Reconstrução da terra (parte 2)

Reparar as fugas de solo

Material produzido pela Rádio Rural Internacional em 24 de março de 2015, como parte do pacote de informações n° 101.

Original em inglês disponível em: http://scripts.farmradio.fm/radio-resource-packs/101-getting-and-using-audience-feedback-and-evaluating-radio-programs/repairing-the-land-ii-plugging-the-soil-leaks/.


Observações para as emissoras:

As regiões montanhosas em volta do Monte Elgon, no leste de Uganda, são algumas das mais férteis do leste africano. Como resultado, os agricultores das áreas vizinhas gravitaram por ali ao longo dos anos. A população apresenta crescimento estável, o que significa que a terra disponível para agricultores individuais vem ficando cada vez menor. Devido ao crescimento da população, as pessoas vêm queimando arbustos e limpando florestas para pavimentar o caminho para as atividades humanas sempre crescentes. Em algumas regiões, essas atividades invadiram os parques nacionais, desencadeando brigas entre o governo e as comunidades.

Devido a esse aumento da pressão sobre a terra, a erosão do solo é disseminada em muitas regiões. Em algumas encostas, deslizamentos de terra enterraram aldeias inteiras devido à falta de árvores para manter o solo no lugar.

Em 2011, uma ONG internacional denominada União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN) começou uma campanha na região. A campanha tinha diversos objetivos: restaurar a paisagem florestal que havia sido completamente destruída por anos de queima de arbustos e corte de árvores, fortalecer a capacidade local de implementar adaptações “com base no ecossistema” às mudanças climáticas e reduzir a vulnerabilidade das comunidades do ecossistema do Monte Elgon.

As pessoas das planícies e dos morros estavam sofrendo perda de produção. Mas as causas eram um pouco diferentes. A perda de produção nas planícies era causada pelas secas intensas devido à falta de cobertura vegetal. Nos morros, a produção era reduzida porque a água que corria morro abaixo havia levado embora a camada superior do solo.

A erosão do solo é um grande problema para as comunidades que vivem no alto dos morros do Distrito de Kapchorwa. Por isso, a IUCN incentiva as pessoas que vivem e cultivam nas encostas de morros a adotar práticas de redução da erosão do solo pela água corrente.

Por meio de um projeto chamado Adaptação às mudanças climáticas com base em ecossistemas, a IUCN incentivou os agricultores a cavar trincheiras nas encostas dos seus campos montanhosos, criar faixas de contorno nos seus campos e plantar capim-elefante ao longo das linhas divisórias das suas fazendas. Eles incentivaram as pessoas que moravam ao longo das margens dos rios a deixar uma zona de segurança com quinze metros de largura entre o rio e a fazenda e a adotar práticas como adubação verde, irrigação e plantio de árvores.

Como resultado, lentamente mas com segurança, ao longo dos últimos três anos, os solos vêm recuperando sua fertilidade e muitos agricultores estão muito satisfeitos por terem considerado os conselhos da IUCN.

Este roteiro é baseado em entrevistas reais. Você poderá optar por produzir este roteiro como parte do seu programa agrícola regular, usando vozes de atores para representar as pessoas. Se o fizer, não se esqueça de dizer aos seus ouvintes no início do programa que as vozes são de atores e não das pessoas originalmente envolvidas nas entrevistas.

Você poderá também utilizar este roteiro como inspiração para pesquisar e desenvolver um programa de rádio sobre os benefícios da redução da erosão do solo na sua própria região.

Caso você decida utilizar este roteiro como inspiração para criar o seu próprio programa, você poderá falar com agricultores e outros especialistas e formular as seguintes questões:

  • O que os agricultores da sua região fazem para evitar que a água corrente leve embora a camada superior do solo nas suas fazendas?
  • Quais são os motivos da não adoção de práticas que reduzem a erosão do solo? Em Kapchorwa, no leste de Uganda, por exemplo, alguns agricultores ao longo das margens dos rios acreditam que a criação de uma zona de segurança entre o rio e a fazenda é desperdício de terra boa para plantio, enquanto outros temem que a zona de segurança acabe sendo tomada pelo governo e agregada ao parque nacional próximo.
  • Os agricultores encontraram soluções para estes e outros desafios? Em caso afirmativo, convide esses agricultores (ou agentes de extensão e outros especialistas) a contar suas hsitórias no ar.

