Reconstrução da terra (parte 1)

Restauração das paisagens florestais

Material produzido pela Rádio Rural Internacional em 24 de março de 2015, como parte do pacote de informações n° 101.

Original em inglês disponível em: http://scripts.farmradio.fm/radio-resource-packs/101-getting-and-using-audience-feedback-and-evaluating-radio-programs/rebuilding-the-land-i-restoring-forest-landscapes/.


Observações para as emissoras:

Em 2011, uma ONG internacional denominada União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) iniciou uma campanha em uma parte seca do leste de Uganda para restaurar a paisagem florestal que havia sido completamente destruída por anos de queima de arbustos e corte de árvores. Por meio de um projeto denominado Adaptação com base em ecossistemas, a IUCN incentivou os fazendeiros a considerar o plantio de árvores para que elas pudessem reter água no solo, reduzir os efeitos da seca e aumentar o rendimento da produção.

A campanha foi projetada para ajudar a reviver a terra e evitar que ela se tornasse um deserto completo. Todos os tipos de vegetação haviam sido limpos da terra que costumava ser uma floresta três décadas atrás. As secas foram prolongadas porque não havia árvores para ajudar a criar chuva. Os ventos eram severos porque não havia árvores para agir como quebra-vento e a chuva simplesmente evaporava do solo devido à falta de cobertura vegetal, deixando nuvens de poeira no ar. Os rendimentos das safras eram baixos porque o solo não era mais fértil.

A IUCN tomou diversas ações: eles incentivaram as pessoas a plantar árvores, forneceram mudas de árvores de graça, forneceram água para as mudas e deram incentivos financeiros para as pessoas que cuidassem das suas árvores. Eles também treinaram os agricultores com boas práticas de agricultura sustentável e recompensaram aqueles que seguiram as práticas. A queima de arbustos foi combatida e, em seu lugar, as pessoas foram incentivadas a usar grama seca e resíduos de safras para adubar a sua produção. Após alguns anos dessas atividades, as pessoas estão começando a ver a importância das árvores para a vida do solo e estão plantando mais árvores por sua conta.

O plantio de árvores na fazenda possui uma série de outros benefícios para os agricultores. As árvores fornecem muitos tipos de produtos, incluindo madeira para construção e combustível, produtos medicinais e frutas para venda e consumo doméstico. Elas também fornecem sombra para safras que gostam de sombra e armazenam carbono, potencialmente reduzindo as emissões de gás estufa. Alguns tipos de árvores agregam nitrogênio atmosférico ao solo, fertilizando as plantas produtoras perto delas diretamente por meio das suas raízes e quando as suas folhas caem no chão.

Este roteiro é baseado em entrevistas reais. Você poderá optar por produzir este roteiro como parte do seu programa agrícola regular, usando vozes de atores para representar as pessoas. Se o fizer, não se esqueça de dizer aos seus ouvintes no início do programa que as vozes são de atores e não das pessoas originalmente envolvidas nas entrevistas.

Você poderá também utilizar este roteiro como inspiração para pesquisar e desenvolver um programa de rádio sobre os benefícios do plantio de árvores na sua própria região.

Caso você decida utilizar este roteiro como inspiração para criar o seu próprio programa, você poderá falar com agricultores e outros especialistas e formular as seguintes questões:

  • Os agricultores da sua região plantam árvores nos seus campos ou deixam algumas árvores nos seus campos? Se o fizerem, por quê? Eles têm benefícios? Se não o fizerem, por que não?
  • Quais são as razões para não plantarem árvores? Alguns agricultores, por exemplo, não têm segurança na posse da sua terra e não podem vender os produtos das árvores adultas.
  • Os agricultores encontraram soluções para estes e outros desafios? Em caso afirmativo, convide esses agricultores (ou agentes de extensão e outros especialistas) a contar suas histórias no ar.

Você poderá também apresentar um programa de ligações telefônicas para que os agricultores possam falar sobre essas questões. Você poderá convidar um especialista em plantio de árvores para falar e responder às questões e comentários dos agricultores.

Este programa tem duração de cerca de vinte minutos, incluindo as vinhetas de abertura e de encerramento.


Roteiro:

Apresentador: Olá, ouvinte, e bem-vindo ao programa. Meu nome é _______. Estou na aldeia de Sanzara, no distrito de Kapchorwa, região do Monte Elgon no leste de Uganda.

