Programas interativos

Material produzido pela Rádio Rural Internacional em 1º de dezembro de 2012, como parte do pacote de informações n° 95.

Original em inglês disponível em: http://www.farmradio.org/radio-resource-packs/package-95-researching-and-producing-farmer-focused-programs/interactive-programs/.


Observações para as emissoras:

Os pacotes de informação da Rádio Rural Internacional têm dois objetivos: primeiro, ajudar as emissoras de rádio africanas a fornecer conhecimento preciso e relevante para os ouvintes agricultores. O segundo objetivo é apoiar as emissoras na criação de programas que destaquem as opiniões, desejos, processos de tomada de decisão e as vozes de agricultores africanos. Programas interativos são uma forma eficaz de incentivo a esse segundo objetivo.

Os padrões VOICE da Rádio Rural Internacional para programas agrícolas atingem esse objetivo. O “O” de VOICE significa oportunidade. Os programas fornecem aos agricultores a oportunidade de falar e serem ouvidos sobre todos os assuntos. Eles se concentram no incentivo para que os pequenos agricultores indiquem suas preocupações, discutam-nas e organizem suas ações (nota do editor: os padrões completos encontram-se no final deste texto).

Este documento de informação para radialistas define a programação interativa, fornece alguns exemplos de formatos interativos típicos e fornece oito exemplos de programas interativos levados ao ar atualmente ou no passado por emissoras africanas. Esses programas diversos demonstram a ampla variedade de razões para programas de rádio interativos e a série de benefícios que pode fornecer um programa interativo.


Roteiro:

O que é um programa interativo?

Programas interativos são programas que envolvem ou incentivam a comunicação em duas vias entre uma emissora de rádio e seus ouvintes. Esta comunicação pode ser presencial; por telefone, mensagens de texto ou cartas; ou pode ser via Facebook e outros mecanismos online. A comunicação em duas vias pode dar-se entre um ouvinte e uma emissora de rádio, um ouvinte e um político, um ouvinte e um agente de extensão, um ouvinte e um representante de uma ONG ou entre dois ou mais ouvintes. Programas interativos podem ser gravados no estúdio ou no campo e envolvem conversas entre duas ou mais pessoas.

O rádio interativo permite que os ouvintes tenham suas vozes e opiniões ouvidas no rádio e nas suas comunidades. Ele ajuda a garantir que o conteúdo dos programas de rádio seja determinado pelas necessidades e pelas vozes da comunidade. Para uma emissora de rádio, um grande benefício dos programas interativos é a oportunidade de conseguir feedback sobre o que é importante para a comunidade. Ao apresentar programação interativa, a emissora pode ter uma ideia melhor dos desejos e necessidades da sua audiência.

Programas interativos que dão aos ouvintes uma oportunidade de ouvir suas vozes no ar também se encontram entre os programas de rádio mais populares. Programas de chamadas telefônicas e mensagens de texto são populares, em parte, porque as pessoas adoram ouvir as suas vozes e as de pessoas como elas. Todos somos curiosos em saber o que outras pessoas pensam e sentem.

Naturalmente, os programas de diálogo não são a única forma de engajar a audiência. Outros tipos de programas também são interativos, incluindo: pedidos musicais, anúncios classificados grátis, competições no ar, jogos, shows de talentos, pedidos e programas de “perguntas e respostas”. Transmissões de voz do povo, programas no campo e quadros de discussão podem também servir como programas interativos.

Os programas interativos são participativos porque eles dão aos ouvintes o poder de indicar seus próprios problemas e decidir seus próprios objetivos, no processo de tomada de suas próprias decisões. Os programas interativos podem fornecer um fórum para divulgar as queixas e esperanças da comunidade, celebrar os sucessos comunitários e abordar questões profundas e sérias.

O produtor poderá, por exemplo, identificar um tema preocupante para muitas pessoas na comunidade e registrar as queixas e reclamações das pessoas nas suas próprias casas ou locais de trabalho. A gravação é reproduzida para o prefeito ou outra autoridade responsável. As queixas das pessoas e as respostas do administrador são transmitidas em um programa que apresenta os dois lados da questão e os ouvintes são convidados a telefonar ou enviar mensagens de texto.

