O moinho do Sr. Bana: padrões de qualidade de mandioca e batatas frescas

Material produzido pela Rádio Rural Internacional em oito de março de 2016, como parte do pacote de informações n° 103.

Original em inglês disponível em: http://www.farmradio.org/radio-resource-packs/103-2/8-mr-banas-mill-quality-standards-for-fresh-potatoes-and-cassava/.


Observações para as emissoras:

Para garantir que os alimentos estejam seguros, para ajudar os agricultores e os processadores e melhorar as cadeias de valor, os governos ajudam a criar e executar padrões de cultivo e processamento de alimentos tais como batatas e mandioca.

Os padrões são orientações detalhadas de elaboração de produtos seguros e de alta qualidade. Eles cobrem todos os aspectos de produção, processamento, rotulagem e transporte. O Escritório Nacional de Padrões de cada país colabora com outros participantes para criar e executar esses padrões.

Quando os produtores e processadores seguem padrões, a qualidade do produto melhora, os produtores e os processadores podem esperar renda mais alta e os consumidores têm a certeza de conseguir produtos seguros e de alta qualidade. Além disso, é possível o comércio e o trânsito de mercadorias através de fronteiras nacionais, como ocorre com os padrões harmonizados da África central e oriental para batatas e mandioca. Embora este radioteatro aborde padrões da África central e oriental, poderá haver padrões muito similares no seu país. Pesquise um pouco para descobrir.

Este radioteatro em oito atos demonstra como os plantadores e os processadores de batata e mandioca podem cultivar e preparar esses produtos. O roteiro fala sobre padrões de colheita, armazenagem, processamento e embalagem de mandioca e batata.

Você poderá usar este radioteatro como inspiração para produzir um programa similar sobre padrões de mandioca e outros produtos na sua região. Ou você poderá optar por apresentar este radioteatro como parte do seu programa agrícola regular, usando as vozes de atores para representar as pessoas.

Você poderá seguir o radioteatro entrevistando um processador de batata ou mandioca, um agricultor que cultiva mandioca ou batata para o mercado de processamento ou um especialista sobre a cadeia de valores de batata ou mandioca. Convide os ouvintes a telefonar ou enviar mensagens de texto com perguntas e comentários. Os tópicos para discussão poderão incluir:

  • Quais são as melhores oportunidades que têm os produtores de vender para o mercado de processamento?
  • Sob quais condições o agricultor deverá processar a sua própria mandioca ou batata e quando o agricultor deverá ir recorrer a um processador?
  • Se um ouvinte quiser começar um pequeno negócio de processamento, quais etapas deverão ser tomadas para pesquisar o mercado e determinar se existem oportunidades de lucro?

Duração estimada do programa: 20 minutos, com a música de introdução e encerramento.


Roteiro:

Narrador: Batata e mandioca são produtos de raízes e tubérculos importantes. Eles são uma grande fonte de energia em muitas partes do mundo. Milhões de agricultores do leste da África cultivam mandioca e batata, a maior parte para consumo doméstico ou para serem vendidas frescas no mercado. Processando e agregando valor, os agricultores podem até fazer dinheiro. Os dois produtos são ricas fontes de matéria-prima para indústrias, como o amido usado em produtos farmacêuticos e na produção de tecidos. Mas, para processar batatas e mandioca, os agricultores devem cultivar produtos que atendam aos padrões de processamento. As raízes dos dois produtos não são bem armazenadas, especialmente da mandioca. Elas precisam de assistência especial durante a armazenagem e o processamento e de secagem eficaz para aumentar sua vida útil.

Como parte dos esforços para ajudar os agricultores a cultivar mandioca e batata na região, a counidade do leste africano desenvolveu padrões harmonizados a serem seguidos pelos agricultores, a fim de entrar em mercados mais lucrativos, como os mercados internacionais e as indústrias de processamento.