Estou aqui para visitar alguns agricultores e aprender sobre a importância das árvores para a agricultura. Depois, vou conversar com um assistente de campo que trabalha para uma organização chamada União Internacional para a Conservação da Natureza, ou IUCN. Ele vem trabalhando muito para convencer os agricultores desta região que as árvores são a vida da terra e para motivá-los a plantar árvores e cuidar delas.

Mas primeiro vamos ouvir um grupo de agricultores: o Sr. Chemutai Wilfred e seus amigos, Yeko Swaib e Chelangat Anna. Esses agricultores não apenas aprenderam a importância das árvores para a terra, mas também aprenderam novas formas de uso eficiente da terra para cultivar alimentos para consumo doméstico e para venda.

Vinheta de abertura sobe e desce

Apresentador: (movendo-se em direção ao microfone) Olá, senhor, esta é a casa do Sr. Chemutai?

Chemutai: Sim, sim! Eu sou Chemutai Wilfred. Bem-vindo à aldeia de Sanzara. Esta é a nossa casa.

Apresentador: Estou feliz por estar aqui, Sr. Chemutai. Meu nome é _____________. Estou aqui para aprender sobre a importância das árvores para a agricultura.

Chemutai: (chamando) Querida, venha nos ajudar, traga mais uma cadeira para cá! O nosso visitante chegou. (Voz normal) Obrigado pela visita, mas as outras pessoas ainda não chegaram. Yeko me disse que nos encontraríamos todos aqui, então ele foi chamá-los.

Apresentador: Está bem. Enquanto isso, posso descansar um pouco enquanto esperamos pelos demais. Está quente aqui! Parece que a seca está agora no seu ponto mais quente.

Chemutai: Bem, na verdade é sempre assim, quente. Temos secas muito fortes, meu amigo. Mas acredito que, em alguns anos, as coisas vão mudar.

Apresentador: Por que o sr. acha isso?

Chemutai: A IUCN nos ensinou que, se plantarmos árvores e restaurarmos as florestas que costumavam cobrir esta terra antigamente, começará a chover mais e as secas vão diminuir.

Apresentador: (surpreso) Costumava haver florestas nesta terra?

Chemutai: Sim! Nesta aldeia! Nesta região! Em todo o distrito de Kapchorwa. Em toda parte!

Apresentador: O que aconteceu com as florestas?

Chemutai: As pessoas as cortam para obter lenha e carvão.

Apresentador: Quando foi isso?

Chemutai: (com raiva) Quando perdemos todos os nossos animais! (Pausa emotiva) Antigamente, as pessoas aqui eram criadores de animais. Era disso que vivíamos. As pessoas quase não plantavam nada por aqui. Mas anos e anos de roubo de gado nos tiraram todos os animais e, por fim, as pessoas não tinham do que viver. (Pausa)

Apresentador: Estou ouvindo.

Chemutai: Eles não podiam plantar porque não sabiam como fazer. Mas eles precisavam viver. Então eles olharam em volta e a única forma de sobreviver era vendendo lenha e carvão.

Apresentador: Então eles começaram a cortar as árvores.

Chemutai: Sim, foi ali que eles começaram a cortar as árvores. É claro que algumas pessoas haviam começado a plantar alimentos e queimavam os arbustos para limpar o terreno. Em pouco tempo, todo o terreno estava completamente sem cobertura verde.

Yeko: (movendo-se em direção ao microfone) Estamos atrasados, Chemutai?

Chemutai: Bem-vindo, Yeko! Obrigado por trazer os demais. Este é o nosso visitante que está gravando para poderem ouvir a nossa história no rádio.

Yeko: Olá, senhor, meu nome é Yeko Swaib. Seja bem-vindo a Sanzara!

Apresentador: Estou feliz por estar aqui, Sr. Yeko. Este é o restante do grupo?

Yeko: Sim… Aqui estão Chelangat Anna e Yeko Sophie.

Apresentador: Olá, Sr. Chelangat! O sr. pode saber mais sobre o passado que o Sr. Chemutai. Diga-me uma coisa… O Sr. Chemutai estava contando que, antigamente, as pessoas aqui eram criadores de gado e ninguém sabia plantar.

Chelangat: O que Chemutai contou é verdade. Nós vivíamos de leite e carne antigamente. Não plantávamos nada. Mas, quando perdemos todas as vacas, não tivemos escolha a não ser rasgar a terra para ter alguma coisa para comer.

