Manteiga de carité aprimorada muda a vida das mulheres da região de Fana, no Máli

Material produzido pela Rádio Rural Internacional em 1° de dezembro de 2011, como parte do pacote de informações n° 94.

Original em inglês disponível em: http://www.farmradio.org/radio-resource-packs/package-94-african-farm-radio-research-initiative-afrri/improved-shea-butter-changes-the-life-of-women-in-the-fana-region-of-mali/.


Observações para as emissoras:

A manteiga de carité é feita com a gordura da noz de carité. A árvore de carité cresce em savanas secas do oeste da África até a Etiópia, no leste. As nozes de carité são tradicionalmente utilizadas no tratamento de algumas doenças, além de produtos cosméticos, para massagem, na produção de sabão, em muitas práticas culturais e para gerar renda para alimentar famílias rurais no oeste da África, particularmente no Máli.

A fabricação de manteiga de carité aprimorada, produzida pelas mulheres, é importante para equilibrar o orçamento das famílias. As mulheres rurais são os principais participantes da indústria de noz de carité, que incluli a colheita, o processamento e a venda. A coleta das nozes, o tratamento das nozes, o processamento em manteiga e a venda dos produtos são de domínio exclusivamente feminino. As mulheres rurais também são as principais usuárias de produtos de carité.

Mas, apesar de todos esses usos importantes, o processamento das nozes de carité ainda é limitado. A melhoria do processamento de manteiga de carité poderia aumentar o uso de manteiga de carité pelas mulheres nas cidades. Para a maior parte das mulheres das cidades, embora o carité seja chamado de “o rei das manteigas”, sua manteiga é conhecida por ter mau cheiro e por outras qualidades negativas que limitam suas vendas.

Para ajudar a melhorar a qualidade da manteiga de carité na cidade de Fana, na região de Koulikoro, no sudoeste do Máli, a Farm Radio International e a Rádio Fanaka realizaram uma campanha radiofônica como parte da Iniciativa Africana de Pesquisa em Rádio Agrícola. Graças a essa campanha, as mulheres rurais aprenderam um novo método de preparação de manteiga de carité aprimorada. Neste roteiro, por meio de uma série de entrevistas conduzidas nas aldeias de Dien, Ballan e Wolodo, na região de Fana, grupos de mulheres explicam as diferentes etapas da preparação de manteiga de carité aprimorada e como essa tecnologia melhorou as suas vidas.

Este roteiro é baseado em entrevistas reais. Você poderá utilizá-lo como inspiração para pesquisar e escrever um roteiro sobre um tema similar na sua região. Ou poderá decidir produzir este roteiro na sua emissora, utilizando radioatores para representar as pessoas. Se o fizer, não se esqueça de dizer aos seus ouvintes no início do programa que as vozes são de atores e não das pessoas originalmente envolvidas nas entrevistas.


Roteiro:

Personagens:

  • Mariam Dao, apresentadora da Rádio Fanaka
  • Mariam Koné, repórter/jornalista do jornal L’Annonceur
  • Sra. Awa Traoré, agricultora e vice-presidente da associação das mulheres da aldeia de Wolodo
  • Sra. Mah Diarra, agricultora e presidente da associação das mulheres de Ballan
  • Sra. Sitan Fomba, agricultora e vice-presidente da associação das mulheres de Dien

Apresentadora: Este programa de rádio é baseado na experiência real das mulheres de Fana, no Máli. Ele relata a implementação do projeto AFRRI no Máli. Ao término deste programa, ficaremos sabendo como a manteiga de carité aprimorada Shitulu ngana mudou a vida das mulheres da região. Voltaremos com o nosso programa após um pequeno intervalo. (Nota do editor: shitulu ngana é o nome formal deste tipo de manteiga de carité em idioma bambara; tulu ngana é a sua forma abreviada)

Intervalo musical curto

Apresentadora: Boa noite, ouvinte! Mais uma vez, agradecemos por ouvir a Rádio Fanaka, transmitindo em 100,4 FM. Bem-vindo ao nosso programa semanal Mulheres Rurais e Desenvolvimento. Hoje, o nosso programa fala sobre uma campanha radiofônica realizada pela Rádio Fanaka e que se concentrou em uma técnica de produção de manteiga de carité aprimorada. Temos aqui um provérbio que diz: “Não é apenas o marido que observa uma boa mulher”. Ou seja, quando alguma coisa é reconhecida como boa ou útil, todos a querem.

Mariam Koné é jornalista do L’Annonceur, um jornal feito inteiramente por mulheres. A Sra. Koné realizou entrevistas com mulheres das aldeias de Ballan, Dien e Wolodo. Neste programa, ela relata às mulheres de Bamako e de outros lugares como a vida das mulheres nessas três aldeias mudou graças à nova técnica de produção de manteiga de carité. Esta nova técnica foi publicada por um projeto no qual a Rádio Fanaka colaborou com a Iniciativa Africana de Pesquisa em Rádio Agrícola (ou AFRRI, na sigla em inglês) da Rádio Rural Internacional. As mulheres entrevistadas pela Sra. Koné são beneficiárias desse projeto. Vamos ouvir a sua história.

