Deliciosas receitas com mandioca melhoram a nutrição familiar

Material produzido pela Rádio Rural Internacional em 27 de janeiro de 2015, como parte do pacote de informações n° 100.

Original em inglês disponível em: http://www.farmradio.org/radio-resource-packs/package-100-aquaculture-the-value-chain/delicious-cassava-recipes-improve-family-nutrition/.


Observações para as emissoras:

A mandioca é uma das safras básicas mais importantes em muitas partes da África. Mas, em Zâmbia, a mandioca é cultivada principalmente nas províncias de Luapula e do Norte, enquanto o milho é popular na maioria das outras regiões.

A mandioca possui diversas vantagens sobre o milho. Em primeiro lugar, ela é cultivada muito facilmente e requer muito pouco trabalho. Ela cresce bem em muitos tipos diferentes de solos e até tolera pouca chuva. Os agricultores não possuem problemas de armazenagem com a mandioca, pois você pode deixar um tubérculo no campo por muito tempo e colher apenas o suficiente para suas necessidades imediatas.

Há muitos anos, o governo de Zâmbia vem promovendo a mandioca em regiões onde ela não era um alimento básico. Mas a adoção do produto tem sido lenta. Vários estudos demonstraram que as pessoas não se dedicam à mandioca porque elas possuem pouca informação sobre as suas formas de preparo e de consumo. Por isso, o foco em áreas onde a mandioca não é plantada agora é o ensino aos agricultores de formas de preparação de mandioca para que ela possa ser consumida quando há falta de alimento.

Este roteiro é dirigido à audiência rural específica do leste de Zâmbia, que sempre dedicou pouca atenção à mandioca. Mas ele pode ser facilmente adaptado para a situação em outras partes da África.

Você poderá optar por apresentar este roteiro como parte do seu programa agrícola regular, usando as vozes de atores para representar as pessoas. Se o fizer, não se esqueça de dizer aos seus ouvintes no início do programa que as vozes são de atores e não das pessoas originalmente envolvidas nas entrevistas.

Você poderá também usar este roteiro como material de pesquisa ou como inspiração para criar o seu próprio programa sobre a mandioca no seu país. Converse com agricultores que cultivam mandioca e com agricultores que decidiram não cultivar mandioca. Você poderá perguntar a eles:

  • Que formas especiais as famílias usam para preparar mandioca na sua região? Como os homens gostam de comer mandioca? Como as mulheres gostam de comer mandioca? Como as crianças gostam de mandioca?
  • Quais as barreiras ou objeções ao cultivo da mandioca? Vocês encontraram soluções para essas barreiras ou objeções?

Duração estimada do programa: 25 minutos, com a música de introdução e encerramento.


Roteiro:

Apresentador: Novamente é hora de nós, agricultores, compartilharmos informações sobre como podemos melhorar as nossas condições de vida com melhores práticas agrícolas.

Meu nome é Filius Chalo Jere e hoje apresento um tema interessante: como a mandioca pode ser um alimento importante na sua casa. É claro que eu sei que muitos de nós do povo Ngoni no leste de Zâmbia não consideramos a mandioca um produto alimentício. Nós consideramos a mandioca alimento do povo Bemba, nas províncias de Luapula e do Norte.

Mas você tem notado que o clima está mudando e que o nosso milho está ameaçado pela baixa produção? Muitos de nós sofremos falta de alimentos a partir de outubro ou novembro, quando os nossos estoques de milho estão baixos ou até esgotados, até março ou abril, quando colhemos nosso primeiro milho plantado.

Mas nossos primos tradicionais, o povo Bemba, não ficam sem seu alimento básico, a mandioca, durante esse ou qualquer outro período do ano. Fique conosco e juntos descobriremos como fazer mais uso da mandioca na alimentação das nossas famílias.

Intervalo musical (canto da aldeia)

Apresentador: Já sei que despertei sua curiosidade sobre a mandioca. Fique comigo enquanto procuro informações sobre esse produto que nós do leste de Zâmbia sempe desprezamos.