Apresentador: Quais produtos vocês cultivaram?

Chelangat: Mandioca e milho.

Apresentador: O que mais?

Chelangat: Só isso.

Apresentador: Mas eu posso ver plantações de matoke ali e ali (nota do editor: matoke é a palavra comumente utilizada em Uganda e em grande parte do leste africano para designar a banana rica em amido usada para cozimento, prima das espécies de banana mais doces).

Chelangat: Todas as plantações de matoke que você vê nesta aldeia não têm mais de três anos.

Apresentador: Verdade? Por quê?

Chelangat: Quando a IUCN veio para esta aldeia, eles encontraram terra vazia. Nenhuma árvore. Nenhuma produção. As secas estavam nos matando. Eles nos disseram que, se pudéssemos plantar árvores e ter alguma produção, poderíamos salvar a nossa terra… e não haveria mais cheias.

Apresentador: E foi aí que vocês fizeram as plantações de matoke?

Chelangat: Sim, e muitos outros produtos: milho, batata doce, girassol, feijão e outros… produtos que nunca havíamos plantado. Mas foi o matoke que realmente nos salvou.

Apresentador: Por quê?

Chelangat: Primeiro, eles se deram muito bem no nosso solo e, segundo, eles dão muito dinheiro. Então, agora nossos filhos têm o que comer e nós temos o dinheiro para mandá-los para a escola.

Apresentador: Você disse que o matoke dá um bom dinheiro?

Chelangat: Sim. Muito dinheiro!

Apresentador: Em comparação com quais produtos, por exemplo? Chelangat?

Chelangat: Em comparação com milho, por exemplo. Nós vendemos um quilo de milho por só 400 xelins (cerca de US$ 0,15). Um saco de 100 quilos me dá só 40.000. E isso depois de todo aquele trabalho pesado de plantio, retirada das ervas, colheita, secagem e debulhamento. Já um cacho de matoke pode ser vendido por 30.000 xelins, com muito menos trabalho.

Apresentador: Sr. Yeko, o sr. tem plantação de matoke?

Todos: Todos nós aqui temos plantação de matoke.

Apresentador: Eu gostaria de dar uma olhada em algumas plantações. Sr. Yeko, a sua plantação fica longe daqui?

Yeko: Não, é só subir o morro, pelo rochedo. Podemos andar até lá, se você quiser.

Apresentador: Eu gostaria, sim.

Música de transição

Apresentador: Estamos subindo o morro, rumo a um rochedo. O Sr. Yeko mora com a sua esposa e as crianças logo no pé do rochedo. De onde estou agora, parece o ponto mais alto da aldeia de Sanzara. Posso ver o restante da aldeia de Sanzara mais abaixo, estendendo-se em direção ao Rio Sipi no vale. Além do vale, fica uma grande planície que segue até o Monte Moroto, a cerca de cem quilômetros de distância. É muito bonito, exceto pelos sopros de fumaça que sobem do chão, um lembrete de que as pessoas das planícies ainda queimam arbustos como técnica de plantio.

Logo atrás de mim, fica a casa do Sr. Yeko, um par de casas novas de madeira com telhados de ferro brilhantes. Em um lado da casa, há uma série de plantações e, do outro lado, fica a plantação de matoke do Sr. Yeko.

Yeko: Tudo isso, da minha casa até o pé do rochedo, é a minha plantação. Realmente agradeço muito à IUCN por nos treinar para cultivar e cuidar de matoke. É uma boa fonte de renda e exige tão pouco trabalho.

Apresentador: Como assim?

Yeko: Eu só retiro as ervas uma vez por ano para adubação verde. Quando coloco capim-elefante seco sobre o solo em toda a minha plantação, as ervas param de crescer. É muito pouco trabalho, mas, durante a estação chuvosa, posso colher 120 cachos por mês em quatro meses seguidos.

Apresentador: Uau! É muito bom. E quanto dinheiro o sr. consegue com um cacho de matoke?

Yeko: De 20.000 a 30.000 xelins ugandenses.

Apresentador: É bastante! Como o sr. transporta o seu produto para o mercado?

Yeko: Os compradores vêm aqui com um caminhão. Eles enchem o seu caminhão com matoke e enchem minhas mãos de dinheiro.

Apresentador: E como o sr. ganhava dinheiro antes da plantação de matoke?

Yeko: Eu não ganhava nada.

