e parteira tradicional, acusa-a de infidelidade, acreditando que esta é a razão por que os deuses e ancestrais a estão punindo, causando a retenção da placenta. A crença de Halosu é comum na sua comunidade. O receio da infidelidade normalmente é confirmado por um adivinho. Quando a placenta é retida, não há outro veredito senão o de culpada.

Durante uma visita de rotina, uma enfermeira da comunidade examina Azuma. A intervenção dela salva a vida de Azuma. Em seguida, ela aconselha Tontie e sua mãe sobre a importância da assistência pré e pós-natal, insistindo que, mesmo tendo se arriscado negando a Azuma os cuidados essenciais antes do nascimento, ela precisa receber atenção pós-natal.

Sobe vinheta. Permanece por dez segundos e desaparece.

Choro de bebê recém-nascido.

Azuma: (gemendo de dor) Leve-me para o hospital, minha sogra.

Halosu: Isso não é assunto de hospital. Você só precisa confessar a sua infidelidade para o meu filho e a placenta vai sair. Você com certeza sabe que os nossos deuses odeiam a infidelidade da mulher.

Azuma: (com raiva, fraca e soluçando) Eu não traí o seu filho. Com qual homem desta comunidade a sra. me viu? Eu não sou uma mulher qualquer. Por favor, pare de arruinar o meu nome e me leve para o hospital antes que eu sangre até morrer.

Halosu: Bem, o adivinho falou. A sua retenção de placenta confirma claramente a sua infidelidade. Conheço muito bem o seu tipo.

Som de veículo.

Azuma: Oh, meu Deus! Será aquele membro do conselho?

Som de latidos. Entra a enfermeira da comunidade.

Enfermeira: (brincando) Ha-lo-su. Você fez o parto da sua própria nora! Ei! Um belo menino!

Halosu: (suspirando) Hmmm. Mas temos um problema. Ela reteve a placenta e está sangrando muito.

Enfermeira: Mas por quê? Eu avisei para você arrumar transporte com antecedência para levá-la ao hospital no primeiro sinal de trabalho de parto.

Halosu: Eu sou uma parteira tradicional.

Enfermeira: Ahaa! Agora entendi por quê você não a mandou para o hospital. Como parteira tradicional, o que você faz em uma situação como essa, quando a mulher tem o parto retendo a placenta?

Halosu: Ela teve o bebê sem problemas, mas a retenção da placenta é o resultado da sua infidelidade para o meu filho.

Azuma: (ao ouvir isso, Azuma começa a soluçar) Mentira! Quem disse isso? Eu queria que vocês pudessem entrar no meu coração e ver a minha inocência!

Enfermeira: Não chore, querida. Deus é bom. E a ciência também ajuda. Tudo vai ficar bem. Precisamos que a criança mame agora. Pobrezinho.

Halosu: (protestando com veemência) Não, não, não! Ele não pode sugar o primeiro leite!

Enfermeira: Por que não?

Halosu: É leite amargo. Ele não passou no teste da formiga (nota do editor: consulte a observação no final do roteiro para obter explicação sobre o teste da formiga) e precisa ser retirado e jogado fora para permitir que se forme leite limpo e fresco, que é bom para o bebê mamar. Além disso, precisamos primeiro dar um banho na mãe e no bebê.

Enfermeira: Não se preocupe. Eu sei o que estou fazendo. O primeiro leite que as pessoas aqui chamam de leite amargo é o melhor para o bebê. É a própria imunização de Deus contra as doenças. Observe!

Halosu: Bem, estou vendo. O nosso povo diz que, se você ferir uma bruxa, pode rezar para que ela não venha à noite.

Enfermeira: Sim, mas há também o provérbio chinês que diz que quem fala que algo não pode ser feito não deve interromper quem está fazendo. Você vê a força com que o bebê está sugando? Agora, segure a placenta, puxe-a suavemente e vamos ver o que acontece.

Halosu: Veja, ela está saindo! (Surpresa e um pouco relutante) Hmmm…

Azuma: (suspiro de alívio) Obrigada, enfermeira! Quando os adivinhos estavam arruinando minha vida, minha reputação e meu casamento, você veio curar a minha alma e preservar minha castidade.

Enfermeira: Vamos todos agradecer a Deus. Como você se sente agora, querida?

Azuma: Melhor, apenas tonta.

Enfermeira: Com tanta perda de sangue, é natural que você se sinta tonta. Você deverá beber muito líquido. Uma sopa de feijão seria bom, porque você também precisa de ferro. E precisamos levar você a um centro médico o mais rápido possível. Não tente levantar-se ainda. Halosu, vamos encontrar um lugar adequado para falar de outros assuntos e deixar a nova mamãe descansar. Vou providenciar o transporte para o centro médico.

Música sobre saúde faz a conexão para a próxima cena.

Halosu: Agora, explique o seu milagre.

Enfermeira: Quando o mamilo é estimulado pelo bebê sugando, ele produz uma substância no corpo, um hormônio chamado oxitocina. Esse hormônio faz com que os músculos do útero da mulher (o saco onde o bebê estava crescendo) fique rígido e se contraia. Quando o útero fica rígido dessa forma, ele ajuda a placenta a separar-se do útero para que possa sair como deveria. A propósito, Tontie, por que você não mandou sua esposa para o hospital, como eu havia aconselhado?