Você deve ter observado que o Ministério da Agricultura de Zâmbia não está mais apenas forçando os agricultores a cultivar mandioca, mas sim ensinando como podemos preparar e comer o produto nas nossas casas. Eu fiquei curioso em saber como essas informações estão sendo recebidas pelos agricultores. Por isso, fui de bicicleta até o escritório distrital e encontrei uma funcionária do departamento de extensão rural.

Por favor, apresente-se para os nossos agricultores.

Nancy: Obrigada. Meu nome é Nancy Kaenga. Sou funcionária de nutrição encarregada de ensinar às pessoas como elas podem incluir cada vez mais a mandioca na sua alimentação. As pessoas estão desprezando um produto muito importante.

Apresentador: Por quê?

Nancy: Sou da tribo Bemba e cresci comendo mandioca. Por isso, sei como a mandioca é confiável em comparação com o milho que as pessoas adoram tanto por aqui.

Apresentador: Por que a sra. acha que o cultivo e o consumo de mandioca deveriam ser incentivados entre as pessoas que tradicionalmente comem milho?

Nancy: Existem diversos motivos. Um deles é porque a mandioca cresce bem em diferentes tipos de solo. Existe também o problema das mudanças climáticas. Elas trouxeram pouca chuva e a produção de milho está diminuindo rapidamente. É por isso que os agricultores esgotam seus estoques de milho no final do ano. Se eles cultivassem mandioca como alimento básico, ao lado do milho, isso não seria mais problema.

Apresentador: Mas eu vi mandioca nos jardins. Na sua opinião, por que eles não estão plantando mandioca nos campos?

Nancy: De fato, os agricultores cultivam um pouco de mandioca nos seus jardins. Mas é uma variedade inferior que produz tubérculos mais fracos. Normalmente eles plantam ao lado, como algo que eles podem cavar e comer cru ou cozido como um simples lanche.

Apresentador: Como é possível fazer com que pessoas que sempre dependeram do milho por toda a vida mudem e comecem a comer mandioca?

Nancy: A ideia não é fazer com que eles mudem do milho para a mandioca, mas que eles cultivem mandioca lado a lado com o milho.

Apresentador: E como fazer isso?

Nancy: As pessoas podem aceitar uma nova safra rapidamente se ela for boa como alimento ou para venda. Como nutricionista, sei que a mandioca é um produto alimentício muito importante. O meu trabalho é convencer as pessoas disso e ensinar a elas como cozinhar e comer mandioca. Quando elas começarem a fazer isso, elas irão querer plantar mais mandioca e a produção sairá do jardim para o campo.

Se você for um Tomé em dúvida que precise ver com seus próprios olhos e ouvir com seus ouvidos, tenho uma motocicleta aqui fora. Vamos à aldeia próxima de Kagunda. O que você vai ver e ouvir é o mesmo que poderá ver e ouvir em muitas outras aldeias.

Apresentador: (Assustado) Eu não gosto de andar de motocicleta. Prefiro usar minha bicicleta.

Nancy: (Brincando) Como um bom Ngoni! Mas não se preocupe. Vou transportar você como meu passageiro. Você não tem medo de cair, tem?

Apresentador: Claro que não! Vamos lá!

(Partida e movimento da motocicleta)

Apresentador: (sobre o som da motocicleta) Meus amigos, eu estava mentindo quando falei que não tinha medo de cair!

No início, quando peguei o capacete, parecia que ia colocar minha cabeça em um vaso de argila e eu não sabia amarrar as fitas sob o meu pescoço. Também sou pelo menos vinte anos mais velho que essa impetuosa jovem Bemba. Por isso, eu não sabia onde colocar as mãos até que ela me mostrou.

Agora saímos da rodovia para uma estrada de terra. Ela não é muito acidentada e Nancy está evitando as partes piores com cuidado. Estou certo que não vou cair agora e posso olhar um pouco em volta.

