Melhoria da segurança alimentar em Uganda: campanha de rádio participativa da Voz de Teso sobre mandioca Akena

Material produzido pela Rádio Rural Internacional em 1º de dezembro de 2012, como parte do pacote de informações n° 95.

Original em inglês disponível em: http://www.farmradio.org/radio-resource-packs/package-95-researching-and-producing-farmer-focused-programs/improving-food-security-for-ugandans-voice-of-tesos-participatory-radio-campaign-on-akena-cassava/.


Observações para as emissoras:

Entre 2007 e 2010, a Iniciativa Africana de Pesquisa em Rádio Agrícola (AFRRI, da sigla em inglês) da Rádio Rural Internacional trabalhou com cinco emissoras de rádio de Uganda para produzir Campanhas de Rádio Participativas (PRCs, também da sigla em inglês). Um dos objetivos da AFRRI foi descobrir como o rádio pode melhor ajudar os agricultores a adotar métodos de agricultura eficazes e de baixo custo que aumentem a sua segurança alimentar.

A Voz de Teso foi uma das emissoras envolvidas na AFRRI. Uma variedade de mandioca denominada Akena foi escolhida como prática agrícola aprimorada para uma das PRCs.

A Voz de Teso produziu programas interativos semanais sobre a mandioca Akena por seis meses, trabalhando em colaboração com as comunidades locais, agentes de extensão e especialistas agrícolas.

O projeto AFRRI demonstrou que Campanhas de Rádio Participativas cuidadosamente pesquisadas e planejadas sobre um aprimoramento agrícola selecionado pelos agricultores podem fornecer amplos benefícios, não apenas nas regiões desejadas, mas também em comunidades fora das áreas de intervenção direta.

Este roteiro resume rapidamente a PRC. Ele apresenta uma entrevista com o produtor do programa e entrevistas com dois agricultores e um agente de extensão rural. Essas entrevistas foram realizadas mais de dois anos após o término da PRC.

Para mais informações sobre o projeto AFRRI visite o site AFRRI da Farm Radio International em http://www.farmradio.org/portfolio/project-1/.

O objetivo principal deste roteiro é mostrar o sucesso da PRC em Uganda. Mas você pode também começar a pensar na importância de envolver mais ativamente os agricultores na sua programação. Você poderá perguntar aos membro da sua comunidade quais são as questões de segurança alimentar mais importantes para as mulheres e para os homens agricultores na sua área de audiência. Os agricultores gostam de ouvir no ar as suas vozes e as dos seus vizinhos. Você pode incluir agricultores em programas de chamadas telefônicas, gravar entrevistas com agricultores nos seus campos, nos mercados, no estúdio ou em discussões com agentes de extensão rural e outros trabalhadores agrícolas na emissora.

Este roteiro é baseado em entrevistas reais. Você poderá utilizá-lo como inspiração para pesquisar e escrever um roteiro sobre um tema similar na sua região. Ou poderá decidir produzir este roteiro na sua emissora, utilizando radioatores para representar as pessoas. Se o fizer, não se esqueça de dizer aos seus ouvintes no início do programa que as vozes são de atores e não das pessoas envolvidas nas entrevistas originais.


Roteiro:

Apresentador 1: Olá, ouvinte! Meu nome é _______.

Apresentador 2: E eu sou ________. Hoje vamos falar sobre uma campanha radiofônica que foi transmitida alguns anos atrás pela Voz de Teso, no leste de Uganda. A campanha apresentou aos agricultores uma nova variedade de mandioca resistente a doenças, chamada Akena. Ela forneceu muitos dados sobre essa nova variedade, informando os agricultores para que eles pudessem decidir plantar ou não esse produto.

Apresentador 1: É verdade. Fique ligado para saber mais sobre como esse projeto único ajudou não só a trazer maior segurança alimentar para a região de Teso, mas como ele envolveu os agricultores na produção e transmissão, colocando as vozes dos agricultores no ar!

(Intervalo musical de vinte segundos, depois diminui sob a voz do apresentador)

Apresentador 2: Estamos de volta. Agora vamos contar mais sobre essa bem sucedida campanha de rádio. A Rádio Rural Internacional é uma ONG canadense que realizou entre 2007 e 2010 um projeto chamado Iniciativa Africana de Pesquisa em Rádio Agrícola (ou AFRRI, da sigla em inglês). O projeto foi realizado em cinco países africanos: Uganda, Tanzânia, Maláui, Gana e Máli.

