Introdução às cadeias de valor

Material produzido pela Rádio Rural Internacional em 1º de dezembro de 2012, como parte do pacote de informações n° 95.

Original em inglês disponível em: http://www.farmradio.org/radio-resource-packs/package-95-researching-and-producing-farmer-focused-programs/an-introduction-to-value-chains/.


Observações para as emissoras:

Este documento de informações para radialistas é uma introdução às cadeias de valor. Ele não é destinado a adaptação para transmissão. Ele foi preparado para ajudar os radialistas a compreender como funcionam as cadeias de valor. Ele define alguns termos principais, fornece alguns exemplos de cadeias de valor, discute por quê é importante que os agricultores se considerem parte de uma cadeia de valor, relaciona os potenciais benefícios das cadeias de valor e comenta sobre diferentes estratégias que os agricultores podem seguir para aumentar ou ampliar o seu envolvimento com cadeias de valor. Com melhor compreensão da forma de funcionamento das cadeias de valor, os radialistas podem atender melhor seus ouvintes agricultores.

Estas observações sobre cadeias de valor foram redigidas do ponto de vista do pequeno agricultor. O seu papel, como radialista, é o de apresentar informações sobre cadeias de valor e os potenciais benefícios para os pequenos agricultores da ampliação do seu envolvimento com cadeias de valor. O rádio pode apresentar histórias de sucesso com cadeias de valor, incentivar a discussão sobre a forma como as cadeias de valor podem beneficiar os agricultores e agir como fonte de informação sobre as cadeias de valor.


Roteiro:

Introdução

Uma cadeia de valor não é um objeto que você pode ver. Ao contrário, cadeia de valor é simplesmente uma forma útil de compreender como funciona o mundo da produção, compra e venda de produtos.

Somos todos parte de cadeias de valor de uma forma ou de outra como produtores, consumidores de bens e serviços, processadores, varejistas, fornecedores de financiamento etc. Como consumidores, todos comemos e usamos roupas e, portanto, estamos ligados a muitas cadeias de valor – cadeias de cereais, raízes e tubérculos, frutas e verduras, legumes, óleos e tecidos. Essas cadeias se estendem dos agricultores até as nossas cozinhas, mesas de jantar, roupas etc.

Em uma ponta da cadeia, estão os produtores – os agricultores que cultivam produtos e criam animais. Na outra ponta, estão os consumidores que comem, bebem, vestem e usam os produtos finais. E, no meio, estão vários milhares de homens e mulheres, bem como pequenos e grandes negócios. Cada pessoa e cada negócio desempenha um pequeno papel na cadeia e cada um agrega valor ao longo do caminho – cultivando, comprando, vendendo, processando, transportando, armazenando, verificando e embalando.

Outras pessoas e outros negócios possuem papéis importantes no apoio à cadeia. Os bancos fornecem empréstimos; os governos estabelecem leis e políticas e organizações de pesquisa agrícola desenvolvem formas de participação mais bem sucedida dos agricultores em cadeias de valor.

As emissoras de rádio também desempenham importante papel de apoio. O rádio pode informar aos agricultores os preços, sucessos e inovações de cadeias de valor, oportunidades de envolvimento dos agricultores em cadeias de valor e ajudar os agricultores a compreender a forma de funcionamento das cadeias de valor. E o rádio pode também ajudar os agricultores a dedicar-se mais efetivamente em cadeias de valor.

Cadeia de valor agrícola é definida como as pessoas e as atividades que trazem um produto agrícola básico como milho, legumes ou algodão da produção no campo até o consumidor, por meio de etapas como processamento, embalagem e distribuição.

A Agência Norte-Americana de Desenvolvimento Internacional define cadeia de valor como “a série completa de atividades necessárias para trazer um produto ou serviço da sua concepção até o seu uso final, incluindo todos os canais de mercado disponíveis para todas as firmas”.

Mesmo os agricultores de subsistência são parte de cadeias de valor. A ampla maioria dos agricultores de subsistência cultiva algumas safras ou cria alguns animais para venda. Mesmo nas regiões mais remotas, muitos agricultores de subsistência são conectados a mercados e vendem pequenas quantidades dos seus produtos em mercados locais ou para comerciantes que visitam a fazenda.