Acabamos de cruzar um riacho e estamos atravessando alguns terrenos. Estamos em meados de setembro e, por isso, a grama está seca e as árvores estão começando a ganhar novas folhas. Se fosse antigamente, os pequenos agricultores estariam ocupados limpando seus campos. Mas tenho falado muito sobre agricultura de conservação no rádio e estou feliz em ver que não há sinal de queimadas.

Passamos por uma aldeia e estamos chegando a uma outra. Não, não vamos atravessar essa aldeia. Nancy está diminuindo a velocidade.

(Som da motocicleta parando)

Nancy: Chegamos. Esta é a aldeia de Kagunda e aqui você pode falar com os agricultores sobre mandioca e não comigo.

Apresentador: De fato, chegamos e estou feliz em desamarrar as fitas e tirar o vaso de argila da minha cabeça. A aldeia parece limpa e apresentável. A maioria das casas é construída com tijolos queimados e tetos de ferro corrugado. Elas têm cozinhas abertas com um celeiro de milho na frente e uma latrina moderna nos fundos. A pouca distância posso ver um abrigo com telhado de palha e lados abertos que, naturalmente, é o local de encontro da aldeia, ou nsaka.

É muito bom ver uma mulher na cozinha aberta cozinhando em um dos fogões com uso eficiente de combustível que tão ardentemente apresentei no meu programa de rádio.

Enquanto Nancy e eu descemos da motocicleta, a mulher sai encontrar-nos com alegres sons de boas vindas, que culminam em um grande abraço em Nancy. Ela agora começa a gritar e rapidamente muitas outras mulheres saem de suas casas em nossa direção. Algumas estão carregando bebês nas costas ou estão visivelmente grávidas. Um grupo de crianças curiosas da aldeia reúne-se para ver o que está acontecendo.

A mulher da cozinha obviamente é a líder do grupo e, à medida que cresce o número de mulheres, ela as lidera em uma canção de boas vindas.

(Gritos e canção de boas vindas)

Nancy: Esta é a Sra. Chosiwe Shanzi e, senhoras, este homem é da Breeze FM. Vocês o reconhecerão assim que ele abrir a boca.

(Gritos e sons de boas vindas de muitas vozes femininas)

Chosiwe: Bem-vindo, como vai? Nancy me telefonou avisando da sua chegada. Você está interessado em mandioca?

Apresentador: Sim, principalmente em como vocês comem mandioca, para ser específico.

Chosiwe: Muito bem, venha, vamos sentar na nsaka. (Ao lado para as mulheres do grupo) Amake Tamara e Abelesi, por favor, tragam o nongo de munkhoyo da minha casa e algumas xícaras de plástico (nota do Editor: nongo é um pote de argila usado para fermentar cerveja ou bebidas suaves tradicionais como munkhoyo). As demais, vamos sentar na nsaka. É um privilégio ter a voz dos agricultores aqui em carne e osso, não?

Mulheres: Sim, é, sim!

(Pessoas movendo-se e sentando-se em cadeiras, bancos e esteiras)

Chosiwe: Acho que está tudo pronto agora. Na aldeia, não temos refrigerante. Mas sei que você vai gostar do munkhoyo que Amake Tamara colocou sobre a mesa. Ele é elaborado com as raízes de arbustos, tem sabor único e é naturalmente doce.

Agora, sobre a mandioca: ela está presente nesta região há muito tempo. Mas nós sempre a consideramos inferior ao milho. Por esta razão, normalmente cultivamos no jardim, como um produto secundário que pode ser desenterrado e comido cru ou cozido como lanche.

Apresentador: Mas a Sra. Kaenga disse que vocês cultivam muita mandioca no campo.

Chosiwe: Sim, cultivamos, porque o clima mudou muito. As chuvas são poucas e o rendimento de milho muitas vezes é tão baixo que normalmente temos um período de falta de alimento entre outubro ou novembro e março ou abril, quando colhemos o primeiro milho.

Apresentador: Então, qual é a solução para isso?

Chosiwe: A resposta quem trouxe foi aqui a Sra. Kaenga.

