Coleta de lixo plástico: como limpar a cidade gerando renda

Material produzido pela Rádio Rural Internacional em 1° de abril de 2011, como parte do pacote de informações n° 93.

Original em inglês disponível em: http://www.farmradio.org/radio-resource-packs/package-93-healthy-communities/collecting-plastic-waste-cleaning-the-city-and-generating-income/.


Observações para as emissoras:

O aumento do lixo plástico nas ruas das cidades africanas está se tornando um problema muito sério. O uso de plástico para embalagem e em recipientes cresceu rapidamente nas últimas décadas. Hoje, enormes quantidades de lixo plástico acabam sendo descartadas. A compra de qualquer produto é uma oportunidade de usar plástico. O plástico é depois jogado fora nas ruas e entope os sistemas de esgoto. Esta situação é uma das causas das enchentes em Lomé, a capital do Togo.

Para combater este problema, a ONG Environnement Plus decidiu comprar de volta os sacos plásticos usados. Ela monta galpões de despejo em alguns bairros da cidade com este fim. Esta atividade dedicada ao público não apenas deixa a cidade mais limpa e protege o meio ambiente, mas também fornece emprego e renda para aqueles que contribuem com a limpeza.

A longo prazo, os resíduos serão reciclados e empregados para outros fins, como a fabricação de pisos, lousas escolares, sapatos e outros produtos.

Este roteiro é baseado em uma entrevista conduzida com representantes da ONG Environnement Plus. Ele trata do gerenciamento de resíduos plásticos realizado por aquela organização e de oportunidades criadas por meio da coleta de resíduos plásticos.

Você poderá utilizá-lo como inspiração para pesquisar e escrever um roteiro sobre um tema similar na sua região. Ou você poderá decidir produzir este roteiro na sua emissora, utilizando radioatores para representar as pessoas. Se o fizer, não se esqueça de dizer aos seus ouvintes no início do programa que as vozes são de atores e não das pessoas originalmente envolvidas nas entrevistas.


Roteiro:

Pessoas entrevistadas:

  • Sra. Esther Oguki-Atakpa Ewoè: presidente da ONG Environnement Plus.
  • Bernard Messan Atakpa: gerente da Environnement Plus.
  • Modeste Sedor: coordenador da Environnement Plus.
  • Eric: coletor de resíduos plásticos no bairro de Nukafu.
  • Kofi Nagbe: coletor de resíduos plásticos no bairro de Gbossimé.

Vinheta de abertura, que depois diminui sob a voz do apresentador

Apresentador: Olá, ouvinte, obrigado por acompanhar este programa na Légende FM. Meu nome é Bonaventure N’Coué Mawuvi. Estamos reunidos aqui hoje para falar sobre gerenciamento de resíduos plásticos na capital de Togo, Lomé. Vamos falar com funcionários da ONG Environnement Plus. Essa organização lançou um programa de compra de resíduos plásticos das pessoas da cidade. Este esforço trará de volta a beleza da nossa capital e protegerá o nosso ambiente comum. Mas primeiro vamos a um pequeno intervalo.

Intervalo

Apresentador: A cidade de Lomé tem sido um palco perturbador há algum tempo. Sacos plásticos estão em todas as ruas. Esta situação é uma ameaça séria à aparência da cidade. Como chegamos a este ponto? O que devemos fazer para limpar a nossa cidade? Nossos convidados vão responder a essas perguntas enquanto nos recebem nos seus escritórios. Os escritórios ficam no bairro de Tokoin Solidarité, perto do Colégio de Ensino Geral, no norte de Lomé. Para discutir este tema, temos conosco a Sra. Esther Oguki-Atakpa Ewoè, presidente da ONG Environnement Plus. Com ela estão seus colaboradores Bernard Messan Atakpa, gerente da ONG, e Modeste Sedor, coordenador da organização.

Diga, Sra. Presidene, o que motivou a sra. a começar a comprar resíduos plásticos?

Sra. Esther Oguki-Atakpa Ewoè: Nós percebemos que as nossas cidades eram muito sujas e muito poluídas com resíduos de plástico. O lixo causa obstrução do sistema de esgotos, dos rios e tudo o mais. Por isso, decidimos comprar os sacos plásticos das pessoas.