Realmente, as cadeias de valor envolvem todas as interações humanas. Elas englobam ligações entre as pessoas e negócios que transferem ou trocam produtos, dinheiro, conhecimento e informações.

Em uma cadeia de valor eficaz, as pessoas em diferentes estágios da cadeia suportam ativamente umas às outras. Quando todos na cadeia apoiam todos os demais, todos fazem seu trabalho com mais eficiência e as condições de vida de todos são aprimoradas. Todas as pessoas da cadeia compartilham o objetivo comum de satisfazer as necessidades do consumidor, a fim de aumentar seus próprios lucros.

Exemplos de cadeias de valor:

Cada cadeia de valor é única e contém uma combinação exclusiva de “elos”. Na cadeia de valor de mandioca na Tanzânia, por exemplo (vide o diagrama abaixo), você poderá dizer que os agricultores que cultivam mandioca e as cooperativas a que eles pertencem ou vendem, os comerciantes, as companhias de processamento e os diversos participantes do mercado são elos primários na cadeia de valor, além dos consumidores. Mas existem outros elos importantes. Estes incluem as lojas e as pessoas que vendem os insumos agrícolas como fertilizantes e agroquímicos para cultivar a mandioca. Existem também atacadistas, transportadores de mandioca bruta e outros participantes. Naturalmente, todos os elos são afetados pelo ambiente político nacional e global.

O diagrama abaixo exibe como se agrega valor em cada elo em três cadeias de valor diferentes. Na cadeia de valor de inhame em Gana, por exemplo, o trabalho desempenhado pelo comerciante viajante agrega valor, de forma que o preço cobrado pelo comerciante por quilo (ou tonelada) de inhame é 50% mais alto que o preço pago ao agricultor pelo inhame.

Cadeia de valor 1

Em seguida, o atacadista agrega valor, de forma que o preço cobrado por ele ao varejista é 13% mais alto que o preço que ele paga ao comerciante viajante. E o preço cobrado pelo varejista ao consumidor é 18% mais alto que o preço pago pelo varejista ao atacadista. Na linguagem de cadeias de valor, cada pessoa na cadeia cobra um “aluguel econômico” na sua etapa da cadeia.

Cadeia de Valor 2

Por que falar sobre cadeias de valor?

Os pequenos agricultores na África e em outras partes do mundo frequentemente dizem que receber baixos preços pela sua colheita é um grande problema. Tipicamente, o agricultor espera que os negociantes visitem a sua fazenda. O comerciante oferece um preço baixo e não comprará toda a safra. O agricultor fica descontente – seu tempo e esforços não são recompensados. Ele(a) pode culpar o comerciante pelos seus problemas.

Agricultores e comerciantes muitas vezes brigam sobre preços. Os agricultores podem enganar os comerciantes colocando produto de baixa qualidade no fundo dos caixotes e os comerciantes podem enganar os agricultores utilizando pesos e medidas imprecisos. Frequentemente há falta de confiança entre os dois. Isso resulta em mau funcionamento da cadeia de valor, o que significa rendimento menor para todos.

O comerciante vende os produtos do agricultor para um processador, que abastece um atacadista, que vende a um varejista, que abastece um consumidor, com transporte e outros elos entre eles. Cada participante dessa cadeia agrega valor e, em retorno, recebe ganhos econômicos, comumente denominados “aluguel econômico”. O valor que cada participante da cadeia recebe varia entre diferentes produtos e cadeias de valor. Mas o preço recebido pelo agricultor pelo seu produto bruto é apenas uma pequena fração do preço pago pelo consumidor.

Como indivíduos, os pequenos agricultores frequentemente estão em desvantagem nesse tipo de cadeias de valor. Como muitos agricultores cultivam safras ou criam animais individualmente, eles possuem pouco poder de barganha. Eles detêm pouca ou nenhuma influência sobre os preços que os comerciantes pagam pelo seu produto ou sobre o preço que eles pagam aos fornecedores de insumos como sementes, fertilizantes, pesticidas etc.