No radioteatro de hoje, aprendemos sobre esses padrões de colheita, armazenagem, processamento e embalagem de mandioca e batatas com um homem que conduz um centro de processamento há mais de quinze anos… bem-vindo ao Moinho do Sr. Bana!


Cena 1

Local: externo. Moinho de Bana. Dia.

Ruído de moinho ao fundo.

Ruído de um carro muito antigo aproximando-se do microfone de forma barulhenta. O carro para. A porta do carro bate.

Kosia: (perto do microfone, murmurando de raiva) Este carro é velho! Velho!

Zebra: (movendo-se em direção ao microfone, projetando a voz) Sr. Kosia, o seu carro está envelhecendo rápido como o dono dele! (risos)

Ruído da porta do carro, batendo novamente.

Kosia: (xingando) Droga! Maldita porta! Qualquer dia vou arrancar essa porta e fazer um forno a carvão com ela!!!

Zebra: (rindo alto) Qual é o problema?

Kosia: Deixe para lá. Zebra, Bana voltou da cidade?

Zebra: Ainda não.

Kosia: Bom. Meu moinho não está mais funcionando! A peça que você me vendeu não funciona.

Zebra: Ela estava funcionando quando a vendi. Ela era velha, mas funcionava!

Kosia: Eu quero outra, uma nova.

Zebra: Eu não posso vender uma peça nova para você. Bana perguntaria e eu perderia meu emprego.

Kosia: O seu chefe estúpido viajou por dois meses; o centro de processamento está nas suas mãos. Você diz a ele que ela apresentou problemas.

Zebra: O Sr. Bana vem cuidando deste centro de processamento há quinze anos; ele sempre sabe quando estou mentindo.

Kosia: Está bem. Você pode vir consertar a máquina para mim?

Zebra: Não.

Kosia: Por que não?

Zebra: Sr. Kosia, o sr. não paga. Eu consertei a sua máquina seis vezes em dois meses e o sr. nunca me pagou um centavo. Eu não posso continuar vindo ao seu moinho. Eu tenho o trabalho do meu patrão para fazer; estou passando mais tempo lá do que aqui.

Kosia: Está bem, eu vou pagar você hoje. Venha trabalhar.

Zebra: Deixe-me desligar a máquina e vamos.


Cena 2

Local: externo. Centro de processamento de Bana. Dia.

Ruído de bicicletas e motocicletas.

Bana: (falando sozinho, perto do microfone) Este lugar parece estar fechado… são três horas da tarde! Onde está esse homem? (chamando) Zebra… Zebra… (mais alto) Zebra! (murmurando com raiva) Isso é absurdo! Esse homem abandonou o meu centro de processamento? Onde estão as minhas chaves?

Zebra: (movendo-se em direção ao microfone) Ah, Sr. Bana, o sr. chegou. Seja bem-vindo!

Bana: (muito severo) Quanto tempo você esteve longe deste centro, Zebra?

Zebra: Apenas trinta minutos, senhor. Eu havia ido…

Bana: Trinta minutos? Para mim é como se você nunca houvesse parado aqui nos dois meses em que estive fora. Veja como cresceu a grama do composto!

Zebra: Senhor, eu garanti que a grama aqui da frente fosse sempre cortada!

Bana: Mas você deveria limpar a grama em toda a volta das estruturas, Zebra! Quando você deixa a grama crescer em volta do centro de processamento, você está chamando os ratos! Os ratos são destruidores. Eles entram no armazém e comem a farinha… eles furam os sacos com os dentes, urinam em todo lugar… eles deixam sujeira! É assim que vou manter meus clientes?

Zebra: Desculpe, senhor, não estou encontrando tempo…

Bana: De onde você está vindo?

Zebra: Ahn… eu saí para almoçar.

Bana: As suas mãos estão cheias de graxa! Pelo jeito você esteve consertando uma máquina!

Zebra: A verdade é que Kosia precisava da minha ajuda no moinho dele!

