Viúva da AIDS/SIDA aprende seus direitos

Material produzido pela Rádio Rural Internacional em 1º de janeiro de 2002, como parte do pacote de informações n° 62.

Original em inglês disponível em: http://www.farmradio.org/radio-resource-packs/package-62-hivaids/an-aids-widow-learns-her-rights/.


Observações para as emissoras:

Este radioteatro ilustra algumas das importantes preocupações que surgiram com a crescente quantidade de mortes causadas pelo HIV/AIDS/SIDA e os problemas enfrentados pelas viúvas que tentam reivindicar seus direitos à propriedade e herança. Particularmente, ele discute os costumes de herança das viúvas. É importante pesquisar sobre as leis, políticas e costumes locais que lidam com a herança das viúvas antes de adaptar este programa ou preparar o seu próprio material sobre este tópico. Assegure-se de que a sua informação seja atualizada e relevante para os seus ouvintes.

Considere as ideias de programas a seguir ao discutir os direitos das mulheres e as leis de herança:

  • Convide as mulheres a participar de um quadro de discussão sobre as políticas locais de herança das esposas e seu efeito sobre as mulheres e a comunidade.
  • Convide um advogado para discutir como fazer um testamento; se possível, peça perguntas aos ouvintes.

Roteiro:

Personagens:

  • Narrador.
  • Cheri: agricultora com pouco mais de vinte anos de idade; seu marido está morrendo com HIV/AIDS/SIDA.
  • Nakudi: viúva, com cerca de 35 anos.

Vinheta de abertura sobe e desce (dez segundos)

Cena 1

Narrador: É triste quando alguém morre de HIV/AIDS/SIDA. E é ainda mais trágico quando uma viúva e sua família são maltratadas após a morte do marido. Este programa demonstra os problemas com a herança das esposas. Começamos quando Cheri, uma mulher cujo marido está morrendo de HIV/AIDS/SIDA, pede o conselho da sua amiga Nakudi.

Cheri: (preocupada) Não sei o que fazer, Nakudi. Ben nem morreu ainda e Peter, o irmão dele, diz que quer me herdar dele. Peter já tem uma esposa. Eu não quero ser esposa dele… (começa a chorar)

Nakudi: Cheri, minha amiga, eu também conheço esses problemas. Eu os vivi quando meu marido morreu.

Cheri: Mas você ainda tem sua casa, sua terra… e sua independência. Como você conseguiu?

Nakudi: Falei com meu marido sobre minhas preocupações. Ele e eu sempre fomos muito próximos. Mas nós não tínhamos boas relações com a família dele e eu temi pelo pior depois da morte dele. Você precisa falar com Ben. Se quiser, posso ir com você.

Cheri: Não sei…

Nakudi: Bem, vale a pena tentar.

Cheri: Mas, Nakudi, eu perco toda a esperança com Ben tão doente. É muito difícil cuidar dele, arar e capinar, fazer o trabalho de casa e cuidar das minhas filhas. Estou tão cansada. Nossa safra está sofrendo porque não consigo dar conta do trabalho.

Nakudi: Pobre garota! Vamos falar com Ben. Você precisa fazer as coisas acontecerem.

Cheri: Estou com medo.

Nakudi: Eu entendo. Mas eu posso ajudar e acho que você tem força suficiente para isso.

Música sobe lentamente e permanece sob o narrador

Narrador: As leis tradicionais que permitem aos familiares herdar as propriedades dos homens mortos e, às vezes, a sua esposa, destinavam-se a proteger as viúvas e suas famílias da pobreza e dos maus tratos, mas essas leis às vezes são mal empregadas.

Na nossa história, Cheri está determinada a não ser herdada pelo seu cunhado. Ela fala com seu marido, Ben. Ben compreende a necessidade de segurança financeira e independência após a sua morte. Ele concorda em assinar um testamento dando a propriedade, incluindo todos os animais, a Cheri. Ben pede a um de seus tios que testemunhe o testamento. A irmã de Cheri e o chefe da aldeia também testemunham o testamento. Isso é importante porque Cheri necessitará do apoio da comunidade para exercer os seus direitos.

Alguns meses mais tarde, após a morte de Ben, Nakudi visita Cheri. Cheri vive com suas filhas na mesma casa de quando era casada.

Cena 2

Sons de animais e outros ruídos da aldeia ao fundo

Sons de batida na porta

Cheri: Nakudi, é você! Entre, por favor. Seja muito bem-vinda. Posso oferecer uma xícara de chá?