Além disso, os agricultores muitas vezes não detêm informações sobre o mercado dos seus produtos. Eles podem não saber, por exemplo, quanto realmente valem os seus produtos e quanto mais eles poderiam ganhar, por exemplo, se o transportassem para um mercado próximo em vez de vendê-lo para um comerciante. Eles podem não saber quem são os outros participantes do mercado; eles podem não saber o que acontece com os seus produtos após a venda; e eles podem não saber quais tipos de produtos os consumidores desejam. Em muitos casos, o agricultor está cultivando o produto errado para o mercado. Por todas essas razões, fica difícil para os agricultores africanos beneficiar-se completamente das cadeias de valor nas quais eles já estão envolvidos.

Em parte, os agricultores contribuem para os seus próprios problemas sem saber. Um agricultor poderá, por exemplo, produzir mangas de todos os tipos. Algumas são grandes e saudáveis, outras são pequenas e manchadas. O agricultor embala todas as suas mangas juntas em um caixote. O comerciante não sabe qual qualidade esperar e, por isso, oferece um preço baixo.

Para aumentar a sua renda e capturar mais valor (“aluguel econômico”) na cadeia de valor, os agricultores necessitam “aumentar” o seu envolvimento na cadeia de valor. Existem muitas formas de fazer isso. Uma medida que eles devem tomar é tornar-se um “especialista em produção”. Um especialista em produção é um agricultor que aprimorou suas práticas agrícolas e está produzindo produtos para o mercado de forma eficiente e produtiva. Utilizando melhores práticas agrícolas, por exemplo, o agricultor pode produzir mais mangas – e mangas de melhor qualidade. Isso satisfaz o comprador e o consumidor. Vamos examinar outras formas de melhoria posteriormente neste documento informativo.

Quais são os benefícios da abordagem de cadeia de valor?

A abordagem de cadeia de valor considera o papel dos participantes existentes na cadeia, participantes de apoio e o ambiente político. Ela nos permite observar os desafios atuais em uma cadeia de valor, bem como as oportunidades de aumento da eficiência da cadeia de valor e os benefícios para todos os envolvidos. Do ponto de vista do agricultor, ser parte de uma cadeia de valor em bom funcionamento pode trazer renda maior.

A análise da cadeia de valor – identificação dos seus desafios, pontos fracos e fortes – pode ajudar a identificar novas oportunidades de geração de renda.

Às vezes, participar de uma cadeia de valor em bom funcionamento não traz aos agricultores preços ou renda mais alta, mas renda mais estável e previsível.

Mercados e cadeias de valor em bom funcionamento podem atrair os jovens para a agricultura ou persuadi-los a não deixar as áreas rurais, oferecendo melhores formas de ganhar dinheiro.

A participação em cadeias de valor pode ajudar o agricultor a aprender novas técnicas e adotar práticas aprimoradas. Em vez de empilhar legumes em um caixote e transportá-los de caminhão para um comerciante ou mercado, os agricultores podem ganhar mais dinheiro realizando processamento básico na fazenda. Mesmo a limpeza e a classificação de produtos podem fazer diferença. A lavagem e a embalagem de alface ou tomates e seu fornecimento para um supermercado ou loja local pode gerar preço mais alto. Descascar e cortar as frutas pode ser uma forma eficaz de entrar no mercado crescente de produtos alimentícios prontos para consumo perto das áreas urbanas.

Quem se beneficia das cadeias de valor?

Todos os que participam de uma cadeia de valor agregam valor à medida que o produto se move do início da cadeia até o consumidor. Em troca pelo aumento desse valor, todos os participantes recebem um aluguel econômico. Este é o principal benefício ou incentivo para participar de uma cadeia de valor.

As pessoas com maior probabilidade de beneficiar-se das cadeias de valor são empreendedoras, possuem disposição para comunicar-se com as pessoas em diferentes partes da cadeia de valor e possuem os recursos fundiários e financeiros e o conhecimento para desenvolver novos mercados ou participar mais eficientemente dos mercados atuais.

