Jovem casal planeja gravidez e nascimento de filhos

Material produzido pela Rádio Rural Internacional em 24 de fevereiro de 2016, como parte do pacote de informações Barza.

Original em inglês disponível em: http://www.farmradio.org/radio-resource-packs/barza-scripts/lets-talk-about-it-a-young-couple-plans-pregnancy-and-childbirth/.


Observações para as emissoras:

Quando os casais estão esperando um filho, muitos homens e mulheres sentem desconforto para falar sobre questões como cuidados com as crianças, gravidez, parto e o papel de homens e mulheres nessas questões. Em algumas culturas, o marido é a principal pessoa com quem a mulher grávida discutiria essas questões; vizinhos ou amigos próximos também podem envolver-se.

Em outras culturas, mulheres mais idosas, parteiras e a sogra desempenham papel especial no incentivo à discussão e fornecimento de conselhos às mulheres grávidas. Hoje em dia, entretanto, as mulheres mais jovens muitas vezes não querem seguir os seus conselhos, mesmo quando elas aconselham as mulheres a ir a um posto médico em busca de assistência.

Para falar sobre essas questões, visitamos um casal em uma aldeia no distrito de Arusha, na Tanzânia. Eles se casaram há um ano e fizeram planos que incluem como fazer sua vida tornar-se próspera e como cuidar dos seus filhos.

Este roteiro contém oito entrevistas separadas com o casal, cobrindo o período desde antes da mulher ficar grávida até depois do nascimento do bebê. Existem várias formas de usar este roteiro. Você poderá empregá-lo como guia para entrevistar um casal que espera um bebê na sua própria região. Leia cuidadosamente os tipos de assuntos e questões nas entrevistas. Descubra como os casais da sua região se preparam para o nascimento de crianças. Quem toma as decisões? Os maridos e as esposas discutem essas questões juntos? Você pode também decidir transmitir essas entrevistas como se encontram, adaptando-as à sua situação local. As oito entrevistas poderão ser transmitidas por oito dias seguidos, ou uma vez por semana por oito semanas.

Este roteiro é baseado em entrevistas reais. Se você decidir usar vozes de atores para representar o casal que está sendo entrevistado, não se esqueça de dizer aos seus ouvintes no início do programa que as vozes são de atores, não das pessoas originalmente envolvidas nas entrevistas, e que o programa foi adaptado para a sua audiência local, mas é baseado em entrevistas reais.

Além disso, alguns dos costumes e tradições locais seguidas pelo casal e suas famílias podem ser diferentes da sua audiência local. Fique à vontade para adaptar o roteiro ao contexto cultural dos seus ouvintes. Alternativamente, você poderá apresentar a história como ocorrendo em uma cultura diferente, com diferentes valores e tradições.


Roteiro:

Personagens:

  • Produtor.
  • Marido.
  • Esposa.

Ambiente: comunidade rural.

Apresentador: Muitas vezes é difícil para os jovens, homens e mulheres, discutir questões relativas à gravidez e ao nascimento de crianças. Parece que as mulheres mais jovens detêm pouca informação sobre o nascimento de crianças antes de terem seu primeiro bebê e elas não se sentem confortáveis para fazer perguntas. Os homens muitas vezes parecem descuidados ou desinteressados pela gravidez e pelo nascimento de crianças e as mulheres podem relutar em contar ao seus maridos que estão grávidas. Nosso produtor visitou um casal jovem, com idade de 23 e 22 anos, que vive perto de Arusha, na Tanzânia. Eles têm uma vida pobre, são autônomos e dependem de qualquer trabalho que possam encontrar a cada dia. Eles moram ao lado dos pais do marido, mas dependem dos seus próprios esforços para sobreviver. Vamos ouvir a conversa entre o nosso produtor e o jovem casal.

Primeira entrevista – antes da gravidez

Sobe vinheta de abertura. Mantém-se por dez segundos e desaparece.

Produtor: Quais planos vocês têm para sua família?

Marido: O nosso primeiro plano é sair da pobreza.

Produtor: E quanto aos filhos? O que vocês planejam?

Marido: Bem, nós planejamos ter filhos, se Deus assim permitir.

Som de latidos

Produtor: Quantos filhos vocês esperam ter?

Marido: Discutimos a questão e vamos continuar a planejar até chegarmos a um acordo.

Esposa: Nós havíamos planejado durante o noivado ter três. Eu disse dois, meu marido quer três, mas eu não concordei e ainda estou pensando. (Esposa, marido e produtor riem)

Produtor: Quem toma a decisão sobre o número de filhos?

Esposa: Acho que nós dois somos responsáveis. Mas os homens às vezes querem assumir o controle.

Produtor: Parece que, na sua família, vocês concordaram que o marido não vai assumir e decidir. Por que vocês decidiram ter só dois ou três filhos?

Esposa: Nós somos pobres. A vida não é fácil. Não temos dinheiro e é difícil ganhar dinheiro. Se você tiver dez filhos e for pobre, você não consegue administrar. Eles teriam uma vida difícil e e nós traríamos para eles uma vida de problemas. Ter poucos filhos é melhor do que ter muitos, pois você pode demonstrar o seu amor para eles.

Produtor: Como o pai da família, quando você planeja ter esses dois ou três filhos.

Marido: Nós pensamos em ter nosso primeiro filho depois de um ano e já está quase na hora. E estamos rezando para ter um.

Produtor: Por que você pensa assim em vez de ter um filho logo depois do casamento?

Marido: É porque o casamento é como o nascimento. Os dois são como crianças no início do casamento; você acabou de se casar e espera um filho logo em seguida. Acho que até a sua situação econômica não é boa no início da sua vida de casado. Você não tem nenhuma indicação de como será a vida. Este é um problema para muitos casais recém-casados. Eu aconselho a esperar pelo menos um ano e depois você pode ter um filho, e não imediatamente, pois assim haverá problemas. Você está enfrentando uma coisa nova que nunca viu antes.

Produtor: Como vocês planejam sair da pobreza?

Marido: Talvez trabalhando muito. Não importa qual emprego você escolha. Mesmo se for para esfregar ou limpar, você precisa estar pronto para trabalhar muito para diminuir a pobreza e ter uma vida boa.

Produtor: Posso ver que vocês têm vacas, galinhas, cabras e uma fazenda. Isso mostra que pelo menos vocês podem ganhar alguma coisa para viver. Os seus pais aconselharam vocês sobre o casamento?

