Retenção de água da chuva protege o solo

Material produzido pela Rádio Rural Internacional em 1° de agosto de 2008, como parte do pacote de informações n° 84.

Original em inglês disponível em: http://scripts.farmradio.fm/radio-resource-packs/package-84/rainfall-retention-protects-soil/.


Observações para as emissoras:

As mudanças climáticas que o mundo vive atualmente são causadas principalmente pela atividade humana. As mudanças climáticas incluem o aquecimento global que é causado por gases estufa produzidos na Terra. Esses gases, incluindo o dióxido de carbono, são produzidos pela queima de combustíveis fósseis e por outras atividades na Terra, incluindo o desflorestamento. As consequências das mudanças climáticas são muitas e indesejadas, especialmente em países subdesenvolvidos, onde a maior parte da população depende dos produtos dos seus campos para sobrevivência. Esses campos são extremamente vulneráveis a cheias e secas, duas situações que estão se tornando mais comuns com as mudanças climáticas.

Este roteiro ajudará os agricultores de países em desenvolvimento a aprender métodos que podem ser usados para administrar melhor a água da chuva, a fim de proteger o solo. Este roteiro também ajudará os agricultores a adaptar-se aos efeitos das mudanças climáticas.


Roteiro:

Vinheta de abertura. Diminui após vinte segundos e desaparece sob a voz do apresentador.

Apresentador: Bom dia, amigo ouvinte da Rádio Salus. Bem-vindo ao programa de hoje! O nosso tema é “a retenção de água da chuva protege o solo”. Vamos falar sobre algumas das ações dos agricultores da província do Sul de Ruanda para lidar com as mudanças climáticas, especialmente como eles administram a água e protegem o solo contra a erosão. O nosso convidado é Alexandre Rutikanga, presidente da GRAD, uma associação de agricultores profissionais. Este programa é produzido e apresentado por Jean Paul Ntezimana. Fique ligado!

Intervalo musical de dez segundos que abaixa e desaparece sob a voz do apresentador.

Apresentador: Há vários anos observamos a evolução dos efeitos das mudanças climáticas que ocorrem e afetam as duas estações agrícolas de Ruanda: a estação A vai de setembro a dezembro e a estação B vai de fevereiro a junho.

Como o país é muito montanhoso, as mudanças climáticas são observadas com as chuvas pesadas que causam estragos nos campos e erosão do solo fértil ou com as secas que prejudicam o crescimento das plantas. Todos os anos em Ruanda, uma quantidade enorme de solo de alta qualidade (mais de 14 milhões de toneladas) é levada pelas águas com a erosão. Depois de vários meses de fortes chuvas, vem a seca e paralisa o trabalho nos campos. A enxada não consegue mais penetrar no solo e a planta que vicejava no ar fresco e na chuva para de crescer sob o calor forte do sol.

Em Ruanda, as mudanças climáticas resultam em secas locais, cheias e outros efeitos que afetam a agricultura e causam ou aumentam a pobreza e a miséria, especialmente entre agricultores vulneráveis como as viúvas e os mais idosos. Para enfrentar o problema, os agricultores se organizaram em associações. GRAD é uma associação de agricultores preocupados que começaram a coletar água da chuva para uso futuro, a fim de combater a erosão e proteger as fazendas. Um representante da GRAD nos fornece uma atualização da situação.

Alexandre: (tom de voz baixo e medido) Meu nome é Alexandre Rutikanga. Eu represento uma organização denominada GRAD, que, em inglês, significa “Porta para o Desenvolvimento Agrícola de Ruanda”. O nosso objetivo é promover a agricultura profissional por meio da proteção do meio ambiente, especialmente o solo e a água, que são os nossos recursos mais valiosos. As mudanças climáticas são um problema para o nosso país. Os nossos agricultores não sabem como administrar melhor a água de chuvas pesadas ou da seca que se segue às chuvas.

Apresentador: A administração do escoamento de água é um grande problema para os agricultores mais vulneráveis. Mesmo se desconsiderarmos o problema da erosão nos campos, a água da chuva também danifica as casas. Sr. Alexandre, não é verdade que a GRAD começou a examinar formas de administrar a água do teto de Sahera, no sul do país, onde vivem muitas viúvas do genocídio?

Alexandre: (tom de voz elevado) Sim, sim. Viúvas do genocídio de 1994 vivem nessa comunidade. Sahera foi construída na encosta de um morro. O escoamento de água não ameaça apenas os campos dos agricultores, mas também as suas casas. Quando visitei Sahera, havia caído uma chuva forte na noite anterior. Encontramos uma viúva com cerca de cinquenta anos de idade, completamente ensopada, que estava removendo lama da sua casa. Era uma bela manhã, mas ela parecia exausta. Ela disse que não havia dormido. Ela havia passado a noite combatendo a água da chuva, tentando evitar que a água levasse sua casa embora. Depois de ver que a comunidade de Sahera era ameaçada pela erosão causada pelo escoamento de água, por um lado, e pelos métodos de cultivo ruins de outro, tomamos algumas medidas para ajudar a administrar a água e o solo naquela cidade.

Intervalo musical de dez segundos que abaixa e desaparece sob a voz do entrevistado.