Nakudi: Sim, obrigada.

Cheri: Mais tarde, depois do chá, vou levar você para fora e mostrar uma coisa. Tenho um novo negócio. Estou criando abelhas! Meu vizinho mostrou como começar e, pode acreditar, meu cunhado Peter está me ajudando, por uma parte dos lucros. Eu vendo mel e cera de abelhas no mercado. E ainda tenho uma vaca, algumas cabras e galinhas. Posso alimentar bem minha família.

Nakudi: Você tomou sábias decisões, querida.

Cheri: E não é só isso. Comecei a trabalhar como costureira. Fazemos vestidos e uniformes. Posso também fazer roupas para minhas filhas. Graças a Deus que falei com Ben e ele me ajudou a organizar minha vida após a morte dele. No seu testamento, ele especificou que eu deveria ficar aqui na nossa casa. E eu não teria conseguido sem o seu apoio e conselhos.

Nakudi: Você é mais forte do que pensei. Tome, trouxe um pouco do meu famoso bolo de mel.

Cheri: Muito obrigada. Vamos tomar chá e falar um pouco mais.

Narrador: Viúvas como Cheri podem fazer boas escolhas sobre como prosseguir em suas vidas após a morte do marido. Às vezes, o mais difícil é explicar a situação para a família dele. Todos precisamos lembrar que o compartilhamento é a base das leis de herança. Além disso, os costumes de herança da esposa, especialmente com respeito a relações sexuais, podem contribuir para a difusão do HIV/AIDS/SIDA.


Créditos:

Contribuição de Belinda Bruce, Vancouver, Canadá.

Revisão da Dra. Gladys Mutangadura, Pós-doutoranda, Departamento de Sociologia, Universidade da Carolina do Norte, Chapel Hill NC, Estados Unidos.

Fontes de informação:

Women – Vulnerable but vital campaigners against AIDS (http://allafrica.com/stories/200107020491.html), Ofeibea Quist-Arcon, Senegal 2001.

Sustainable agriculture/rural development and vulnerability to the AIDS epidemic, Daphne Topouzis e Jacques du Guerny, publicação conjunta da FAO e UNAIDS, 1999.

Empowering widows in development – Uganda, Zimababwe, 1999: http://www.oneworld.org/empoweringwidows/10countries/uganda.html e http://www.oneworld.org/empoweringwidows/10countries/zimbabwe.html.

Wife inheritance spurs AIDS rise in Kenya (http://www.washingtonpost.com/wp-srv/inatl/longterm/africanlives/kenya/kenya_aids.htm), Stephen Buckley, Washington Post Foreign Service, 1997.

Column One: Kenyan widows’ new fear (http://www.aegis.com/news/vv/1999/VV991201.html), Ann M. Simmons, Los Angeles Times, quarta-feira, 25 de fevereiro de 1998.

Theme: legal rights: property and inheritance rights for women (http://www.sls.wau.nl/crds/congress/index.html), 1999.

AIDS: The agony of Africa – Part 5: Death and the Second Sex (http://www.aegis.com/news/vv/1999/VV991201.html), Mark Schoofs, The Village Voice, 1-7 de dezembro de 1999.

Policy profile, HIV prevention and women’s rights: working for one means working for both (http://www.fhi.org/en/aids/aidscap/aidspubs/serial/captions/v2-3/cp2313.html), 1996.

The implications of HIV/AIDS for rural development policy and programming: 1. Focus on sub-saharan Africa, Study Paper n° 6 (http://www.undp.org/hiv/publications/study/english/sp6ech1-2.htm).


A Rádio Rural Internacional (Farm Radio International) é uma organização canadense sem fins lucrativos dedicada a apoiar emissoras de rádio em países em desenvolvimento para fortalecer comunidades rurais e a agricultura em pequena escala.

Segundo a organização, o material da Rádio Rural Internacional pode ser copiado ou adaptado para distribuição gratuita ou a preço de custo, com crédito para a Rádio Rural Internacional e para as fontes originais.

Esta versão em português é um trabalho voluntário, independente da organização e oferecido gratuitamente para as emissoras de rádio dos países de língua portuguesa. O texto foi traduzido para o português do Brasil, mas pode ser adaptado com facilidade para o português falado em outras partes do mundo (para dúvidas sobre os termos empregados, utilize o formulário de contato em https://radioruralportugues.wordpress.com/creditos-e-contato/).

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