Apresentador: E agora, o sr. está rico!

Yeko: (ri) Eu ainda não sou rico, mas também não estou indo mal. Eu construí minha casa nova com o dinheiro do matoke. E tenho esta plantação há apenas um ano e meio.

Apresentador: Upa! Quase caí na trincheira! Isso serve para quê?

Yeko: Esta é uma das coisas que aprendemos com o treinamento da IUCN. As trincheiras captam água da chuva para que ela não leve embora a camada superior do solo. Este capim-elefante plantado sobre o lado superior da trincheira segura o solo do alto do morro. Quando a grama fica velha demais, eu corto e uso como adubação verde na minha plantação de matoke.

Música de transição

Apresentador: Depois de conhecer a plantação do Sr. Yeko, descemos o morro de volta. No caminho de volta, observo muitas árvores jovens em todo o lugar. Pergunto por quê ele está plantando todas essas árvores.

Yeko: As árvores reduzem os efeitos do vento. Sem essas árvores, ventos fortes soprariam meus pés de matoke para o chão. E minha mandioca e todas essas outras plantas.

Apresentador: O sr. aprendeu isso nos treinamentos da IUCN?

Yeko: Sim. Não só isso. Eles nos ensinaram que, quando você tem árvores em volta da fazenda, elas retêm o solo firmemente no lugar para reduzir a erosão. E, quando as árvores perdem suas folhas, a terra fica fértil.

Apresentador: Mas, quando as árvores crescem no seu campo, elas não dificultam o bom crescimento das plantas produtoras?

Yeko: Vamos cruzar aquela ponte primeiro. (Pausa) O que aprendemos nos treinamentos da IUCN é que precisamos plantar árvores para poder restaurar as florestas que costumavam cobrir a nossa terra antes do corte de todas as nossas árvores.

Você sabe que temos secas muito fortes aqui. E, quando chove, há muitas enchentes. A IUCN nos disse que a razão dessas condições acontecerem é porque cortamos todas as árvores. Então, o plantio de árvores e a restauração das florestas vão reduzir as secas e as cheias.

Apresentador: Certo… mas o sr. não respondeu minha pergunta, Sr. Yeko. As árvores não vão dificultar o bom crescimento das plantas produtoras quando elas ficarem adultas?

Yeko: Não. Você pode ver que as árvores são plantadas principalmente no limite dos campos, de forma que, mesmo quando crescerem, elas não vão prejudicar a produção. As que começarem a obstruir o bom crescimento da produção podem ser cortadas. Afinal, elas são a nossa fonte de lenha e de madeira de construção.

Mas também soubemos como plantar as espécies certas de árvores nos lugares certos. Então, nós plantamos árvores que sejam favoráveis para as plantas produtoras do jardim. Elas são chamadas árvores de agroflorestamento. Nós também plantamos outros tipos de árvores ao longo dos limites das fazendas, de rodovias, caminhos e outras áreas.

Apresentador: Entendi. E quantas árvores o sr. plantou?

Yeko: Até agora, cerca de duzentas. E ainda estou plantando.

Apresentador: Qual é o tamanho total da sua terra?

Yeko: Três acres.

Apresentador: Onde o sr. consegue as mudas?

Yeko: Eu consigo na IUCN.

Apresentador: Quanto o sr. pagou por elas?

Yeko: Eles dão as mudas de graça. Eles dão mudas para quem quiser plantar.

Apresentador: O sr. quer dizer que algumas pessoas não quiseram plantar árvores?

Yeko: Sim. Muitas pessoas achavam que, depois de plantar as árvores, o governo viria tomar a sua terra – você sabe, retirá-los das florestas. Por isso, muitos se recusaram a plantar as árvores ou fazer qualquer coisa que a IUCN ensinasse.

Apresentador: Quantas pessoas plantaram as árvores?

Yeko: Muita gente. Quando você fica aqui e olha para toda a aldeia, pode ver muito verde. Antes do treinamento da IUCN, toda essa terra era nua e marrom.

Apresentador: Então, o sr. diria que as pessoas agora estão compreendendo a importância das árvores?

Yeko: Acho que sim. Mas é claro que, no começo, muitas pessoas plantavam as árvores para poderem ganhar o dinheiro dado pela IUCN.

Apresentador: Para quê era o dinheiro?