Canção local sobre a árvore de carité e seus benefícios Em seguida, ritmo furioso de batuque dá as boas vindas à repórter Mariam Koné em uma aldeia. A bela voz de Mariam, misturada com o ruído de pilões, canto de pássaros e motores de carros, apresenta a aldeia de Wolodo.

Mariam Koné: Boa noite, ouvinte. Hoje estamos em Wolodo, uma aldeia localizada a 45 quilômetros a oeste de Fana, no distrito rural de Zan Coulibaly. A aldeia fica ao lado da Estrada Nacional do Máli n° 6. Quando cheguei à aldeia, vi um cenário de plantas em cada lado do asfalto e a aldeia se encaixa como um sonho.

Depois de deixar o veículo, fui recebida pela presidente do grupo de mulheres da aldeia, Sra. Awa Traoré. Com ela estava um grande número de homens e mulheres, incluindo o chefe da aldeia, com acompanhamento de tocadores de tambor. Foi uma atmosfera festiva. A Rádio Fanaka havia anunciado um dia antes à aldeia sobre a minha chegada e pedido aos habitantes que me recebessem calorosamente. Estamos agora sob o parlatório, ou a árvore de reunião da aldeia de Wolodo. Estamos reunidos com as mulheres que produziram manteiga de carité aprimorada este ano. Começo minhas entrevistas dirigindo-me a Awa Traoré.

Ruído rítmico de pilões e almofarizes, que depois permanece sob a conversa

Mariam Koné: Olá, Awa. Soube que vocês produzem manteiga de carité de muito boa qualidade por aqui. Pode explicar para nós qual tipo de manteiga de carité?

Awa Traoré: Olá, Mariam. Sim, nós produzimos manteiga de carité aprimorada há algum tempo. Chamamos de Tulu ngana, que significa “a melhor de todas as manteigas”.

Mariam Koné: Há quanto tempo você conhece essa manteiga de carité aprimorada?

Awa Traoré: Desde a chegada do projeto AFRRI na Rádio Fanaka em 2007.

Mariam Koné: Como o projeto AFRRI ajudou vocês a começar a produzir Tulu ngana?

Awa Traoré: A Rádio Fanaka transmite programas sobre novos métodos agrícolas que ajudam a garantir a segurança alimentar. O projeto começou vindo à nossa aldeia e perguntando o que estávamos fazendo e do que precisávamos. Os homens falaram com as pessoas do projeto e também as mulheres. Então, os pesquisadores apresentaram para nós um resumo dessas entrevistas. Os homens pediram informações sobre a produção de composto. Essa era a prioridade dos homens. Mas a nossa associação, todas nós, as mulheres de Wolodo, pedimos ajuda para agregar valor à manteiga de carité. Porque isso é o que nós sabemos. A nossa principal preocupação é como ganhar mais dinheiro com a manteiga de carité. Em toda a estação chuvosa, esta é a nossa principal atividade.

Mariam Koné: Entendo. Por favor, continue.

Awa Traoré: Foi quando Mariam Dao, apresentadora da Rádio Fanaka, começou a vir com uma outra radialista falar conosco sobre a manteiga de carité aprimorada. Os seus programas eram transmitidos toda manhã bem cedo na Rádio Fanaka. Depois, outra mulher veio de Bamako e ficou aqui para nos ensinar técnicas de produção de manteiga de carité aprimorada.

As mulheres da aldeia foram treinadas para produzir manteiga aprimorada. A Rádio Fanaka nos deu receptores de rádio e unidades pré-pagas para nossos telefones móveis, para que pudéssemos participar do programa. Assim poderíamos telefonar e dar os nossos pontos de vista. Nenhuma estação de rádio havia feito nada como isso. Precisamos dizer que participamos de todos os programas! Pudemos realmente fazer perguntas para a apresentadora sobre detalhes da produção de manteiga de carité aprimorada que não havíamos entendido.

Mariam Koné: Isso quer dizer que todas vocês aqui podem produzir a manteiga aprimorada. Você pode explicar as diferentes etapas do processo de produção para os nossos ouvintes?

Awa Traoré: Claro! Ao contrário da manteiga que costumávamos produzir no tempo das nossas avós, a manteiga de carité aprimorada é produzida de uma forma muito específica, com muito cuidado. Primeiro, não podemos armazenar as nozes em um buraco cavado no chão. Depois da colheita das nozes, elas precisam ser fervidas em uma panela de alumínio por cerca de quarenta minutos. Depois do cozimento, espalhamos as nozes sobre sacos que não sejam sintéticos, feitos de algodão ou outra fibra natural. Esses sacos ficam a um metro e meio acima do chão, para evitar contato com impurezas, como poeira ou lama.