Outro programa poderá ser uma gravação de um grupo de ouvintes de rádio que faz os seus próprios comentários sobre um programa específico. Entre 1998 e 2001, por exemplo, houve uma parceria entre a Panos, a emissora nacional de Zâmbia, e treze novos clubes de mulheres rurais. Os clubes reuniam-se semanalmente para ouvir os programas de rádio e discutir questões de desenvolvimento. Elas gravavam suas discussões, que eram enviadas para um produtor. O produtor entrava em contato com uma autoridade relevante, solicitando resposta às questões levantadas pelo clube para fornecer informações e, se possível, comprometer-se com ações práticas. A gravação e a resposta eram editadas e transmitidas semanalmente para que os clubes ouvissem e discutissem. O produtor acompanhava as autoridades e os clubes para garantir que os compromissos fossem atendidos e os clubes pudessem ter acesso aos recursos prometidos.

Uma grande questão:

OK, você poderá dizer. Os programas interativos parecem maravilhosos. Mas os programas de ligações telefônicas, por exemplo, atingem qualquer coisa além da ampliação do debate público? Eles realmente conseguem que as coisas sejam feitas?

Em muitos casos, sim. Aqui temos um exemplo. Em setembro de 2010, uma mensagem de texto enviada para o programa matinal da Joy FM de Acra, Gana, levantou a questão da infestação de moscas negras em uma fonte de água potável em uma comunidade rural. O legislador local já havia tentado, sem sucesso, chamar a atenção das autoridades de saúde para o problema. As discussões públicas e o acompanhamento cuidadoso da Joy FM eventualmente fez com que o problema fosse abordado, oferecendo avaliação e medicação para os afetados, além de fornecer água potável para a comunidade (vide http://edition.myjoyonline.com/pages/news/201012/57189.php).

Uma das chaves para este sucesso é o fato de que a Joy FM havia construído e estabelecido a confiança dos seus ouvintes, além de cultivar relações com autoridades cívicas por muito tempo. A persistência e a integridade da emissora ao longo de muito tempo resultou em… resultados!

O que é interativo:

Formatos de rádio interativo

Existem muitas razões pelas quais as emissoras de rádio transmitem programas interativos e há muitos tipos de programas interativos. Os tipos de programas interativos incluem:

  • chamadas telefônicas, mensagens de texto e cartas
  • painéis de discussão, no estúdio ou no local
  • reuniões na prefeitura
  • transmissões de campo

Aqui estão algumas formas populares de produzir programas interativos:

  • Convide um agente de extensão rural ou outro especialista e peça aos ouvintes que telefonem sobre o assunto.
  • Convide um político local, regional ou nacional para explicar ou receber comentários sobre as políticas governamentais locais.
  • Apresente um painel de discussão sobre tópicos agrícolas.
  • Dê um gravador para um grupo local de ouvintes e peça aos membros do grupo que gravem seus comentários sobre um programa específico ou sobre uma questão específica da comunidade. Use a gravação no ar (isso pode ajudar a instruir a emissora sobre as prioridades, necessidades e preferências da comunidade).

Oito programas interativos:

Os oito exemplos a seguir demonstram as muitas razões pelas quais as emissoras de rádio e organizações de desenvolvimento produzem programas interativos e muitos dos benefícios dos programas interativos.

  1. Emissora: Mega FM (Gulu, Uganda).

Nome do programa: Kabake.

Razão para iniciar o programa:

  • Promover debates livres sobre questões que afetam as comunidades no norte do Uganda, incluindo o reassentamento e o desenvolvimento sócio-político.
  • Melhorar as vidas de povos vulneráveis por meio da identificação e discussão das necessidades de desenvolvimento locais e suas soluções.
  • Incentivar a reintegração e a coexistência pacífica entre as pessoas anteriormente em campos de pessoas em deslocamento interno.

Formato: debates pré-gravados em aldeias.

Tipo de interatividade: debates no local.

Descrição: no idioma acholi, Kabake é definido como um fórum no qual os membros da comunidade se reúnem para discutir os seus problemas e encontrar soluções compartilhadas. Kabake fornece aos cidadãos em áreas rurais e urbanas uma oportunidade de discutir questões sociais e políticas em um grupo. Uma equipe de moderadores e pessoal técnico viaja até para as comunidades mais remotas para gravar os debates. O programa é transmitido todos os domingos, com noventa minutos de duração, desde 2003.