Yeko: Para cada árvore que você plantasse e cuidasse, você recebia 900 xelins da IUCN. Isso é parte do que motivou a maioria das pessoas a plantar árvores. Mas não a mim. Eu já havia começado a plantar as árvores quando eles começaram a dar os 900 xelins.

Apresentador: Mas o sr. também recebeu o dinheiro?

Yeko: Sim, eu recebi a recompensa como todos os outros.

Apresentador: Este foi Yeko Swaib contando como o matoke melhorou as suas finanças, qual a importância crucial das árvores para o meio ambiente e como os agricultores da sua aldeia estão tentando recuperar as florestas que foram cortadas.

De volta para a cidade de Mbale, nos escritórios da IUCN, encontrei Christopher Lutakome. Ele é o assistente de campo que trabalhou com os agricultores da aldeia de Sanzara desde o início do projeto.

Apresentador: Sr. Chris, o sr. é parte da equipe que trabalhou com os agricultores de muitas aldeias na região do Monte Elgon para garantir a restauração da floresta.

Chris Lutakome: Isso mesmo.

Apresentador: Diga-me uma coisa: como eram essas aldeias antes do projeto começar a sensibilizar as pessoas sobre o replantio de árvores? Conte particularmente sobre a aldeia de Sanzara, perto do Rio Sipi.

Chris Lutakome: Era terrível! Era seco, era quente e ventava muito. Muito poucos produtos tinham bons resultados em condições como aquelas. Fico realmente imaginando como as pessoas sobreviviam! E, só duas décadas atrás, aquele lugar era uma área com floresta.

Apresentador: Pelo que sei, as árvores foram cortadas para gerar lenha e carvão.

Chris Lutakome: É verdade. A falta de árvores havia deixado a terra desfavorável para a agricultura. Como eu disse, a terra era muito poeirenta, ventava muito, era muito seco e, por isso, o pouco que as pessoas tentavam plantar nunca produzia muito.

Apresentador: Que tipo de produtos as pessoas estavam plantando?

Chris Lutakome: Era apenas mandioca e milho, talvez um pouco de girassol. Alguma coisa precisava ser feita o mais rápido possível ou viria uma catástrofe! Foi quando a IUCN, por meio do projeto Adaptação com base em ecossistema, decidiu iniciar um plano para restaurar a paisagem florestal da região.

Apresentador: O que aconteceu primeiro?

Chris Lutakome: Nós sensibilizamos as pessoas sobre o que estava acontecendo. Dissemos a eles que, se a vegetação que havia sido retirada pudesse ser restaurada, a vida deles melhoraria. Nós os incentivamos a plantar árvores. Alguns deles gostaram da ideia, mas outros, não.

Apresentador: Por que alguns não gostaram da ideia?

Chris Lutakome: Muitos achavam que estávamos brincando com eles. Eles acharam que, se plantassem árvores nas suas terras, eles criariam florestas e o governo os retiraria das florestas.

Apresentador: Um momento, Sr. Lutakome. Por que eles tiveram essa ideia?

Chris Lutakome: Diferentes grupos de pessoas invadiram o Parque do Monte Elgon continuamente ao longo das últimas décadas para construir casas e usá-las como se fossem delas. Mas o governo despejou essas pessoas. Por alguma razão, as pessoas dessa região pensavam que também seriam despejadas se plantassem árvores.

Apresentador: Neste caso, posso entender por quê as pessoas se opuseram ao plantio de árvores.

Chris Lutakome: Não foi fácil. Mas, felizmente, um bom número de pessoas entendeu que a IUCN só estava tentando ajudar e elas estavam dispostas a plantar árvores. Mas elas enfrentaram desafios.

Apresentador: Que tipo de desafios?

Chris Lutakome: De um lado, elas não tinham mudas e, por outro lado, a terra era seca demais para alimentar árvores jovens.

Apresentador: O que aconteceu então?

Chris Lutakome: Nós oferecemos mudas grátis e resolvemos o problema da água. Nós canalizamos água do rio e a trouxemos para mais perto da comunidade, para que aqueles que plantassem árvores pudessem regá-las.

Apresentador: Uau! Regar duzentas árvores todo dia deve precisar de muita convicção. Como vocês convenceram as pessoas a fazer esse tipo de esforço para reconstruir o ambiente?

Chris Lutakome: Bem, nós separamos um fundo para motivar as pessoas. Nós pagamos às pessoas 900  xelins para cada árvore que fosse plantada e cuidada até o ponto em que pudesse crescer sozinha. Isso motivou muitas pessoas a plantar árvores e cuidar delas.