Você poderá também apresentar um programa de ligações telefônicas para que os agricultores falem sobre essas questões. Você poderá convidar um especialista para falar e responder às questões e comentários dos agricultores.

Este programa tem duração de cerca de vinte minutos, incluindo as vinhetas de abertura e de encerramento.


Roteiro:

Apresentador: Olá, ouvinte, e bem-vindo ao programa. Meu nome é _______. Hoje, vamos mostrar como os agricultores estão reduzindo a erosão do solo e aumentando a produção agrícola nas aldeias montanhosas em volta do Monte Elgon, no Distrito de Kapchorwa, no leste de Uganda.

Estou no Distrito de Kapchorwa para visitar agricultores e aprender sobre diferentes formas de redução da erosão do solo sobre terras montanhosas e como reduzir a erosão do solo é importante para a agricultura. Mais tarde, vou conversar com um assistente de campo que trabalha para uma organização chamada União Internacional para a Conservação da Natureza, ou IUCN. Ele vem fazendo muito para convencer os agricultores da região a adotar práticas que reduzem a erosão do solo.

Mas, primeiro, vamos para a aldeia de Kaptokwoi encontrar alguns agricultores: a Sra. Bushendich Annet, o Sr. Silkei Mike Chemusto e Mzee Somikwo Charles (nota do editor: “mzee” é um termo respeitoso, frequentemente concedido a homens mais velhos e/ou respeitados). Estes agricultores estão felizes porque seus campos estão recuperando a fertilidade depois que eles adotaram as práticas que aprenderam com a IUCN.

Vinheta de abertura sobe e desce

Carro dando marcha a ré e motor de carro

Silkei: (perto do microfone, projetando a voz) Amigos, este deve ser o nosso visitante da estação de rádio.

Somikwo: (perto do microfone, projetando a voz) Bem, vamos então colocar as cadeiras na varanda, pessoal.

Motor do carro para, as portas abrem e fecham.

Apresentador: (movendo-se em direção ao microfone) Senhoras e senhores, espero estar no horário.

Silkei: (tom de boas vindas) Bem, a última pessoa acabou de chegar um minuto atrás, então você está no horário. Bem-vindo a Kaptokwoi!

Apresentador: Este é um lugar bonito. Eu adoro as montanhas.

Somikwo: (rindo) Bem, esta é Kapchorwa. Todos os visitantes que vêm aqui adoram. Gostaria de sentar-se?

Apresentador: Sim! Olá, meu nome é ___________ e é um prazer estar aqui.

Somikwo: Bem-vindo, eu sou Somikwo Charles.

Apresentador: Prazer em conhecê-lo, Sr. Somikwo. Olá, senhora!

Bushendich: Olá, senhor. Sou Bushendich. Bem-vindo a Kaptokwoi!

Apresentador: Obrigado.

Silkei: E eu sou Silkei Chemusto. Bem-vindo à minha casa, (brincando) por isso é minha responsabilidade dar-lhe uma cadeira!

Todos: Riem.

Apresentador: Obrigado, senhor!

As cadeiras são puxadas.

Apresentador: (espantado) Preciso dizer que esta aldeia é muito bonita! Ah, as montanhas! Esses campos, cada um com uma plantação diferente – eles parecem tão bonitos! Esses morros devem ser muito férteis. Há plantações em toda parte!

Bushendich: (ri) Há plantações em toda parte porque precisamos comer. E os morros poderiam ser férteis, mas há muitos anos temos um problema de água corrente que leva embora a camada superior do solo quando chove. Então, ele não é tão fértil como costumava ser.

Apresentador: Senhora, as pessoas dos morros não desenvolveram formas de reduzir a erosão do solo ao longo dos anos?

Bushendich: Sim. Historicamente, a maioria das pessoas cavava trincheiras para direcionar a água para longe do jardim.

Apresentador: E isso deve ter solucionado o problema.

Bushendich: Na verdade, não. A água corrente ainda levava a camada superior do solo e nós não sabíamos o que fazer.

Apresentador: Descreva essas trincheiras para mim, por favor.

Bushendich: Costumávamos cavar trincheiras sobre os limites da fazenda correndo de cima para baixo no morro, de forma que, quando a água da chuva vinha, ela fluiria ao longo da trincheira, para fora dos limites da fazenda e não passaria através da fazenda para levar embora a camada superior do nosso solo.