Esposa: Eles nunca nos aconselharam sobre nada. Eles são Maasai típicos e confiam totalmente nas suas tradições culturais. Meu sogro não pode nem vir à minha casa. Eles não têm condições de aconselhar nada. Mas nós recebemos conselhos de amigos próximos.

Produtor: Talvez o marido tenha sido aconselhado?

Marido: Não. Nenhum dos nossos pais diz: “se você fizer isso, será desta forma, ou isso vai acontecer”. Eles aconselham a ter dez vacas, mas, se você considerar isso, não se produz nenhum lucro. Agora estamos cultivando intensamente um pequeno canteiro e a única vaca que temos produz muito leite.

Produtor: Esposa, você tem alguma preocupação com o casamento?

Esposa: Sim. Tenho medo de ser pobre. Estou preocupada se conseguirei cuidar dos meus filhos e levá-los para a escola. Às vezes acredito que terei sucesso e uma vida boa, mas às vezes tenho medo.

Produtor: Marido, você planeja ter um filho depois de um ano de casamento. Quais são as suas preocupações?

Marido: Com os vizinhos. O que eles estão falando de mim? Eu vou conseguir construir uma boa casa e cuidar da minha família? Construir uma casa moderna custa muito dinheiro e o meu salário é muito pequeno. Faço trabalhos temporários e o pagamento é muito pouco, pois depende do trabalho que eu puder encontrar e não posso prever quanto dinheiro teremos. Será que vou conseguir? Serei um bom pai que cuida e dá à minha esposa a chance de ter uma boa vida?

Sobe vinheta. Mantém-se por dez segundos e desaparece.


Segunda entrevista – segundo mês de gravidez

Personagens:

  • Produtor.
  • Esposa.
  • Marido.

Apresentador: Muitas pessoas acham que, quando uma mulher está grávida, dá azar fazer planos ou tomar decisões adiantadas sobre o nascimento da criança. Outros acreditam que até o anúncio da gravidez pode chamar bruxarias ou outros infortúnios. Estamos falando sobre essas questões hoje com um jovem casal, com 23 e 22 anos de idade, que mora em uma aldeia perto de Arusha, na Tanzânia. Eles são pobres, autônomos e dependem do trabalho que encontrarem a cada dia. Eles são casados há um ano e planejam ter um filho em breve.

No programa passado, falamos sobre cuidados e planejamento familiar. O casal falou sobre o início da vida de casados. Você ouviu que eles estão planejando ter um filho. Eles já vivem juntos há quase um ano. Eles disseram que essa decisão será tomada em conjunto, entre o marido e a esposa. Três meses depois do nosso primeiro encontro, o produtor visitou novamente a família. Eles vão contar se tiveram sucesso em conceber um filho como haviam planejado.

A conversa entre o nosso produtor e o casal continua.

Sobe vinheta. Mantém-se por dez segundos e desaparece.

Produtor: Como você se sente pensando em ter um filho?

Esposa: Eu me sinto bem, agradeço a Deus por ter sucesso em meus planos e acho que conseguimos. Estou grávida há dois meses.

Produtor: Você tem certeza de que concebeu e está grávida?

Esposa: Eu me sinto diferente do habitual. Eu não tive meu período menstrual e comecei a vomitar, dormir e me sentir cansada. Eu vejo que estou comendo apenas alguns tipos de alimentos e, se eu como um tipo de comida hoje, não consigo comer o mesmo alimento amanhã.

Produtor: Qual é a reação do seu marido quanto a isso?

Esposa: Agradeço a Deus por ter um bom marido. Ele abandonou todas as tradições ruins. Ele sabe cozinhar para mim e fazer outros trabalhos. Nesta região, não se permite que os homens façam esse trabalho, mas o meu marido é diferente. Ele sabe cozinhar e vai buscar água enquanto estou dormindo. Este mês tive problemas, mas o meu marido realmente me encorajou.

Produtor: Marido, como você se sentiu quando a sua esposa ficou grávida?

Marido: No começo me senti muito mal porque comecei a me preocupar com o que vai acontecer. Na nossa região, os homens são completamente proibidos de cozinhar. Mas a minha esposa está cansada. Por isso, tomei minha própria decisão de mudar e fazer o trabalho para formar minha própria família. Também aprendi com meus amigos próximos e consegui ajudar a minha esposa. E, é claro, sabemos que não vamos durar para sempre! (Esposa, marido e produtor riem)

Produtor: Como marido, o que você acha que precisa ser feito?

Marido: O que é importante é que a mãe conheça suas necessidades e não deixe de comer uma alimentação balanceada nos horários certos. Como pai e marido, preciso saber que hoje ela gosta ou não desse tipo de alimento para poder fornecer o alimento de que ela gosta. E acho que alimentos como frutas são importantes para as mulheres grávidas e é responsabilidade do marido garantir que todas as suas necessidades sejam atendidas. (Esposa ri)

Produtor: E ele tem tido sucesso?

Esposa: Agradeço a Deus por haver frutas. (Esposa e marido riem) Posso tomar suco até à meia noite e há frutas todo o tempo. Ele faz mesmo um ótimo trabalho cuidando de mim. (Rindo) Se eu preciso de laranjas, eu tenho!

Sobe vinheta. Mantém-se por dez segundos e desaparece.


Terceira entrevista – terceiro mês de gravidez

Personagens:

  • Produtor.
  • Marido.
  • Esposa.
  • Mãe da vizinhança.

Apresentador: Estamos falando sobre família, gravidez e cuidado com as crianças com o nosso casal de futuros papais. Estamos nos reunindo hoje no terceiro mês da gravidez da esposa. Vamos falar sobre o seu progresso até aqui e sua preparação para a chegada do bebê. Como está o progresso do bebê no ventre? Quais são as responsabilidades da família nesta etapa?

Sobe vinheta. Mantém-se por dez segundos e desaparece.

Produtor: Mamãe, por favor, conte o que aconteceu depois de dois meses de gravidez e agora neste terceiro mês.

Esposa: Neste terceiro mês, estou me sentindo bem. Não estou tão cansada e não vomito mais. Posso comer todos os alimentos e não sinto nenhum desconforto. Era muito ruim no começo da gravidez. Se eu comesse uma laranja hoje e outra no dia seguinte, eu vomitava. Mas agora me sinto um pouco melhor. Na semana passada, fui até a clínica e eles me disseram que comesse frutas e verduras em vez de suco. Devo dizer que tomei muito suco. (Esposa e produtor riem)

Produtor: É verdade, papai? Ela bebia muito? (Risadas continuam)

Marido: Sim. Realmente, ela bebia muito suco. (Risadas continuam)

Produtor: O que vocês pensam agora sobre ir para a clínica para o exame pré-natal?