Bana: Inacreditável! Zebra, eu dependo de você! Minha esposa está doente e preciso voltar sempre para a cidade para cuidar dela. Você precisa manter este lugar muito limpo! Dentro e fora das estruturas! Meu Deus! Você quer acabar conosco? Você lembra quando a autoridades do Escritório de Padrões estavam aqui e eles nos treinaram e disseram tudo o que precisávamos fazer para garantir que a nossa farinha estivesse de acordo com os Padrões do Leste Africano? Eles certificaram a nossa farinha e agora posso vender para a Tanzânia e Uganda, desde que a nossa farinha tenha a marca de qualidade. Para isso precisamos manter essa qualidade, incluindo a limpeza das instalações.

Zebra: Sim, senhor.

Bana: Agora, ao trabalho! Não faça mais nada antes de cortar essa grama e limpar aquela água parada!


Cena 3

Local: externo. Casa de Martha. Dia.

Ruído de galinhas e cabras. Som de pedaços de mandioca sendo espalhados sobre esteiras.

Tony: (perto do microfone) Mas, mãe, a mandioca não está seca agora? Por que estamos virando de novo? E por que precisamos lavar as mãos o tempo todo?

Martha: (perto do microfone) Dê mais algumas horas! Espalhe aqui.

Som de mandioca seca despejada sobre esteira de papiro.

Martha: Acho que precisamos de mais esteiras de papiro.

Tony: Mas por que não podemos secar a mandioca no chão, em vez de precisar pagar por essas esteiras?

Martha: Porque ela fica suja.

Tony: Suja?

Martha: Sim. Por que você está olhando para mim desse jeito?

Tony: (surpreso) Você gastou todo aquele dinheiro em esteiras só para manter a mandioca limpa? Ela fica com um pouco de pó por ser seca sobre o piso. Mas, quando ela é moída para virar farinha, ninguém vê a poeira. (risos) Acho que a sra. está gastando dinheiro por nada.

Martha: Filho, os pedaços de mandioca ficam sujos e isso prejudica a farinha. O Sr. Bana nos ensinou a processar os pedaços de mandioca para fornecer ao centro de processamento dele. Ele disse que é importante porque a sua farinha está sendo exportada para todo o leste africano, agora que tem a marca do Escritório de Padrões. Ele nos paga muito bem para manter os pedaços de mandioca secos e bem limpos.

Tony: A sra. disse que o Sr. Bana agora exporta sua mandioca para outros países?

Martha: Sim. Para Uganda e a Tanzânia. Ele diz que os países do leste africano decidiram harmonizar os seus padrões de mandioca, mandioca em pedaços e farinha de mandioca para garantir a segurança, boa qualidade e para facilitar o comércio na região pelos agricultores. Se os agricultores e processadores seguirem os padrões, eles conseguem mais dinheiro. E têm garantidos os mercados dentro e fora do país.

Ruído de carro movendo-se e parando longe do microfone.

Tony: (perto do microfone), Mamãe, olhe! É o carro do Sr. Bana.

Ruído de pedaços de mandioca sendo espalhados desaparece. A porta do carro abre e fecha longe do microfone.

Bana: (movendo-se em direção ao microfone) Senhora Martha! Bom trabalho, bom trabalho. Tony, como está você?

Tony: Eu estou bem, senhor.

Martha: (rindo com alegria) Que bom ver o sr., Sr. Bana! Bem-vindo!

Bana: Obrigado, Martha. Como está a vida?

Martha: Estamos bem, estamos bem. Como tem passado a sua querida esposa?

Bana: Não muito bem. Eu só tive que voltar porque estava ficando preocupado com a minha casa e os meus negócios. Meus planos são de voltar assim que puder, porque ela não está bem… ela precisa de mim. Nossos filhos estão fazendo de tudo para cuidar dela, mas eles estão atarefados.

Martha: Sinto muito em ouvir isso, senhor. Mas estamos rezando por ela. Deus vai cuidar dela.