Apresentador: A sra. disse que costumava fazer trincheiras. Isso não é mais necessário?

Bushendich: Ninguém que compareceu ao treinamento na IUCN cava mais esse tipo de trincheira.

Apresentador: Quando foi esse treinamento?

Bushendich: Em 2013.

Apresentador: Por que esse método de cavar trincheiras deixou de ser usado depois do treinamento?

Bushendich: Porque ele não evitava que a camada superior do solo fosse levada embora pela água. Em alguns casos, ele piorava o problema.

Apresentador: Sr. Silkei, o sr. conhece alguém nesta aldeia que sofria de erosão do solo no passado?

Silkei: Eu mesmo sofria os efeitos da erosão do solo. O que Bushendich disse é verdade e posso dar um exemplo. Em 1995, eu comprei um pedaço de terra virgem. Nos primeiros anos, eu plantei dez sacos de batatas inglesas e colhi cem sacos. Mas a terra ficava em uma encosta, como muitos outros campos nesta aldeia. Por isso, sempre que chovia, eu perdia muito solo.

Eu cavava o tipo de trincheiras que Bushendich descreveu, sobre os lados do meu campo, para impedir que a água da chuva levasse o meu solo. Mas nada de bom veio com isso. O problema continuou ano após ano e os meus campos estavam cada vez piores. Doze anos mais tarde, em 2007, eu plantei dez sacos de batatas inglesas no mesmo canteiro e consegui colher apenas oito sacos.

Apresentador: O que o sr. fez então?

Silkei: Desisti do canteiro. Eu o abandonei. Não fazia sentido plantar nada ali.

Apresentador: O sr. vai mantê-lo abandonado por quanto tempo?

Silkei: Ah, não. Eu já voltei a plantar nele. Depois do treinamento da IUCN e depois de aprender como cavar trincheiras da forma certa e com melhores formas de controlar a erosão do solo, decidi tentar de novo.

Apresentador: Espere um pouco. O sr. está dizendo que cavar trincheiras da forma certa faz com que a terra recupere a sua fertilidade?

Silkei: (rindo) Bem, se a água da chuva que vem de cima do morro trouxer muito solo e o depositar nas suas trincheiras, uma hora a sua terra vai se tornar muito fértil. E cavar o tipo certo de trincheira também faz com que a sua terra pare de perder a fertilidade.

Apresentador: Foi assim que a sua terra recuperou a fertilidade?

Silkei: Não, eu apliquei fertilizantes químicos. Mas o treinamento me deu esperança de que a minha terra poderia ser útil outra vez. Então, eu cavei o tipo certo de trincheira e comecei a usar o campo novamente.

Apresentador: Qual é a forma certa de cavar trincheiras em uma fazenda?

Silkei: A forma certa é cavar trincheiras cruzando o morro e não como costumávamos fazer, em uma linha de cima do morro para baixo.

Apresentador: Por que este método é melhor?

Silkei: Porque, assim, quando a água corrente vem de cima do morro, ela se deposita na trincheira em vez de correr para baixo. E, em vez de levar embora a camada superior do solo, ela deposita o solo nas trincheiras. Depois, nós retiramos esse solo e o espalhamos sobre a fazenda.

Somikwo: Eu tenho uma coisa a acrescentar.

Apresentador: Sim, senhor.

Somikwo: Quando você cava uma trincheira, você não a deixa oca de ponta a ponta. Você a divide em compartimentos. Você deixa uma pequena parede a cada cinco metros. É como as juntas de uma cana de açúcar.

Apresentador: Por que o sr. faz isso?

Somikwo: Isso ajuda a reduzir a velocidade do fluxo de água na própria trincheira. E ajuda a distribuir a água ao longo da fazenda, em vez de apenas direcioná-la para uma ponta da trincheira. Se o campo estiver em uma encosa, todas as trincheiras da encosta precisam estar próximas, para que o movimento da água morro abaixo tenha velocidade reduzida.

Apresentador: Entendi. O Sr. Silkei disse que a IUCN treinou vocês em outras formas de controlar a erosão do solo. Quais são as outras formas de controlar a erosão do solo em uma área montanhosa como Kaptokwoi? Sr. Somikwo?

Somikwo: Para aqueles de nós que cultivam ao longo das margens dos rios, a IUCN nos ensinou a deixar uma zona de segurança entre o rio e as nossas fazendas.

