Cultivo de batatas traz aumento de renda para os agricultores de Kabale, em Uganda

Material produzido pela Rádio Rural Internacional em 1° de março de 2007, como parte do pacote de informações n° 80.

Original em inglês disponível em: http://scripts.farmradio.fm/radio-resource-packs/package-80/growing-potatoes-brings-increased-income-to-farmers-in-kabale-uganda/.


Observações para as emissoras:

Safras especializadas são aquelas para as quais existe um mercado muito específico, mas limitado. As safras especializadas podem fornecer segurança alimentar e a renda necessária para as famílias de agricultores. A batata é um exemplo de safra especializada bem sucedida nas partes mais frias da África.

A batata é um produto importante de subsistência e venda nos planaltos do sudoeste de Uganda e em outras regiões de planalto no sul, centro e leste da África. Mas as batatas são propensas a problemas com doenças e insetos, de forma que os agricultores precisam empregar boas técnicas agrícolas para terem sucesso.

Em Uganda, até 1995, a produção de batata era desorganizada, sem diferenças claras das práticas de produção entre a semente de batata e a batata para alimentação. Para melhorar a produção de batatas e aumentar a sua competitividade, organizações nacionais e internacionais em Uganda trabalharam juntas para amplificar a adoção de melhores práticas de produção, incluindo a produção de sementes de batata de boa qualidade, disponíveis para os agricultores a preços acessíveis. Um método da Escola de Agricultura de Campo (FFS, da sigla em inglês) financiado por agências internacionais, envolvendo uma rede regional de pesquisa da batata denominada PRAPACE, foi utilizado para treinar os agricultores a cultivar batatas de forma lucrativa. Os agricultores foram treinados no controle integrado de doenças e pragas da batata, controle integrado de safra e nutrientes e na agricultura como negócio. O treinamento e o aumento da produtividade resultaram em aumento de renda, devido aos esforços das organizações para identificar mercados para as batatas. Como resultado, existe agora um grupo de agricultores, os Agricultores Unidos de Nyabyumba (NUF), que administra uma iniciativa bem sucedida que produz batatas de mesa de qualidade para processamento como batatas fritas francesas. Os agricultores aumentaram a produção de batatas por unidade de área e de tempo. Este roteiro concentra-se nas atividades dos Agricultores Unidos de Nyabyumba, uma organização que evoluiu a partir de sete grupos menores estabelecidos anteriormente nas Escolas de Agricultura de Campo.

O roteiro mostra a importância de grupos de agricultores eficientes. Como radialista, você pode ajudar os agricultores conhecendo os grupos de agricultura da sua região, transmitindo informações sobre como são criados e mantidos grupos eficientes e difundindo histórias de sucesso inspiradoras que mostrem grupos eficientes em ação.


Roteiro:

Música de introdução por cinco segundos, depois desaparece. Vinheta do programa.

Apresentador: Está na hora de mais um programa Voz do Agricultor. Se você está sentado no bar esperando ganhar um gole do seu amigo, você não está no lugar certo! Se você está esperando para tomar um gole… vooooolte ao trrrrrrabalhoooo!!! Hoje, vamos falar com um produtor de batatas que vai nos contar o segredo do seu sucesso. Talvez você possa aprender com ele e também ser bem sucedido! Vamos perguntar onde você deve plantar suas batatas e falar sobre a importância de cultivar sua safra e comprar boas sementes de batata para o plantio. (Para o convidado) Bem-vindo ao nosso programa! Por favor, diga aos nossos ouvintes quem é o sr., de onde o sr. vem e como o sr. se tornou um agricultor bem sucedido.

Sr. Byarugaba: Bom dia, queridos ouvintes; estou com dor de garganta esta manhã, mas vou tentar falar (limpa a garganta). Sou Byarugaba, catequista da igreja e também um agricultor bem sucedido da Agricultores Unidos de Nyabyumba.

Meu filho (dirigindo-se ao apresentador), a agricultura não é uma tarefa fácil. Você precisa de dedicação se quiser ter sucesso. Eu não fui para a escola estudar como os professores, mas tenho orgulho em dizer que posso me sentar com os professores e eles vão ouvir o que tenho a dizer. Em 1999, eu era pobre como um rato da igreja. Eu dependia da pequena produção que eu podia cultivar no jardim. Ela não era suficiente para minha família comer, que dirá ter excedente para vender e poder pagar as mensalidades das escolas das crianças. Mas agora isso já é história.