Bana: Por favor nos mantenha nas suas preces. Mas estou muito preocupado com o meu gerente, Zebra.

Martha: Como assim?

Bana: Não tenho certeza de que ele cuidará das coisas sem supervisão. Depois de dois meses fora, encontrei uma bagunça inacreditável!

Martha: Puxa…

Bana: Bem, a vida nem sempre é do jeito que se quer! Então, esta mandioca é para mim?

Martha: Sim. E o armazém também está cheio.

Bana: Meu Deus! Você secou tudo sozinha?

Martha: Sim, sequei tudo sozinha!

Bana: Muito bom… Sei que posso sempre contar com você. Vejo que você até construiu plataformas para secar os pedaços de mandioca, mantê-los limpos e afastar os animais, como pedi. Está ótimo, mas eu preciso ir. Estou correndo para a aldeia de Moon Hill atrás de batatas inglesas…

Martha: Batatas inglesas? Por que o sr. está comprando batatas inglesas?

Bana: Bem, é algo que eu quero tentar. Um cliente meu da cidade me apresentou um amigo dele que tem um restaurante. Ele quer que eu forneça batatas inglesas.

Martha: Oh! Deus me ama! Eu estava me perguntando onde eu iria vender minhas batatas inglesas!

Bana: Você tem? Bem, eu virei dar uma olhada nelas. Ainda preciso encontrar outros agricultores em Moon Hill… preciso de muitas batatas inglesas.


Cena 4

Local: externo. Moinho de Kosia. Dia.

Ruído de martelo ao fundo.

Zebra: (movendo-se em direção ao microfone, chorando e espirrando) Sr. Kosia, o sr. não vai acreditar no que acabou de acontecer comigo!

Kosia: (perto do microfone) Você está chorando, Zebra? Qual é o problema?

Zebra: Bana me despediu.

Kosia: O quê? Por quê?

Zebra: Porque ele é perfeccionista e só um anjo consegue agradar a ele.

Kosia: (de lado, para si próprio) Ele pode ser perfeccionista, mas a farinha dele é preferida por todos os comerciantes da cidade.

Zebra: Posso trabalhar aqui no seu moinho, Sr. Kosia?

Kosia: Só se você roubar todos os clientes dele para mim!


Cena 5

Local: externo. Jardim de Martha. Dia.

Ruído de pássaros silvestres ao fundo.

Bana: (movendo-se em direção ao microfone, admirado) He, he, he, he! Martha, que boa safra de batatas inglesas você tem aqui!

Martha: (perto do microfone, rindo) Obrigada, Sr. Bana. Espero que o sr. me dê um bom preço!

Bana: Bem, isso depende dos padrões das suas batatas!

Martha: Batatas também têm padrões?

Bana: Sim. Tudo tem um padrão, Martha! Lembra-se dos padrões que ensinei para mandioca, mandioca em pedaços, amido e farinha? Bem, existem também padrões para batatas e produtos de batata.

Martha: Verdade?

Bana: Sim. Os consumidores de batatas também precisam ser protegidos. Batatas inglesas com coloração verde, por exemplo, são de má qualidade.

Martha: O quê? Por quê?

Bana: Porque cobertura verde sobre os tubérculos indica que eles foram expostos ao solo enquanto cresciam! Eles não serão bons para cozinhar, fritar ou extrair amido. Os clientes terão desperdiçado o seu dinheiro.

Martha: Interessante…

Bana: Sim. Batatas inglesas que são redondas, grandes e cheias, sem cicatrizes, são de melhor qualidade que aquelas que são tortas, pequenas, têm cicatrizes, são doentes, cortadas durante a colheita… todos estes são sinais de má qualidade! As batatas devem também ser colhidas em recipientes seguros e higiênicos, para não espalhar doenças para os consumidores.

Martha: (ri) Mas, Sr. Bana! O sr. está dizendo que uma batata grande é mais gostosa que uma pequena?

