Informações sobre o cultivo de feijão comum

Material produzido pela Rádio Rural Internacional em 28 de janeiro de 2017, como parte do pacote de informações n° 105.

Original em inglês disponível em: http://scripts.farmradio.fm/radio-resource-packs/105-farm-radio-resource-pack/backgrounder-growing-common-bean/.


Roteiro:

Introdução:

Feijão comum (Phaseolus vulgaris L.) é o legume* alimentício mais popular do mundo. Ele foi introduzido na Tanzânia há cerca de 300 anos. Na Tanzânia e em grande parte do leste africano, o feijão comum é cultivado para consumo doméstico e para venda. Os agricultores do leste africano produzem mais da metade do feijão comum cultivado na África. Na Tanzânia, o feijão é frequentemente intercalado com milho ou com safras permanentes, como a banana ou o café.

Um quarto a um terço das residências vendem feijão e existe mercado disponível na Tanzânia e nos países vizinhos. Os pobres urbanos e cerca de 80% dos moradores na área rural da Tanzânia que dependem da agricultura para viver comem feijões ricos em vitaminas e proteínas todos os dias.

Deixar as raízes do feijão comum no solo após a colheita resulta em 20-60 kg adicionais de nitrogênio por hectare, que são disponíveis para a safra seguinte. Isso é equivalente a ¾-2 sacos de ureia e pode fornecer à safra seguinte um incentivo muito bom. Com boas práticas agrícolas, o feijão comum pode produzir mais de 800 kg/acre.

Este roteiro fala sobre o cultivo de feijão comum na Tanzânia, mas você pode adaptar as informações para outros países da África subsaariana, onde o feijão comum é cultivado.

Fatos importantes:

  • Existe mercado disponível para feijão na Tanzânia e em outros países do leste africano.
  • O feijão é uma fonte acessível de proteínas e é rico em vitaminas.
  • O cultivo de legumes como o feijão comum pode agregar o equivalente a dois sacos de nitrogênio por hectare ao seu campo.

Desafios do cultivo de feijão comum na Tanzânia:

  • Insetos pragas, especialmente moscas brancas e larvas do caule do feijão.
  • Doenças, incluindo doenças virais, como o vírus mosaico do feijão comum, e doenças bacterianas, como a ferrugem bacteriana comum.
  • Condições meteorológicas incertas, incluindo secas e o início e término incerto da estação chuvosa.
  • Baixa fertilidade do solo.
  • Qualidade de sementes insuficiente.
  • Pouco acesso a informações sobre o mercado de feijão.

Aspectos de gênero do cultivo de feijão comum:

  • O feijão é tipicamente considerado produto das mulheres. Mas a divisão do trabalho no cultivo do feijão varia de um lugar para outro. No leste do Quênia, por exemplo, as mulheres normalmente selecionam e plantam as sementes, além de colher, debulhar, transportar e armazenar a produção. Os homens estão mais envolvidos no controle de pragas e doenças. Por outro lado, no Vale do Rift, no Quênia, e na região SNNPR, na Etiópia, os homens dominam todas as tarefas envolvidas na produção de feijão.

Impacto previsto das mudanças climáticas sobre feijão comum:

  • Um estudo recente sugere que a produção de feijão comum pode cair em 30-50% em toda a África em meados do século e ainda mais no Sahel.
  • Os plantadores estão trabalhando para desenvolver variedades de feijão comum tolerantes ao calor para o leste africano.

Informações importantes sobre o cultivo de feijão comum:

1. Terra adequada e preparação do terreno:

O feijão comum precisa de solo fértil ou moderadamente fértil e não cresce bem em solos ácidos ou alcalinos. Quando o solo for ácido, os agricultores podem reduzir a acidez adicionando cal.

Remova a vegetação grande da área de cultivo. Misture pequenas ervas ao solo para aumentar a matéria orgânica do solo. Despedace grandes fragmentos de solo, especialmente na fileira de plantio. O preparo* fino é ideal para o plantio de feijão comum. Terra bem preparada garante boa germinação e crescimento inicial vigoroso, diminuindo os problemas com ervas, pragas e doenças.

Se a terra for propensa a alagamentos, considere a preparação de saliências para feijão comum.

Informações adicionais: Consulte os documentos 2, 4 (em inglês e suaíli) e 5 (em suaíli), na Relação de Recursos abaixo.