Apresentador: “Isso já é história!” Conte como o sr. teve sucesso, com ajuda de quem, que recursos foram necessários, onde o sr. os encontrou etc. etc.

Sr. Byarugaba: O ano de 1999 ficou na minha memória. Eu tinha só dois canteiros de terra que considerava úteis, porque eles ficavam no fundo do vale. Eu achava que eles eram a única esperança da minha família. Os outros canteiros eram pedaços barrentos de terra no topo do morro e eu não prestava muita atenção neles porque sabia que eles não eram bons para nada.

Fui convidado para uma reunião na aldeia, promovida por duas organizações, a Organização Nacional de Pesquisa Agrícola, ou NARO, e a Africare. Eles queriam trabalhar com alguns agricultores locais. Para participar, o agricultor precisava ter terra no topo do morro. Eu ri e pensei que nada de útil viria desse projeto. Mas eu estava pronto para dar a minha terra, já que eu achava que ela era inútil, e queria ver o milagre que as duas organizações poderiam fazer com ela.

Apresentador: Por que as organizações queriam agricultores com terra no topo de morros?

Sr. Byarugaba: Eles disseram que a terra do topo de morro era melhor porque era livre das principais doenças, ao contrário da terra do fundo de vale. Eu já havia cultivado batatas no fundo do vale, mas a produção era sempre atacada por doenças como a murcha bacteriana e o míldio. Você plantava um saco de batatas e colhia muito pouco, porque metade da safra se estragava.

A NARO e a Africare nos disseram que as batatas estragavam devido à murcha bacteriana, que estava no solo há muito tempo. Sementes ruins e doentes eram outra causa. Nós não acreditamos até provar isso depois da colheita da primeira estação.

Apresentador: Obrigado, Sr. Byarugaba, pelas suas informações. Nós voltaremos após o intervalo e o nosso convidado vai nos contar mais.

Intervalo musical

Apresentador: Estamos de volta. Poderia nos contar mais sobre seu primeiro plantio de batatas com a NARO e a Africare?

Sr. Byarugaba: As duas organizações prometeram fornecer sementes limpas e começamos a preparar a sementeira nos canteiros abandonados no topo do morro. Nós cultivamos os canteiros e então recebemos sementes de batata limpas. Plantamos as batatas com fertilizantes minerais, espaçando as sementes a cada 70 por 30 centímetros. Aprendemos a pulverizar a produção, para evitar doenças como o míldio, de forma que havia folhas suficientes nas plantas para fabricar alimento para os tubérculos no solo. Então retiramos as ervas daninhas para garantir que as plantas tivessem luz suficiente e para que as ervas não competissem com as batatas pelos nutrientes do solo e continuamos a controlar as pragas. Depois de noventa dias, nós colhemos muitas batatas. Este foi o começo da estrada para o sucesso, meu filho.

Apresentador: O sr. acha que outras pessoas podem ter sucesso da mesma forma que vocês tiveram?

Sr. Byarugaba: Deixe que eles tentem e talvez um dia eu ouça as histórias deles no rádio!

Apresentador: Obrigado, Sr. Byarugaba, por participar da “Voz do Fazendeiro”, na Kachwekano FM 103,7. Faremos um pequeno intervalo. Quando voltarmos, o sr. pode nos contar como o projeto o beneficiou como indivíduo e como grupo?

Sr. Byarugaba: Sim, com muito prazer.

Vinheta do programa, seguida por música sobre agricultura.

Apresentador: Como prometemos antes do intervalo, o Sr. Byarugaba vai nos contar agora sobre o seu grupo de agricultores. Sr. Byarugaba?

Sr. Byarugaba: Nosso Grupo de Agricultores Unidos de Nyabyumba beneficiou-se muito do envolvimento em pesquisas participativas com cientistas. Agora podemos cultivar diferentes tamanhos de batatas, para comer ou para vender. Juntos estabelecemos um centro de coleta, para onde os agricultores podem enviar seus sacos de batatas e vendê-los coletivamente. Mas não paramos por aí! Nosso poder de barganha com comerciantes e intermediários aumentou e agora podemos determinar quando é a melhor época de cultivo, venda e direcionamento ao mercado.