Apresentador: Como vocês compram esse lixo plástico? Sr. Bernard Messan Atakpa?

Bernard Messan Atakpa: Usamos galpões construídos em toda a cidade de Lomé para coleta e armazenagem de resíduos plásticos. Temos hoje doze galpões em operação e quatro que acabamos de instalar, para os quais estamos treinando agentes de coleta. Assim, a curto prazo, queremos comprar esses resíduos plásticos das pessoas. Mas, a longo prazo, queremos que as pessoas adquiram o hábito de não atirar lixo plástico nas ruas das nossas cidades.

Apresentador: O que vocês estão tentando conseguir com essa atividade?

Bernard Messan Atakpa: Os sacos plásticos têm impacto sobre o ambiente. Se você prestar atenção durante a estação chuvosa, vai observar que eles obstroem os sistemas de esgoto e poluem o ambiente. Quando esses sacos estão no solo, eles levam centenas de anos para decompor-se. Quando eles são enterrados no solo, eles obstroem o sistema de drenagem do solo. Essas sacos evitam a infiltração da água no solo. Quando a água é retida na superfície do solo ou perto dela, os mosquitos se proliferam e aumenta o potencial de transmissão de malária.

Também podemos ver lixões a céu aberto multiplicando-se por toda a cidade. Isso prejudica a imagem da cidade de Lomé. Por isso, formamos esta iniciativa para incentivar as pessoas a dar nova aparência à capital togolesa e mudar a imagem de Togo, de forma geral.

Apresentador: Sr. Modeste Sedor?

Modeste Sedor: Como foi dito, os sacos plásticos não se desintegram na natureza como o lixo orgânico doméstico. É por isso que temos uma emergência. Precisamos livrar a cidade desses sacos para permitir que a água da chuva corra livremente e infiltre-se no solo.

Os sacos plásticos não são biodegradáveis. Se forem enterrados no solo, eles evitam que a água penetre no solo mais profundo. Veja o que está acontecendo no bairro de Adakpamé e nos bairros do leste de Lomé. (Nota do Editor: este problema também acontece em Kibera, a maior favela do Quênia, e muito possivelmente em outros locais.) Existe pouca chuva, mas há enchentes. O solo não pode absorver mais água da chuva. O solo está alagado e a água não pode infiltrar-se porque é bloqueada pelos sacos enterrados no solo pela ação dos moradores da cidade.

Apresentador: Eu lembro a você, ouvinte, que estamos no escritório da ONG Environnement Plus. E estamos falando com representantes dessa organização sobre o gerenciamento de lixo plástico em Lomé. Antes de continuar a nossa entrevista, vamos ouvir dois agentes de coleta da Environnement Plus que encontramos antes no seu local de trabalho.

Sobem sons de buzinas, motocicletas e vendedores ambulantes, que diminuem e permanecem sob o apresentador

Apresentador: Por favor, digam como vocês compram os sacos plásticos.

Kofi Nagbe: Nós pagamos 75 francos por quilo de resíduos plásticos. Quando os clientes chegam aqui, temos uma balança pronta para uso no nosso galpão e os clientes podem ver por si próprios quanto pesa o seu plástico. Depois de determinar o peso, damos a eles o valor correspondente.

Apresentador: Vocês têm algum problema com os clientes?

Kofi Nagbe: Sim, temos problemas. Mas não se pode culpar os clientes por causarem problemas; é preciso educá-los.

Apresentador: Que tipo de problemas vocês têm?

Eric: Às vezes, alguns clientes deixam resíduos nos sacos.

Apresentador: Que tipo de resíduos?

Eric: Areia, por exemplo. Os sacos são pesados antes da compra. Alguns clientes nos enganam deixando um pouco de areia nos sacos para que eles pesem mais. Há também alguns clientes que misturam sacos de arroz com sacos plásticos. Mas nós não recebemos sacos de arroz.

Outro problema que estamos enfrentando é que temos pouco dinheiro para comprar sacos plásticos. Quando o dinheiro acaba, nós paramos de comprar. Isso pode causar discussões entre os coletores e sacos plásticos e os vendedores. Também existem clientes que vêm com produtos que não compramos, como latas plásticas e pratos de plástico. Então tentamos explicar a situação para eles.

Apresentador: Quanto vocês gastam comprando sacos plásticos por dia?

