Agricultores de Ruanda mostram que a batata doce pode ser um produto lucrativo para cultivo e processamento em outros alimentos

Material produzido pela Rádio Rural Internacional em 23 de setembro de 2014, como parte do pacote de informações n° 99.

Original em inglês disponível em: http://www.farmradio.org/radio-resource-packs/package-99-cassava-the-post-harvest-value-chain/rwandan-farmers-show-that-sweet-potatoes-can-be-a-profitable-crop-to-grow-and-to-process-into-other-foods/.


 

Observações para as emissoras:

Batatas doces são consumidas como alimento básico em algumas partes de Ruanda. Mas é difícil armazenar batatas doces.

Este roteiro mostra como um agricultor de Ruanda ajudou a resolver esse problema criando um negócio de sucesso processando batatas doces. Novas variedades de batatas doces enriquecidas com vitamina A estão sendo fornecidas para os agricultores por pesquisadores de Ruanda e a batata doce está se transformando em um produto gerador de renda.

Você poderá usar este roteiro para ajudar a inspirar outros agricultores a tentar processar batatas doces e sentir mais confiança de poder ganhar um bom dinheiro com seu negócio. O roteiro poderá também inspirar consumidores a comer diferentes tipos de alimentos feitos com batata doce.

Este roteiro é baseado em entrevistas reais. Você poderá utilizá-lo como inspiração para pesquisar e escrever um roteiro sobre um tema similar na sua região. Pode haver, por exemplo, outro produto básico que poderia ser processado em outros tipos de produtos. Ou você poderá decidir produzir este roteiro na sua emissora, utilizando radioatores para representar as pessoas. Se o fizer, não se esqueça de dizer aos seus ouvintes no início do programa que as vozes são de atores e não das pessoas originalmente envolvidas nas entrevistas.

Duração estimada do programa: 10-12 minutos, com a música de introdução e encerramento.


Roteiro:

Sobe vinheta de abertura para começar o programa. Desce depois de 20 segundos sob a voz do apresentador.

Apresentador: Olá, ouvinte da Rádio Salus! Sou Jean Paul Ntezimana. Você está ouvindo o programa agrícola. No último programa, falamos sobre o processamento de produtos agrícolas aqui em Ruanda. Hoje vamos falar sobre o processamento da batata doce.

A batata doce é cultivada e consumida em grande escala em Ruanda, principalmente no interior. Ela normalmente é consumida logo depois da colheita. Ela vai direto do campo para a panela. Uma das razões é porque não sabemos como armazenar batata doce por um período mais longo.

Você vai ficar surpreso em saber que os pesquisadores introduziram novas variedades de polpa cor de laranja enriquecidas com vitamina A. Eles também estão trabalhando com os agricultores que estão lucrando com o processamento de batata doce em farinha para fazer roscas, biscoitos, bolos e outros alimentos.
Você quer saber como a batata doce pode gerar uma boa renda? Então ouça o nosso programa de hoje. Vamos falar com um cultivador de batata doce que está ganhando um bom dinheiro processando batata doce em diversos alimentos.

Som de viagem de carro – ruídos de motor, partida e parada etc. Diminuem sob o apresentador.

Apresentador: Estou a caminho de visitar Habumuremyi Jean Marie Vianney. Jean Marie é um agricultor com 36 anos de idade e quatro filhos. Como outros agricultores, ele costumava praticar agricultura de subsistência, cultivando principalmente abacaxis. Mas, seis anos atrás, ele começou a aumentar a sua renda. Como ele vivia perto de uma escola secundária, ele teve a sorte de começar a fornecer batata doce para a escola. Vamos ouvir Jean Marie contar a sua história.

Sons do carro diminuem

Jean Marie: Quando comecei a fornecer batata doce para a escola, precisei comprar no mercado para depois vender para a escola. Então comecei a plantar batata doce.

Aprendi que o Conselho Agrícola de Ruanda estava distribuindo novas variedades de batata doce que davam melhor rendimento e continham quantidades mais altas de vitamina A.

Fui visitá-los e eles me deram as novas variedades com polpa cor de laranja. Depois, o Conselho me selecionou para o treinamento sobre a produção e o processamento de batata doce. Antes disso, eu ficava imaginando como poderia armazenar a batata doce sem que ela apodrecesse.

Sons de alguém subindo um morro – talvez com respiração ofegante, sons de passos

Apresentador: Para chegar à casa de Jean Marie, precisamos subir um morro através da sua plantação de abacaxi. Uma casa grande está ainda em construção e há um forno em frente à casa e duas outras casas na mesma propriedade. Conforme vou chegando, vejo um homem alto, magro e musculoso.

Apresentador: (chamando à distância) Olá, Sr. Jean Marie.