Marido: Ela já começou a ir à clínica este mês. Ela vai continuar para conseguir o conselho de que precisa e para ter certeza de que tudo vai bem com a gravidez.

Produtor: Então, mamãe, você começou o tratamento?

Esposa: Sim. Fui examinada, fiz exames de sangue, incluindo teste de HIV e o resultado foi negativo. Tive muitos exames e eles disseram que eu não tenho problemas.

Produtor: A qual clínica você foi?

Esposa: Fui à clínica de saúde aqui perto.

Produtor: Por que você não foi a uma parteira tradicional?

Esposa: É verdade que as parteiras tradicionais têm muito conhecimento. Mas o problema é que elas não têm os instrumentos para os exames e testes como exames de sangue, testes de HIV, pressão sanguínea, coisas assim.

Marido: Se você sugere visitar a parteira tradicional, tudo bem, mas elas não têm esse tipo de conhecimento. Elas não podem fornecer vitaminas nem vacinas, nem podem fazer exame de sangue e outras coisas.

Produtor: O que os casais fazem? Eles gostam de ir à clínica antes e durante o parto?

Esposa: Alguns não querem ir até a clínica. Mas, para mim, se você não for, não vai poder cuidar do bebê adequadamente. Se você for para a clínica, vai saber o andamento da gravidez – a saúde da mãe e da criança. Você também vai descobrir se há alguma complicação. Os que não vão à clínica não terão esse aconselhamento, nem coisas importantes como exames de sangue. Até a pressão sanguínea é verificada. Eles também verificam a posição e o batimento cardíaco do bebê.

Produtor: Nos últimos meses, como você vê o seu progresso e o do bebê?

Esposa: Tem havido alguns problemas pelo caminho. Estive muito cansada e com dores de cabeça. Outro problema foi que eu tive um pouco de sangramento por alguns dias e tive muito medo de abortar a criança. Por isso eu agradeço a Deus por essa grande ajuda para mim. Na clínica, eles verificaram e não encontraram nenhum problema. Eles me deram algumas pastilhas de ferro. Depois de tomá-las, comecei a ganhar minha energia de volta.

Produtor: Enfrentando todos esses problemas, você ainda consegue fazer todo o seu trabalho?

Esposa: Às vezes eu não conseguia. Eu ficava muito cansada. Mas, quando eu não conseguia, meu marido me ajudava, por exemplo, limpando a casa, indo buscar água, juntando lenha e com outros trabalhos pesados.

Produtor: Quando você ia para a clínica, a parteira dava algum conselho sobre alimentação?

Esposa: Ela me disse para comer muitos alimentos diferentes e beber bastante água. Em resumo, ela me disse para comer qualquer comida que eu gostasse de comer, mas não me esquecer de comer muitos alimentos diferentes, especialmente verduras folhosas e alimento como feijões e ovos, para me manter forte e saudável.

Produtor: Como você está seguindo esse conselho?

Marido: Estamos tentando fazer todo o possível trabalhando muito. Não temos nenhum dinheiro guardado para isso. Por isso trabalhamos muito para conseguir dinheiro para comprar comida. Se você não trabalhar, a comida não virá até você. Mas, se você trabalhar muito, vai ganhar dinheiro e comprar comida suficiente. Também agradecemos a Deus por termos uma fazenda onde plantamos feijão, milho e outros produtos. Assim conseguimos a maior parte da nossa comida e não temos necessidade de comprar. Estamos realmente trabalhando muito para comprar frutas.

Produtor: Vocês separaram dinheiro para a chegada do bebê?

Marido: Na verdade, não economizamos dinheiro nenhum. Quando a parteira nos avisou que a minha esposa deveria comer frutas, nós não tínhamos dinheiro. Mas nós trabalhamos muito e compramos frutas, seguindo o conselho da parteira. Fazemos qualquer trabalho que possa dar dinheiro. E você também precisa ter mais cuidado com o seu dinheiro. Eu costumava sair e relaxar com outros homens à noite e beber cerveja. Mas eu acabei entendendo que a cerveja é muito cara e, se você deixar de beber, pode economizar algum dinheiro. Eu consegui fazer isso e até agora tivemos sucesso.

Produtor: Qual foi o conselho da sua sogra durante esses três meses?

Esposa: Ela estava próxima para qualquer ajuda que eu precisasse. Se eu precisasse de leite, ela me dava. Tudo o mais que eu precisasse, se ela conseguisse, ela me dava. Mas ela nunca me deu nenhum conselho.

Produtor: Por que ela não deu nenhum conselho?

Esposa: Não sei bem, acho que ela tem medo. A tradição não deixa que ela dê conselhos. Ela era livre para dizer qualquer coisa para mim, mas nunca me aconselhou a evitar alguma coisa ou a fazer alguma coisa que seja saudável. Ela nunca falou comigo sobre gravidez e que cuidados tomar.

Produtor: Papai, que conselho você conseguiu do seu pai?

Marido: Ele não disse nada, também devido à tradição. Ele nem pode entrar na minha casa – ele fica distante. (Marido e esposa rindo) Quando o meu pai me visita, ele não quer entrar. Ele nunca me aconselhou. Ele é um dos mais velhos agora e eles estão mantendo as suas tradições.

Produtor: Hoje tenho a sorte de encontrar uma vizinha aqui. (Falando para o vizinha) Mamãe, parece que você tem filhos. Que conselhos você deu para este casal nestes últimos três meses sobre os cuidados com o bebê e a preparação para o parto?

Mãe da vizinhança: Meu conselho agora é separar um pouco de dinheiro para o parto. Eu sei que vocês ainda não podem começar a preparar comida nem outras coisas para o bebê, mas é bom preparar-se para o parto e começar cedo. Economizem um pouco de dinheiro, porque isso vai ajudar durante o nascimento e depois do nascimento da criança. Vocês podem usar esse dinheiro para o transporte, para o tratamento e até para comida, dependendo do que for necessário.

Sobe vinheta. Mantém-se por dez segundos e desaparece.


Quarta entrevista – quinto mês de gravidez

Personagens:

  • Produtor.
  • Esposa.
  • Marido.
  • Mãe da vizinhança.