Resultado: uma avaliação de 2001 demonstrou que o programa é muito popular. Os líderes locais levam a sério as opiniões e queixas da comunidade levantadas no programa. Kabake vem ajudando a comunidade a fazer com que os líderes locais e as organizações da sociedade civil prestem contas. Com os debates e as transmissões, as comunidades se organizaram para engajar-se em projetos, incluindo o reassentamento e a coexistência pacífica. Afirma-se que os debates preenchem uma lacuna de comunicação e responsabilidade com relação ao governo e à democracia na região.

Para mais informações:

Konrad Adenaeur Stiftung: Kabake! Interactive radio at grassroots level in Uganda: http://www.kas.de/uganda/en/publications/23197/.

  1. Emissora: CBS (Kampala, Uganda).

Nome do programa: Nekolera Gyange (Eu tenho meu próprio negócio).

Razão para iniciar o programa: fornecer aos empreendedores marginalizados (micro e pequenos empreendedores, normalmente autônomos e parte da “economia informal”) uma voz para influenciar o seu ambiente de trabalho e decisões políticas, uma plataforma para discussão e um canal para receber informações importantes para a sobrevivência dos seus negócios.

Formato: o formato de revista inclui notícias comerciais, conversas, entrevistas com pequenos empresários, especialistas técnicos e legisladores; e um programa de chamadas telefônicas ao vivo. Setenta a oitenta por cento do tempo no ar promovem entrevistas, diálogos e outros tipos de interação com os ouvintes. Existem competições para promover o desenvolvimento de negócios, oportunidades para empresas que desejam comprar de micro e pequenas empresas anunciarem seus pedidos sem custo e acompanhamento de queixas recebidas pelos donos de pequenos negócios.

Tipo de interatividade: telefone.

Descrição: transmitido pela primeira vez em outubro de 1999. O programa Em Foco para Ampliar o Emprego pelo Desenvolvimento de Pequenas Empresas (SEED, da sigla em inglês) da Organização Internacional do Trabalho fornece suporte técnico para que a CBS mantenha os programas de forma comercialmente viável, de forma a garantir que os programas possam crescer e desenvolver-se sem financiamento público contínuo. A equipe do programa pesquisa uma questão empregando técnicas de jornalismo investigativo, entrevista em seguida proprietários de pequenas empresas, especialistas técnicos e autoridades governamentais no local. As entrevistas são mixadas e editadas com a narração do apresentador para formar um programa completo. Frequentemente, os programas são relacionados a um programa de entrevistas ao vivo, que inclui representantes de todos os três grupos. Em seguida, a equipe organiza oportunidades de feedback, seja com chamadas ao vivo durante a seção de feedback do programa ou por meio de telefonemas, correio e fax após o programa. Por fim, a equipe acompanha as questões levantadas no programa para identificar mudanças que possam haver ocorrido. Esse roteiro cobre diversos programas.

Resultado: uma avaliação do programa demonstrou que 40% dos donos de micro e pequenas empresas são ouvintes regulares. Nove das dez empresas apresentadas no programa relataram benefícios para os seus negócios como resultado da presença no programa. Metade das empresas apresentadas aumentou suas vendas e duas (20%) contrataram mais empregados. Cinco de seis legisladores que haviam aparecido no programa relataram que suas atitudes e políticas haviam se alterado como resultado do programa. Um deles disse que havia recebido muitas ligações após sua presença no rádio queixando-se de autoridades da receita que assediavam comerciantes. A autoridade levantou a questão com a Autoridade da Receita de Uganda e o assédio foi suspenso. Evidências qualitativas sugerem que os impactos mais significativos do programa incluíram:

  • Demonstração da importância comercial, econômica e política do setor de pequenas empresas para os anunciantes comerciais e legisladores.
  • Fornecimento aos pequenos empresários de voz pública e relação com o desenvolvimento do sistema político, de forma a contribuir com o desenvolvimento da sociedade civil e da democracia em Uganda.
  • Demonstração de que os programas em formato de revista com formatos interativos podem ser eficazes e comercialmente bem sucedidos.

Para mais informações:

Organização Internacional do Trabalho, 2002. An Information Revolution for Small Enterprise in Africa: Experience in Interactive Radio Formats in Africa: http://www.ilo.org/empent/Publications/WCMS_117709/lang–en/index.htm.

  1. Emissora: Radio Mang’elete (sudeste do Quênia).

Nome dos programas: Mulheres e Desenvolvimento e Fatia do Bolo.