Apresentador 1: uma das atividades inovadoras da AFRRI foi chamada de Campanha de Rádio Participativa, ou PRC. As PRCs foram transmitidas pelas emissoras de rádio locais e envolveram os agricultores da região. Para cada campanha radiofônica, pedia-se ao agricultores que escolhessem uma prática agrícola específica que os ajudasse a aumentar a sua segurança alimentar. Agentes de extensão rural e outros especialistas agrícolas também contribuíram com a escolha da prática. A prática escolhida tornava-se então o foco da campanha.

Apresentador 2: Depois da escolha da prática, os agricultores e outros ajudavam a montar o conteúdo do programa. Os agricultores interagiam com a emissora de rádio ao longo de toda a campanha. Eles usavam os seus telefones móveis para falar com os apresentadores e produtores. As informações recebidas nos seus telefones móveis ajudaram a decidir pela implementação ou não da melhoria.

Apresentador 1: (pausa) A mandioca é um produto básico importante para as comunidades da região de Teso, no leste de Uganda. Mas não havia sido fácil plantar mandioca nos últimos anos. Temos aqui um pouco de história para mostrar o cenário.

Apresentador 2: Em 1990, houve grandes surtos de duas doenças da mandioca. As doenças causaram sérios prejuízos para os agricultores, forçando-os a reduzir o seu plantio de mandioca. Muitas famílias precisaram comprar mandioca de distritos vizinhos. As coisas melhoraram em 2005. Os plantadores de mandioca haviam desenvolvido novas variedades que eram resistentes ao vírus mosaico da mandioca. Essas novas variedades foram introduzidas na região de Teso. Infelizmente, no ano seguinte, essa esperança virou desilusão. As novas variedades eram susceptíveis a uma nova linhagem da listra marrom da mandioca. Os agricultores perderam milhares de acres de mandioca.

Apresentador 1: Assim, em 2007, com esse histórico recente em mente, os agricultores, agentes de extensão rural, governo nacional e distrital, cientistas agrícolas e consultores reuniram-se por meio do projeto AFRRI. Eles se encontraram para escolher uma prática agrícola a ser promovida na Campanha de Rádio Participativa da AFRRI. Depois de muita discussão, eles decidiram que a campanha se concentraria em uma nova variedade de mandioca resistente a doenças chamada Akena. Os agricultores e outros participantes estavam confiantes que Akena traria maior segurança alimentar para a região de Teso. Assim, em novembro de 2008, a AFRRI e a Voz de Teso lançaram uma Campanha de Rádio Participativa sobre mandioca Akena.

(Intervalo musical de 10 segundos)

Apresentador 1: A Voz de Teso transmitiu um programa semanal chamado Akoriok Akoroto Emwogo, que significa Aumentando a produção de mandioca Akena. O programa concentrou-se na expansão da extensão de terra plantada com Akena na região de Teso. Ele foi transmitido no idioma local Ateso toda quarta-feira à noite, de novembro de 2008 até abril de 2009. Davies Alachu produziu o programa, que era apresentado por Okotel Jonathan.

Apresentador 2: A campanha forneceu informações detalhadas sobre mandioca Akena. Ela incluiu informações sobre como cultivar mandioca Akena; informações sobre controle de doenças e pragas; informações sobre a colheita, armazenagem e processamento; e informações sobre como encontrar materiais de plantio. A campanha ofereceu aos agricultores muitas oportunidades de fazer perguntas.

Apresentador 1: As transmissões geraram muito interesse! Segundo os agentes de extensão rural, ONGs e o Serviço Nacional de Consultoria Agrícola de Uganda, os programas causaram um grande pico na demanda por materiais de plantio de Akena e serviços de consultoria. A extensão de terra plantada com mandioca Akena subiu de 25 para 82 acres nas comunidades que ouviam a campanha e interagiram com os radialistas.