Os agricultores que possuem pouca terra, que estão mais distantes dos mercados, que possuem menos ativos, que enfrentam barreiras linguísticas, que não dispõem de irrigação e que não estão envolvidos em organizações de agricultores eficazes podem enfrentar maiores desafios para beneficiar-se de uma cadeia de valor.

A importância dos grupos de agricultores:

Os agricultores precisam ser bem organizados para competir em um mercado cada vez mais exigente. Da mesma forma que tornar-se um especialista em produção, unir-se a uma organização de agricultores é uma etapa necessária para os pequenos agricultores que desejam aumentar sua renda e capturar mais valor na cadeia de valor. Ao contrário dos agricultores individuais, as organizações de agricultores detêm os recursos para atrair e estabelecer relações com diferentes elos da cadeia de valor, locais e mais distantes.

As organizações de agricultores ajudam os agricultores individuais combinando as colheitas de diversos produtores, comprando insumos a granel a preços mais baixos em nome dos agricultores e fornecendo aos agricultores acesso a serviços de apoio rural. Devido ao seu tamanho, as cooperativas possuem poder de mercado suficiente para elevar os preços recebidos por agricultores individuais e garantir que os agricultores recebam renda mais estável e segura. Muitos grupos de agricultores também incluem esquemas de poupança e empréstimo para os seus membros. Esses esquemas ajudam os agricultores a trabalhar com dinheiro, manter registros e aprender conhecimentos financeiros que são essenciais para aprimorar o seu negócio.

Qual papel desempenham os radialistas em cadeias de valor?

Em uma cadeia de valor, fluem essencialmente três coisas: O produto move-se dos produtores para os consumidores, o dinheiro move-se dos consumidores para os produtores e o fluxo de informação ocorre nos dois sentidos.

O rádio pode agir como fornecedor de conhecimento e informação. Isso significa que as emissoras de rádio podem transmitir informações sobre cadeias de valor para os seus ouvintes. O rádio pode ajudar os agricultores a compreender os benefícios de ampliar o seu envolvimento na cadeia de valor. O rádio pode também transmitir informações sobre formas eficazes e inovadoras de envolvimento em cadeias de valor.

O rádio pode anunciar oportunidades de comercialização ou de contratos que poderão ajudar os pequenos agricultores.

O rádio pode publicar histórias de sucesso e ajudar os agricultores a compreender oe benefícios de relacionar-se com outras firmas e negócios na cadeia de valor.

É importante que os radialistas usem linguagem apropriada ao falar sobre cadeias de valor. Fale com alguns dos seus ouvintes agricultores. Descubra as melhores palavras no idioma local para “cadeia de valor”, ”elo” e outros termos das cadeias de valor. Escolha palavras que transmitam o significado com precisão e sejam compreendidas pela sua audiência.

Como sempre, é importante não menosprezar os agricultores, seja com seu tom de voz ou utilizando linguagem que poucos ouvintes compreendem. Antes de fazer programas sobre cadeias de valor, assegure-se de que você compreende completamente o que são as cadeias de valor e como elas podem ajudar os agricultores. Se você não compreender totalmente, fale com agentes de extensão, representantes das indústrias alimentícias ou outros que possam ajudar você a compreender o que são as cadeias de valor e como elas operam na sua região.

Os radialistas deverão descobrir tudo o que puderem sobre as cadeias de valor locais. Verifique quem são os participantes das cadeias de valor dominantes nas comunidades da sua audiência. Fale com agricultores, processadores, varejistas e outros na cadeia de valor. Descubra quais acordos estão funcionando bem e quais não estão. Entrevistando pessoas envolvidas com cadeias de valor específicas no ar, os radialistas podem transmitir informações precisas sobre essas cadeias.

Há benefícios para os radialistas na interação com diferentes elos da cadeia de valor. A ligação com processadores, varejistas, distribuidores e agricultores pode ajudá-lo a diversificar suas fontes publicitárias e descobrir novas possibilidades de negócios para a sua emissora.