Razão para iniciar o programa: permitir que as mulheres da zona rural falem sobre suas necessidades, experiências e opiniões. Melhorar a situação e o envolvimento das mulheres no rádio comunitário e dar aos ouvintes de rádio comunitário, especialmente as mulheres, uma voz para responder à programação e participar da criação de conteúdo do programa.

Formato: Mulheres e Desenvolvimento inclui entrevistas com mulheres em grupos de mulheres, além de entrevistas com outras mulheres; por exemplo, um programa sobre direitos legais e tradicionais das mulheres entrevistou mulheres que trabalham com ONGs com base em gênero ou estavam concorrendo a um cargo eletivo local. Fatia do Bolo é um programa de debate comunitário.

Tipo de interatividade: as mulheres fornecem suas opiniões sobre temas de seu interesse para a emissora por meio do dispositivo AIR (veja abaixo). Suas palavras são apresentadas nos dois programas.

Descrição: como parte de um projeto de pesquisa universitária parcialmente financiado pela Microsoft, as mulheres de grupos de mulheres locais receberam um dispositivo manual para gravar opiniões faladas com uma tecnologia denominada Avanço por Rádio Interativo, ou AIR, da sigla em inglês. As suas mensagens eram recebidas na emissora (o dispositivo é projetado para que NÃO se pareça com um telefone móvel, porque as mulheres afirmavam que esse dispositivo provavelmente seria tomado pelos seus maridos e vendidos). Os grupos de mulheres criaram conteúdo para transmissão, incluindo entrevistas em grupo, radioteatro, conversas dirigidas pelos grupos e o programa de debate. O radioteatro concentrou-se em questões como abuso de álcool, violência contra as mulheres, administração de dinheiro e conhecimento tradicional detido pelos grupos de mulheres individuais, como o plantio de árvores e a criação de abelhas. Outros tópicos incluem conquistas do grupo de mulheres, papéis dos sexos, igreja, HIV e AIDS/SIDA, direitos das mulheres, educação, direito à terra, tratamento de viúvas, sexismo e cultura. As questões discutidas pelas mulheres no programa Mulheres e Desenvolvimento levaram à criação de um programa de debate no rádio denominado Fatia do Bolo, no qual homens e mulheres debatem temas de interesse local. Um episódio debateu os méritos das punições tradicionais por fidelidade marital. Outro discutiu o fato de homens mais jovens terem sexo com mulheres mais velhas.

Resultado: determinações de impacto concluíram que o rádio ampliado por AIR fornece uma forma de legitimar as preocupações das mulheres e permitir que elas sejam “ouvidas” pelos homens, o que gerou mudanças nas relações entre os gêneros nas comunidades. O projeto demonstrou que as mulheres estão dispostas a discutir questões como HIV e AIDS/SIDA, prostituição, bruxaria, migração e educação, sendo também proativas sobre a colocação dos seus nomes e vozes nas ondas do rádio, em parte porque elas consideram o rádio comunitário um “lugar de desenvolvimento”. Programas com informações sobre saúde e prevenção da violência doméstica geraram mudanças na comunidade, bem como um programa que forneceu informações sobre o temor do milho envenenado, que foi contido devido a programas sobre o potencial risco. Os dois programas de debate transmitidos resultaram em mais de cinquenta chamadas telefônicas e mensagens de SMS para a emissora, além de pelo menos duas dúzias de cartas. Mulheres mais jovens e mais idosas participaram.

Para mais informações:

  1. Revi Sterling. Advancement through Interactive Radio. Apresentação em Power Point: http://research.microsoft.com/en-us/events/indiasummerschool2010/sterling-msri_air.pdf.

Revi Sterling, 2010: 89,1 FM: The Place for Development: Power shifts and participatory spaces in ICTD. The Journal of Community Informatics, Volume 6, nº 1, 2010. http://ci-journal.net/index.php/ciej/article/view/637/461.

  1. Emissora: rádios comunitárias que transmitem em francês, suaíli e lingala na região de Ituri, no nordeste da República Democrática do Congo; em goma e kasugho na província do Norte de Kivu, na República Democrática do Congo; em bangui na República Centro-Africana; e em berberati, bouar e bambari, na República Centro-Africana (este projeto foi encerado em julho de 2011).