Jean Marie: (começa fora do microfone, mas fala ao microfone no final) Olá, bem-vindo à nossa casa. Estou muito feliz com a sua visita à nossa instalação de processamento de batata doce. Acabamos de fazer um lote de roscas – quem sabe você quer provar! Theoneste está fazendo pão e tudo vai indo bem. Bem-vindo!

Apresentador: (para de andar) Jean Marie, como a batata doce é tão fácil de preparar e comer, por que você quis processá-la em outros alimentos?

Jean Marie: Eu sou agricultor há muito tempo. Eu costumava vender às escolas secundárias no nosso distrito. Mas, quando as escolas não precisavam de batata doce, ou não queriam toda a quantidade que eu tinha, eu ficava com medo de perder o cliente, porque você só pode armazenar batata doce por cinco dias antes dela se estragar.

Então veio a ideia do processamento. Eu me perguntei: a batata doce pode ser processada para não apodrecer tão rápido e evitar perda de renda? Como eu poderia preservá-la por um pouco mais de cinco dias?

Apresentador: O que o sr. fez?

Jean Marie: Visitei o governo do distrito local, que me ajudou a pedir crédito no banco para estabelecer o negócio de processamento (nota do Editor: em Ruanda, os agricultores frequentemente usam sua terra como garantia para conseguir empréstimos; Jean Marie também recebeu assistência do governo local, que desempenhou o papel de intermediário junto ao banco). O Conselho me ajudou a cultivar novas variedades de alto rendimento e ricas em vitamina A, participar de feiras e exibições em todo o país e ofereceu outros tipos de assistência. Eles também me treinaram sobre como secar e processar batata doce. Em 2010, comecei a colocar em prática minha ideia de processar batata doce.

Apresentador: Sr. Jean Marie Vianney, parece que a sua ideia tornou-se um sucesso. Quanta batata doce o sr. pode processar por dia?

Jean Marie: Hoje, eu seco apenas uma pequena quantidade de batata doce. Eu posso moer e usar apenas 500 kg de farinha de batata doce por dia. Isso não chega. Meu sonho é processar pelo menos vinte toneladas por dia. Eu comprei algumas máquinas muito potentes que podem processar vinte toneladas de batata doce por dia e, por isso, estou otimista. Mas, para fazer isso, eu precisaria de mais de 150 empregados. Hoje eu emprego apenas quinze pessoas. Com mais capacidade, agregaríamos produtos como suco de batata doce.

Apresentador: Obrigado, Sr. Jean Marie. Falaremos com o sr. mais adiante no programa.

Caro ouvinte, você está ouvindo o programa agrícola da Rádio Salus. Hoje estamos falando sobre o processamento de batata doce em outros produtos alimentícios. Jean Marie cultiva muito mais batata doce que no começo. Mas, para ter suficiente para o seu negócio de processamento, ele está sempre trabalhando com outros agricultores, incluindo o Sr. Gatete Alexis, que está aqui conosco. Sr. Gatete, poderia contar se o sr. está ganhando dinheiro com o negócio de processamento?

Sr. Gatete: Eu cultivo batata doce desde que aprendi a técnica quando era adolescente. Mas só comecei a ganhar dinheiro com batata doce quando comecei a trabalhar com Jean Marie. Ele compra a minha colheita – toda a colheita! Além disso, às vezes ele me emprega para comprar batata doce de outros agricultores para o negócio de processamento. Se eu tivesse bastante terra, cultivaria mais batata doce, porque elas são hoje muito lucrativas!

Apresentador: Obrigado, Sr. Gatete! Falaremos agora com o Sr. Sindambirwa Theoneste, que não parou um minuto desde que chegamos. Ele anda de um lado para o outro, com suor na sua testa. Theoneste produz alimentos feitos com batata doce. Olá, Sr. Theoneste. O sr. está muito ocupado desde que chegamos! Poderia explicar aos ouvintes o que o sr. faz com a batata doce?

Sr. Theoneste: Eu pego a farinha de batata doce, agrego 20% de farinha de trigo e faço pães, roscas e bolos! Eu posso processar 500 kg de farinha por dia nesses produtos. O mercado está pedindo mais do que podemos fornecer. Por isso estou trabalhando tanto.

Apresentador: Então o sr. agrega 20% de farinha de trigo à farinha de batata doce. Muito bem. O sr. está ganhando bem com o pequeno negócio de processamento de batata doce?

Theoneste: Tenho treinado e ganho cem dólares por mês. É muito para um homem que vive no campo como eu! Comecei a trabalhar aqui em 2010. Sou casado e tenho dois filhos. Tenho meio hectare de bananas, uma vaca e pretendo comprar outra no ano que vem. Tenho dois porcos e estou feliz com meu trabalho!