Apresentador: Atualmente, os médicos, enfermeiras e parteiras aconselham, quando uma mulher está grávida, que ela e a sua família comecem a preparar-se para o nascimento. Uma das preparações importantes é a discussão e escolha do melhor lugar para o parto. Outras preparações importantes são o planejamento para o transporte, separando algum dinheiro e até verificando quem pode doar sangue em caso de necessidade. Algumas pessoas acham que preparar-se para o parto traz má sorte, mas isso não é verdade. De fato, preparar-se para o parto pode ajudar a garantir que as mulheres e seus bebês enfrentem o parto com segurança.

Estamos entrevistando um jovem casal com 23 e 22 anos de idade, que mora em uma aldeia perto de Arusha, na Tanzânia. Eles são pobres, autônomos e dependem do trabalho que encontrarem a cada dia. Agora eles estão no quinto mês de gravidez. Hoje vamos ver o seu progresso ao longo dos dois últimos meses. Quais preparativos eles fizeram até agora? Existe alguma complicação neste quinto mês?

O nosso produtor continua.

Sobe vinheta. Mantém-se por dez segundos e desaparece.

Produtor: Este é o quinto mês de gravidez. Existe alguma complicação neste quinto mês? Vamos ouvir a mãe.

Esposa: Eu fui até a clínica, eles me deram uma vacina e o andamento está bom.

Produtor: Qual vacina você recebeu?

Esposa: A vacina contra o tétano.

Produtor: Quantas vacinas você recebeu?

Esposa: Eu recebi a primeira vacina na primeira vez em que fui fazer check-up e este mês eles me deram uma segunda injeção para ajudar a me proteger contra infecções.

Produtor: Quais preparativos vocês estão fazendo neste quinto mês (som de vaca) com relação à criança em termos de dinheiro?

Esposa: Ainda falta muito tempo, quatro meses… Realmente não sei o que fazer. Algumas pessoas me dizem que é ruim preparar-se para algo que você ainda não viu. Eu não quero chamar a má sorte nem interferir com os planos de Deus fazendo os meus. (Esposa ri)

Produtor: Papai, você está se preparando para receber uma criança. Quais preparativos você fez até agora?

Marido: (Respira fundo) Como a minha esposa já disse (esposa ri), nós não nos preparamos muito. (Som de vaca) Mas acho que você está certo. Precisamos nos preparar um pouco para estarmos prontos quando chegar a hora do parto.

Produtor: O que você sabe agora sobre o que é necessário para receber um bebê?

Marido: Na verdade, nós não sabemos. Mas ouvimos as pessoas dizerem que um pouco de dinheiro precisa ser separado e que até a comida precisa ser economizada. Se você economizar um pouco de dinheiro, isso pode reduzir a tensão. Ainda estamos nos preparando. Não temos nenhum dinheiro em mãos agora, mas acreditamos que vamos conseguir algum. Quando tivermos, vamos economizar para o nosso convidado, ou seja, nosso filho.

Produtor: Tivemos novamente a sorte de encontrar uma mãe da vizinhança, que é amiga deste casal. (Falando para a vizinha) Você pode, por favor, nos dizer quais são as coisas importantes necessárias no quinto mês para preparar o recebimento de uma criança?

Mãe da vizinhança: No quinto mês, você deverá haver economizado um pouco de dinheiro para ir à clínica e comprar o que a parteira poderá precisar – coisas como luvas, algodão e remédios. Também é bom pensar em como pagar pelo transporte. Estas são coisas importantes a se pensar durante a preparação para receber uma criança.

Produtor: Como você conseguiu administrar esse tipo de preparação?

Mãe da vizinhança: Consegui administrar bem. Economizei um pouco de dinheiro e comprei uma seringa, luvas e outras coisas necessárias. Se você não tiver dinheiro, poderá ter problemas.

Produtor: Você sabia que essas coisas eram necessárias?

Mãe da vizinhança: Sim, porque me disseram na clínica quando estava chegando a hora do parto.

Produtor: Você já viu casais fazerem esse tipo de preparação antes do nascimento?

Mãe da vizinhança: Na aldeia, é difícil. Muitas precisam dar à luz em casa por falta de dinheiro. Elas não têm dinheiro para o transporte até a clínica para o nascimento e o retorno. (Som de vaca) Elas também têm medo dos custos da clínica. Pelo menos a parteira tradicional pode esperar alguns dias para receber o pagamento.

Produtor: Voltamos para o marido e a esposa. (Falando para o casal) Existe uma crença comum de que as mulheres grávidas não devem comer certos tipos de alimento. Vocês ouviram essas crenças na aldeia?

Marido: Não acho que exista algum tipo de alimento que seja ruim para a criança e a mãe, mas ouvimos sobre algumas drogas que a mãe não deve tomar. Sobre os tipos de alimentos que podem afetar a criança, ouvi as pessoas falando na aldeia, mas a parteira mandou comer os tipos de alimentos que quiséssemos e conseguíssemos. Nunca vi uma criança ser afetada pela comida consumida durante a gravidez.

Produtor: Mamãe, você já ouviu essas crenças de que alguns tipos de alimentos podem afetar a criança?

Esposa: Sim – e me disseram para não comer ovos porque faria com que a criança crescesse muito. Também dizem que batata frita pode deixar a criança muito grande e gorda. Mas, na clínica, a parteira nos disse que isso não é verdade. Ela nos aconselhou a apenas comer alimentos bons sem grandes preocupações. Por isso, quando tenho vontade de comer um alimento específico, eu como. (Produtor e esposa riem)

Produtor: Papai, o que você pode dizer sobre cuidar de uma criança que você não vê?

Marido: Na verdade, minha experiência é que cuidar da criança que não é vista é muito difícil. Às vezes, a mãe está rindo, mas isso pode mudar em um minuto. (Esposa e produtor riem)

Sobe vinheta. Mantém-se por dez segundos e desaparece.


Quinta entrevista – sétimo mês de gravidez

Apresentador: Uma parte muito importante da preparação para o parto é a separação de fundos. A economia é essencial caso surjam complicações e o casal precise ir ao hospital quando começar o trabalho de parto. Economizar dinheiro é visto como responsabilidade do marido, mas as mulheres também podem ter atividades que gerem renda, como preparação para o parto.

Personagens:

  • Produtor.
  • Marido.
  • Esposa.
  • Mãe da vizinhança.

Apresentador: Estamos novamente com a família de uma aldeia na região de Arusha, na Tanzânia. No programa de hoje, falamos sobre o andamento com sete meses de gravidez. Como o marido está ajudando a esposa nas suas tarefas? Como estão indo os preparativos? Aqui está a entrevista.

Sobe vinheta. Mantém-se por dez segundos e desaparece.

Produtor: Mamãe, conte, por favor, como você está se sentindo neste sétimo mês de gravidez.