Nome dos programas: o projeto Rádio Interativo para a Justiça incluiu os seguintes programas:

  • Série básica Rádio Interativo para a Justiça.
  • Debate para a Justiça.
  • Criança: Ontem no Bosque, Hoje Parte da Comunidade.
  • Nossa Reconciliação.
  • Nosso Diálogo para a Paz e a Justiça.
  • Na Linha da Justiça.

Razão para iniciar o programa: incentivar o diálogo entre as pessoas e as autoridades nacionais e internacionais em regiões onde o Terminal Criminal Internacional está investigando crimes como genocídio e crimes de guerra. Os representantes dessas autoridades que participam de diálogos são os responsáveis pela tomada de decisões legais sobre as questões.

Formato: a série básica Rádio Interativa para a Justiça é um programa no qual os entrevistadores formulam às autoridades do Tribunal perguntas enviadas por membros da audiência. Debate para a Justiça convida autoridades nacionais e internacionais, líderes locais e membros de organizações da sociedade civil a irem para o estúdio debater questões apresentadas por muitos ouvintes. Em Diálogo para a Paz e a Justiça, uma autoridade sobre justiça internacional conversa com líderes da comunidade em locais onde estão ocorrendo investigações de crimes internacionais.

Tipo de interatividade: respostas às questões dos ouvintes; painéis de discussão.

Resultado: determinação de 2001 concluiu que a principal força do projeto era a mudança do conhecimento e das crenças dos ouvintes. Os ouvintes demonstraram, por exemplo, aumento do conhecimento sobre o Tribunal Criminal Internacional, autoridades judiciais e seus respectivos papéis. Além disso, um número maior de membros da comunidade acreditava que as autoridades do Tribunal e as autoridades nacionais compreendiam as suas necessidades. Percentual muito alto dos membros de grupos de ouvintes relatou aumento da consciência da sua capacidade de realizar mudanças positivas. O projeto exibiu progressos na integração das vozes e opiniões de uma série de indivíduos, incentivando-os a falar e compreender que as suas opiniões e questões têm importância.

Para mais informações:

Website da Rádio Interativa para a Justiça: http://www.irfj.org/.

  1. Emissora: Mishapi Voice TV (Goma, República Democrática do Congo); Rádio Maendeleo (Bukavu, República Democrática do Congo), RTG@ (Kinshasa, República Democrática do Congo); Contact FM (Kigali, Ruanda); Rádio Salus (Butare, Ruanda); Rádio Isanganiro (Bujumbura, Burundi).

Nome do programa: Génération Grands Lacs.

Razão para iniciar o programa: produzido pela Search for Common Ground, Génération Grands Lacs destina-se a fornecer um espaço para estudantes universitários de Ruanda, Burundi e da República Democrática do Congo comunicarem-se entre si, reduzir as divisões entre eles e trazer mensagens de paz em situações de instabilidade e violência como as vivenciadas atualmente no leste da República Democrática do Congo e na região dos Grandes Lagos.

Formato: programa de entrevistas ao vivo com chamadas telefônicas de 60 minutos para os jovens todos os sábados. O programa inclui convidados no estúdio, entrevistas pré-gravadas, voz do povo, música e participação da audiência por telefone, correio eletrônico, SMS e Facebook. Os jovens telefonam, debatem e compartilham seus pontos de vista.

Tipo de interatividade: telefone, mensagens de texto, correio eletrônico e Facebook.

Descrição: todas as semanas, a produção de Génération Grands Lacs alterna-se entre a República Democrática do Congo, Ruanda e Burundi e entre um time de jornalistas da região. O programa fornece aos jovens uma oportunidade de falar, ouvir e aprender sobre as questões e desafios enfrentados pela sua região. As questões abordadas incluem questões de gênero, violência, identidade, participação dos jovens na vida política e questões étnicas e de nacionalidade.

Resultado: existe audiência muito alta entre estudantes universitários em Ruanda, Burundi e na República Democrática do Congo e o programa atinge 30-60% da juventude não universitária. Uma determinação de impacto demonstrou: forte correlação entre a audiência e a redução dos prejuízos e atitudes positivas; que o programa gera maior tolerância e redução das atitudes negativas; que o programa capacita a juventude a abordar conflitos de forma construtiva. A determinação afirmou que, considerando o recente ressurgimento da violência na região, o programa desempenha papel crucial na transmissão de mensagens de paz e tolerância e no fornecimento de espaço para o diálogo.