Apresentador: Por quê?

Somikwo: Para que, quando chover forte e o rio encher, a água não leve o nosso solo embora.

Apresentador: Mas todos sabem, com certeza, que o rio, quando enche, leva embora a camada superior do solo e sabem que precisam deixar uma zona de segurança?

Somikwo: (rindo) Todos sabem, mas, para muitas pessoas, o risco vale a pena. O solo é mais fértil perto da água. Aprendemos no treinamento da IUCN que você precisa deixar uma zona de segurança entre a fazenda e o rio porque, se não fizer isso, uma hora todo o solo bom da sua fazenda será levado embora.

Apresentador: Qual deve ser o tamanho da zona de segurança?

Somikwo: Quinze metros. E, nesses quinze metros, é melhor plantar árvores e capim-elefante, para que as chuvas fortes não levem sua terra embora.

Bushendich: Isso. Durante a estação chuvosa, a água do rio, que usamos em casa, fica muito suja porque as pessoas cavam os seus campos até a água.

Apresentador: A sra. está dizendo que existem pessoas que ainda cavam até o rio, mesmo depois do treinamento?

Bushendich: Muitas pessoas não querem deixar uma zona de segurança. Alguns acham que é muita terra para perder. E outros acham que, se deixarem uma zona de segurança, o governo virá tomá-la e agregá-la ao parque nacional.

Apresentador: Sra. Bushendich, a sua fazenda fica perto do rio?

Bushendich: Não, a minha fica no alto do morro.

Apresentador: Como a sra. controla a erosão do solo na sua fazenda?

Bushendich: Eu criei faixas de contorno na minha fazenda.

Apresentador: O que são faixas de contorno?

Bushendich: Faixa de contorno é uma faixa de solo que você deixa sem cultivar. Ela precisa ter pelo menos dois metros de largura. Você planta gramas nela para que, quando chover, as gramas ajam como freio para a água da chuva de cima do morro.

Apresentador: Por que a sra. usou as faixas de contorno? Por que não trincheiras, por exemplo?

Bushendich: No treinamento, aprendemos que, se o solo da sua fazenda for fino, não é aconselhável cavar trincheiras porque elas poderão causar deslizamentos. Aprendemos que faixas de contorno seriam melhores.

Apresentador: Esses métodos ajudaram a reduzir a erosão do solo?

Todos: Sim! Foi uma grande mudança!

Apresentador: Diga-me, Sr. Somikwo. Por que o sr. diz que houve melhoria?

Somikwo: Eu acabei de colher cinco caminhões de repolhos do meu acre de terra. Antes de começar a fazer as trincheiras, eu tinha sorte quando conseguia um caminhão de repolhos no mesmo pedaço de terra.

Apresentador: Quando o sr. cavou as trincheiras?

Somikwo: Foi em 2013. A produção vem aumentando desde aquela época.

Apresentador: Estes foram a Sra. Bushendich Annet, o Sr. Silkei Mike Chemusto e Mzee Somikwo Charles. Todos eles dizem que o controle da erosão do solo aumentou a sua fertilidade e a produção agrícola nas suas fazendas.

(pausa) Vou deixar a aldeia de Kaptokwoi e levar o veículo de tração nas quatro rodas para outro lugar nas montanhas, chamado Benet, no distrito de Kween. Ali vou encontrar Kokop Emanuel, uma das muitas pessoas nesta aldeia que compareceram ao treinamento da IUCN.

Apresentador: Sr. Kokop, o que o sr. aprendeu no treinamento?

Kokop: Aprendemos como controlar a erosão do solo cavando trincheiras, criando faixas de contorno e plantando grama Napier.

Apresentador: Qual método o sr. mais usa na sua fazenda?

Kokop: Eu cavo trincheiras em todas as minhas fazendas, na minha plantação de matoke e nos meus campos (nota do editor: matoke é a palavra comumente utilizada em Uganda e em grande parte do leste africano para deignar a banana rica em amido usada para cozimento, prima das espécies de banana mais doces).

Apresentador: Por que o sr. cava trincheiras?

Kokop: Porque temos um problema com a erosão do solo nesta aldeia. Quando chove, as coisas viram do avesso nessas montanhas! A camada superior do solo é levada embora pela água.

Apresentador: E as trincheiras ajudaram a reduzir a erosão do solo?