2. Seleção de variedades:

Existem duas variedades de feijão: variedades trepadeiras e variedades de arbustos (ou não trepadeiras). Este roteiro cobre apenas variedades em arbustos.

Feijões de maturação curta:

  • são apropriados para áreas com pouca chuva.
  • podem ser úteis para agricultores que precisam plantar mais tarde porque as chuvas não vieram, por exemplo, ou porque uma safra sazonal anterior foi prejudicada por pragas ou doenças.

Feijão de maturação longa ou tardia:

  • muitas vezes apresenta maior produção, mas é menos adequado para ambientes mais secos.
  • fixa mais nitrogênio e contribui mais para a fertilidade do solo que variedades de maturação precoce.

Na Tanzânia, as variedades a seguir são resistentes a doenças do feijão comum, tais como antracnose, ponto de folha angular, ferrugem bacteriana comum, ferrugem halo e vírus mosaico comum do feijão:

  • Jesca
  • Lyamungu 85
  • Selian 97
  • Lyamungu 90
  • Selian 94
  • Yuole Njano

Os agricultores deverão selecionar variedades que possuem mercado disponível e/ou atendam às expectativas da família de sabor e cozimento. Selecionar uma variedade pode exigir alguma pesquisa de mercado pelos agricultores ou grupos de agricultores.

Para maiores informações, consulte os documentos 2 (em inglês para Ruanda), 4 (em inglês e suaíli) e 5 (em suaíli).

3. Sementes de qualidade:

Plante apenas sementes de alta qualidade. Proteja as sementes contra insetos, doenças e sementes de ervas. Não use sementes danificadas ou amassadas. Não guarde sementes de plantas doentes, pois as sementes também estão infectadas.

Sementes compradas podem ser guardadas de uma estação para outra, mas, para melhor produção e qualidade, compre sementes novas a cada três estações.

Para garantir que a semente é viável, conduza um teste de germinação dez dias antes do plantio.

Para mais informações, consulte o documento 4 (em inglês e suaíli).

4. Fertilidade do solo:

É aconselhável ter um teste de solo antes de aplicar fertilizante. O teste do solo é disponível em alguns locais da Tanzânia e fornece bons resultados e recomendações. Alguns pequenos agricultores, embora não todos, vão considerar os testes acessíveis.

O feijão fixa nitrogênio, mas não outros nutrientes. É, portanto, uma boa ideia aplicar fertilizantes que contêm fósforo no plantio, tais como TSP, SSP, DAP, NPK ou fosfato Minjingu. Mas, como alguns solos da Tanzânia contêm teor naturalmente alto de fósforo e não precisam de fósforo fertilizante, os testes de solo são úteis.

O esterco da fazenda pode também ajudar a aumentar a produção. Aplique duas a quatro toneladas por acre no plantio e suplemente com DAP, NPK ou Minjingu mazao. Use um saco de DAP por acre ou um saco de NPK (10:30:10) por acre.

Em solos degradados, pode ser necessário adicionar nitrogênio no início do cultivo do feijão. Os agricultores podem usar DAP, Minjingu mazao ou Yara legume no plantio. Nenhuma cobertura superior é necessária. Tenha em mente que o nitrogênio promove o crescimento de folhagem e quantidade excessiva resulta em plantas grandes, mas produção reduzida.

O fertilizante (químico ou orgânico) também ajuda a evitar o estabelecimento de doenças e permite que as plantas se recuperem rapidamente.

Para maiores informações, consulte os documentos 2, 4 (em inglês e suaíli) e 5 (em suaíli).

5. O plantio em fileiras com espaçamento recomendado pode também levar mais tempo no começo, mas economiza tempo mais tarde com a retirada das ervas e a colheita.

Se você plantar arbustos de feijão como única safra, este é o espaçamento recomendado:

  • Plante as fileiras a 50 cm de distância.
  • Em fileiras: Plante duas sementes a cada 20 cm. Ou plante uma semente a cada 10 cm para minimizar a competição.

Cultivo intercalado:

  • Quando em cultivo intercalado com cereais e para evitar que o feijão seja prejudicado pela sombra, plante duas fileiras de cereal e uma fileira de feijão.