Bana: Não é isso, Martha! Por exemplo, batatas maiores fazem batatas fritas maiores. Quanto maiores as batatas fritas, mais deliciosas elas parecem e melhor é o preço. (Ri) Veja como você olha para mim! Mas estou levando muito a sério esta nova empreitada minha, porque ela promete ser lucrativa. Se tudo for bem, começarei a embalar meus produtos… Na verdade, eu comprei os sacos na cidade e coloquei neles a minha marca.

Martha: E qual é o nome do produto?

Bana: Moinho do Sr. Bana!!

Martha: (rindo) Uau! Que nome bonito!

Bana: Sim e quero que ele seja reconhecido pela boa qualidade! Meus dados de contato estão no saco, para que o cliente possa me encontrar se tiver um problema! Quando eu voltar em duas semanas para buscar as batatas, vou ensinar a você um pouco mais sobre os padrões das batatas.

Martha: Padrões, padrões, padrões. “Padrões” é a única palavra que nunca sai da sua boca… por isso o sr. vai ficar cada vez mais rico, Sr. Bana!

Bana: Tomo isso como uma bênção, Sra. Martha!

Martha: E é! Ainda não consigo parar de agradecer a Deus pelo sr. estar comprando minhas batatas inglesas!


Cena 6

Local: interno. Casa de Kosia. Dia.

Som de moinho ao fundo.

Kosia: (perto do microfone, gritando) Zebra, seu tonto, preguiçoso! Venha já até aqui!

Zebra: (longe do microfone, protegendo a voz) Senhor, ainda estou comendo!

Kosia: Venha já até aqui! Eu não pago a você um dia de trabalho para ficar comendo!

Zebra: (movendo-se em direção ao microfone) Senhor, cheguei! Eu não posso receber só a metade do meu dia de trabalho por causa do tempo que levei para almoçar!

Kosia: Cale a boca! Eu fui militar! No exército, você pode passar dois dias de guarda sem nem se coçar! Você pode comer um biscoito e passar uma semana inteira lutando! Um homem precisa ser forte!

Zebra: Do que o sr. precisa?

Kosia: Eu preciso consertar este motor o mais rápido possível! Temos sacos e mais sacos de mandioca para moer!

Zebra: Eu disse ao sr. que não podemos mais consertar este motor sozinhos! Precisamos de ajuda!

Kosia: Vamos buscar ajuda depois de moer toda aquela mandioca que está esperando! Agora me dê uma mão! Vamos pressionar este lado com este bastão e ligar a máquina. Segure isso aqui!

Zebra: Senhor, eu não consigo segurar isso sozinho!

Kosia: Bem, se nós dois segurarmos, quem vai ligar a máquina e despejar a mandioca lá dentro?

Zebra: Mas é perigoso, senhor. A correia pode estalar e arrancar meu olho!

Kosia: Então feche os olhos! Vou ligar a máquina agora!

Ruído do motor do moinho sendo ligado.

Kosia: (falando muito alto devido ao som do motor) Veja, está funcionando bem! (grita alto de repente) Oooooooooooh! Meu nariz!

Ruído do motor sendo desligado.

Kosia: (fala com o nariz tampado) Ai, meu nariz, meu nariz! Traga-me um lenço! Ou uma toalha! Quanto sangue! Ooooh!

Zebra: Sr. Kosia, eu peço demissão! Poderia ter sido eu! Até logo!

Mais tarde, no mesmo dia.


Cena 7

Local: externo. Moinho de Kosia. Dia.

Som de bicicletas e motocicletas.

Bana: (movendo-se em direção ao microfone) Sr. Kosia, você me chamou. Qual é o problema?

Kosia: (perto do microfone, falando com o nariz tampado). Senhor Pãda, obigado por vir.

Bana: (agora perto do microfone, alarmado) Sr. Kosia, o que aconteceu com o seu nariz?

Kosia: Foi u pequedu acidête. Ouça, peciso que você côpe bia bãdioca…

Bana: (rindo baixo) Qual mandioca, Sr. Kosia?