Esposa: Eu me sinto muito fraca e cansada. Se eu andar, só quero dormir. Às vezes sinto dores nas costas ou dor de cabeça quando ando por longas distâncias. Eu me sinto muito cansada, mas estou me incentivando dizendo que estou chegando ao fim da jornada.

Produtor: Você está cuidando de você ou…?

Esposa: Não é como era algum tempo atrás (produtor, marido e esposa riem). Até lavar as minhas pernas é uma tarefa difícil (todos riem), mas estou me encorajando. E o meu marido está me ajudando muito.

Produtor: Papai, como você se sente? Você está cansado? O amor está diminuindo ou…?

Marido: Não posso dizer que o amor pela minha esposa está diminuindo, pois eu ainda a amo e ao bebê que estamos esperando.

Produtor: Como você consegue ajudar a sua esposa com responsabilidades como carregar coisas pesadas? É uma tarefa difícil?

Marido: Na verdade, estou conseguindo. Às vezes ela me diz “quero que você faça isso ou aquilo” e ela normalmente me diz o que ela não gosta e, se às vezes eu a deixo com raiva, ela me diz que está com raiva (esposa ri), talvez porque eu me atrasei para cozinhar a comida. (Som de vaca) Assim, eu consigo muita ajuda dela e não me preocupo muito com o motivo da raiva dela, por quê ela está pensando isso ou por quê ela não está comendo. Também ainda estou aprendendo, já que estamos no sétimo mês de gravidez e tenho a consciência de que, se alguma coisa acontecer, eu preciso resolver. (Som de vaca)

Produtor: Mamãe, como está o bebê? Ele está se movendo?

Esposa: Sim! No começo eu tinha medo quando sentia alguma coisa se mexendo no meu estômago porque eu não estava acostumada (rindo). Então decidi perguntar na clínica o que estava acontecendo. E eles me disseram que isso é comum. Eu não estava acostumada, mas este mês ele está se mexendo e eu me sinto bem e me acostumei.

Produtor: E você, papai? Você ficou chocado na primeira vez em que ouviu o bebê brincando no ventre da sua esposa?

Marido: Eu me senti muito bem, pois era diferente do mês anterior (som de vaca). No começo, eu tinha um pouco de medo quando ouvia minha esposa dizendo que alguma coisa estava se mexendo no ventre dela. Achei que ele talvez pudesse brincar demais.

Produtor: Mamãe, quais preparativos você já fez para receber o bebê?

Esposa: Nós preparamos algumas coisas que eu vou usar para receber o meu bebê, mas ainda estamos em preparação. Conseguimos economizar um pouco de dinheiro nestes dois últimos meses e isso é bom. Mas, se tiver um problema, terei que usar esse dinheiro (todos riem)! Estamos planejando economizar um pouco mais de dinheiro para ficarmos bem preparados para qualquer coisa nos próximos meses. (Som de vaca)Produtor:Papai, quais são os desafios mais importantes, coisas que deixam você com medo, faltando apenas dois meses até que a sua esposa tenha o bebê?

Marido: Uma coisa que tem sido um desafio para nós é pensar como vamos cuidar do bebê, pois ele precisa de cuidado e atenção – algo para comer, algo para beber… (hesita e a esposa ri), o bebê precisa de educação. Ele ou ela terá grandes necessidades de muitas coisas (som de vaca). Mas temos fé que ele ou ela vai conseguir todas essas coisas que imaginamos e, com os nossos bons pensamentos, vamos conseguir.

Produtor: Qual lugar vocês acham que será o melhor lugar para o parto? Vocês vêm discutindo isso?

Marido: Muito estão nos avisando que o hospital é muito bom. Mas ele também fica longe e, se as dores do parto começarem à noite, vai ser difícil chegar lá. A parteira da clínica próxima também é muito gentil e vem cuidando muito da minha esposa, então talvez este seja um bom lugar. Na verdade, estamos confusos sobre onde devemos ir para o parto, mas decidimos que não é bom que o parto aconteça em casa, nem na casa da parteira tradicional. Não é seguro porque podem subitamente surgir problemas e a parteira tradicional não tem as mesmas drogas e equipamento que eles têm na clínica.

Esposa: Eu não confio totalmente nos hospitais. Mas tenho fé que, se Deus permitir, meu parto vai ser bom. Escolher o melhor hospital não vai ajudar; o que é preciso é pedir a Deus que eu tenha um parto seguro. Não sei de mais nada…

Sobe vinheta. Mantém-se por dez segundos e desaparece.


Sexta entrevista – oitavo mês de gravidez

Personagens:

  • Produtor.
  • Marido.
  • Esposa.
  • Mãe da vizinhança.

Apresentador: Homens e mulheres devem ser incentivados a discutir questões relativas à gravidez e ao nascimento das crianças e, especificamente, questões como a economia de dinheiro para o parto, visitas pré-natais à clínica, cuidados com a mãe durante a gravidez e o desenvolvimento de um plano para chegar a uma instalação de saúde quando começar o trabalho de parto. Quando essas questões não são discutidas nem planejadas com antecedência, os casais estão despreparados para o parto. A longa distância até as instalações de saúde e a falta de transporte são obstáculos muito difíceis para algumas mulheres grávidas e casais e muitos nem mesmo consideram tentar chegar a uma instalação de saúde se o trabalho de parto começar à noite.

Estamos de volta com a família, agora no oitavo mês de gravidez. Quais preparativos eles fizeram até agora? O nosso produtor visitou novamente o casal e aqui está a conversa.

Sobe vinheta. Mantém-se por dez segundos e desaparece.

Produtor: Mamãe, conte o que a parteira diz sobre a sua saúde neste oitavo mês de gravidez.

Esposa: O meu desenvolvimento está bom e o bebê está se mexendo. Mas ela disse que não posso me esquecer de fazer exercício.

Produtor: Qual tipo de exercício você está fazendo?

Esposa: Estou só andando alguns quilômetros, sem correr. Estou tentando andar devagar.

Produtor: E como está o papai? Ele está acompanhando você nesse exercício?

Esposa: Quando ele está em casa, às vezes andamos juntos.

Produtor: Papai, acho que a mamãe agora está cansada. Você fica confortável andando com ela?

Marido: Estou confortável andando com ela. (Som de vaca) Andar com ela não é perda de tempo ou não ter o que fazer. Se andarmos devagar e conversarmos, chegamos em casa renovados.

Produtor: Neste oitavo mês, existem planos importantes a serem feitos, como saber onde será o parto e preparar o transporte. Qual é a distância até o hospital?