Apresentador: O sr. começou a ver diferenças na aldeia de Sanzara, como resultado das árvores que foram plantadas?

Chris Lutakome: Uma enorme diferença. A aldeia agora está muito mais verde que quando a encontramos. Isso acontece, em parte, devido às árvores jovens em todos os lugares e, em parte, devido às melhores práticas agrícolas.

Apresentador: Vocês também treinaram os agricultores em práticas agrícolas?

Chris Lutakome: Sim. Essas pessoas eram tradicionalmente criadores de gado. Eles não sabiam muito sobre plantio. E, mesmo assim, a terra deles tinha muito potencial. Por isso os incentivamos a plantar todo tipo de produtos que eram novos para eles, como matoke. Nós demos treinamento sobre adubação verde, irrigação, administração do solo e assim por diante. Nós desencorajamos a queima de arbustos. Nós até os levamos de viagem para outros locais no mesmo distrito onde as práticas agrícolas eram mais desenvolvidas.

Apresentadora: Isso deve tê-los motivado a mudar suas vidas, não?

Chris Lutakome: Sim! E, naturalmente, nós recompensamos as pessoas com alguns xelins pelos esforços, como adubação verde, irrigação, escavação de trincheiras e assim por diante. Agora existem muitas plantações de matoke em um lugar onde não havia nada dois anos atrás. Existem campos de milho, batatas inglesas, feijão e assim por diante, em uma aldeia onde quase nenhum produto era cultivado antes do projeto.

Agora os caminhões deixam a aldeia para levar produtos para as cidades grandes. Isso não acontecia cinco anos atrás. Acredito que, em dez anos, Sanzara será uma aldeia completamente diferente. Acredito que as secas vão diminuir à medida que as árvores crescerem. Acredito que mais árvores serão plantadas à medida que as pessoas virem as mudanças que elas próprias criaram.

Apresentador: Este foi o Sr. Chris Lutakome, funcionário da IUCN que esteve trabalhando com os agricultores na campanha de restauração florestal. Ainda permanece a dúvida se as florestas se recuperarão totalmente, mas talvez, daqui a quinze anos, alguém ficará surpreso em saber que, algumas décadas antes, não havia uma árvore em pé em Sanzara. Da mesma forma que eu fiquei surpreso em saber que a aldeia de Sanzara um dia foi uma floresta. Se tudo continuar indo bem, isso pode muito bem acontecer, pois há muitas árvores jovens plantadas por toda a aldeia de Sanzara.

Hoje ouvimos muito sobre como o plantio de árvores pode aumentar a renda das fazendas e curar danos ao meio ambiente.

Lembre-se de ouvir o nosso programa na semana que vem, cujo tema será ______. Quem se despede de você é ______.


Créditos:

Contribuição de Tony Mushoborozi, criador de conteúdo, Scrypta Pro Ltd., Uganda.

Revisão: Richard Muhumuza Gafabusa, Encarregado de Projetos, Adaptação com base no ecossistema, IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza).


Fontes de informação:

Entrevistas: agricultores Chemutai Wilfred, Chelangat Anna e Yeko Swaib; e Chris Lutakome, da IUCN. Todas as entrevistas foram conduzidas em quatro de fevereiro de 2015.

A Rádio Rural Internacional gostaria de agradecer à União Internacional para Conservação da Natureza pelo seu apoio na produção deste roteiro.

Este esforço para aumentar a consciência sobre a restauração das paisagens florestais é apoiado pela UK Aid, do governo do Reino Unido.


A Rádio Rural Internacional (Farm Radio International) é uma organização canadense sem fins lucrativos dedicada a apoiar emissoras de rádio em países em desenvolvimento para fortalecer comunidades rurais e a agricultura em escala.

Segundo a organização, o material da Rádio Rural Internacional pode ser copiado ou adaptado para distribuição gratuita ou a preço de custo, com crédito para a Rádio Rural Internacional e para as fontes originais.

Esta versão em português é um trabalho voluntário, independente da organização e oferecido gratuitamente para as emissoras de rádio dos países de língua portuguesa. O texto foi traduzido para o português do Brasil, mas pode ser adaptado com facilidade para o português falado em outras partes do mundo (para dúvidas sobre os termos empregados, utilize o formulário de contato em https://radioruralportugues.wordpress.com/creditos-e-contato/).

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