Alexandre: (tom de voz forte) Organizamos um trabalho de campo com mais de cem jovens. Os jovens cavaram trincheiras contra a erosão com cerca de 800 metros de comprimento, plantaram grama paspalum e árvores com múltiplos usos para reter o solo, além de instalar calhas sobre as casas para coletar a água da chuva. Posso agora dizer que esta é apenas uma solução temporária. Nós devemos coletar a água do escoamento para uso na agricultura. A água não deve ser um problema. Ela é solução! Mas ela causa danos quando mal administrada ou quando excede a capacidade dos nossos agricultores, especialmente infra-estruturas contra a erosão. Precisamos transformar esse problema em uma solução.

Sr. Alexandre, vamos voltar ao tema de administração e proteção do solo nos campos. O sr. diz que a GRAD deve transformar o problema do escoamento de água em solução. Mas como fazer isso?

Alexandre: Com os agricultores locais, vamos coletar o escoamento de água por três razões: para irrigar após a estação chuvosa, dar água aos animais e para uso doméstico. Os nossos métodos de coleta de água não são caros e ajudam a armazenar água e proteger o solo contra a erosão. Vamos usar três métodos: construir diques de retenção para irrigação, construir tanques para coletar água dos telhados das casas e construir barragens nos vales quando possível. Para proteger o solo em terrenos inclinados, também vamos construir terraços para reduzir a velocidade de escoamento da água e ajudar a produção agrícola nos campos dos terraços.

Intervalo musical de dez segundos que abaixa e desaparece sob a voz do apresentador.

Apresentador: Os plantadores de arroz usam técnicas parecidas com as da GRAD, como nos explicou Joseph Rwagasana, presidente da União das Cooperativas dos Produtores de Arroz de Butare. Eu me encontrei com ele no vale de Agasasa. Um homem baixo mas forte com cerca de quarenta anos de idade, testa coberta de suor e botas nos pés, perguntei a ele se os produtores de arroz praticam métodos de administração da água e do solo. Esta foi a resposta:

Rwagasana: (voz aguda e tom forte) Sim, claro. Para proteger o solo dos vales, combatemos a erosão nas encostas dos morros que rodeiam os nossos vales. Para preservar água, construímos barragens que retêm a água e criam lagos artificiais. Não fazemos isso em todos os nossos vales, mas essas barreiras são muito úteis.

Apresentador: Este foi Joseph Rwagasana, presidente da União das Cooperativas dos Produtores de Arroz de Butare.

Intervalo musical de dez segundos que abaixa e desaparece sob a voz do apresentador.

Apresentador: Vamos voltar aos nossos estúdios e continuar o programa com o nosso convidado, Sr. Alexandre Rutikanga. Como sabemos, o trabalho de campo pode ter problemas. A associação GRAD enfrentou algum problema com o seu trabalho de administração da água e do solo?

Alexandre: Os problemas são principalmente relacionados à falta de financiamento. Todos vocês sabem que o trabalho na agricultura precisa de esforços que, às vezes, excedem a capacidade financeira dos agricultores. Os agricultores não devem desistir, mas sim organizar-se para procurar financiamento. Também existe o problema de organizçaão, pois a GRAD é principalmente composta de estudantes. Por isso, estamos organizando nossa associação para conseguir financiamento nacional.

Intervalo musical de dez segundos que abaixa e desaparece sob a voz do apresentador.

Apresentador: Esperamos que você tenha aprendido algumas técnicas de administração da água e proteção do solo. Lembre-se de que, no programa de hoje, falamos sobre as consequências das mudanças climáticas, como as secas e cheias. Também falamos sobre formas de administrar a água da chuva e proteger o solo ameaçado pela erosão. Nós discutimos os métodos utilizados pela associação GRAD. Esses métodos também são usados pelos produtores de arroz de Butare. Obrigado, Sr. Alexandre, por conversar conosco hoje. Obrigado, ouvinte, pela sua atenção e até a próxima.

Aumento do volume da vinheta para encerrar o programa.


Créditos:

Contribuição de Jean Paul Ntezimana, jornalista da Rádio Salus.

Revisão: John Stone, estagiário, Centro Internacional de Pesquisa para o Desenvolvimento (IDRC), e Jean Fichery Dukurizimana, jornalista da Rádio Salus.


Fontes de informação:

  • Vincent Ngarambe, 2004. Strategic Plan for the Transformation of Agriculture in Rwanda: Water and Soil Management and Use. Groupe d’Expertise, de Conseil et d’Appui au Développement (GECAD). Kigali, Ruanda, outubro de 2004.
  • Charles Uramutse, 2006. Water resources in Rwanda / Ressources en eau en Rwanda. Apresentação na oficina regional da UNFCC sobre adaptação, Acra, Gana, 21-23 de setembro de 2006.

A Rádio Rural Internacional (Farm Radio International) é uma organização canadense sem fins lucrativos dedicada a apoiar emissoras de rádio em países em desenvolvimento para fortalecer comunidades rurais e a agricultura em escala.

Segundo a organização, o material da Rádio Rural Internacional pode ser copiado ou adaptado para distribuição gratuita ou a preço de custo, com crédito para a Rádio Rural Internacional e para as fontes originais.

Esta versão em português é um trabalho voluntário, independente da organização e oferecido gratuitamente para as emissoras de rádio dos países de língua portuguesa. O texto foi traduzido para o português do Brasil, mas pode ser adaptado com facilidade para o português falado em outras partes do mundo (para dúvidas sobre os termos empregados, utilize o formulário de contato em https://radioruralportugues.wordpress.com/creditos-e-contato/).

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