Marido: São cerca de dez quilômetros da nossa casa até o hospital, mas a clínica fica perto, só a dois quilômetros daqui.

Produtor: Vocês têm transporte ou…?

Marido: Esperamos poder alugar transporte. Acho que será uma grande ajuda para chegar ao hospital se precisarmos ir até lá. Existem poucas pessoas com carro na aldeia e podemos ligar para uma delas se houver uma emergência e precisarmos ir para o hospital.

Produtor: Quanto dinheiro eles cobram pelos dez quilômetros da sua casa até o hospital?

Marido: Depende. Acho que eles normalmente cobram quinze ou vinte mil xelins tanzanianos (nota do editor: cerca de US$ 11-15 ou 8-11 euros). Eles não podem cobrar mais de vinte mil.

Produtor: Vocês estão preparados para esse dinheiro?

Marido: Sim, nós nos preparamos para esse dinheiro e também algum dinheiro para o parto, seja na clínica ou no hospital.

Produtor: Vocês prepararam comida para depois do parto?

Marido: Ainda estou preparando. Ainda não acabamos a preparação de todas as coisas importantes e necessárias, mas estamos nos preparando. (Som de vaca)

Produtor: Mamãe, quem você acha que virá ajudar você depois do parto? Quem vai ajudar você com tarefas domésticas como cozinhar, limpar a casa e as roupas?

Esposa: Acho que tudo depende do meu marido. Ele ficará perto de mim, me ajudando, mas também minha sogra nunca me deixou sozinha. Ela sempre chega cedo de manhã e podemos ficar juntas por horas. Ela sempre me pergunta se eu tenho algum problema. Acho que ela vai poder me ajudar. Mas dependo principalmente do meu marido.

Produtor: Julgando pelo tempo que falta para o parto, como vocês acham que estão indo os preparativos?

Esposa: Os preparativos estão bons. Decidimos o que fazer quando começarem as dores do parto e economizamos um pouco de dinheiro, embora ainda estejamos tentando economizar um pouco mais. Não terminamos, mas fizemos alguma coisa para nos preparar para o nascimento.

Produtor: (Falando para a vizinha) Mamãe vizinha, você está aqui conosco. Por favor, conte que coisas importantes devemos esperar faltando um mês. O que seria a primeira prioridade?

Mãe da vizinhança: A primeira prioridade é fazer outro check-up na clínica para ter certeza de que o bebê está em boa posição para nascer. Outra coisa são os exercícios. É bom fazer exercício para que o parto seja fácil. Sei que vocês deve estar muito cansada, mas precisa se esforçar porque o exercício vai facilitar o parto. Outra coisa é ter certeza de que vocês estão preparados com dinheiro e tudo o mais de que poderão precisar na clínica quando saírem para o parto. A parteira normalmente nos avisa o que devemos trazer.

Produtor: Você tem alguma coisa a dizer, papai?

Marido: Não tenho nada a acrescentar, mas agradeço a Deus por este mês, o oitavo da gravidez da minha esposa. Ela está saudável e isso é bom. Estamos bem preparados. Faltam poucas semanas para termos o filho – foi uma longa jornada.


Sétima entrevista – nono mês de gravidez

Personagens:

  • Produtor.
  • Marido.
  • Esposa.
  • Mãe da vizinhança.

Apresentador: Os casais devem discutir questões relativas à gravidez e ao nascimento das crianças e, especificamente, questões como a economia de dinheiro para o parto, visitas pré-natais à clínica, cuidados com a mãe durante a gravidez e o desenvolvimento de um plano para chegar a uma instalação de saúde quando começar o trabalho de parto. Muitos casais não pensam em economizar dinheiro para complicações que podem surgir. A longa distância até as instalações de saúde e a falta de transporte são obstáculos muito difíceis para algumas mulheres grávidas e casais e muitos nem mesmo consideram tentar chegar a uma instalação de saúde se o trabalho de parto começar à noite. Isso é uma questão de preparação antes do parto.

Estamos de volta com a família que agora está no nono mês de gravidez. O casal espera o bebê a qualquer momento. Quais preparativos eles fizeram até agora? O nosso produtor visitou novamente o casal e aqui está a conversa.

Apresentador: Mamãe, estamos nos reunindo novamente no seu nono mês de gravidez, quando esperamos que Deus dará a você um bebê a qualquer momento. Você tem algum problema agora com a sua saúde?

Esposa: Tenho dores nas costas há muito tempo, mas agora está ficando pior. Também não posso andar muito e me sinto cansada todo o tempo.

Apresentador: Há algum problema com a movimentação do bebê?

Esposa: O bebê está se movendo bem. E muitas vezes o bebê tem fome.

Apresentador: Como você sabe que o bebê tem fome?

Esposa: Quando estou com fome, o bebê também tem. E, quando tento comer, fico tonta.

Apresentador: E sobre alegria e raiva? O bebê também sente?

Esposa: Sim! O bebê sabe. Eu não sei como o bebê sabe, mas ele para de se mover quando estou com raiva e, quando rio, o bebê também ri.

Apresentador: Vocês conseguiram se preparar e colocar as coisas necessárias em ordem?

Esposa: Tenho algum dinheiro, mas não é suficiente. Preparei roupas e um pouco de comida e confio que vai ser suficiente.

Apresentador: Você acha que os seus pais podem ajudar com os preparativos?

Marido: Eles nos disseram para não dependermos deles. Temos que depender de nós mesmos porque eles têm as suas famílias para cuidar.

Apresentador: Você quer dizer que eles não doaram nada na preparação para o neto?

Marido: Para ser honesto, nada. O que eles estão é esperando é o neto – só isso. Talvez eles pensem que não há necessidade deles prepararem nada. Eles só nos disseram para trazer o neto para que eles possam ver.

Apresentador: Existem muitos tipos de preparativos: preparativos para a casa, para o hospital e para a mãe. Como estão indo agora?

Marido: A preparação em casa está boa. Para o hospital, tentamos preparar o que nos disseram para planejar e terminamos de fazer isso.

Apresentador: Talvez alguns tipos de preparação sejam caros. Você pode ajudar os ouvintes a entender quanto custam os seus preparativos?

Esposa: O custo depende de onde você vai para o parto. Alguns hospitais, por exemplo, poderão custar seis mil xelins, outros poderão custar trinta mil e um hospital do governo custa vinte mil. Uma operação custa cento e cinquenta mil e há outros custos, como o leito. Soube que, quando você dá à luz em casa, não há necessidade de dinheiro.