Apresentador: Isso é impressionante. E, pelo que sei, vocês formaram uma escola de campo conduzida pelos agricultores, não é isso?

Sr. Byarugaba: Sim. Fomos avaliados como a melhor escola de campo de agricultores pela NARO e pela Africare. Por isso, também formamos o que agora é chamado de escola de campo conduzida pelos agricultores. Como grupo, nós compramos um veículo para carregar nossas batatas para o mercado. Mas a melhor notícia é que uma organização regional de pesquisa da batata de Uganda chamada PRAPACE nos ajudou a firmar um contrato com um restaurante fast-food em Kampala para fornecer batatas para fritar por todo um ano. E o preço é apetitoso! O que mais posso dizer, meu filho? Agora podemos mandar nossos filhos para a escola e melhorar a alimentação das nossas famílias, porque temos dinheiro e “falamos como qualquer outro homem” (nota do editor: esta expressão é usada para referir-se a alguém que tem dinheiro).

Apresentador: Muito obrigado, Sr. Byarugaba. Espero que os nossos ouvintes encontrem inspiração nas suas ações e no seu sucesso. Para resumir as suas instruções sobre o cultivo de batatas, eu diria que o agricultor deverá lembrar-se de usar variedades aprimoradas e sementes limpas, além de controlar as pragas e as doenças. Também é importante controlar as ervas, para que elas não concorram com as plantas produtoras pelos nutrientes do solo e para que as pragas não se acumulem sobre as ervas. Os agricultores deverão buscar conselhos com especialistas agrícolas que conheçam o cultivo de batatas. Também é importante planejar em grupos e comparecer às reuniões da aldeia. E, é claro, é preciso trabalhar muito!

Sr. Byarugaba: Sim, é verdade.

Apresentador: Agradeço pela mensagem que o sr. passou para os nossos ouvintes hoje na Voz do Agricultor.

Sr. Byarugaba: Obrigado pelo convite! Espero que os seus ouvintes agricultores estejam com as enxadas prontas para por em prática o que acabei de contar. Tomara que eles tentem e aí vamos ver. Temos um ditado que diz que é preciso “ver para crer”. Deixe que os ouvintes vejam e felizes são aqueles que acreditam sem ver. Muito obrigado e que Deus abençoe a Voz do Agricultor.

Apresentador: Prezado ouvinte, obrigado pela audiência e esperamos que você nos sintonize na próxima vez.

Música de encerramento por cinco segundos, depois desaparece.


Créditos:

Contribuição de Tumwebaze Baryamujura Adrian, Centro Multimídia da Comunidade de Kachwekano, Kabale, Uganda, com informações do Sr. Byarugaba (presidente da Agricultores Unidos de Nyabyumba), Rogers Kakuhenzire (patologista vegetal, NARO), Tibanyendera Deo (assistente de pesquisa/instrutor, Escola de Campo do Agricultor, NARO) e Africare.

Revisão: Dr. Berga Lemaga, coordenador do PRAPACE, e Dr. William Wagoire, NARO, chefe do Programa da Batata de Uganda. Agradecemos também ao CIAT, que ajudou o Grupo de Agricultores a tornar sustentável sua ligação de mercado com a NANDOS.


A Rádio Rural Internacional (Farm Radio International) é uma organização canadense sem fins lucrativos dedicada a apoiar emissoras de rádio em países em desenvolvimento para fortalecer comunidades rurais e a agricultura em pequena escala.

Segundo a organização, o material da Rádio Rural Internacional pode ser copiado ou adaptado para distribuição gratuita ou a preço de custo, com crédito para a Rádio Rural Internacional e para as fontes originais.

Esta versão em português é um trabalho voluntário, independente da organização e oferecido gratuitamente para as emissoras de rádio dos países de língua portuguesa. O texto foi traduzido para o português do Brasil, mas pode ser adaptado com facilidade para o português falado em outras partes do mundo (para dúvidas sobre os termos empregados, utilize o formulário de contato em https://radioruralportugues.wordpress.com/creditos-e-contato/).

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