Eric: Quinze mil francos CFA (nota do Editor: cerca de 31 dólares, ou 23 euros), o que representa duzentos quilos para o nosso galpão de resíduos no bairro de Nukafu.

Sobem sons de buzinas, motocicletas e vendedores ambulantes por dois segundos e depois diminuem

Apresentador: Estes foram Kofi Nagbe e Eric, agentes de coleta da ONG Environnement Plus que encontramos no campo. Voltamos à entrevista no escritório. Digam-nos, houve obstáculos para a implementação desse projeto?

Bernard Messan Atakpa: Estamos enfrentando algumas dificuldades nos pontos de compra, especialmente quando os clientes trazem muitos sacos. Quando o dinheiro reservado para as compras diárias acaba, eles precisam esperar o dia seguinte, mas eles não gostam dessa situação.

Apresentador: Nós ouvimos isso dos seus agentes de coleta. Então existem mais sacos à venda diariamente que o dinheiro disponível pode pagar?

Bernard Messan Atakpa: Sim. Este é o nosso quarto mês de atividade. Temos 138 toneladas armazenadas. Nós compramos 1500 quilos por dia.

Apresentador: O que vocês fazem com os sacos comprados?

Bernard Messan Atakpa: Atualmente, estamos apenas trabalhando na coleta desses resíduos plásticos. Mas nós temos uma ideia. Existem ONGs e empresas que compram esse resíduo plástico para reciclagem.

Modeste Sedor: Sim, existem projetos que estão sendo implementados para comprar os sacos que estamos coletando e reciclá-los.

Apresentador: Qual o propósito dessa reciclagem?

Modeste Sedor: Para a fabricação de pedras de pavimentação e lousas escolares, por exemplo.

Apresentador: Lousas escolares! Como vocês estão vendo essa atividade? As pessoas de Lomé estão motivadas?

Bernard Messan Atakpa: Sim, eu diria que as pessoas estão motivadas porque elas entenderam a mensagem. Nós notamos mudanças em algumas ruas da cidade. O número de sacos pláticos nas nossas ruas diminuiu. Nos bairros onde instalamos nossos galpões, vemos que o ambiente está limpo.

Modeste Sedor: Além da coleta de lixo, também temos um programa de comunicação. Parte dele é feito pelo rádio, em parceria com algumas emissoras locais. As pessoas estão começando a entender que os sacos plásticos não são apenas lixo, mesmo as pessoas que moram longe dos pontos de coleta. Os sacos plásticos estão se tornando um bem econômico. As pessoas podem coletar sacos plásticos em regiões muito remotas e depois vir aos nossos pontos de compra para vender os seus sacos.

Nós já recebemos algum retorno. Pessoas nas ruas já nos contam que não há mais sacos largados por aí. Essas “flores da cidade” ou “sacos ambulantes”, como as pessoas chamam, não são mais vistos em tanta quantidade.

Apresentador: Antes de gravar este programa com vocês, nós entrevistamos algumas pessoas nas ruas para ouvir suas opiniões sobre a iniciativa. Vamos ouvi-las.

Sons de ruas – carros, motocicletas, pessoas falando etc., que diminuem e permanecem sob os entrevistados

Entrevistado 1: Acho que é um bom projeto, pois a ação permite a nós, moradores da cidade, tomar conhecimento e ter cuidado com os sacos que carregamos por aí nas mãos.

Entrevistado 2: Isso é bom; eles precisam ser incentivados a continuar. Eles fazem com que a cidade fique limpa, isso é bom.

Entrevistado 3: Esta atividade é importante para todos nós. Mas a ONG não cobre toda a capital. Não sei como eles vão conseguir retirar as centenas de milhares de sacos plásticos da cidade.

Entrevistado 4: Veja, eu não sei onde as pessoas encontram dinheiro para fazer coisas como esta. Eles não estão nos enganando? Logo vamos ter eleições locais, entende o que eu quero dizer?

Os sons da rua sobem, permanecem por dois segundos e desaparecem em seguida

Apresentador: O que vocês acham dessas respostas?

Sra. Esther Oguki-Atakpa Ewoè: São boas respostas. Acredito que essas pessoas estão absolutamente certas. Precisamos cobrir toda a cidade para reduzir significativamente o número de sacos plásticos. Mas você pode ver que temos poucos galpões. Acredito que só passo a passo vamos conquistar toda a cidade.