Kosia: Bãdioca seca… Essa aqui! Veja!

Bana: Por que você mesmo não a mói, como faz sempre?

Kosia: Poque bia báquida dão fucioda, cobo pode ver!

Bana: Mas, Sr. Kosia, eu não posso comprar essa mandioca!

Kosia: Por que dão?

Bana: Ela está muito abaixo dos padrões. Parte dela tem mofo, boa parte está suja… Desculpe, mas meus clientes esperam mais de mim. Encontre outro comprador!

Kosia: Vêa aqui! Aode você vai? Eu faço bom preço!


Cena 8

Local: externo. Fazenda de Martha. Dia.

Bana: (movendo-se em direção ao microfone) Muito bom trabalho, senhoras! Está ótimo! Vocês começaram a colheita às quatro da manhã?

Martha: (rindo) Bem-vindo, Sr. Bana! Não, como o sr. pode ver, somos muitas. Começamos às sete!

Bana: Bom! Aqui estão os sacos! Todos limpos e novos. Tenha cuidado para selecionar por tamanho. As grandes precisam ser separadas das pequenas! A variedade amarela precisa ser colocada em sacos separados das brancas…

Martha: (chamando) Moças, vocês ouviram! Separem as grandes e coloquem em sacos separados das pequenas! E separem a variedade amarela da branca! Venham pegar os sacos!

Bana: Estou vendo que alguém cortou alguns tubérculos; não embalem esses! Mesmo os machucados, não embalem!

Martha: Onde vou colocar todas as batatas cortadas e machucadas, Sr. Bana? Tenha pena de mim.

Bana: Eu só pago por batatas inglesas inteiras!

Martha: Pense bem! Meu filho vai para a universidade! O sr. não pode misturar algumas cortadas com as boas?

Bana: Não posso! Batatas cortadas e machucadas estragam facilmente e prejudicam as boas! Quando elas chegarem aos meus clientes, a maioria poderá estar estragada.

Martha: Eu entendo. Mas como o sr. explica separar as grandes das pequenas?

Bana: Porque as maiores têm valor mais alto que as pequenas, como eu disse antes! Eu pago a você preço mais alto pelas maiores!

Martha: E sobre separar as variedades?

Bana: Alguns clientes querem a amarela, outros querem a branca! Estou tentando facilitar para eles. Por isso coloquei as marcas nos sacos!

Martha: Uau! (para as moças) Muito bem, moças, vamos trabalhar! Vocês ouviram o Sr. Bana!

Sons desaparecem. (Pausa) Sons sobem. Sinal sonoro de marcha à ré de caminhão, depois motor de caminhão acelerando.

Bana: (gritando) Chega, motorista! Agora vocês podem começar a carregar os sacos no caminhão!

Martha: Obrigada por me dar um preço, Sr. Bana! Este caminhão está indo para a cidade?

Bana: Viajamos à noite!

Martha: Vocês vão voltar de novo?

Bana: Minha esposa precisa de mim, Martha. Eu preciso ficar ao lado dela!

Martha: E quanto a Zebra?

Bana: Eu o despedi! Ele é um jovem negligente!

Martha: Mas o sr. precisa dele!

Bana: Acho que eu deveria deixá-lo com você, Martha!

Martha: Deixar quem? Zebra ou o centro de processamento?

Bana: O centro de processamento, é claro!

Martha: (rindo) Eu perderia todos os meus dedos tentando conduzir as máquinas.

Zebra: (movendo-se em direção ao microfone) Sr. Bana, posso falar com o sr., por favor?

Bana: Zebra, estou ocupado! Vá embora.

Zebra: Por favor, senhor. Eu lhe peço que me ouça, senhor, pelo amor de Deus!

Bana: Pare de se ajoelhar! O que você quer?

Zebra: Por favor, devolva o meu emprego. Pelo amor de Deus!

Todos ficam em silêncio.

Zebra: Por favor!