Aprimoramento:

Para o agricultor, aprimorar significa aumentar seus conhecimentos agrícolas e comerciais de forma a permitir capturar mais valor em uma cadeia de valor. O aprimoramento pode ajudar os agricultores a encontrar novas práticas, novos parceiros e novas ideias para levar produtos ao mercado. Ou pode melhorar suas atividades nas cadeias de valor existentes. Aprimorar pode aumentar os lucros e reduzir riscos, ou ambos.

Há muitas formas para um agricultor aprimorar seu envolvimento em uma cadeia de valor. Encontram-se a seguir quatro estratégias importantes de aprimoramento.

Aprimoramento de processo: Para os agricultores, aprimoramento de processo indica aumento de rendimento ou redução de custos de produção de um dado volume de uma safra; por exemplo, a redução dos custos totais envolvidos no cultivo e colheita de cem quilos de mandioca. O aprimoramento do processo inclui práticas agrícolas melhoradas: melhores técnicas de plantio ou materiais de plantio, irrigação, melhor controle de pragas ou armazenagem. Ele pode também incluir melhor comercialização e embalagem. Estas práticas podem resultar em rendimentos mais altos, mais vendas ou mais alimentos na mesa da família.

O aprimoramento de processo trata da transformação de insumos agrícolas (mão-de-obra, fertilizante, materiais de plantio, pesticidas etc.) em produtos agrícolas (produção de safras) com mais eficiência. Para o agricultor, esta etapa chama-se tornar-se um “especialista em produção”. Para capturar mais valor na cadeia de valor, os agricultores devem tornar-se especialistas em produção.

Coordenação horizontal: Um segundo tipo de aprimoramento é a coordenação horizontal. A coordenação horizontal é a coordenação das suas atividades com outros que ocupam o mesmo estágio da cadeia, tais como agricultores que colaboram com outros agricultores em grupos ou cooperativas de produtores. Quando os agricultores compram insumos juntos e vendem juntos sua produção, os seus custos caem e eles têm acesso a mais mercados.

A coordenação horizontal aumenta o acesso dos indivíduos a crédito. Isso aumenta a estabilidade financeira do agricultor, permite que ele(a) invista em equipamento e outros insumos e dá acesso a dinheiro para comprar o necessário na hora em que é necessário. Isso aumenta a renda individual e doméstica, bem como a segurança alimentar, devido aos maiores gastos com alimentos.

A coordenação horizontal pode também ajudar os agricultores a entrar em mercados que necessitam de certificação, tais como mercados orgânicos e de comércio justo, e dão aos agricultores maior poder de negociação em uma cadeia de valor.

Coordenação vertical: Um terceiro tipo de aprimoramento é chamado de coordenação vertical. A coordenação vertical envolve sair das interações ocasionais entre comprador e vendedor em direção a relacionamentos comerciais de prazo mais longo. Para o agricultor, a coordenação vertical significa a coordenação das suas atividades com pessoas e empresas em diferentes estágios da cadeia de valor, tais como processadores ou supermercados.

Um tipo de coordenação vertical é a agricultura por contrato, na qual um processador, varejista ou exportador assina um contrato com agricultores para produzir um certo volume de safra com qualidade específica em um prazo especificado.

A coordenação vertical normalmente envolve uma firma líder (frequentemente um grande comprador ou supermercado) que coordena as ações ao longo de toda a cadeia de valor. Em relacionamentos verticais, a firma grande muitas vezes fornece ao agricultor insumos com desconto, acesso a crédito, suporte técnico e equipamento.

A coordenação vertical pode fornecer aos agricultores mais certeza e segurança sobre as vendas e renda futura. Mas a coordenação vertical envolve o estabelecimento de confiança entre os vendedores e os compradores, o que pode ser um processo lento e difícil. A confiança somente pode crescer quando todos acreditam que irão se beneficiar.

