Comunidade combate a má nutrição com vegetais folhosos locais

Material produzido pela Rádio Rural Internacional em 1º de abril de 2011, como parte do pacote de informações n° 93.

Original em inglês disponível em: http://scripts.farmradio.fm/radio-resource-packs/package-93-healthy-communities/a-community-fights-malnutrition-with-local-leafy-vegetables/.


Observações para as emissoras:

Nós comemos para viver. Sem alimentos, sofremos fome. Mas a fome não é apenas não ter o suficiente para comer; ela tem também a ver com o que você come. A “fome oculta” ocorre quando as pessoas sofrem de má nutrição de micronutrientes. Os micronutrientes são vitaminas e minerais. Ao contrário dos macronutrientes, como cálcio e magnésio, eles são necessários em quantidades menores. Mesmo assim, eles são essenciais para a boa saúde. Milhões de pessoas, tipicamente aquelas que vivem nas áreas rurais, comem alimentos básicos como milho, mandioca e batata doce. Embora estes encham a barriga, eles não podem fornecer sozinhos os micronutrientes suficientes para as pessoas.

Os cientistas começaram a desenvolver produtos agrícolas com níveis mais altos de micronutrientes. Embora esses esforços estejam em andamento, existem muitos vegetais folhosos africanos nativos com altos níveis de vitaminas, minerais e micronutrientes. Mas esses vegetais locais estão sendo subutilizados devido à falta de conhecimento.

Este roteiro é baseado em entrevistas reais. Você poderá utilizá-lo como inspiração para pesquisar e escrever um roteiro sobre um tema similar na sua região. Ou você poderá decidir produzir este roteiro na sua emissora, usando radioatores para representar as pessoas. Se o fizer, não se esqueça de dizer aos seus ouvintes no início do programa que as vozes são de atores e não das pessoas originalmente envolvidas nas entrevistas.

Roteiro:

Vinheta de abertura por dez segundos, depois diminui e permanece sob o apresentador

Apresentador: Bem-vindo ao seu programa favorito, Saúde é o que importa. A boa nutrição é importante para a boa saúde. A ideia de melhorar a nutrição para resolver problemas de saúde foi levantada em um recente fórum de agricultores. O nosso repórter esteve lá para entrevistar o chefe da comunidade de Abotanso e o agente de extensão rural da região. Fique ligado, esteja onde estiver.

Vinheta sobe por cinco segundos e desaparece

Som de música tradicional ao fundo

Repórter: Estou em Abotanso, uma comunidade nos limites de Koforidua, a capital da Região Leste de Gana. De onde estou, posso ver sacos de areia colocados sobre cursos d’água para verificar a erosão. A comunidade parece limpa e arrumada. Os membros da comunidade acabaram neste instante uma reunião especial. Eles estão celebrando um dia bem sucedido com tambores, cantos e danças.

Eu tenho comigo duas pessoas, fora da reunião. Eu gostaria que eles se apresentassem; primeiro, a senhora.

Gifty: Sou Gifty, agente de extensão rural para Abotanso e sua área vizinha. Estou trabalhando aqui há cinco anos.

Adjei: Sou Papa Adjei, chefe da comunidade de Abotanso. Eu nasci e cresci aqui. Herdei a chefia do meu pai, que morreu doze anos atrás.

Repórter: Sobre o que foi a reunião, Papa Adjei?

Adjei: Cinco anos atrás, o Ministério da Alimentação e Agricultura apresentou aqui um projeto de administração da terra e água. Nós implementamos o projeto ao longo dos anos. Nós nos reunimos para discutir os resultados de longo prazo das nossas atividades agrícolas.

Sobe som de tambores e canto, que cai sob o apresentador

Apresentador: Parece que as pessoas de Abotanso ganharam muito com o projeto agrícola. (Pausa) Os tambores aumentaram. Vamos continuar a conversa.

Sobem tambores e cantos, que diminuem em seguida e permanecem sob a entrevista

Repórter: Quais são os resultados do projeto, chefe?

Adjei: Nós aumentamos a fertilidade das terras fracas. Agora temos mais árvores. Nossa safra está tendo bons resultados. Ganhamos muito dinheiro vendendo nossos produtos. A agente de extensão nos ajudou muito. Mas a maior conquista é como ela nos aconselhou a cultivar e comer mais vegetais folhosos para melhorar a nossa saúde.