(Mulheres gritam confirmando e aplaudindo)

Chosiwe: Hoje em dia, o consumo de mandioca aumentou nesta região e nós a comemos de várias formas. Gostamos de cultivar variedades doces como Manyopola e Mweru, pois elas são bons substitutos para pães, broas ou frituras.

Apresentador: Por quê?

Chosiwe: A mandioca é mais barata, facilmente disponível e alimenta mais! Normalmente, nós desenterramos os tubérculos, lavamos para retirar a terra e descascamos. Depois cortamos em pedaços e cozinhamos em uma panela. Mandioca de boa qualidade cozinha muito rapidamente e, às vezes, nem é necessário adicionar sal. As crianças podem comer diretamente e apenas beber água. Elas podem também comer com chá no lugar de pão ou broas. A mandioca está até entrando no nosso principal alimento, nshima, não é, Amake Tamara?

Amake Tamara: É verdade, chefe. Nós, os Ngonis, estamos aprendendo rapidamente como usar massa de mandioca para cozinhar nshima. Nós usamos uma variedade amarga denominada Chambeshi para produzir farinha de mandioca.

Apresentador: Por que vocês usam a variedade amarga?

Amake Tamara: Ela amadurece mais cedo que as outras variedades e produz tubérculos muito grandes. O seu amargor também é bom porque os ladrões não as roubam com frequência.

Apresentador: Interessante. Mas como a Sra. avalia a mandioca em comparação com milho?

Chosiwe: A mandioca pode ficar no solo por muito tempo. Por isso, não precisamos colher tudo de uma vez como o milho, que precisamos guardar em um silo. Com a mandioca, cavamos apenas o suficiente para nossas necessidades imediatas. Normalmente, desenterramos apenas uma planta se quisermos preparar mandioca cozida para o café da manhã da família. Mas, se formos processar farinha, precisamos colher algumas plantas.

A mandioca oferece benefícios adicionais. Você pode usar os caules de mandioca como material de plantio, o que é mais barato que comprar sementes de milho. E a farinha de mandioca pode ser armazenada por dois a três anos sem estragar.

Mas, por favor, estou vendo que você não está bebendo o seu munkhoyo. Será que você não gostou?

Apresentador: Não, está muito bom. É que esta conversa sobre mandioca é muito interessante!

Chosiwe: Obrigada. Agora, Abelesi, explique por favor como cozinhamos nshima de mandioca.

Abelesi: Obrigada, chefe. Cozinhar nshima com farinha de mandioca é diferente de usar massa de milho. Massa de milho necessita ser cozida por muito tempo no fogo. Ela precisa de muito esforço e consome muita lenha.

Tudo o que você precisa da farinha de mandioca é apenas colocar uma panela com água sobre o fogo até ferver. Em seguida, você retira o fogo, coloca sobre o chão e começa a adicionar farinha de mandioca aos poucos e agitar até conseguir um mingau grosso. É a sua nshima de mandioca!

Apresentador: Imagino a aparência e o sabor!

Nancy: Nshima de mandioca é sólida, elástica e, naturalmente, tem cor branca. Depois de comer, você fica satisfeito o dia todo. É por isso que muitos de nós, Bembas, normalmente comemos nshima só uma vez por dia. Depois de nshima de mandioca, você só precisa beber água.

Apresentador: Hmm, como foi possível para as pessoas acostumadas com nshima de milho adaptar-se à nshima de mandioca?

Chosiwe: Não conseguimos. No fim, a Sra. Kaenga sugeriu misturar farinha de mandioca com o nosso mingau de milho. Foi um sucesso imediato. Nshima não se parecia mais com goma de mascar e ela não assentava mais no estômago como uma pedra. E mantinha você satisfeito por muito mais tempo. Por isso, hoje eu uso menos mingau!

Nancy: (brincando) Confesse que a farinha de mandioca reduziu a pressão sobre o seu armazém de milho!

Chosiwe: Tenho que admitir que usar farinha de mandioca na nshima melhorou a segurança alimentar da minha família. Agora temos comida para todo o ano, mesmo durante o temido período de fome!