Para mais informações:

Radio for Peacebuilding Africa. Génération Grands Lacs: using media to bridge differences and find common ground: http://www.radiopeaceafrica.org/index.cfm?lang=en&context_id=22&context=features&action=oneFeature&feature_id=1.

Search for Common Ground. Génération Grands Lacs: Weekly Dialogues for Peace, Live on the Radio: http://www.sfcg.org/programmes/drcongo/pdf/generation_grands_lacs.pdf.

  1. Emissora: Malawi Broadcasting Corporation (MBC), Rádio Um (emissora pública nacional).

Nome do programa: Kanthu n’khama

Razão para iniciar o programa: promover o diálogo nacional sobre questões de desenvolvimento.

Formato: programa em formato de revista de trinta minutos transmitido todos os sábados, às duas horas da tarde.

Tipo de interatividade: clubes de ouvintes de rádio desenvolvem um programa com base nas suas preocupações (denominado “voz da aldeia”), conversam com um provedor de serviços relevante (o “diálogo”) e produzem um programa com base na voz da aldeia e no diálogo.

Descrição: Kanthu n’khama consiste de uma análise de cinco minutos do programa da semana anterior, seguida por dez minutos da voz da aldeia das comunidades, trechos dramatizados elaborados pelos clubes de ouvintes de rádio e, em seguida, quinze minutos de respostas orientadas à ação dos provedores de serviço.

A produção de Kanthu n’khama envolve duas etapas: primeiramente, os clubes de ouvintes de rádio gravam uma discussão na qual eles analisam um problema local e detalham como eles acham que ele deverá ser resolvido. Esta gravação é conhecida como mawu (voz da aldeia). As vozes da aldeia são expressas por meio de radioteatro, canções tradicionais, poesia e discussões. Em segundo lugar, a voz da aldeia é levada para um provedor de serviço, que ouve a gravação e organiza uma discussão com a comunidade sobre as questões levantadas. Uma segunda discussão (entre o clube de ouvintes e o provedor de serviços) é gravada como “diálogo”. Ao final do diálogo, foi desenvolvido um plano de ação e as responsabilidades do clube de ouvintes e do provedor de serviço são claramente indicadas. O diálogo, em grande parte, é gravado e oferecido por membros do clube de ouvintes. O produtor da MBC limpa o programa tecnicamente, escreve o roteiro, faz a narração e a mixagem dos segmentos do programa. Os diálogos têm lugar entre os clubes de ouvintes, legisladores e funcionários da linha de frente. Os provedores de serviço incluem o setor público, privado e organizações da sociedade civil.

Resultado: o programa possibilitou às comunidades convocar altas autoridades públicas, como ministros de Estado, para a aldeia, para prestar contas sobre decisões ou serviços fornecidos pelos seus ministérios. No distrito de Mulanje, por exemplo, solicitou-se a um assistente de vigilância do Ministério da Saúde que desocupasse uma construção erigida pela comunidade como uma clínica infantil, mas que o assistente de vigilância havia ocupado temporariamente por dois anos depois que sua casa foi levada por uma enchente. A autoridade nunca havia se incomodado em conseguir suas próprias acomodações. A comunidade convocou a autoridade e exigiu que ele pagasse o aluguel atrasado, pois ele havia reivindicado auxílio moradia embora não pagasse pelas suas acomodações.

Por ser gerado no campo, Kanthu n’khama promove um senso de propriedade das ondas nacionais de rádio ao fornecer às comunidades a capacidade de determinar o conteúdo do programa. O dia e a hora da transmissão foram escolhidos pelas comunidades.

Para mais informações:

Linje Manyozo, 2007. Method and practice in participatory radio. Ecquid Novi: African Journalism Studies, 28 (1 & 2): 11-29.
Susan Sisya, Campaign for Social Change through Kanthu-N’khama: http://www.freewebs.com/linjem/kuchezanewsletter.htm.

  1. Emissoras: Sanyu FM (Kampala, Uganda), Radio WA (Lira, Uganda), Savior FM (distrito de Amuria, Uganda), Delta FM (Soroti, Uganda), Rádio Pacis (Arua, Uganda) e Rádio Pacis (Gulu, Uganda).

Nome dos programas: vários programas produzidos por software especial.