Repórter: Gifty, o chefe está feliz com o seu trabalho. Por que a sra. recomendou vegetais folhosos para eles?

Gifty: Dois anos atrás, eu visitei Papa Adjei em casa e ele não estava se sentido bem. Ele não conseguia ficar em pé. Ele não sabia, mas tinha falta de vitaminas e minerais.

Adjei: No dia em que ela me visitou, eu não tinha energia suficiente.

Repórter: Como a sra. sabia que ele estava com falta de vitaminas e minerais?

Gifty: Ele me mostrou a lista de remédios que o médico havia pedido que ele comprasse. Eram basicamente vitaminas e minerais. Mas as pessoas podem conseguir esses micronutrientes diretamente dos seus alimentos, especialmente vegetais folhosos locais frescos. Então falei com a esposa dele e pedi que ela cozinhasse mais alefu, gboma, ayoyo e kontomire (nota do editor: alefu é uma espécie de Amaranthus, gboma é Solanum macrocarpon, ayoyo é uma espécie de Cochorus e kontonmire é Xanthosoma ou Colocasia).

Repórter: Agente de extensão, a sra. falou em micronutrientes?

Gifty: Sim. São substâncias dos alimentos que são necessárias para o corpo humano em pequenas quantidades. Mesmo assim, eles são essenciais para a boa saúde.

Repórter: Quais são alguns desses micronutrientes?

Gifty: Alguns micronutrientes importantes são vitamina A, ferro, zinco e iodo. A Vitamina A melhora a visão; ferro e zinco são bons para fluidos corporais como o sangue, enquanto o iodo evita o bócio.

Repórter: Por que a sra. recomendou esses vegetais e não outros produtos?

Gifty: Primeiro porque eles são nutritivos. Além disso, as suas sementes são facilmente disponíveis e o solo e o clima aqui são apropriados. Acima de tudo, esses vegetais folhosos amadurecem muito cedo. A maioria deles leva apenas de 40 a 60 dias da semeadura até a colheita. Os agricultores podem colhê-los várias vezes por ano.

Repórter: Papa Adjei, por que o sr. não estava comendo essas folhas antes em quantidade suficiente?

Adjei: Nós não sabíamos que os vegetais locais podiam ser tão nutritivos. Eu achava que as folhas locais eram comida dos pobres. Nós preferíamos produtos de fora como alface e repolho, mesmo seu cultivo sendo mais difícil…

Gifty: (interrompendo) Eles cultivam os seus produtos e vendem tudo… tudo, incluindo as plantas locais, por dinheiro!

Riem.

Adjei: (brincando) Bem, não conte tudo o que você viu!

Repórter: Papa Adjei, como o sr. cultiva essas plantas? Compartilhe o seu conhecimento com os demais, por favor.

Adjei: Nós costumávamos espalhar as sementes. Mas a agente de extensão nos ensinou a cultivá-las em estufas e transplantar depois de três a quatro semanas. Outras sementes são plantadas diretamente, com espaçamento correto. Depois de limpar as ervas uma ou duas vezes, os produtos estão prontos para a colheita.

Repórter: Como o sr. controla as pragas e doenças?

Adjei: Os vegetais locais têm menos pragas e doenças que os de fora, mas nós usamos extrato de árvore de neem e cinza de madeira para proteger a produção (nota do editor: neem é uma planta com propriedades inseticidas).

Repórter: Como os agricultores fazem o extrato de neem?

Gifty: Os agricultores arrancam e lavam as folhas de neem com água. Deois eles esmagam as folhas em um pilão até conseguirem uma pasta. Você embebe um quilo daquela pasta em quinze litros de água por uma noite. Depois você agita e peneira a mistura em um pulverizador costal. Você pulveriza as plantas quando observar insetos.

Repórter: E se os agricultores não tiverem acesso a um pulverizador costal? Como eles fazem a aplicação?

Gifty: São usados regadores, latas perfuradas e cabaças. O agricultor pode também amarrar folhas para formar um pincel e aplicar a mistura com ele.