Apresentador 2: Mas esse sucesso persistiu? E os agricultores estavam felizes com sua decisão de plantar mandioca Akena? Já vamos descobrir. Em julho de 2011, mais de dois anos depois do término da campanha, a Rádio Rural Internacional falou com Davies Alachu, o produtor da campanha da Voz de Teso sobre a mandioca Akena. Em setembro e novembro de 2011, Davies Alachu entrevistou um agricultor local e um agente de extensão rural. Vamos ouvir a entrevista com Davies Alachu após um rápido intervalo musical.

(Intervalo musical de trinta segundos)

Apresentador 3: Bem-vindo, Davies Alachu. Minha primeira pergunta é: a extensão plantada com mandioca Akena mudou desde o final da campanha de rádio da AFRRI em abril de 2009?

Davies Alachu: A extensão plantada aumentou; as pessoas estão plantando mais mandioca Akena agora que antes da campanha.

Apresentador 3: Eles estão plantando mais mandioca apenas nas comunidades ativas, as comunidades que interagiram mais de perto com a campanha de rádio? Ou todas as comunidades estão plantando mais mandioca Akena?

Davies Alachu: Observamos aumento principalmente nas comunidades com audiência ativa. Mas as pessoas em comunidades fora da área de audiência estão agora pedindo materiais de plantio de mandioca e solicitando mais informações sobre o manuseio pós-colheita. Eles veem como outros agricultores aprenderam com a campanha e também querem esses benefícios.

Apresentador 3: Os agricultores estão satisfeitos com o desempenho da mandioca Akena?

Davies Alachu: Sim, as pessoas estão felizes com isso. Em um dos mercados, alguns agricultores da aldeia de Amootot levaram sua mandioca para o mercado e o interessante é que a mandioca que eles levavam estava muito limpa. Naturalmente eles prestaram atenção aos programas e sabiam que deveriam lavar e secar a mandoca em um ambiente limpo. Como ela estava muito limpa, rendeu farinha de primeira qualidade e recebeu preço mais alto que a outra mandioca.

Apresentador 3: Houve outras mudanças na forma de comercialização da mandioca desde a campanha de rádio?

Davies Alachu: Sim. Em primeiro lugar, a qualidade da mandioca melhorou e os agricultores estão conseguindo altos preços por ela. E os agricultores também estão tentando fazer vendas coletivas, o que foi promovido na campanha. Por exemplo, se um agricultor possui duas bacias de mandioca, outro agricultor tem uma e um terceiro tem três, eles se reúnem e escolhem alguém para levá-las ao mercado. Eles mantêm registro de quantas bacias de mandioca cada agricultor forneceu. Depois da venda, eles dividem o dinheiro proporcionalmente. Também há algum valor agregado devido às lições que aprenderam com o nosso programa sobre os cuidados pós-colheita: lavagem da mandioca, secagem e assim por diante.

Apresentador 3: O seu envolvimento na Campanha de Rádio Participativa mudou a forma como você vê o seu papel como radialista?

Davies Alachu: Bem, os formatos utilizados pela AFRRI e os treinamentos que eles nos deram realmente nos ajudaram a interagir com os agricultores. Os diferentes formatos dos programas (gravações no campo, chamadas para pessoal técnico e ligações dos agricultores) mudaram a situação, de forma que os agricultores realmente eram os donos do programa. Quando íamos para o campo, os agricultores falavam conosco com muita liberdade. Eles sentiam que eram parte do programa e que o programa era deles. Realmente era muito aberto. Eles puderam ter boas discussões com os agentes de extensão rural e realmente apresentavam suas questões. Os agentes de extensão realizaram demonstrações nos próprios campos dos agricultores. Os agricultores trariam, por exemplo, alguma mandioca com uma certa doença e os agentes de extensão rural mostrariam todas as medidas de precaução para evitar a doença direto no campo.

Apresentador 3: Esse tipo de livre interação entre os agricultores e os agentes de extensão rural e radialistas acontecia antes da campanha?

Davies Alachu: Houve realmente muito pouca interação antes da campanha. Foi uma comunicação de uma via. Talvez, quando havia um surto de doença, alguns especialistas técnicos viriam à emissora comprar tempo no ar e então apenas dar uma palestra – eles falavam, falavam, falavam. As pessoas ligariam e eles responderiam algumas perguntas. E era mais ou menos isso. Não era contínuo; era algo que aconteceria sempre que houvesse uma crise.

