Aflatoxina: inimiga dos alimentos e das pessoas

Material produzido pela Rádio Rural Internacional em 1° de novembro de 2006, como parte do pacote de informações n° 79.

Original em inglês disponível em: http://scripts.farmradio.fm/radio-resource-packs/package-79/aflatoxin-enemy-of-food-and-people/.


Observações para as emissoras:

Infelizmente, os seres humanos não são a única espécie que gosta de comer os alimentos produzidos pelos agricultores. Além da conhecida fome dos insetos, pássaros e roedores, existem muitos tipos de fungos microscópicos e bactérias que atacam os alimentos e, muitas vezes, tornam-nos inadequados para o consumo humano. A aflatoxina é uma substância venenosa produzida por alguns tipos de fungos. Ela cresce sobre cereais, legumes e tubérculos, incluindo milho e amendoim. A aflatoxina não só estraga os alimentos; ela pode também deixar as pessoas muito doentes. A aflatoxina pode também causar impactos econômicos para os agricultores e toda a economia de exportação de um país. A presença de aflatoxinas ou outros contaminantes indica que os alimentos não podem ser vendidos por bons preços. Mercados internacionais lucrativos como a União Europeia permitem apenas níveis muito baixos de aflatoxinas em alimentos importados da África ou de outras regiões.

Em muitas regiões, os agricultores nunca ouviram falar de aflatoxina. Os radialistas podem prestar um grande serviço para os agricultores passando informações confiáveis sobre aflatoxina, incluindo os tipo de práticas de armazenagem e administração necessárias para evitar contminação por aflatoxina.

No roteiro, existem duas passagens de cientistas falando. Existem várias formas de adaptar esta parte do roteiro. De forma mais simples, você poderá ignorar a passagem e inserir simplesmente uma questão à qual o médico responde com o texto da pasagem. Se você usar atores para representar os cientistas, poderá gravar o ator e inserir a gravação no local apropriado. Como sempre, adapte o roteiro à sua situação local e às suas capacidades.


Roteiro:

Vinheta de abertura, que permanece sob o apresentador.

Apresentador: Na África e em outras partes do mundo, alimentos de baixa qualidade às vezes são responsáveis pela má saúde das pessoas e dos animais. Os alimentos podem ser contaminados por danos causados pelos insetos, resíduos de pesticidas ou venenos de espécies de fungos que crescem sobre os alimentos. Um dos contaminantes mais perigosos é a aflatoxina. A aflatoxina é produzida quando técnicas inadequadas de colheita e armazenagem fazem com que alguns tipos de alimentos desenvolvam mofo. Na entrevista que vamos ouvir, o Dr. H, pesquisador sobre questões de pós-colheita, e o Dr. K, que é médico, vão explicar o trabalho de uma equipe de cientistas que estão combatendo o problema da aflatoxina. Sem perder mais tempo, convido você a ouvir o programa.

Vinheta de abertura por dez segundos, depois desaparece.

Dr. H: Os alimentos que comemos podem estar contaminados por toxinas ou venenos como mofos e fungos. Eu trabalho com uma toxina específica chamada aflatoxina. A aflatoxina é uma substância produzida por um fungo que é encontrado no mofo. Ela cresce em alimentos como milho, amendoim e muitos outros produtos.

Apresentador: Essas palavras sensatas do Dr. H ressaltam a importância do tema que ele vai discutir hoje conosco, que são os impactos da aflatoxina à saúde. A aflatoxina cresce no produto colhido pelos agricultores. Quando as pessoas consomem alimentos que contêm aflatoxina, a sua saúde pode ser seriamente afetada. (Pausa curta) Dr. H, bem-vindo ao nosso programa. Poderia dar alguns exemplos específicos dos impactos da aflatoxina à saúde?