Plantio intercalado de feijão com milho:

  • Plante milho a 75 cm entre as fileiras. Plante uma fileira de feijão entre fileiras de milho.
  • Em espaçamento aprimorado (conhecido como sistema mbili), cultive milho a 25 cm entre as fileiras e deixe um metro entre as fileiras de milho e duas fileiras de feijão espaçadas a 50 cm de distância (os dois sistemas de espaçamento resultam na mesma quantidade de pés de milho por hectare e, portanto, a mesma produção).

Se você não tiver uma fita métrica, use um cordão com tampas de refrigerante amarradas nas distâncias apropriadas.

Para maiores informações, consulte os documentos 2, 4 (em inglês e suaíli) e 5 (em suaíli).

6. Remova as ervas minimiza a competição entre as plantas produtoras e as ervas por nutrientes, água, luz do sol e espaço.

As ervas são também hospedeiros de algumas pragas comuns. Você pode controlar as ervas manualmente ou com produtos químicos, ou utilizar as duas abordagens.

Controle manual de ervas:

  • Plante feijão em solo livre de ervas que tenha sido arado ou cavado até preparação fina.
  • Retire as ervas cerca de duas semanas depois do plantio.
  • Retire novamente as ervas em 5-6 semanas depois do plantio.

Controle químico de ervas:

Herbicidas são disponíveis e podem ser econômicos. Existem, entretanto, desafios: (1) os agricultores não conhecem herbicidas e podem não seguir as taxas de aplicação ou os procedimentos recomendados; (2) os agricultores podem não usar precauções de segurança como o uso de roupas recomendadas.

Se você quiser usar herbicidas, procure conselhos de um agente de extensão.

Para mais informações, consulte os documentos 2 e 4 (em inglês e suaíli).

7. Controle de pragas e doenças:

Verifique o campo regularmente em busca de insetos que possam prejudicar suas plantas. As pragas mais prováveis de feijão comum na Tanzânia são afídeos, larvas dos caules do feijão, besouros da folhagem do feijão, brocas das vagens, insetos sugadores de vagens e moscas brancas.

Rotação do feijão com produtos não leguminosos ajuda a evitar o acúmulo de pragas do feijão comum. Intercalar os cultivos pode ajudar a criar espaços onde as pragas do feijão não conseguem prosperar.

O cultivo pós-colheita expõe as larvas de besouros da folhagem do feijão ao sol e as mata, reduzindo a transmissão das pragas para a estação seguinte.

O cultivo intercalado com milho também reduz as populações do gorgulho do feijão, a principal praga de armazenagem, no campo.

Para controlar as doenças:

  • use sementes limpas;
  • faça rotação das safras;
  • retire adequadamente as ervas; e
  • faça a lavoura pós-colheita.

Não use sementes de plantas doentes, pois as sementes também estão infectadas. Para doenças virais, arranque e enterre as plantas infectadas em outro local.

mosaic-disease

Vírus mosaico comum em feijão comum

Para mais informações, consulte os documentos 1, 2, 3 (em suaíli), 4 (em inglês e suaíli) e 5 (em suaíli)

8. Colheita:

Colha quando as folhas e as vagens estiverem secas e marrom-amareladas. Retardar a colheita pode causar perda de produção. Colha no começo do dia para reduzir o fracionamento de vagens.

Para mais informações, consulte os documentos 3, 4 (em inglês e suaíli) e 5 (em suaíli).

9. Práticas para lidar com tensão de umidade e baixo teor de fósforo no solo:

Em boa parte da terra de cultivo de feijão na África, existe pouco fósforo no solo disponível para uso das plantas. Existe também falta de umidade do solo. Essas duas questões podem resultar em baixa produção de feijão.

Para combater esses problemas, as seguintes práticas são recomendadas:

  • Adicione esterco orgânico para aumentar a matéria orgânica do solo, pois ele preserva a umidade e ajuda a recrutar o fósforo do solo.
  • Faça adubação verde com resíduos de safras e outra vegetação disponível para preservar a umidade do solo.
  • Use rotação de safras e lavoura mínima em fileiras de canteiros, para conservar a umidade do solo durante a estação seca e durante secas periódicas.

Para mais informações, vide o documento 7.

Onde posso encontrar outros recursos sobre este tema?

