Fertilizante orgânico ao alcance das mãos

Material produzido pela Rádio Rural Internacional em 1° de agosto de 2008, como parte do pacote de informações n° 84.

Original em inglês disponível em: http://scripts.farmradio.fm/radio-resource-packs/package-84/organic-fertilizer-within-easy-reach/.


Observações para as emissoras:

Tinga é um agricultor que acabou de receber treinamento na construção de valas de composto. Bila, seu primo que gosta de brincar, vem visitá-lo enquanto ele está cavando a vala com alguns membros da sua família. Os dois agricultores da aldeia de Godin, onde a fertilidade do solo tornou-se uma preocupação real para os habitantes, começam a conversar.

O fenômeno da desertificação cresceu muito devido à seca nas últimas três décadas. Nos países do Sahel, a terra é consideravelmente prejudicada e a chuva diminuiu. O calor e a evaporação são cada vez mais fortes. De fato, a produção de safras vem caindo sensivelmente, ano após ano. Os agricultores desenvolveram novas técnicas para enfrentar essa situação. A vala de composto é um dos métodos que podem ajudá-los a adaptar-se aos impactos das mudanças climáticas.


Roteiro:

Pessoas falando e ruído de pás e picaretas

Bila: Bom dia! (brincando) Não me diga que você está cavando o túmulo do seu avô! Quando ele morreu?

Tinga: (também brincando) Na verdade é para a sua avó, que é muito velha! Esse “túmulo”, como você diz, vai me ajudar a fortalecer a minha terra e ter boas colheitas. Hoje em dia, uma oferenda de cerveja dolo (nota do editor: cerveja de milheto) para os nossos ancestrais não é suficiente para atender às nossas preces.

Bila: Parece uma ideia maluca. Você nem acabou de alimentar seus filhos e está ocupado, preocupado com a terra. Como você pretende fortalecê-la?

Tinga: Qual de nós dois é o maluco? A nossa terra está gasta depois de anos de produção. Ela ficou fraca. A safra está ficando menor ano após ano. O acesso aos insumos agrícolas está cada vez mais difícil. Chove cada vez menos. Você não está vendo? A terra tem fome e sede. Ela não consegue satisfazer as nossas necessidades. Ela nos agradece quando é fortalecida. A terra precisa do máximo de alimento que pudermos dar a ela. Você entende isso? O composto pode ajudar o solo a reter melhor a água e ajuda as plantas a resistir às secas que são cada vez mais frequentes.

Bila: Sim, eu entendo isso, mas ainda quero uma resposta à minha pergunta.

Ruído de pás e picaretas no fundo

Tinga: O que você acha que é um túmulo na verdade é uma vala de composto que estou construindo. Esta vala vai fornecer fertilizante orgânico para a produção nos campos.

Bila: Tinga, eu sempre critiquei o seu egoísmo. Se eu não estivesse aqui agora, não ficaria sabendo sobre essa vala. Por que você não gosta de compartilhar o que sabe com os outros?

Tinga: Ah, pare de brincar! Estou falando sobre isso agora. E estou muito feliz por fazer isso. Agora, para responder à sua pergunta, vou repetir as instruções que recebemos do técnico agrícola que nos passou o treinamento. Vinte e cinco agricultores receberam esse treinamento e devemos compartilhar o que aprendemos nas nossas aldeias. Vou reunir todos na aldeia na próxima oportunidade e ensinar a técnica para quem quiser aprender.

Bila: Vamos ao ponto. Você ainda não disse o que eu espero ouvir.

Tinga: Vamos então voltar para a sua pergunta. Para conseguir nutrientes para o solo, você cava um buraco como este que você está vendo. Ele precisa ter três metros de comprimento por três metros de largura. Ele não deve ter mais de um metro e meio de profundidade. Em outras palavras, o comprimento e a largura da vala são iguais a pelo menos três vezes o comprimento de um braço comprido e a profundidade é cerca de uma vez e meia o comprimento do seu braço.