Dr. H: As pessoas que ingerem grandes quantidades de aflatoxina podem realmente morrer de intoxicação. Até agora, não soubemos de nenhum caso sério na República do Benin, mas, no Quênia, a história é diferente. No Quênia, tem havido casos de pessoas expostas a altos níveis de aflatoxinas que morreram. Na República do Benin, as pessoas normalmente são expostas a quantidades menores por um longo período de tempo. As crianças que examinamos demonstraram que a exposição contínua dificulta o seu crescimento. As crianças que vivem em regiões com níveis mais altos de aflatoxina são muito menores que as crianças que vivem em regiões com níveis de aflatoxina mais baixos.

Apresentador: Quais são os sintomas da exposição à aflatoxina?

Dr. H: Os sintomas variam, dependendo de qual órgão é afetado. Se o fígado for afetado, por exemplo, a pessoa vai sofrer de icterícia e seus olhos ficarão amarelos. Se as aflatoxinas prejudicarem a absorção de proteínas no corpo da criança, ela vai sofrer de kwashiorkor, um tipo sério de desnutrição. Se as aflatoxinas afetarem a absorção de vitamina A, o crescimento da criança será prejudicado.

Apresentador: O mofo que produz aflatoxina cresce sobre cereais, legumes e tubérculos. Mas, no momento, os pesquisadores estão se concentrando principalmente em milho, que é o produto alimentício mais importante em muitos países africanos. Como a aflatoxina afeta o milho, Dr. H?

Dr. H: O milho frequentemente mofa porque os agricultores não dispõem de boas condições de secagem e armazenagem. As pessoas colhem mal, armazenam mal e deixam o alimento armazenado sobre o solo, em parte porque elas não entendem que a contaminação por aflatoxina é algo sério.

Apresentador: Como o sr. explica a aflatoxina para o agricultores, que podem não entender o que é isso?

Dr. H: Quando falamos com os agricultores, dizemos que a aflatoxina é um veneno. Todos os agricultores sabem o que é veneno porque eles usam veneno para ratos. Nós perguntamos a eles o que os venenos fazem para os ratos quando entram nos corpos deles. Eles destroem os órgãos e matam o animal. A aflatoxina faz a mesma coisa.

Apresentador: Como médico, o que o sr. recomenda para combater o envenenamento por aflatoxina?

Dr. H: Infelizmente, a minha resposta pode desapontar você. Não existe tratamento contra envenenamento por aflatoxina. Existem apenas métodos de prevenção. Eu preciso deixar isso claro: não existe medicamento que possa tratar a aflatoxina.

Apresentador: Então, como médico, como o sr. contribui para evitar o envenenamento por aflatoxina?

Dr. H: Uma forma é incentivar os agricultores a adotar melhores práticas pós-colheita. As pessoas devem fazer a colheita na data certa, especialmente o milho. As instalações de armazenagem também precisam ser muito limpas e ter boas condições sanitárias. E as pessoas precisam dedicar tempo para separar o bom produto do ruim. Infelizmente, devido à pobreza, a seleção de produto está se tornando cada vez mais difícil. Mas, sem esforços para mudar esta situação, continuaremos a sofrer problemas com aflatoxina.

Apresentador: O sr. tem esperança de que a situação possa melhorar?

Dr. H: Eu sou otimista. Quando vou para o campo, as pessoas conhecem a palavra “aflatoxina”. Elas se preocupam com isso. O desafio é manter esse nível de consciência para que resulte em mudanças de comportamento – em outras palavras, em melhores práticas pós-colheita.

Apresentador: Obrigado, Dr. H. (Pausa) O otimismo do Dr. H não pode esconder o fato de que a medicina moderna não consegue curar envenenamentos por aflatoxina. Mas, se a ciência não pode curar, o que acontece com as pessoas do campo e os consumidores? Uma medida, como mencionou o Dr. H, são melhores tecnologias pós-colheita. O Dr. K é especialista em questões pós-colheita.

Dr. K: Embora os problemas com aflatoxina comecem nos campos dos agricultores, as condições de armazenagem podem aumentar muito os níveis de aflatoxina. Muitas vezes, devido à forma em que os produtos são armazenados na África, as pessoas esquecem os produtos armazenados até o dia em que elas querem vendê-los. Esta é uma política perigosa quando você está lidando com aflatoxina. Outros tipos de sistemas de armazenagem exigem que os agricultores examinem produtos armazenados todos os meses e pedem que eles tomem certas ações com base nas suas observações.