  1. Africa Soil Health Consortium (ASHC), 2015. Crop pests and diseases. CABI, Nairóbi. http://africasoilhealth.cabi.org/materials/legumes-crop-pests-and-diseases/ (479 kB, somente em inglês).
  2. Africa Soil Health Consortium (ASHC), sem data. Better beans through good agricultural practices: for farmers in Rwanda. http://africasoilhealth.cabi.org/wpcms/wp-content/uploads/2014/10/361-N2Africa-Rwanda-common-beans-booklet.pdf (1.901 kB, somente em inglês).
  3. Africa Soil Health Consortium (ASHC), sem data. Mbinu endelevu za kuthibiti magonjwa na wadudu wa maharage (Pragas e Doenças do Feijão Comum). http://africasoilhealth.cabi.org/wpcms/wp-content/uploads/2016/11/534-Bean-pests-and-diseases-leaflet.pdf (2.054 kB, em suaíli).
  4. Africa Soil Health Consortium (ASHC), sem data. Roteiros de rádio sobre vários aspectos da produção de feijão. Disponíveis para downoload em https://africasoilhealth.cabi.org/materials/ (em inglês e suaíli).
  5. Africa Soil Health Consortium (ASHC), sem data. Tupande Maharage Bingwa (Manual de Feijão Comum). http://africasoilhealth.cabi.org/wpcms/wp-content/uploads/2016/11/521-Common-bean-manual-Kiswahili-.pdf (12.849 kB, em suaíli).
  6. Ramirez-Villegas, J., Thornton, P. K., 2015. Climate change impacts on African crop production. Documento CCAFS n° 119. Programa de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas do CGIAR, Agriculture and Food Security (CCAFS). Copenhague, Dinamarca. https://cgspace.cgiar.org/bitstream/handle/10568/66560/WP119_FINAL.pdf (3.011 kB, somente em inglês).
  7. Namugwanya Margaret, Tenywa, J. S., Otabbong, E., Mubiru, D. N., Basamba, T. S., 2014. Development of Common Bean (Phaseolus Vulgaris L.) Production Under Low Soil Phosphorus and Drought in Sub-Saharan Africa: A Review. Journal of Sustainable Development; Vol. 7, No. 5; 2014. Disponível em www.ccsenet.org/journal/index.php/jsd/article/download/38006/22352 (somente em inglês, 219 kB).

Principais definições:

  • Legume: planta da família das fabáceas ou leguminosas, fruto ou semente dessa planta. Os legumes são principalmente cultivados pelas suas sementes em grãos, também chamadas de leguminosas, e também como alimento para animais e adubo verde. Exemplos de legumes comestíveis incluem: ervilhas secas, feijão, lentilhas, soja, amendoins e tamarindo.
  • pH do solo: medida da acidez ou alcalinidade relativa do solo. pH do solo abaixo de 7 é ácido e acima de 7 é alcalino. A maior parte das plantas cresce melhor sob pH de 5,5 a 7,0.
  • Preparo: preparo ou preparo do solo designa a condição física do solo, especialmente sua adequação para o plantio ou cultivo de safras. Fatores que determinam o preparo incluem a formação e a estabilidade de partículas de solo agregadas, teor de umidade, grau de aeração e taxa de infiltração de água e drenagem.

Créditos:

Contribuição de Vijay Cuddeford, editor gerente, Rádio Rural Internacional, com base em CABI, Technology and messaging brief for the Legume Alliance campaign: Notes for Northern Tanzania common bean growing, documento não publicado.

Este trabalho foi conduzido com o auxílio de doação do Centro Internacional de Pesquisa para o Desenvolvimento, Ottawa, Canadá, www.idrc.ca, e com apoio financeiro do Governo do Canadá, fornecido por meio da Global Affairs Canada, www.international.gc.ca.


A Rádio Rural Internacional (Farm Radio International) é uma organização canadense sem fins lucrativos dedicada a apoiar emissoras de rádio em países em desenvolvimento para fortalecer comunidades rurais e a agricultura em escala.

Segundo a organização, o material da Rádio Rural Internacional pode ser copiado ou adaptado para distribuição gratuita ou a preço de custo, com crédito para a Rádio Rural Internacional e para as fontes originais.

Esta versão em português é um trabalho voluntário, independente da organização e oferecido gratuitamente para as emissoras de rádio dos países de língua portuguesa. O texto foi traduzido para o português do Brasil, mas pode ser adaptado com facilidade para o português falado em outras partes do mundo (para dúvidas sobre os termos empregados, utilize o formulário de contato em https://radioruralportugues.wordpress.com/creditos-e-contato/).

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