Tontie: Veja, o trabalho de parto nos pegou de surpresa.

Enfermeira: Isso, eu não aceito. Se ela estivesse indo regularmente a um centro de saúde, os profissionais de saúde teriam conseguido calcular a data do parto. A maioria dos bebês nasce em até duas semanas antes ou depois da data prevista. O trabalho de parto não teria pego vocês de surpresa.

Tontie: (com raiva) Eu disse que a minha mãe poderia cuidar de todas as emergências. Eu sou o marido e eu decidi não separar dinheiro para o parto, nem permiti que Azuma fosse para a assistência pré-natal.

Enfermeira: A sua mãe achou que, sendo parteira tradicional, poderia cuidar do parto. Mas algumas das complicações da gravidez e do nascimento da criança não podem ser tratadas por parteiras tradicionais!

Halosu: (pausa) Bem, tudo o que posso dizer que estou feliz por isso ter passado.

Enfermeira: E agora ela precisa de assistência pós-natal. Isso é o que acontece com a assistência pré-natal. Na primeira visita de assistência pré-natal da mulher, os profissionais da saúde dão conselhos a ela sobre a importância da nutrição, alimentação e exercícios adequados. Eles perguntam à mulher sobre a sua saúde e a saúde do seu parceiro; eles identificam qualquer problema médico; eles a pesam, medem sua pressão sanguínea e fazem teste de urina para determinar infecções. A parteira tradicional não pode tomar essas precauções.

Tontie: (quieta, envergonhada) Nós não sabíamos que essas coisas aconteceriam. Não havia sinais de problemas…

Enfermeira: Nas visitas seguintes, os profissionais de saúde medem a barriga da mulher para ver como o bebê está crescendo; eles verificam as suas mãos, pés e rosto para ver se estão inchados; eles ouvem as batidas do coração do bebê; mais tarde, eles sentem o seu abdômen para determinar a posição do bebê. Eles também perguntam à mulher se ela tem qualquer outra preocupação pessoal que a aborreça. Vocês correram um risco grande negando a ela todos esses serviço vitais.

Halosu: (ainda um pouco hostil, mas com algum respeito) Bem, enfermeira, o que você acha que devemos fazer agora?

Enfermeira: A assistência pós-natal é igualmente importante para garantir a boa saúde da mãe e da criança. Nos primeiros dias depois do parto, quando os seios dela começarem a produzir leite, ela pode ter seios cheios ou inchados se não tomar cuidado. Ela também vai precisar saber como evitar rachaduras nos mamilos. Existe muito para saber. Simplesmente levem-na para o centro médico mais próximo.

Halosu: Ela já se queixou de tontura.

Enfermeira: Sim, eu providenciei transporte, que deverá chegar daqui a pouco. Com a tontura, nem sempre podemos dizer o que poderá estar acontecendo. Então, agora, vocês já sabem.

Tontie: (lentamente) Eu posso ter cometido um erro que colocou minha esposa e meu filho recém-nascido em risco. Eu não quero repetir esse erro. Eu prometo que, se formos abençoados com outra gravidez, vou pedir o seu conselho, enfermeira.

Halosu: (relutantemente, com respeito) Sim, enfermeira, parece que a ciência moderna tem alguma coisa para oferecer. Eu também não quero colocar minha nora em risco outra vez.

Narrador: (pausa) A mortalidade das mães é um problema global. Estima-se que pelo menos 583.000 mulheres morram todos os anos em todo o mundo de complicações da gravidez e do parto. Tome cuidado!

Música de coral feminino (preferencialmente, sobre o bem-estar da mulher) e encerramento.


Créditos:

Contribuição de Tennyson Wubonto, Rede de Rádios Comunitárias de Gana.

Revisão: Ellen Brazier, Diretora de Programas para a África de Língua Inglesa, Family Care International.

Observação:

O “teste de formiga” a que se refere Halosu é um teste que é feito após o nascimento da criança. Quando um bebê nasce, não se permite que ele sugue o primeiro leite (colostro) até conduzir-se um teste para determinar se ele é bom ou ruim para o recém-nascido. Um pouco do colostro é colocado em um recipiente e uma formiga é colocada no leite. Se a formiga puder nadar, afirma-se que o colostro é saudável para o bebê. Se a formiga não conseguir nadar, afirma-se que o colostro é ruim e, portanto, ele é retirado e descartado. Como o colostro é viscoso, a formiga frequentemente é incapaz de nadar e o líquido não é fornecido ao recém-nascido.


A Rádio Rural Internacional (Farm Radio International) é uma organização canadense sem fins lucrativos dedicada a apoiar emissoras de rádio em países em desenvolvimento para fortalecer comunidades rurais e a agricultura em escala.

Segundo a organização, o material da Rádio Rural Internacional pode ser copiado ou adaptado para distribuição gratuita ou a preço de custo, com crédito para a Rádio Rural Internacional e para as fontes originais.

Esta versão em português é um trabalho voluntário, independente da organização e oferecido gratuitamente para as emissoras de rádio dos países de língua portuguesa. O texto foi traduzido para o português do Brasil, mas pode ser adaptado com facilidade para o português falado em outras partes do mundo (para dúvidas sobre os termos empregados, utilize o formulário de contato em https://radioruralportugues.wordpress.com/creditos-e-contato/).

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