Martha: Sr. Bana, perdoe-o! Ele vai mudar!

Bana: Você tem sorte porque não tenho outra pessoa para o centro! Está bem, eu lhe dou seu emprego de volta!

Zebra: Obrigado, senhor! Muito obrigado!

Bana: Com a condição de que você se reporte a uma nova gerente: Martha.

Martha: (rindo) O que é isso?

Bana: Martha, por favor me ajude administrando o centro para mim na minha ausência! Eu não quero perder meus clientes!

Martha: Nas circunstâncias, eu ajudo. Pelo menos o controle das ervas ainda está longe.

Bana: Obrigado!

Martha: (brincando) Não me agradeça… Depois de aprender o serviço, talvez eu compre minha própria máquina e tire você do trono, Bana, como o melhor moinho da região.

(Martha e Bana riem)

Bana: Obrigado por aceitar me ajudar, Martha. Depois de carregar o caminhão, quero ir com você para o centro de processamento para mostrar as orientações e procedimentos para que a farinha tenha a marca de qualidade.

Martha: Marca de “qualidade”? O que é isso?

Bana: É um carimbo que o Escritório de Padrões dá para os produtos que foram certificados como sendo de muito boa qualidade. Assim os clientes podem diferenciar os produtos de boa qualidade dos ruins. Você sabe que temos maus comerciantes. Pessoas como Kosia…

Martha: (risos).

Bana: Pessoas que vendem farinha suja, até farinha vencida, só para fazer dinheiro. Por isso, o funcionário do Escritório de Padrões viaja de tempos em tempos para garantir que a qualidade seja mantida.

Martha: Por isso o sr. quer que eu administre o centro na sua ausência?

Bana: Você sabe que sorte eu tenho deles não terem passado quando a aparência do centro estava tão ruim!!!

Martha: Entendi.

Bana: Martha, boa qualidade é igual a mais dinheiro, muita segurança e clientes satisfeitos.

Narrador: Este programa foi produzido pelo projeto Aumento da Adoção de Padrões Harmonizados para Raízes e Tubérculos na África Central e Oriental, cujo objetivo é melhorar as condições de vida de pequenos agricultores por meio da comercialização e aumento do comércio regional de raízes e tubérculos na África Central e Oriental.

O projeto foi financiado pela USAID por meio da Associação para o Fortalecimento da Pesquisa Agrícola na África Central e Oriental, ASARECA.

Os parceiros do projeto são o Instituto Internacional da Agricultura Tropical (IITA), o Escritório Nacional de Padrões de Uganda, o Escritório de Padrões de Ruanda, o Escritório de Padrões da Tanzânia e a Universidade de Nairóbi.

Para mais informações sobre padrões harmonizados para raízes e tubérculos, entre em contato com o Escritório de Padrões do seu país.


Créditos:

Contribuição de Tony Mushoborozi, criador de conteúdo, Scrypta Pro Ltd., Uganda.

Revisão: Catherine Njuguna, Responsável Regional de Comunicações Corporativas para a África Oriental, IITA (Instituto Internacional da Agricultura Tropical), Tanzânia.


A Rádio Rural Internacional (Farm Radio International) é uma organização canadense sem fins lucrativos dedicada a apoiar emissoras de rádio em países em desenvolvimento para fortalecer comunidades rurais e a agricultura em pequena escala.

Segundo a organização, o material da Rádio Rural Internacional pode ser copiado ou adaptado para distribuição gratuita ou a preço de custo, com crédito para a Rádio Rural Internacional e para as fontes originais.

Esta versão em português é um trabalho voluntário, independente da organização e oferecido gratuitamente para as emissoras de rádio dos países de língua portuguesa. O texto foi traduzido para o português do Brasil, mas pode ser adaptado com facilidade para o português falado em outras partes do mundo (para dúvidas sobre os termos empregados, utilize o formulário de contato em https://radioruralportugues.wordpress.com/creditos-e-contato/).

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