Apresentador: É bom saber disso. O que mais aconteceu depois que vocês conheceram a mandioca?

Chosiwe: Nós também aprendemos como preparar folhas de mandioca como acompanhamento vegetal para comer com nossa nshima “híbrida” de milho e mandioca. As folhas de mandioca são mais duras que as nossas folhas comuns da aldeia. Então pego as pontas macias e lavo bem com água quente. Depois corto as folhas em pequenos pedaços e coloco em uma panela no fogo. Claro que elas precisam cozinhar por muito tempo. Depois de cozidas, coloco um pouco de óleo e tomates e o meu acompanhamento de mandioca está pronto!

Apresentador: E é bom, acredito?

Chosiwe: Claro! Mas a maioria de nós gosta de cozinhar as folhas de mandioca da mesma forma que as outras folhas nativas, adicionando farinha ou manteiga de amendoim. Nós preparamos as folhas de mandioca da mesma forma que na receita com tomate e óleo. Mas, depois de cortar, eu as coloco em um cesto com ventilação aberta para murchar um pouco no sol.

Enquanto isso, descasco amendoins e escolho os melhores. Depois frito os amendoins, deixo esfriar um pouco e retiro as peles. Em seguida, esfrego até que eles virem uma pasta.

Mas eu não frito os amendoins se quero usar farinha de amendoim. Neste caso, depois de descascar e escolher os melhores, eu só moo e peneiro para ter farinha de amendoim fina.

Apresentador: Hmm, é um processo muito demorado!

Chosiwe: Mas nós podemos fazer várias coisas ao mesmo tempo. Quando a manteiga ou a farinha de amendoim fica pronta, as folhas de mandioca estarão prontas para cozinhar.

Quando as folhas estão bem cozidas, adiciono a manteiga ou farinha de amendoim no lugar do óleo. Depois adiciono sal, agito bem por algum tempo e retiro um pouco de lenha do fogo, para que o meu acompanhamento de mandioca possa cozinhar em fogo baixo. Em seguida, coloco alguns tomates e cebolas. Chamamos esse prato de gwada wovundula. Meus filhos gostam tanto que preciso usar uma panela maior para cozinhar nshima!

Apresentador: Hmm, devo dizer que vocês despertaram meu apetite por pratos de mandioca com manteiga e farinha de amendoim. A propósito, qual dos dois é mais gostoso?

Chosiwe: Eu não sei dizer. Mas, antes de ir, você pode provar um pouco de mandioca com farinha de amendoim que sobrou de ontem. Na próxima vez, vamos preparar as outras receitas para você.

Apresentador: Mal posso esperar por esse bufê de mandioca. Gostaria de saber o que mais a Sra. Kaenga ensinou a vocês sobre a mandioca.

Chosiwe: (Rindo baixo) Essa mulher Bemba precisa estar sempre por perto! Ela nos ensinou muitas outras formas maravilhosas de cozinhar mandioca. Nós até escrevemos o nosso próprio livro de receitas de mandioca!

Nancy: É verdade, fiz o melhor que pude para trazer a mandioca para essas pessoas. Elas cultivavam muito amendoim. Então criei receitas especiais, misturando pedaços de mandioca cozida com manteiga de amendoim. Se preparada corretamente, a manteiga de amendoim cobre os pedaços de mandioca como glacê e faz um bom café da manhã. Muitas crianças levam mandioca preparada desta forma para a escola em suas lancheiras para comer na hora do intervalo. É muito gostoso e nutritivo!

Outra receita que as pessoas aprenderam a gostar é comer mandioca com amendoim. Para isso, depois de lavar a mandioca, os tubérculos são descascados, mas não cortados em pedaços. Eles são então embebidos em água e mantidos por alguns dias. Quando eles começam a cheirar mal…

Apresentador: (Interrompendo) Cheirar mal? Mas cheirar mal é sinal que alguma coisa está estragada!

Nancy: (Rindo) Típico dos Ngoni! Você não sabe nada de fermentação. Esse “cheiro ruim” dá à mandioca um sabor especial que só os verdadeiros Bemba sabem apreciar! De qualquer forma, depois de retirá-los da água, você coloca os tubérculos do lado de fora para secar completamente ao sol.