Razão para iniciar o programa/projeto: envolver as comunidades locais no relato de problemas com serviços públicos e fornecer uma plataforma de participação e discussão de questões políticas. Promover a transparência, consciência e responsabilidade. Dar aos ouvintes um sentido de propriedade do fornecimento de serviços públicos.

Formato: mensagens de texto, além de entrevistas com líderes locais com base em comentários de texto dos ouvintes.

Tipo de interatividade: mensagens de texto.

Descrição: Trac FM (uma ONG) fornece às emissoras de rádio software para operar pesquisas online. Os ouvintes enviam relatórios ou opiniões sobre temas sugeridos pela emissora em inglês ou em idiomas locais por meio de SMS gratuito. Os apresentadores da rádio recebem análise gráfica clara e instantânea dos resultados da pesquisa nos monitores dos seus computadores, que eles apresentam para os ouvintes durante os programas ao vivo. As emissoras convidam os líderes locais a comentar sobre os dados coletados e a Trac FM garante que os dados atinjam as autoridades responsáveis.

Resultado: determinação de resultados em andamento. A Trac FM sugere que os programas dão voz aos ugandenses comuns que não possuem outra forma de se fazer ouvir.

Para mais informações:

Voz da América, três de fevereiro de 2012. Innovative Radio Talk Show Gives Ugandans a Public Voice: http://www.voanews.com/content/innovative-radio-talk-shows-give-ugandans-a-public-voice-138712619/159555.html.

Website da TRAC FM em http://www.trac.pro/.

TRAC FM monitoring service delivery. Vídeo no YouTube em: http://www.youtube.com/watch?v=Lx_BivgFyww.

  1. Emissoras: Peace FM (região de Acra, Gana); Joy FM (região de Acra).

Nome dos programas: Wo haw ne sen (idioma akan); Feedback (inglês – atualmente fora do ar).

Razão para iniciar o programa: fornecer tempo no ar para que os ouvintes telefonem sobre problemas que encontram com serviços (privados ou públicos) em Acra.

Formato: chamadas telefônicas, mensagens de texto (somente a Rádio Peace) e entrevistas com líderes locais com base no retorno da audiência.

Tipo de interatividade: chamadas telefônicas ou mensagens de texto dos ouvintes.

Descrição: os ouvintes telefonam ou enviam mensagens de texto com queixas sobre serviços públicos ou privados. As estações acompanham as queixas e tentam garantir que as instituições relevantes respondam ou resolvam os problemas quando necessário. As emissoras anunciam no ar se o problema foi resolvido. Feedback convidou as autoridades ao estúdio para responder ligações e questões do público. Wo haw ne possui possui um painel permanente no estúdio, que consiste de um advogado, um médico e um especialista em computadores. O painel fornece respostas e soluções para ligações sobre questões de saúde, legais e outras.

Resultado: as respostas dos apresentadores das rádios às queixas são cuidadosamente redigidas, com base em investigações completas e respostas oficiais da fonte mais apropriada. Os apresentadores investigam as queixas e confirmam se são genuínas. Uma apresentadora, por exemplo, recebeu uma ligação de um vendedor ambulente queixando-se que os funcionários públicos da cidade estavam maltratando os vendedores e roubando seus artigos com o pretexto de retirá-los das calçadas. Para acompanhar o assunto, a apresentadora disfarçou-se de vendedora e juntou-se a outros vendedores na calçada. Embora ela não sofresse o mesmo que o vendedor, ela conseguiu provas disso e levou o assunto adiante.

A Joy FM e a Peace FM eram, na época, as emissoras de maior audiência e credibilidade em Acra. Dentre os ouvintes da Peace FM, quase seis em cada dez ouvem Wo haw ne sem, enquanto a metade dos ouvintes da Joy FM ouvia Feedback quando ele estava no ar. Para Feedback, 50-60% dos problemas levantados pelos ouvintes entre 2005 e 2008 foram resolvidos, o que significa que o problema foi investigado pela equipe, foram feitos contatos chave nas instituições e foi fornecido retorno final no ar de que o problema havia sido resolvido.

Para mais informações:

Edem E. Selormey, 2012. Rethinking citizen voice: The case of radio call-ins in Accra, Ghana: http://www.institutions-africa.org/filestream/20120814-rethinking-citizen-voice-the-case-of-radio-call-ins-in-accra-ghana.