Apresentador: Onde vocês conseguem o dinheiro para esta atividade tão nobre? Senhora? Senhores? Sim, Sra. Presidente.

Sra. Esther Oguki-Atakpa Ewoè: No início, começamos com nosso próprio dinheiro. Depois, o Presidente da República também nos apoiou.

Apresentador: Isso foi suficiente para cobrir o seu orçamento?

Sra. Esther Oguki-Atakpa Ewoè: Ainda é insuficiente, porque a demanda é muito alta.

Modeste Sedor: Atualmente temos apenas doze pontos de coleta. Mas cem pontos não seriam suficientes.

Sra. Esther Oguki-Atakpa Ewoè: Sim, precisamos de pelo menos cem galpões para a cidade de Lomé.

Apresentador: Vocês já foram abordados por pessoas que têm projetos de reciclagem de sacos plásticos?

Modeste Sedor: Claro! Existem ONGs concorrendo para comprar resíduos plásticos de nós.

Apresentador: Bem, esta é uma ótima atividade. Se há concorrência para conseguir os sacos que vocês compram, isso é muito bom. Então, o que vocês vão pedir às pessoas que tomam decisões para que esta atividade não seja suspensa depois de resultados tão bons? Sra. Presidente?

Sra. Esther Oguki-Atakpa Ewoè: Estamos pedindo aos empresários que nos ajudem, apoiando-nos em nossas atividades.

Bernard Messan Atakpa: (continuando o pensamento) … para podermos progredir, para atendermos nosso objetivo, que é eliminar os resíduos plásticos de Togo.

Apresentador: Nossa entrevista está terminando. Agradecemos à Sra. Esther Oguki-Atakpa Ewoè, Presidente da ONG Environnement Plus, que gentilmente concordou em nos receber nos escritórios da sua associação. Agradecemos também aos seus colaboradores, Bernard Mesan Atakpa, Modeste Sedor, Kofi Nagbé e Eric, que responderam às nossas perguntas. Falamos sobre o gerenciamento de resíduos plásticos em Lomé com a ONG Environnement Plus. Essa ONG compra todos os tipos de sacos plásticos para combater a multiplicação de lixo nas ruas de Lomé e a obstrução dos sistemas de esgoto, que é uma das causas das cheias no nosso país. Obrigado a todos pela audiência. Fique com a continuação do nosso programa.

Vinheta de encerramento


Créditos:

  • Contribuição de Bonaventure N’Coué Mawuvi, jornalista e repórter da Rádio Légende FM.
  • Revisão: Sra. Tessa Goverse, Ph.D., chefe, Unidade do Anuário da UNEP, Divisão de Determinação e Avisos Precoces, Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP).
  • Traduzido por: Madzouka B. Kokolo, consultor.

Fontes de informação:

  • ONG Environnement Plus.
  • Agradecimentos especiais para:
    Sra. Esther Oguki-Atakpa Ewoè, presidente da ONG Environnement Plus
    Bernard Messan Atakpa, gerente da Environnement Plus
    Modeste Sedor, coordenador da Environnement Plus
    Eric, coletor de resíduos plásticos no bairro de Nukafu
    Kofi Nagbe, coletor de resíduos plásticos em Gbossimé
    Anistia Internacional de Togo, pela sua rede de Internet WiFi
    Entrevistas realizadas em quatro de outubro de 2010

A Rádio Rural Internacional (Farm Radio International) é uma organização canadense sem fins lucrativos dedicada a apoiar emissoras de rádio em países em desenvolvimento para fortalecer comunidades rurais e a agricultura em pequena escala.

Segundo a organização, o material da Rádio Rural Internacional pode ser copiado ou adaptado para distribuição gratuita ou a preço de custo, com crédito para a Rádio Rural Internacional e para as fontes originais.

Esta versão em português é um trabalho voluntário, independente da organização e oferecido gratuitamente para as emissoras de rádio dos países de língua portuguesa. O texto foi traduzido para o português do Brasil, mas pode ser adaptado com facilidade para o português falado em outras partes do mundo (para dúvidas sobre os termos empregados, utilize o formulário de contato em https://radioruralportugues.wordpress.com/creditos-e-contato/).

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s