Apresentador: As mulheres que dão à luz em casa podem ter certeza de que o bebê será saudável?

Esposa: Algumas que deram à luz em casa dizem que não tiveram problemas. Mas eu me preparei com dinheiro e vou para o hospital mais barato porque não tenho dinheiro suficiente para ir para o hospital caro.

Apresentador: Papai, talvez você ache que dar à luz em casa é melhor porque não há o custo do transporte para o hospital, da preparação dos alimentos para a mãe e do transporte para casa. Você concorda?

Marido: O meu acordo com a minha esposa é ir para o hospital. E estamos prontos para isso. É difícil se você não se preparar, mas nós estamos prontos.

Apresentador: Vizinha, já estamos esperando por esse bebê há nove meses. O que você pode dizer sobre esta questão muito importante?

Mãe da vizinhança: Agora estamos esperando porque a qualquer momento, a qualquer minuto, a mãe pode dar à luz, de forma que o mais importante é o transporte. Você pode ficar preparado para comunicar-se com os que possuem transporte e podem ajudar você com rapidez, mas até agora não encontramos ninguém e ir para o hospital é impossível. Se Deus fizer suas maravilhas em casa, nós agradecemos. Mas nós não queremos que ela dê à luz em casa porque não é seguro para o bebê, nem para a mãe. Existem muitas doenças que podem surgir durante o parto e queremos o máximo de segurança que pudermos conseguir. Honestamente, o plano deles de ir para o hospital é bom. Mas eles precisam ter o transporte perto deles o tempo todo.

Apresentador: E quanto à família? Quando o bebê vier para casa, você tem alguma ideia de como cuidar dele?

Esposa: Ainda não, mas vou perguntar ao médico como cuidar do bebê. Também tenho uma boa vizinha que tem experiência e pode dizer como fazer, já que é a primeira vez que vou ter um bebê. Acredito que ela vai me ajudar.

Apresentador: E quanto a você, papai? Você tem alguma experiência em receber um bebê e cuidar dele?

Marido: Não. É a nossa primeira vez, como ela diz, e eu nunca carreguei um bebê. As pessoas dizem que um bebê recém-nascido é tão pequeno que, se você não carregar com cuidado suficiente, ele pode cair. Mas vou perguntar a outras pessoas como fazer.

Apresentador: Houve algum conselho do médico durante a gravidez?

Esposa: O médico me disse que o importante é me preparar, fazer exercícios e também ouvir para ter certeza de que o bebê está se movendo. Se o bebê não estiver se movendo, preciso relatar para o hospital.

Apresentador: Vocês enfrentaram tantos desafios desde o primeiro mês de gravidez até agora. O que vocês podem dizer aos demais que são casados ou estão se casando agora?

Esposa: Muitos homens se afastam das suas esposas quando elas estão grávidas. Eles não devem fazer isso. Eles devem ser como o meu marido. Os homens precisam ajudar as suas esposas a limpar e cozinhar. Eles podem ajudar com o trabalho, limpar a cozinha e não se afastar das suas esposas. Afastar-se não é a solução; isso aumenta os problemas das suas esposas. Se a esposa está com raiva, é porque ela tem um bebê no ventre. Às vezes, uma mulher grávida pode ficar com raiva, sentir dores e não pode fazer trabalho pesado.

Marido: As mulheres grávidas devem evitar trabalho pesado para garantir que não abortem. Alguns homens levam suas esposas para a casa da sua mãe ou da sogra e elas cuidam das mulheres. Isso não é bom porque as mães também têm as suas próprias famílias para cuidar. O marido precisa assumir a responsabilidade de cuidar da sua esposa.

Apresentador: Muitas vezes, os homens mandam suas esposas irem sozinhas para a clínica. Mamãe, o que você diz a respeito?

Esposa: Eu vou com o meu marido quando ele pode. Quando ele não pode, tudo bem, mas eu preciso da sua companhia.

Apresentador: Você ouviu outras pessoas dizerem que seus maridos não as levam para a clínica?

Esposa: Sim! As enfermeiras dizem que os homens têm medo de ir porque, se a mulher está grávida, eles fazem exame de sangue e os homens não gostam de fazer exame. Eles não têm certeza se são HIV positivos. Mas o meu marido foi, fez o exame e não é HIV positivo.

Apresentador: Qual é o seu conselho para os pais?

Marido: Eu os aconselho a irem com suas esposas para a clínica. Isso mostra amor e carinho.

Apresentador: As mulheres grávidas ficam cansadas todos os dias. Como você ajuda a sua esposa, já que até o banho é difícil para ela, que não pode se curvar o suficiente?

Marido: Para ser honesto, ela sempre me pede para ajudar a lavar os seus pés porque ela não consegue se curvar. Eu a ajudo a tomar banho até ter certeza de que ela está limpa. Eu realmente a ajudo.

Sobe vinheta. Mantém-se por dez segundos e desaparece.


Oitava entrevista – nascimento da criança

Personagens:

  • Produtor.
  • Marido.
  • Esposa.
  • Parteira.
  • Sogra.

Apresentador: Atualmente, os médicos, enfermeiras e parteiras aconselham, quando uma mulher está grávida, que ela e a sua família comecem a preparar-se para o nascimento. Um dos preparativos importantes é a discussão e escolha do melhor lugar para o parto. Outros preparativos importantes são planejar para o transporte, separar algum dinheiro e até saber quem pode doar sangue em caso de necessidade. Algumas pessoas acham que preparar-se para o parto traz má sorte, mas isso não é verdade. De fato, preparar-se para o parto pode ajudar a garantir que as mulheres e seus bebês enfrentem o parto com segurança.

Você acompanha uma série de entrevistas com um jovem casal com 23 e 22 anos de idade, que mora em uma aldeia perto de Arusha, na Tanzânia. Eles são pobres, autônomos e dependem do trabalho que encontrarem a cada dia. Eles vêm falando sobre o seu progresso e os preparativos para receber o bebê. Na conversa de hoje, vamos saber o que aconteceu durante o parto.

O trabalho de parto começou e o casal foi para o hospital. Após o exame, o médico avisou a mãe que ela precisava de uma operação para dar à luz com segurança. O casal estava preocupado e assustado. Mas, felizmente, tudo correu bem e nasceu uma menina saudável. O casal está nervoso com os cuidados com a criança, pois eles nunca aprenderam como cuidar de um bebê. Elas precisaram de conselhos do médico e da sua vizinha. Mas a mãe está segura e a criança está indo bem.

Sobe vinheta. Mantém-se por dez segundos e desaparece.