Você coloca caules de milheto no buraco para formar a primeira camada. Depois você agrega cinza, lixo doméstico, esterco animal e água. Você repete o mesmo processo até encher a vala. O composto deve permanecer úmido, mas não molhado. Não coloque material como plástico, que não vai se decompor na vala. Mantenha as crianças longe da vala para sua segurança.

Bila: O que esse lixo fornece para a terra?

Tinga: Esse lixo vai criar alimento para a terra. Os caules de milheto, o lixo doméstico, o esterco animal e a cinza vão se decompor para tornar-se nutrientes para o solo. Esse material de resíduo torna-se o que chamamos de composto orgânico e vai facilitar o cultivo do solo. Ele vai permitir que o solo recapture a fertilidade perdida e retenha muita água. Assim vamos fortalecer a terra.

Bila: Mas o que eu ganho com todo esse trabalho?

Tinga: Esta é uma pergunta boba.

Bila: Você não precisa me ofender!

Tinga: (rindo) Como você me pergunta o que pode esperar de todo esse trabalho depois de tudo o que eu falei? Apure os ouvidos e me ouça. Você terá fertilizante orgânico em grandes quantidades (dez toneladas, quando a vala estiver cheia) e ao alcance das mãos. A sua fazenda será mais fértil, as plantas vão florescer e o seu campo fornecerá grandes espigas de milho e boas sementes. Você terá produtos com bom sabor e qualidade. A sua produção vai aumentar. O fertilizante orgânico vai reduzir e muito a sua dependência dos fertilizantes químicos. Você vai economizar dinheiro que pode ser usado para outra coisa. A vala de composto fornece vantagens que não têm preço. Entendeu?

Bila: Eu seria mesmo um bobo se dissesse que não. Na minha opinião, é um método que pode nos salvar de uma situação cada vez mais preocupante: o esgotamento do nosso solo. E não é complicado. Diga, quando você começa as sessões de treinamento na aldeia? Vou ser o primeiro a me inscrever.

Tinga: Eu sei disso. Que Deus nos proteja!

Bila: Agora que você já me explicou tudo, pode continuar a cavar o seu túmulo. Estou indo.

Tinga: Mande lembranças para a sua avó, aquela velha. Bom dia!

Buzina de bicicleta


Créditos:

Contribuição de Adama G. Zongo, Chefe de Serviços Editoriais, Escritório Central, Rádio Rural de Burkina Faso.

Revisão: John FitzSimons, Professor Associado, Escola de Projetos Ambientais e Desenvolvimento Rural, Universidade de Guelph, Canadá.

Revisão final: Alexis Télesphore Bagre, jornalista aposentado.


Fontes de informação:

  • Toula Dialla, Chefe do Projeto 50.000 Valas de Composto (Ministério da Agricultura, Hidráulica e Recursos Pesqueiros, Burkina Faso).
  • Serge Alfred Sedogo, Secretário Executivo da Rede MARP/BURKINA.
  • Bobodo Blaise Sawadogo, Communication on national policies with regard to climate change, 30 de janeiro de 2008, Ouagadougou, Burkina Faso.

A Rádio Rural Internacional (Farm Radio International) é uma organização canadense sem fins lucrativos dedicada a apoiar emissoras de rádio em países em desenvolvimento para fortalecer comunidades rurais e a agricultura em escala.

Segundo a organização, o material da Rádio Rural Internacional pode ser copiado ou adaptado para distribuição gratuita ou a preço de custo, com crédito para a Rádio Rural Internacional e para as fontes originais.

Esta versão em português é um trabalho voluntário, independente da organização e oferecido gratuitamente para as emissoras de rádio dos países de língua portuguesa. O texto foi traduzido para o português do Brasil, mas pode ser adaptado com facilidade para o português falado em outras partes do mundo (para dúvidas sobre os termos empregados, utilize o formulário de contato em https://radioruralportugues.wordpress.com/creditos-e-contato/).

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