Kokop: Muito! As trincheiras retêm a água e a mantêm no solo. Mas isso não é tudo. Essas trincheiras aumentam a fertilidade do solo.

Apresentador: Como?

Kokop: Quando a IUCN chamou a comunidade para o treinamento, algumas pessoas atenderam ao chamado e outras se recusaram. Os que foram ao treinamento cavaram trincheiras nas suas terras, enquanto os que não compareceram não cavaram trincheiras. Então, quando chove, todo o solo bom das terras daqueles que se recusaram a cavar trincheiras é levado embora para os campos que têm trincheiras – aumentando a sua fertilidade!

Apresentador: O sr. viu isso acontecer?

Kokop: (rindo) Vi isso acontecer na minha própria terra. Esta terra aqui era quase inútil devido à erosão do solo. Então eu cavei trincheiras. Logo depois da chuva, todas as minhas trincheiras estavam cheias com solo dos meus vizinhos. Eu removi o solo e o amontoei ao longo do lado do morro abaixo das trincheiras. Decidi plantar maracujá naquele solo, ao longo das minhas trincheiras (risos).

Apresentador: Por que o sr. está rindo?

Kokop: Fiquei surpreso com a fertilidade que a minha terra ganhou. As mudas cresceram tão rápido e saudáveis que me surpreendi! Quando elas floresceram, eu não conseguia acreditar. Para resumir, a produção foi tão boa que eu colhi seis sacos de maracujá duas vezes por semana por cerca de três meses.

Apresentador: Isso deve ter exigido muita terra.

Kokop: Não. Eu plantei maracujá ao longo de três trincheiras. Cada trincheira tem cerca de trinta metros de comprimento.

Apresentador: O sr. deve ter ganho muito dinheiro.

Kokop: Depois de duas estações, comprei um canteiro de terra na cidade de Kapchorwa usando só o dinheiro do maracujá.

Apresentador: O treinamento da IUCN era só sobre o controle da erosão do solo?

Kokop: Não, nós também fomos incentivados a plantar árvorespara reduzir os efeitos do sol quente. Você está vendo aquela floresta naqueles morros ali?

Apresentador: Sim.

Kokop: A floresta costumava estender-se até aqui e até mais para baixo. Mas as pessoas limparam a floresta para plantação. Agora a chuva não é tão comum como costumava ser. Às vezes, quando chove, a chuva cai no alto dos morros perto da floresta e não chega aqui nas nossas fazendas. Então, a IUCN incentivou as pessoas a plantar árvores para fornecer sombra para as plantações, e também para evitar que a terra seque rápido demais e para manter o solo firme e reduzir a erosão.

Apresentador: Quantas árvores o sr. já plantou?

Kokop: Eu plantei cerca de quatrocentas árvores.

Apresentador: Este foi Kokop Emanuel falando sobre os benefícios do controle da erosão do solo e a importância das árvores para o meio ambiente.

De volta para a cidade de Mbale, nos escritórios da IUCN, encontrei Christopher Lutakome. Ele é o assistente de campo que trabalhou com os agricultores das aldeias de Kaptokwoi e Benet desde o início do projeto.

Apresentador: Sr. Chris, o sr. é parte da equipe que treinou os agricultores de Kaptokwoi e Benet sobre melhores formas de controle da erosão do solo e os incentivou a plantar árvores.

Chris: É verdade.

Apresentador: Por que esse treinamento foi necessário?

Chris: Existe muita atividade agrícola na região em volta do Monte Elgon. A parte leste de Uganda é muito fértil. Mas muitos agricultores não sabem como fazer melhor uso da sua terra. Além disso, a região é muito montanhosa. Quando chove, a água corrente passa através das fazendas das pessoas em alta velocidae, levando a camada superior do solo com ela.

A IUCN descobriu que a maior parte dos agricultores não fazia nada para impedir que essa coisa terrível acontecesse. Os poucos que estavam tentando alguma coisa estavam fazendo errado.

Apresentador: O que eles estavam fazendo?

Chris: Eles estavam cavando trincheiras que iam para baixo. Eles achavam que a água seria guiada morro abaixo, deixando suas fazendas sem causar danos. Mas ela continuava a carregar o solo para baixo e o problema seguiu por anos.

Apresentador: Quando a IUCN decidiu treinar essas pessoas sobre as melhores formas de controlar a erosão do solo?