Apresentador: Vamos agora voltar ao Sr. Jean Marie. Com projetos como o de Jean Marie, os problemas são comuns. Quais são os problemas que o sr. enfrenta, Jean Marie, e quais as soluções?

Jean Marie: Os problemas são principalmente relacionados com o cultivo da batata doce. A batata doce não é prioridade oficial da agricultura de Ruanda. Mas tentei cultivá-las e incentivo os outros agricultores a plantar mais. A batata doce que usamos não é a normalmente cultivada aqui em Ruanda. É uma nova variedade com polpa cor de laranja enriquecida com vitamina A. Os agricultores não conhecem bem essas novas variedades. Foi preciso muito trabalho de extensão para que os agricultores as cultivassem. Além disso, é preciso comprar as mudas; elas não são grátis. Este é outro obstáculo para a sua popularidade. Mas os agricultores e suas cooperativas entendem que o cultivo dessas novas variedades é lucrativo.

Apresentador: O que o sr. está fazendo para promover as novas variedades de laranja?

Jean Marie: O meu negócio é trabalhar com oito cooperativas e mais de quinze agricultores que trabalham fora das cooperativas. Também falamos com o distrito. As autoridades distritais tornaram a batata doce um produto prioritário, pois eles gostam do que estamos fazendo em nosso negócio de processamento. O distrito fornece alguma assistência aos plantadores de batata doce para fortalecer os seus negócios. Esperamos que a produção de batata doce se torne mais popular e que possamos cultivar o suficiente para atender à demanda de mercado.

Apresentador: Sr. Jean Marie, a operação desse negócio de processamento é lucrativa? O sr. está tendo algum benefício?

Jean Marie: Sim. Comprei mais terra para aumentar o espaço para cultivar batata doce! Eu tinha só três hectares de batata doce, mas agora tenho 25! Construí uma casa avaliada em cerca de dez milhões de francos de Ruanda (US$ 15.000) em Karenge, onde fica o nosso mercado regional. Tudo isso com o lucro que estou ganhando! Contratei um professor que ensina aos meus filhos depois da escola! Isso é um enorme benefício do meu negócio de processamento.

Apresentador: Obrigado, Sr. Jean Marie, e obrigado, caro ouvinte da Rádio Salus. Como acaba de dizer o Sr. Jean Marie, ele teve a ideia do processamento de batata doce em outros produtos alimentícios e foi bem sucedido. Mas ele não está usando a batata doce que normalmente cultivamos aqui em Ruanda. Trata-se de variedades novas, com polpa cor de laranja. Se você quer alto rendimento de batata doce e ganhar dinheiro com ela, por que não tenta essas novas variedades com polpa cor de laranja? E por que não tenta processar a sua batata doce em farinha para fazer pães, bolos e outros produtos assados para vender?

Caro ouvinte, caro agricultor, muito obrigado pela sua atenção. Se você tiver perguntas, sugestões ou ideias sobre este programa, não deixe de entrar em contato conosco, neste endereço: Rádio Salus, Caixa Postal 117, Butare. Sou Jean Paul Ntezimana dizendo obrigado e até logo!


Créditos:

Contribuição de Jean Paul Ntezimana, Rádio Salus, Butare, Ruanda.

Revisão: David Mowbray, Consultor Sênior, Treinamento e Comunicações, Farm Radio International.

Fontes de informação:

Jean Ndirigwe, 2006. Adaptability and acceptability of orange and yellow-fleshed sweet potato genotypes in Rwanda, Tese de Mestrado, Universidade de Makerere, Kampala (não disponível online).

Entrevista com Jean Marie Vianney Habumuremyi, seis de fevereiro de 2013.

Farm Radio International. Research in Rwanda aims for a good harvest of sweet potatoes: http://www.farmradio.org/radio-resource-packs/package-86/research-in-rwanda-aims-for-a-good-harvest-of-sweet-potatoes/.

Projeto realizado com apoio financeiro do Governo do Canadá, por meio do Ministério de Assuntos Externos, Comércio e Desenvolvimento (DFATD).


A Rádio Rural Internacional (Farm Radio International) é uma organização canadense sem fins lucrativos dedicada a apoiar emissoras de rádio em países em desenvolvimento para fortalecer comunidades rurais e a agricultura em pequena escala.

Segundo a organização, o material da Rádio Rural Internacional pode ser copiado ou adaptado para distribuição gratuita ou a preço de custo, com crédito para a Rádio Rural Internacional e para as fontes originais.

Esta versão em português é um trabalho voluntário, independente da organização e oferecido gratuitamente para as emissoras de rádio dos países de língua portuguesa. O texto foi traduzido para o português do Brasil, mas pode ser adaptado com facilidade para o português falado em outras partes do mundo (para dúvidas sobre os termos empregados, utilize o formulário de contato em https://radioruralportugues.wordpress.com/creditos-e-contato/).

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