Apresentador: Eles não ficam muito duros para morder?

Nancy: A mandioca não é comida seca. Você pega o quanto você quer comer e coloca em uma bacia com água limpa. Então você fatia manualmente pelo comprimento e tosta as fatias úmidas lentamente em um fogo de carvão. Ao mesmo tempo, você frita alguns amendoins e acrescenta sal. Você come a mandioca torrada, uma fatia de cada vez, e os amendoins salgados.

Na Bembalândia, nós chamamos de kalundwe nembalala. É tão popular que as mulheres vendem nos acostamentos das estradas. Mas é mais que um lanche. Depois de comer e tomar um copo d’água, você fica totalmente satisfeito. Com essas maravilhosas receitas de mandioca, fica fácil imaginar porque nós, Bembas, somos tão fortes e saudáveis!

Chosiwe: (Bem-humoradamente) Não só os Bembas, Sra. Kaenga. Veja como são fortes e saudáveis as crianças em toda a nossa aldeia. Eles não são Bembas, certo?

Nancy: É exatamente isso que quero dizer. Todos os Ngonis de repente ficaram saudáveis com as maravilhosas receitas de mandioca da Bembalândia!

Apresentador: Fiquei assistindo em silêncio enquanto as mulheres Ngoni e Bemba discutiam amigavelmente. Então pedi meu lanche de mandioca e, que maravilha, uma mulher havia se esgueirado para a cozinha sem ninguém perceber e serviu nshima com o acompanhamento de mandioca para nós. Adorei aquela delícia, estava muito bom.

Por isso, respeite mais a mandioca e cultive-a nos seus campos este ano. Como confirmaram as muheres de Kagunda, é uma planta que você pode usar de cima abaixo. Você pode usar as folhas como aperitivo, vender os caules para seus colegas agricultores plantarem e, claro, os tubérculos substituirão pães e broas no seu café da manhã – e ainda darão a maravilhosa nshima! A mandioca é mesmo fantástica!


Créditos:

Contribuição de Filius Chalo Jere, produtor de programas de rádio para agricultores, Breeze FM, Chipata, Zâmbia.

Revisão: Sra. Nancy Kaenga, nutricionista, Ministério da Agricultura e Pecuária, Chipata, Zâmbia.

Fontes de informação:

Entrevistas:

Sra. Nancy Kaenga, nutricionista, Ministério da Agricultura e Pecuária, Chipata, Zâmbia, 22 de setembro de 2014.

Chosiwe Shanzi, Chefe, Amake Tamara, Abelesi e outros membros do Clube das Mulheres de Kagunda, Chipata, Zâmbia, 22 de setembro de 2014.

Dr. Martin Chiona, Especialista em Raízes e Tubérculos/Cultivo de Plantas, Mansa, Província de Luapula, Zâmbia. Entrevistado em Chipata, Zâmbia, 17 de setembro de 2014.

Projeto realizado com apoio financeiro do Governo do Canadá, por meio do Ministério de Assuntos Externos, Comércio e Desenvolvimento (DFATD).


A Rádio Rural Internacional (Farm Radio International) é uma organização canadense sem fins lucrativos dedicada a apoiar emissoras de rádio em países em desenvolvimento para fortalecer comunidades rurais e a agricultura em pequena escala.

Segundo a organização, o material da Rádio Rural Internacional pode ser copiado ou adaptado para distribuição gratuita ou a preço de custo, com crédito para a Rádio Rural Internacional e para as fontes originais.

Esta versão em português é um trabalho voluntário, independente da organização e oferecido gratuitamente para as emissoras de rádio dos países de língua portuguesa. O texto foi traduzido para o português do Brasil, mas pode ser adaptado com facilidade para o português falado em outras partes do mundo (para dúvidas sobre os termos empregados, utilize o formulário de contato em https://radioruralportugues.wordpress.com/creditos-e-contato/).

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