Repórter: Papa Adjei, como são as suas refeições diárias típicas, agora que o sr. começou a comer mais vegetais folhosos verdes locais?

Adjei: De manhã, eu como folhas de moringa cozida com óleo e kose para acompanhar o meu koko. O meu almoço normalmente é inhame cozido com um ensopado feito com alefu ou kontomire. Em vez do fufu habitual com sopa leve no jantar, agora eu como fufu com sopa feita de legumes folhosos verdes (nota do editor: kose é bolo de feijão; koko é um mingau leve de cereais; fufu é uma pasta grossa de tubérculos e raízes moídas cozidas).

Repórter: Como o sr. se sente depois de comer mais vegetais folhosos frescos?

Adjei: Eu não vou ao hospital com a mesma frequência de antes. Os meus filhos não perdem tanto a escola por doença. A minha esposa faz as tarefas domésticas sem ficar tão cansada como antes.

Repórter: O que mais a sra. fez no projeto para incentivar as pessoas a comerem esses vegetais nativos?

Gifty: Como eu disse antes, falei com a esposa de Papa Adjei. Eu também convoquei reuniões em grupo e falei com os agricultores da comunidade a respeito. Eles estão seguindo o meu conselho e isso funciona para eles.

Apresentador: Bem, ouvinte, vamos fazer um pequeno intervalo. Quando voltarmos, nossos amigos terão alguns conselhos para nós.

Intervalo musical de vinte segundos com tambores e cantos tradicionais

Repórter: Irmã Gifty, que conselho a sra. tem para as pessoas de outras comunidades?

Gifty: Os nossos alimentos locais contêm muitos nutrientes. Eu incentivo todos os agricultores a cultivar cada vez mais os nossos vegetais folhosos locais. Isso porque eles são alimentos e remédios.

Repórter: Antes do sr. ir, chefe, o que tem a nos dizer?

Adjei: Eu quero que esta nossa experiência seja gravada no veículo de informações agrícolas móvel e ouvida com frequência até que muitas pessoas deem valor ao que temos aqui.

Apresentador: Chegamos ao final do programa, com os conselhos dos nossos convidados para cultivar e comer mais vegetais folhosos frescos. Precisamos também espalhar a mensagem para os demais. Até o nosso próximo encontro e mantenha-se saudável. Sou _______, o seu apresentador.

Vinheta sobe e desaparece


Créditos:

  • Contribuição de Gabriel Adukpo, Ministério da Alimentação e Agricultura, Koforidua, Gana.
  • Revisão: Liliane Kambirigi, Responsável de Informações, Divisão de Relações com a Imprensa, Escritório de Comunicação Corporativa e Relações Externas, Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

Fontes de informação:

  • Ball, A-M, 2008. Biofortification: New crops tackle hidden hunger. Viewpoint, Spore n° 138. http://spore.cta.int/index.php?option=com_content&task=view&id=735&catid=1.
  • Shackleton, C. M. et al, (Eds.), 2009, African Indigenous Vegetables in Urban Agriculture. Earthscan, Londres, Reino Unido, e Sterling, Virgínia.
  • Tweneboah, C. K., 1998, Cultivation of vegetables and spices in West Africa. C. K. Tweneboah e Co-wood Publishers.
  • Agradecimentos: Adjei Normenyo, chefe, comunidade de Abotanso e Gifty Osafo, agente de extensão rural. Entrevistados em 19 de outubro de 2010.

A Rádio Rural Internacional (Farm Radio International) é uma organização canadense sem fins lucrativos dedicada a apoiar emissoras de rádio em países em desenvolvimento para fortalecer comunidades rurais e a agricultura em pequena escala.

Segundo a organização, o material da Rádio Rural Internacional pode ser copiado ou adaptado para distribuição gratuita ou a preço de custo, com crédito para a Rádio Rural Internacional e para as fontes originais.

Esta versão em português é um trabalho voluntário, independente da organização e oferecido gratuitamente para as emissoras de rádio dos países de língua portuguesa. O texto foi traduzido para o português do Brasil, mas pode ser adaptado com facilidade para o português falado em outras partes do mundo (para dúvidas sobre os termos empregados, utilize o formulário de contato em https://radioruralportugues.wordpress.com/creditos-e-contato/).

 

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