Mas o tipo de interação que começou durante a campanha continua até hoje, pois até agora ainda estamos apresentando aquele programa. Estamos transmitindo para as comunidades com as quais trabalhávamos durante a campanha e tentando expandir para outras regiões. Alguns agricultores das comunidades onde trabalhávamos realmente aprenderam muito. Eles estão compartilhando experiências com agricultores em regiões com as quais não trabalhávamos de perto. Então, os agricultores estão agora aprendendo uns com os outros.

Apresentador 3: Tem sido dito que os agricultores gostam de ouvir as suas próprias vozes e as vozes de agricultores vizinhos no rádio. Você concorda?

Davies Alachu: Sim, realmente nós vimos isso. Os agricultores de comunidades com as quais não estávamos trabalhando telefonavam e perguntavam quando iríamos entrevistá-los. Eles diziam que também precisavam ter suas questões apresentadas no rádio e respondidas pelo pessoal técnico. Eles entendiam que o rádio podia ser uma plataforma muito boa para que eles aprendessem, mas também para que eles falassem sobre os seus desafios.

Apresentador 3: O seu envolvimento na campanha mudou a forma como você pesquisa e cria programas para os agricultores?

Davies Alachu: Sim, realmente mudou muito. Antes, talvez você teria apenas uma ONG visitando a emissora. Eles teriam o seu ponto de interesse específico, algumas questões que eles gostariam de apresentar sobre os agricultores, sobre agricultura, ou talvez quisessem apenas falar sobre as suas atividades. Mas, na verdade, isso poderia não ser do interesse dos agricultores. Os agricultores querem saber como eles podem ter altos rendimentos com as suas bananas, mandioca ou outros alimentos básicos que eles cultivam. Seria uma oportunidade perdida se você falasse sobre melancias, por exemplo, porque muito poucos dos nossos agricultores cultivam melancias. Era como nós costumávamos fazer programas de rádio, o que realmente não era muito profissional.

Quando começamos a campanha AFRRI, compreendemos que você precisa primeiro sair e descobrir com os agricultores quais são as suas necessidades. Então você determina quem seria a pessoa certa para abordar essas necessidades. E os agricultores realmente ficaram muito agradecidos por esse tipo de abordagem. Essa abordagem nos ajudou a mduar não apenas os nossos programas agrícolas, mas também os nossos programas sobre saúde.

Apresentador 3: Na sua opinião, a campanha foi um sucesso?

Davies Alachu: Sim, a campanha foi um sucesso, mas os agricultores ainda têm muitas necessidades. É por isso que decidimos continuar com o programa, embora às vezes haja limitações sobre as visitas de campo. Quando não há transporte para ir ao campo, nós ligamos para alguns agricultores e gravamos as chamadas. Pedimos ao pessoal técnico que venha até os escritórios. Mas seria muito melhor sair e interagir livremente com os agricultores para gravar com eles. Seria uma mensagem muito mais forte. Então, o maior desafio é ir para o campo em visitas e entrevistas.

Apresentador 1: Em seguida, Davies Alachu vai falar com um agricultor local que adotou a mandioca Akena como resultado da campanha da AFRRI. Fique ligado!

(Sobem sons de fazenda: animais, pássaros, sons de pessoas trabalhando no campo. Diminui e mantém sob a entrevista)

Davies Alachu: Bom dia, Sra. Alaso. O que a sra. aprendeu com os programas de rádio da AFRRI sobre a mandioca Akena?

Sra. Alaso: Soubemos de diferentes variedades de mandioca, como a Akena, 2961 e muitas outras. Você sabe que algumas pessoas tentaram se aproveitar de nós, agricultores, porque achavam que éramos ignorantes. Mas agora temos todo o conhecimento necessário. Isso nos ajudou a economizar dinheiro que as pessoas que vendem tratamentos químicos costumavam tirar de nós. Nós aprendemos como identificar a maioria das doenças da mandioca. Para a maioria delas, o tratamento é simplesmente arrancar a planta afetada e queimá-la. Os programas da AFRRI também nos ajudaram a interagir livremente com os agentes de extensão rural no estúdio e nos nossos campos.

Davies Alachu: O que mais vocês aprenderam sobre a mandioca Akena?