Aprimoramento funcional: O aprimoramento funcional ocorre quando os agricultores realizam mais tarefas na cadeia, tais como processamento, embalagem ou até vendas. Isso pode permitir aos agricultores capturar mais rentabilidade econômica, o que significa ganhar mais dinheiro. Exemplos incluem agricultores que produzem farinha de mandioca ou salgadinhos de mandioca, agricultores que lavam e pré-cozinham fonio ou que vendem lanches de mandioca.

Esta parece ser uma ideia atraente. Mas, para ter sucesso ao assumir essas novas tarefas, os agricultores precisam ter o equipamento e a tecnologia necessários, bem como bons recursos financeiros e técnicas de organização muito fortes.

Quando as cadeias de valor são curtas, por exemplo, quando a coordenação vertical envolve moer milho e colocá-lo em sacos, esta opção pode ser eficiente. Mas, quanto mais longa a cadeia, mais altos os riscos, especialmente para aqueles com pouca experiência.

Outros tipos de aprimoramento: Outras formas de aprimoramento, que não são descritas em detalhes no presente, incluem:

  • aprimoramento de produto: adotar produtos mais complexos ou sofisticados, com valor mais alto;
  • aprimoramento intercadeias: aplicação de conhecimentos obtidos em um elo de uma cadeia em uma cadeia diferente;
  • cumprimento de padrões e certificações (por exemplo, orgânicos e de comércio justo). Pode chamar-se aprimoramento de produto e é dirigido por mudanças de mercado associadas a alterações das preferências dos consumidores.

Manter registros e obter informações de mercado:

uma etapa importante para tornar-se um agricultor eficiente ou “especialista em produção” é manter bons registros. Registrando o trabalho e os insumos na fazenda, o agricultor pode compreender melhor os custos envolvidos na produção da sua safra. Quando ele(a) conhece os custos de produção, o(a) agricultor(a) pode tomar decisões mais bem informadas, como o cálculo mais preciso dos preços de venda.

Informações de mercado também são importantes. Se os agricultores estiverem bem informados sobre os preços atuais e as tendências de mercado, eles podem barganhar com os compradores de forma mais eficiente.

Visão de cadeia:

para trabalhar com os outros elos da cadeia de valor, os agricultores deverão desenvolver “visão de cadeia”. Isso significa que eles veem como as suas cadeias de valor funcionam, na forma de rede de companhias especializadas que necessitam umas das outras para ganhar dinheiro.

Os agricultores deverão reconhecer a posição de outros elos da cadeia e respeitar seus interesses como sendo também legítimos. Diferentes elos da cadeia deverão compreender a necessidade de cooperação, em vez de brigar entre si. Eles deverão compreender que, embora vendedores e compradores sempre possuam interesses opostos (preços altos e baixos, respectivamente), eles compartilham o interesse pela satisfação do consumidor. Quando o consumidor está satisfeito, os negócios do vendedor e do comprador crescerão. Para que uma cadeia de valor seja bem sucedida, todos na cadeia devem beneficiar-se e sentir que estão sendo tratados de forma justa.

Lembre-se:

As cadeias de valor não se referem apenas a safras de exportação.

Quando os agricultores africanos (e outras pessoas) ouvem falar de cadeias de valor, eles muitas vezes pensam em safras de exportação como flores, café, cacau, frutas e legumes destinados aos mercados europeus e outros no exterior.

Mas nem sempre é uma boa ideia relacionar pequenos agricultores com grandes exportadores. Os pequenos agricultores na África e em outras partes do mundo geralmente tentam minimizar os riscos de fracasso cultivando diversos produtos e criando animais. Concentrar-se exclusivamente em um único produto é perigoso. Pode ser melhor que grupos de agricultores considerem os mercados domésticos e regionais da mesma forma ou como alternativas aos mercados de exportação. Devido à rápida urbanização e ao crescimento da classe média na África, os mercados domésticos e regionais africanos estão se tornando cada vez mais importantes para os agricultores.

Gênero e cadeias de valor:

Em muitas cadeias de valor agrícolas, as mulheres podem enfrentar condições mais difíceis que os homens. Em cadeias de exportação de frutas e legumes, por exemplo, as mulheres frequentemente são empregadas como trabalhadores casuais ou temporários, enquanto os trabalhadores permanentes normalmente são homens. Na exportação de frutas e legumes do Quênia, por exemplo, as mulheres ocupam 80% das funções de embalagem, rotulagem e produção de códigos de barras. As mulheres trabalhadoras normalmente recebem salários mais baixos que os homens.