Produtor: Passaram-se quatro meses desde que nos encontramos e conversamos sobre o seu nono mês de gravidez. Houve muitos preparativos a fazer, mas hoje vejo você com uma bonita menina. Olá, bebê, como vai? Quando você deu à luz?

Esposa: No dia 14 de agosto de 2008, às duas horas da tarde, no Hospital de Selian.

Produtor: Qual é o nome dela?

Esposa: O nome dela é Linda. Linda é um nome em suaíli que significa “proteger”.

Produtor: Quando começou o trabalho de parto?

Esposa: Começou depois de meia-noite, perto de duas horas da manhã. Foi um desafio, já que moramos longe do hospital. Lutei para esperar amanhecer para evitar o custo, mas não foi possível. Às quatro horas, precisamos chamar um motorista que nos carregou e levou para o hospital.

Marido: Sim, foi muito difícil. Minha esposa estava sentindo muita dor. Liguei para a minha mãe e ela chamou uma parteira. Quando a parteira veio, ela avisou que havia algumas complicações e que a minha esposa deveria correr para o hospital. Então pedi um carro.

Produtor: Como você sabia que era a hora do parto?

Esposa: O médico me contou os sinais da hora do parto. Eles dizem que varia de uma mulher para outra. Mas esta é a minha experiência. Eu tive dores nas costas e dores abdominais no dia anterior ao parto. À meia noite, senti a dor nas costas movendo-se para o meu estômago. Então eu me lembrei do conselho do médico sobre os sinais. Eu pedi ao meu marido que procurasse um carro. Fui ao banheiro e tomei banho. Quando as dores foram embora, eu caí em sono profundo. Quando acordei, eu não tinha mais dores e só continuei com meu trabalho. Mas, depois de uma hora, a dor começou de novo. Ela continuou assim – indo e vindo, indo e vindo. No início da manhã, corremos para o hospital em busca de mais ajuda.

Produtor: Como vocês chegaram ao hospital?

Esposa: O meu marido é esperto e me ama. Ele ligou para o amigo dele, que veio com um carro e fomos para o hospital. Foi caro, mas havíamos separado um pouco de dinheiro que realmente nos ajudou. Estivemos fazendo preparativos por quase nove meses. Mas, quando o médico disse que eu precisava de operação, fiquei preocupada porque não tinha dinheiro suficiente para a operação.

Produtor: O que aconteceu no hospital?

Marido: Eu não achava que a minha esposa seria operada. Mas o médico disse que, se eu recusasse, a mãe e a criança estariam em perigo. Os médicos disseram que nós tínhamos que salvar a vida delas. Eles perguntaram se eu queria falar com a minha esposa antes da operação e eu respondi que sim. Então fui até a minha esposa, beijei-a e rezei por ela. Também rezei pelo bebê no ventre. Eles a levaram para a sala de cirurgia. Então rezei para Deus. Eu disse: “Deus, não quero perder a minha esposa. Você precisa trazê-la de volta para mim. Também preciso de uma criança viva e saudável.” Eu continuei rezando, rezando e rezando. Esperei por quase duas horas. Então eu vi alguém puxando uma cama em direção à outra ala. Eu corri para a cama e era a minha esposa dormindo em paz. Eles me disseram para não me preocupar, porque as duas estavam bem. Uma enfermeira estava carregando a minha filha Linda. Ela é bonita.

Produtor: Como você se sentiu quando recebeu a sua bebê?

Marido: Eu me senti muito encorajado. Agradeci a Deus por me dar uma criança. Foi um momento de alegria depois de duas horas de choro. A minha esposa não estava consciente, mas eles me disseram que ela acordaria depois de uma hora.

Produtor: Você sabe cuidar da criança?

Marido: Eu não sabia, mas apenas a segurei suavemente e cuidei para que ela pudesse deitar sobre o seio da mãe, embora a mãe ainda estivesse inconsciente. Veio automaticamente.

Produtor: Como você ajudou a sua esposa naquela hora?

Marido: Garanti que ela tivesse comida suficiente, roupas quentes e fiquei muito perto delas, demonstrando amor e carinho como pai.

Produtor: Sogra, a sra. esteve muito distante durante a gravidez, mas ficou próxima na hora do parto. Por quê?

Sogra: É a nossa cultura. Não podemos nos aproximar do jovem casal quando eles se casaram porque este é o meu filho. Mas, durante o parto, eu posso segurar o bebê e cozinhar para a esposa do meu filho. Posso ensiná-la a cuidar da criança – como lavar a bebê, como vestir a bebê e outras coisas importantes. Às vezes a bebê chora muito ou não dorme à noite nos três primeiros meses. Preciso ajudar com isso. É o primeiro bebê dessa mãe e ela não sabe muito como cuidar dela. Então sou responsável por ajudar.

Produtor: Você a ensinou a cuidar da criança?

Sogra: Não. Primeiro esperei que ela desse à luz. Agora é a hora certa de fazer isso. Ela vai entender com facilidade.

Apresentador: A jornada foi longa do primeiro até o nono mês. No fim das contas, o casal aprendeu muito com os vizinhos, a clínica e com outras fontes. Eles fizeram muitos preparativos, incluindo roupas para a bebê, dinheiro para alimento, tratamento, transporte e outras coisas importantes. O resultado foi muito bom porque o dinheiro que eles economizaram ajudou muito. Eles não esperavam que a mãe precisasse de cirurgia, mas foi necessário para resgatar a bebê e a mãe. E agora eles têm uma bela bebê.


Créditos:

Contribuição de Lazarus Laiser, Rádio Habari Maalum, Arusha, Tanzânia.

Revisão: Ellen Brazier, Diretora de Programas para a África de Língua Inglesa, Family Care International.


A Rádio Rural Internacional (Farm Radio International) é uma organização canadense sem fins lucrativos dedicada a apoiar emissoras de rádio em países em desenvolvimento para fortalecer comunidades rurais e a agricultura em pequena escala.

Segundo a organização, o material da Rádio Rural Internacional pode ser copiado ou adaptado para distribuição gratuita ou a preço de custo, com crédito para a Rádio Rural Internacional e para as fontes originais.

Esta versão em português é um trabalho voluntário, independente da organização e oferecido gratuitamente para as emissoras de rádio dos países de língua portuguesa. O texto foi traduzido para o português do Brasil, mas pode ser adaptado com facilidade para o português falado em outras partes do mundo (para dúvidas sobre os termos empregados, utilize o formulário de contato em https://radioruralportugues.wordpress.com/creditos-e-contato/).

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