Sra. Alaso: Aprendemos como plantar: o espaçamento entre as plantas, quando cultivar e quando colher. Tudo isso contribui para uma boa produção. Aprendemos a manusear adequadamente a nossa mandioca depois da colheita e garantir que ela esteja limpa. Por exemplo, nós não costumávamos lavar a mandioca depois da colheita. Nós apenas a secávamos em qualquer lugar. Mas nós aprendemos técnicas de manuseio pós-colheita para aumentar o valor da mandioca. Agora, depois de colher a mandioca, nós a lavamos e secamos sobre uma superfície limpa. No final, você consegue farinha muito branca, limpa e sem areia.

Davies Alachu: Quando a sra. se lembra do início da campanha, o tamanho da sua plantação de mandioca aumentou em comparação com antes da campanha?

Sra. Alaso: Sim, ela cresceu muito, como você pode ver. Você com certeza viu quando estava vindo para cá que todas as casas da aldeia agora têm, no mínimo, mais de um hectare de mandioca. Isso costumava ser menos de meio hectare. Nós vamos plantar mais agora que sabemos como agregar valor à mandioca para ganhar mais dinheiro, em comparação com a época em que vendíamos muito barato. Estamos até planejando fazer gari (nota do editor: gari é uma farinha feita de tubérculos de mandioca fermentada).

Davies Alachu: Como vocês vendiam a sua mandioca antes da campanha radiofônica e como vocês estão fazendo agora?

Sra. Alaso: (Rindo baixo) Algumas pessoas vendiam mandioca quando ela ainda estava no campo. Outros levavam tubérculos frescos para o mercado e vendiam em pequenos montes por 300 a 500 xelins de Uganda por monte (nota do editor: cerca de US$ 0,12-0,20). Outros secavam e vendiam como lascas de mandioca para os comerciantes que moeriam para vender farinha de mandioca. Também costumávamos plantar mandioca apenas em campos pequenos para nosso próprio consumo. Mas, desde que veio a rádio AFRRI, agora plantamos mandioca em grandes quantidades e vendemos em grupo. Assim podemos conseguir mais dinheiro. Isso se chama venda coletiva e evitamos que os intermediários nos enganem.

Davies Alachu: Agora que a campanha terminou, vocês ainda estão usando a variedade Akena?

Sra. Alaso: Sim, estamos, e também outras variedades como a Migéria, que por aqui chamamos de Nigéria. A Akena não resisitiu à doença das listras marrons da madioca. Mas ainda plantamos, porque temos poucas opções.

Davies Alachu: O que mais vocês aprenderam com a campanha de rádio da AFRRI?

Sra. Alaso: Como o programa era apresentado no idioma local e os agricultores se envolviam, ele nos ajudou a aprender com outros agricultores. Então eu entendi que o rádio é uma ferramenta poderosa para ensinar e educar os agricultores. Também aprendi que os radialistas não são orgulhosos. Os apresentadores sempre vinham e se sentavam conosco para gravar as nossas vozes e levar as gravações para a rádio.

Davies Alachu: Se a campanha continuasse, o que a sra. gostaria que ela abordasse?

Sra. Alaso: Nós gostaríamos que ela se expandisse para outros produtos e de aprender como agregar valora outras safras, como aprendemos para a mandioca.

(Sobem ruídos rurais, depois cruzando com música, a música abaixa e segue sob o apresentador)

Apresentador 1: Voltaremos depois de um pequeno intervalo com uma entrevista com o sr. Opus Joseph, agente de extensão rural que trabalhou na campanha de rádio da Akena. Fique conosco.

(Música por 20 segundos, depois desaparece)

Apresentador 1: E aqui está de volta Davies Alachu, entrevistando o sr. Opus Joseph.

Davies Alachu: Como agente de extensão, o sr. poderia comentar se os agricultores aumentaram o plantio de mandioca Akena desde a campanha de rádio?

Opus Joseph: Sim, por várias razões. Em primeiro lugar, eles receberam informações sobre onde conseguir os materiais de plantio corretos, além de preços e outros dados. Segundo, porque os programas de rádio deram a eles conhecimento sobre agregar valor, vendas coletivas, manuseio pós-colheita, identificação e administração de caules doentes e como diferenciar bons materiais de plantio de materiais infectados. Eles também ajudaram a saber quando plantar e que tipo de solo dá bom rendimento.