Unir-se a uma organização de agricultores pode ajudar as mulheres. Quando respaldadas pela força de uma organização, as mulheres podem ter mais sucesso na negociação de melhores acordos.

É importante prestar atenção a algumas das consequências inesperadas do aprimoramento na cadeia de valor. Aqui estão três exemplos:

Primeiro: se uma família dedica a maior parte das suas terras e esforços a produtos de alto valor cultivados pelos homens, os homens terão maior controle sobre os recursos relativos a esses produtos, como terra e água. As safras das mulheres e a segurança alimentar da família podem ser prejudicadas.

Segundo: se as oportunidades de mercado melhoram para as safras das mulheres, os homens podem começar a assumir as atividades das mulheres, por exemplo, restringindo o seu acesso à terra.

Terceiro: se a família participar de agricultura de contrato, pode ser necessário abrir uma conta bancária. As contas bancárias normalmente são abertas no nome do homem. Isso significa que o acesso das mulheres ao dinheiro pode ser feito cada vez mais por intermédio do seu marido. Em comunidades em que as mulheres conseguem dinheiro com a venda de produtos, às vezes escondendo-o e usando uma parte para as despesas domésticas, isso pode prejudicar a segurança alimentar da família.

Por tudo isso, é importante considerar não apenas como homens e mulheres participam de forma diferente das cadeias de valor, mas como o aprimoramento das suas atividades pode (ou não) beneficiar ambos, homens e mulheres.

Conclusão:

Para mais informações sobre cadeias de valor, fale com as pessoas do Ministério da Agricultura, ONGs envolvidas em cadeias de valor e agricultores envolvidos em cadeias de valor. Veja abaixo uma lista de documentos selecionados na Internet para mais informações gerais sobre cadeias de valor.


Créditos:

Contribuição de Vijay Cuddeford, Editor-Gerente, Rádio Rural Internacional.

Revisão: Yogesh Ghore, Encarregado de Programas, Instituto Internacional Coady, Universidade São Francisco Xavier, Antigonish, Nova Escócia, Canadá; Blythe McKay, Gerente, Recursos para Emissoras, Farm Radio International; Rex Chapota, Diretor Executivo, Farm Radio Malawi.

Projeto realizado com apoio financeiro do Governo do Canadá, fornecido por meio da Agência Canadense para o Desenvolvimento Internacional (CIDA).

Fontes de informação:

  • KIT, Faida MaLi e IIRR. 2006. Chain empowerment: Supporting African farmers to develop markets. Instituto Tropical Real, Amsterdã; Faida Market Link, Arusha; e Instituto Internacional de Reconstrução Rural, Nairóbi. http://www.mamud.com/Docs/chains.pdf.
  • Jonathan Mitchell, Jodie Keane e Christoper Coles, 2009. Trading up: How a value chain approach can benefit the rural poor. COPLA Global: Instituto de Desenvolvimento Internacional. http://www.odi.org.uk/resources/docs/5656.pdf.

A Rádio Rural Internacional (Farm Radio International) é uma organização canadense sem fins lucrativos dedicada a apoiar emissoras de rádio em países em desenvolvimento para fortalecer comunidades rurais e a agricultura em pequena escala.

Segundo a organização, o material da Rádio Rural Internacional pode ser copiado ou adaptado para distribuição gratuita ou a preço de custo, com crédito para a Rádio Rural Internacional e para as fontes originais.

Esta versão em português é um trabalho voluntário, independente da organização e oferecido gratuitamente para as emissoras de rádio dos países de língua portuguesa. O texto foi traduzido para o português do Brasil, mas pode ser adaptado com facilidade para o português falado em outras partes do mundo (para dúvidas sobre os termos empregados, utilize o formulário de contato em https://radioruralportugues.wordpress.com/creditos-e-contato/).

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