Chris: A IUCN começou a treinar os agricultores sobre o controle da erosão do solo em 2011. Nós treinamos as pessoas sobre a forma correta de cavar trincheiras, incentivamos a preparação de faixas de contorno nas fazendas, treinamos as pessoas ao longo das margens dos rios a deixar zonas de segurança entre a água e a fazenda e incentivamos as pessoas a plantar árvores, especialmente espécies nativas.

Apresentador: Quais são alguns dos desafios que vocês enfrentaram?

Chris: Muitas pessoas não queriam vir para o treinamento. Algumas pessoas com terra ao longo das margens dos rios não queriam criar zonas de segurança, mesmo sabendo que, quando o rio subisse, ele levaria o solo embora.

Eles também receavam que a área protegida das proximidades viesse reclamar a terra deles. Essas pessoas viviam ao lado do Parque Nacional do Monte Elgon e questões de invasão são comuns. Muitos deles ainda não adotaram as práticas que ensinamos.

Como parte do projeto, criamos um fundo de incentivo para motivar as pessoas. É um fundo rotativo e funciona de uma forma muito simples. O fundo promove a adoção de práticas específicas recompensando as pessoas que as adotam. Quem adotasse as práticas adequadas de administração da terra tinha automaticamente o direito de receber um empréstimo.

Os empréstimos são muito atrativos porque são muito mais baratos que os empréstimos das instituições financeiras. A taxa de juros é de 5% e o agricultor paga de volta depois de três meses.

Apresentador: Isso está ajudando a aumentar a velocidade da adoção?

Chris: Sim. Agora, até as pessoas que não queriam adotar as práticas de nenhuma forma estão começando a invejar as que adotaram. Elas também estão ficando motivadas a adotá-las.

Apresentador: Este foi o Sr. Chris Lutakome, funcionário da IUCN que vem treinando os agricultores sobre formas novas e aprimoradas de controle da erosão do solo. Ele também vem incentivando os agricultores a plantar árvores para minimizar os efeitos negativos do sol quente sobre a produção e reduzir a probabilidade da erosão do solo.

Hoje nós ouvimos agricultores falando sobre as alterações ocorridas quando você reduz a erosão do solo com métodos como faixas de contorno, trincheiras e o plantio de árvores. Esperamos que você se inspire a adotar algumas dessas práticas para poder usufruir dos benefícios do controle da erosão do solo.

Lembre-se de ouvir o nosso programa na semana que vem, cujo tema será ______. Quem se despede de você é ______.


Créditos:

Contribuição de Tony Mushoborozi, criador de conteúdo, Scrypta Pro Ltd., Uganda.

Revisão: Richard Muhumuza Gafabusa, Responsável de Projetos – Adaptação com base em ecossistemas, IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza), Uganda, e Sophie Kutegeka – Mbabazi, Responsável de Programas Sênior, IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza), Uganda.


Fontes de informação:

Entrevistas:  Agricultores: Sra. Bushendich Annet, Sr. Silkei Mike Chemusto e Mzee Somikwo Charles, todos de Kaptokwoi; Kokop Emanuel, de Benet; e o funcionário da IUCN, Sr. Chris Lutakome. Todas as entrevistas foram conduzidas em cinco de fevereiro de 2015.

A Rádio Rural Internacional gostaria de agradecer à União Internacional para Conservação da Natureza pelo seu apoio na produção deste roteiro.

Este esforço para aumentar a consciência da restauração das paisagens florestais é apoiado pela UK Aid, do governo do Reino Unido.


A Rádio Rural Internacional (Farm Radio International) é uma organização canadense sem fins lucrativos dedicada a apoiar emissoras de rádio em países em desenvolvimento para fortalecer comunidades rurais e a agricultura em escala.

Segundo a organização, o material da Rádio Rural Internacional pode ser copiado ou adaptado para distribuição gratuita ou a preço de custo, com crédito para a Rádio Rural Internacional e para as fontes originais.

Esta versão em português é um trabalho voluntário, independente da organização e oferecido gratuitamente para as emissoras de rádio dos países de língua portuguesa. O texto foi traduzido para o português do Brasil, mas pode ser adaptado com facilidade para o português falado em outras partes do mundo (para dúvidas sobre os termos empregados, utilize o formulário de contato em https://radioruralportugues.wordpress.com/creditos-e-contato/).

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