Infelizmente, a mandioca Akena não resistiu à doença das listras marrons da mandioca. Depois disso, a maioria dos agricultores deixou de plantá-la e adotou a variedade Migéria ou 2961. Mas até a 2961 não resistiu à doença das listras marrons da mandioca.

Davies Alachu: Para você, como agente de extensão rural, quais foram os desafios para realizar a campanha da Akena?

Opus Joseph: Embora o rádio provasse ser uma ferramenta muito útil para instruir os agricultores, nem todas as casas têm rádios. Além disso, o horário do programa não era adequado em alguns casos. E também, às vezes, certos especialistas não estavam disponíveis para falar. Por fim, a duração do programa era muito pequena.

Davies Alachu: Como agente de extensão rural, o que o sr. aprendeu envolvendo-se na campanha da Akena?

Opus Joseph: Aprendi a importância de usar grupos para passar as informações adiante; aprendi como usar ferramentas de ICT, como gravadores de MP3, e aprendi como produzir os programas no estúdio, editando as entrevistas e assim por diante.

Davies Alachu: Olhando para trás, o sr. acha que a campanha foi um sucesso?

Opus Joseph: Sim, um grande sucesso, porque a venda e a agregação de valor foram muito enfatizadas.

Davies Alachu: Muito obrigado pela atenção, Joseph Opus.

(Música sobe, segue por cinco segundos, diminui e segue sob os apresentadores)

Apresentador 1: Hoje vocês ouviram tudo sobre uma Campanha de Rádio Participativa realizada pela rádio Voz de Teso e pela Rádio Rural Internacional. A campanha aumentou consideravelmente a área de plantio dos agricultores com mandioca Akena nas comunidades de ouvintes, que interagiram com os programas, e mesmo em comunidades fora da área de audiência.

Apresentador 2: É verdade. Como disse o agente de extensão rural, pouco tempo depois do final da campanha radiofônica, a mandioca Akena infelizmente foi infectada com uma nova variedade de vírus das listras marrons da mandioca. Mas isso não quer dizer que a campanha não funcionou.

Apresentador 1: Claro que não. A campanha mostrou que uma série de programas de rádio baseados em uma prática agrícola escolhida pelos agricultores com a participação deles pode aumentar a adoção dessa prática. Isso é uma boa notícia para os produtores de programas agrícolas!

Apresentador 2: Sim, é mesmo! Eu sou _________ encerrando por hoje. Esperamos que você tenha gostado do nosso programa.

Apresentador 1: E eu sou ________. Até a próxima!

Música sobe, manter por quinze segundos, depois desaparece


Créditos:

Contribuição de Vijay Cuddeford, Editor-Gerente, Rádio Rural Internacional

Revisão: Askebir Gebru, Escritório de Programas, Uganda, Rádio Rural Internacional

Projeto realizado com apoio financeiro do Governo do Canadá, fornecido por meio da Agência Canadense para o Desenvolvimento Internacional (CIDA).

Fontes de informação:

Entrevista com Davies Alachu, produtor, Voz de Teso, 15 de julho de 2011.

Entrevista com a Sra. Alaso, realizada por Davies Alachu em 22 de setembro de 2011.

Entrevista com o Sr. Opus Joseph, realizada por Davies Alachu em 25 de novembro de 2011.


A Rádio Rural Internacional (Farm Radio International) é uma organização canadense sem fins lucrativos dedicada a apoiar emissoras de rádio em países em desenvolvimento para fortalecer comunidades rurais e a agricultura em pequena escala.

Segundo a organização, o material da Rádio Rural Internacional pode ser copiado ou adaptado para distribuição gratuita ou a preço de custo, com crédito para a Rádio Rural Internacional e para as fontes originais.

Esta versão em português é um trabalho voluntário, independente da organização e oferecido gratuitamente para as emissoras de rádio dos países de língua portuguesa. O texto foi traduzido para o português do Brasil, mas pode ser adaptado com facilidade para o português falado em outras partes do mundo (para dúvidas sobre os termos empregados, utilize o formulário de contato em https://radioruralportugues.wordpress.com/creditos-e-contato/).

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