Qual é a árvore mais importante de todas?

Material produzido pela Rádio Rural Internacional em 1º de outubro de 2005, como parte do pacote de informações n° 76.

Original em inglês disponível em: http://www.farmradio.org/radio-resource-packs/package-76-agroforestry-practices-in-combating-desertification/which-is-the-most-important-tree-of-all/.


Observações para as emissoras:

Encontram-se a seguir três programas curtos que são adaptados de um episódio de Mwana Alirenji, uma revista radiofônica semanal de agricultor para agricultor produzida por Gladson Makowa de The Story Workshop no Maláui. Os programas são baseados em entrevistas reais com pessoas que moram nas aldeias Mnyong’a 1 e 2, na Autoridade Tradicional de Masamba Nkhunda, Distrito de Lilingwe, no Maláui.


Roteiro:

Programa n° 1:

Todas as árvores são muito importantes. Mas, muitas vezes, faço essa pergunta para as pessoas. Qual é a árvore mais importante de todas?

Esta é uma pergunta muito importante.

A árvore mais importante é aquela cujo uso você não conhece. Muitas vezes, as pessoas argumentam que elas cortam árvores porque não conhecem os seus usos.

Mas quem sabe? Essas árvores podem ter cascas, folhas ou sementes que são a cura da HIV/AIDS-SIDA ou outras doenças.

Mesmo se não soubermos o uso de uma árvore, outros podem saber.

O que precisamos fazer é perguntar a outras pessoas sobre o uso dessas outras árvores. Podemos imaginar que estamos danificando árvores muito importantes.

Antes de cortar uma árvore, pense nos potenciais usos que ela poderá ter.


Programa n° 2:

Repórter: Hoje vamos falar sobre a conservação e administração de recursos naturais. Estamos conversando com pessoas que moram nas aldeias Mnyong’a 1 e 2, na Autoridade Tradicional de Masamba Nkhunda, Distrito de Lilingwe, no Maláui. Por que faz parte da sua tradição não cortar árvores no cemitério?

Homem 1: Queremos que os mortos vivam sob a sombra das árvores.

Homem 2: Respeitamos o cemitério porque é onde vivem os espíritos.

Homem 1: Nós recolhemos lenha no cemitério para os serviços fúnebres. Mas só cortamos as árvores que já estão mortas. Só cortamos as que estão secas.

Repórter: Vocês só cortam as que estão secas. Mas, em outras partes da aldeia, vejo que muitas das árvores naturais estão cortadas.

Homem 1: Você tem razão, nós não respeitamos essas árvores naturais. É porque, se alguém respeita e a deixa em paz, vem outra pessoa e a corta. É por isso que temos muito poucas árvores naturais por aqui. É diferente com essas árvores plantadas. Elas pertencem às pessoas que as plantaram. Então, ninguém corta uma árvore exótica sem permissão. As árvores naturais são para todos e não pertencem a ninguém.

Repórter: O que precisaria acontecer para que as pessoas começassem a respeitar todas as árvores naturais, da mesma forma que vocês fazem com as árvores do cemitério?

Homem 1: Só é preciso um acordo que devemos seguir. Acho que os nossos olhos estão mais abertos agora. Acredito que, a partir de agora, vamos parar de limpar as árvores naturais quando estivermos plantando árvores exóticas. Nós vamos deixar as árvores naturais também crescerem. Queremos que os nossos filhos vejam e conheçam as árvores nativas naturais.

Repórter: Obrigado pela atenção em falar conosco. Para terminar, por favor, relembre aos ouvintes quem são vocês?

Homem 2: Somos moradores das aldeias Mnyong’a 1 e 2, na Autoridade Tradicional de Masamba Nkhunda, Distrito de Lilingwe, no Maláui.


Programa n° 3:

Som de fluxo de água em um rio

Repórter: Estivemos ouvindo muito recentemente sobre cheias e deslizamentos de terra no nosso país. Por que isso acontece? Você já viu plantações sendo levadas pela água? Juliet Nyamponera de Phoka, no Distrito de Rumphi, lamenta essa experiência extraordinária.

Som de fluxo de água. Diminui e permanece sob o diálogo.

Juliet: Temos muito pouca comida este ano porque a comida que esperávamos ter é a mesma que foi levada por este rio. Havia muitos produtos neste jardim: cana de açúcar, banana, milho, feijão, tomates e muitos outros. Este jardim foi muito útil para nós. Sempre havia alguma colheita ainda disponível no celeiro.

Repórter: A sra. disse que dependeu deste jardim por toda a sua vida. O que a sra. acha que causou as enchentes deste ano?

Juliet: Acho que foi uma inundação súbita. A causa é o corte irresponsável de árvores nas encostas dos morros para fazer pilões e almofarizes. Algumas pessoas estão abrindo seus jardins sobre as encostas desses morros.

Música:

Nas zonas mais altas,
Se cortar as árvores sem cuidado,
Quando a chuva vem,
A água cai sem parar,
No fim temos enchente,
Pense nos seus amigos das terras baixas.

Narrador: Vamos pensar nas nossas práticas agrícolas. Você sabe que as árvores não foram colocadas no lugar ao acaso. As árvores não servem só para embelezar o campo. Elas têm outros propósitos. Lembre-se de que as árvores são importantes!

Som de fluxo de água para encerrar o programa


Créditos:

  • Contribuição de Gladson Makowa, The Story Workshop, Blantyre, Maláui.
  • Revisão de Anna Brazier, Consultora Ambiental e Especialista em Administração de Recursos Sustentáveis, Harare, Zimbábue.

A Rádio Rural Internacional (Farm Radio International) é uma organização canadense sem fins lucrativos dedicada a apoiar emissoras de rádio em países em desenvolvimento para fortalecer comunidades rurais e a agricultura em pequena escala.

Segundo a organização, o material da Rádio Rural Internacional pode ser copiado ou adaptado para distribuição gratuita ou a preço de custo, com crédito para a Rádio Rural Internacional e para as fontes originais.

Esta versão em português é um trabalho voluntário, independente da organização e oferecido gratuitamente para as emissoras de rádio dos países de língua portuguesa. O texto foi traduzido para o português do Brasil, mas pode ser adaptado com facilidade para o português falado em outras partes do mundo (para dúvidas sobre os termos empregados, utilize o formulário de contato em https://radioruralportugues.wordpress.com/creditos-e-contato/).

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