Questões de segurança e responsabilidade para programas interativos:

É particularmente importante, quando transmitir programação interativa, familiarizar-se com as leis do seu país sobre difamação, calúnia e, de forma mais geral, o que é considerado prática jornalística aceitável. Familiarize-se com as leis e regulamentos relevantes. A maior parte dos países possui um conselho oficial de meios de comunicação que os monitora e penaliza as emissoras e indivíduos que desrespeitam as leis, regulamentos e práticas.

Alguns governos e grupos ou indivíduos podem também tentar punir (com medidas extrajudiciais, como violência e/ou ameaças) as pessoas que transmitem conteúdo que não lhes agrada. Embora as emissoras devam defender o direito à liberdade de expressão dentro dos limites da legislação nacional, é de vital importância que os radialistas ajam com bom senso e forte compromisso com a segurança pessoal.

Recursos adicionais:

DW Academie: 10 tips on how to be a good host: http://blogs.dw-akademie.de/africa/?p=1313.

DW Academie: Vox Pop: What’s good and bad about this journalistic format: http://blogs.dw-akademie.de/asia/2012/05/18/vox-pop-whats-good-and-bad-about-this-journalistic-format/.

PANOS Eastern Africa. Getting it Right


: A Journalist’s Guide to Conducting Community Radio Debate. 2011. http://www.panosea.org/resources/publications/RRD%20Debate%20Guide%20full%20Doc%20A5.pdf.

http://radio.frontlinesms.com/2012/08/frontlinesmsradio-adds-an-exciting-tool-to-the-mix-at-rite-fm-ghana/.

Padrões VOICE da Rádio Rural Internacional para programas agrícolas:

A Farm Radio International, com a ajuda de muitas emisoras agrícolas em toda a África subsaariana, identificou importantes características que deverão estar presentes na programação de rádio destinada aos pequenos agricultores. Essas características estão resumidas na sigla “VOICE” (VOZ, em inglês). O padrão VOICE é um trabalho contínuo e revisado regularmente à luz de novos aprendizados.

V

– Os programas valorizam os pequenos agricultores, homens e mulheres. Eles respeitam os agricultores pelo seu trabalho árduo na produção de alimentos para suas famílias e os mercados, muitas vezes enfrentando importantes desafios. Eles conversam com os agricultores para compreender sua situação e dedicam-se a apoiá-los no seu trabalho de produção e nos seus esforços de melhoria da vida rural.

O

– Os programas fornecem aos agricultores a oportunidade de falar e serem ouvidos sobre todos os assuntos. Eles se concentram no incentivo para que os pequenos agricultores indiquem suas preocupações, discutam-nas e organizem suas ações.

I

– Os programas fornecem aos agricultores as informações de que precisam, na hora em que precisam.

C

– Os programas são transmitidos de forma consistente e conveniente, regularmente e de forma confiável, pelo menos uma vez por semana, em um horário em que os agricultores podem ouvi-los.

E

– Os programas são de entretenimento e atraem grandes quantidades de agricultores. Não há desculpas para programas de rádio agrícolas monótonos!


Créditos:

Contribuição de Vijay Cuddeford, Editor-Gerente, Rádio Rural Internacional.

Revisão: David Mowbray, Gerente, Treinamento e Padrões, Rádio Rural Internacional; Blythe McKay, Gerente, Recursos para Emissoras, Rádio Rural Internacional.

Projeto realizado com apoio financeiro do Governo do Canadá, fornecido por meio da Agência Canadense para o Desenvolvimento Internacional (CIDA).


A Rádio Rural Internacional (Farm Radio International) é uma organização canadense sem fins lucrativos dedicada a apoiar emissoras de rádio em países em desenvolvimento para fortalecer comunidades rurais e a agricultura em pequena escala.

Segundo a organização, o material da Rádio Rural Internacional pode ser copiado ou adaptado para distribuição gratuita ou a preço de custo, com crédito para a Rádio Rural Internacional e para as fontes originais.

Esta versão em português é um trabalho voluntário, independente da organização e oferecido gratuitamente para as emissoras de rádio dos países de língua portuguesa. O texto foi traduzido para o português do Brasil, mas pode ser adaptado com facilidade para o português falado em outras partes do mundo (para dúvidas sobre os termos empregados, utilize o formulário de contato em https://radioruralportugues.wordpress.com/creditos-e-contato/).

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