Apresentador: Bem-vindo, Dr. K. O que o seu projeto recomenda como práticas pós-colheita?

Dr. K: O nosso projeto mostra aos agricultores como tratar os seus produtos com substâncias que não apresentem altos riscos para a saúde humana. Nós sugerimos que, no momento da colheita, os agricultores selecionem as espigas de milho que tenham sido atacadas por insetos e as separem, mantendo apenas as espigas boas em celeiros tradicionais. Também recomendamos que, após três meses de armazenagem em celeiros tradicionais ainda com as cascas, é necessário segundo tratamento. Os agricultores deverão descascar o milho e tratar as sementes com um inseticida de armazenagem seguro, depois armazenar as sementes tratadas em sacos por três a seis meses antes de vendê-las ou comê-las. Em alguns casos, os produtos tratados desta forma podem ser armazenados por nove a doze meses.

Apresentador: Qual é a reação dos agricultores quando o sr. fala com eles sobre aflatoxina?

Dr. K: A maioria deles não acredita que a aflatoxina existe. A aflatoxina possui implicações à saúde a longo prazo, mas não apresenta sintomas imediatos, exceto quando as pessoas são expostas a níveis muito altos, como aconteceu no Quênia. Mas, depois da condução de campanhas de conscientização, observamos que existem mudanças de comportamento, particularmente entre os comerciantes.

Apresentador: Obrigado pelo seu tempo e pelo seu conhecimento, Dr. K. (Pausa) Como dizem os pesquisadores, se os nossos bravos agricultores praticarem técnicas de pós-colheitas melhores e sanitárias, os contaminantes não terão oportunidade de arruinar as nossas vidas e nos envenenar pelo alimento que comemos. As instalações de armazenagem devem estar muito limpas e em boas condições sanitárias. Além disso, os produtos devem ser selecionados após a colheita, de forma que produtos danificados pelos insetos não sejam armazenados com produtos não danificados. Depois de fazer essas mudanças, podemos esperar alimentos de qualidae, melhor saúde e melhor comércio nos mercados tropicais. Isso é particularmente verdadeiro na África, onde a umidade é sinônimo de mofo, a fonte de todos os nossos problemas com aflatoxina.

Vinheta de abertura sobe por alguns segundos, depois desaparece sob o apresentador.

Apresentador: Obrigado por ouvir nosso programa sobre saúde pública e tenha cuidado para não comprar produtos mofados quando for ao mercado. Até a próxima!


Créditos:

Contribuição de Emmanuel S. Tachin, Serviço de Informação e Comunicação, IITA – Ibadan.

Revisão: Ranajit Bandyopadhyay, Patologista Vegetal, Instituto Internacional de Agricultura Tropical (IITA), Ibadan, Nigéria.

Obs.: Este roteiro é adaptado de entrevistas conduzidas por Emmanuel S. Tachin com o Dr. Hounsa e o Dr. Hell, do Instituto Internacional de Agricultura Tropical, no Benin.


A Rádio Rural Internacional (Farm Radio International) é uma organização canadense sem fins lucrativos dedicada a apoiar emissoras de rádio em países em desenvolvimento para fortalecer comunidades rurais e a agricultura em escala.

Segundo a organização, o material da Rádio Rural Internacional pode ser copiado ou adaptado para distribuição gratuita ou a preço de custo, com crédito para a Rádio Rural Internacional e para as fontes originais.

Esta versão em português é um trabalho voluntário, independente da organização e oferecido gratuitamente para as emissoras de rádio dos países de língua portuguesa. O texto foi traduzido para o português do Brasil, mas pode ser adaptado com facilidade para o português falado em outras partes do mundo (para dúvidas sobre os termos empregados, utilize o formulário de contato em https://radioruralportugues.wordpress.com/creditos-e-contato/).

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