Mariam Koné: Por quê?

Awa Traoré: Porque a lama prejudica o valor nutricional da manteiga. Além disso, se você pular uma etapa no processo de fabricação, você não terá manteiga aprimorada.

Mariam Koné: OK.

Awa Traoré: Quando as nozes estão secas, nós as descascamos, sempre em um lugar limpo. Em seguida, nós as reunimos e lavamos pelo menos cinco vezes. Depois nós as espalhamos novamente embaixo do sol. Sempre as espalhamos sobre sacos não sintéticos longe do solo. Construímos um pequeno piso feito de pequenos ramos presos entre si para espalhar as nozes sobre ele. Depois da secagem, torramos as nozes em calor médio nas panelas de alumínio, desta vez sem água. Isso serve apenas para aquecer e é muito rápido. Depois nós as levamos para o moinho para transformar tudo em pó.

Mariam Koné: OK. E depois?

Awa Traoré: A penúltima fase é o processamento do pó em uma massa com cor de chocolate, adicionando água. Para preparar para esse estágio, as mulheres precisam lavar-se bem e remover todas as joias que estiverem usando, como anéis de prata, brincos e outros metais. Quando a massa está pronta, nós a colocamos nas panelas de alumínio, que foram completamente limpas de antemão.

Agora estamos na última fase da produção de manteiga de carité aprimorada. Nós cozinhamos a massa em fogo de madeira a mais de cem graus até podermos ver o óleo limpo e refinado na panela. Então coamos a manteiga com um pedaço limpo de tecido de algodão. Essa operação de coagem é repetida até cinco vezes, para garantir que a manteiga esteja livre de todas as impurezas. Em seguida, agitamos o óleo em uma só direção, para evitar pequenos caroços na manteiga.

Mariam Koné: O que você quer dizer com “agitamos o óleo em uma só direção”?

Awa Traoré: Quero dizer que, se você agitar da esquerda para a direita, a concha nunca pode ir na direção oposta, ou seja, da direita para a esquerda. Depois da solidificação do óleo em manteiga, temos finalmente a nossa Tulu ngana. Você entende por quê a chamamos de rainha das manteigas?

Mariam Koné: Awa, você pode nos dizer mais sobre as diferenças entre a manteiga de carité aprimorada e a manteiga produzida da forma tradicional?

Awa Traoré: A primeira diferença é o grau de cuidado que tomamos durante a produção. O trabalho precisa de muito esforço. Mas o resultado é perfeito! Outra diferença está na fase de produção. O método antigo prejudica o nosso meio ambiente. O forno precisa de muita lenha e sempre solta fumaça. E, pior, o processamento da manteiga de carité tradicional deixa muitos resíduos. A manteiga de carité aprimorada não deixa resíduos, o que significa que a manteiga é mais espessa. Melhor ainda, como não colocamos as nozes no buraco e as lavamos várias vezes, isso evita que a manteiga tenha mau cheiro. Então, a diferença é enorme.

Mariam Koné: Awa, você tem uma amostra de manteiga de carité aprimorada?

Awa Traoré: Tenho! Aqui está (som de recipiente sendo aberto). Ela é muito branca e sem cheiro.

Mariam Koné: Sim, a manteiga é oleosa e muito macia. O melhor de tudo é que ela não tem cheiro ruim. Quais são os benefícios dessa manteiga de carité aprimorada?

Awa Traoré: O primeiro benefício é que podemos usá-la em casa. A manteiga de carité ficou mais popular com a nova fórmula. Agora usamos como óleo de cozinha para substituir óleos importados e óleos produzidos aqui no Máli. O mais importante é que ela deixa a pele mais macia, não tem cheiro ruim e pode ser vendida com mais facilidade.

Mariam Koné: Conte sobre a venda da manteiga de carité aprimorada. Como está indo?

Awa Traoré: Uma ONG chamada Conselho de Associação para o Desenvolvimento, ou ACOD Niètaaso, trabalha na proteção das árvores de carité. Uma das suas principais atividades é a criação de atividades de geração de renda para as mulheres rurais. Ela começou um projeto de apoio às mulheres de Fana e Zegoua para produzir e vender manteiga de carité aprimorada. A aldeia de Wolodo recebeu uma instalação chamada de “Casa do Carité”. Essa construção terá um moinho multifuncional, um escritório administrativo e uma loja. A instalação ainda está sendo construída.

Enquanto isso, as mulheres de Wolodo vendem sua manteiga de carité no mercado semanal de Marka-Kungo toda terça-feira. Esse mercado recebe compradores de Bamako, Segou, Fana e de locais distantes como Koutiala. Os agricultores das aldeias próximas também comparecem ao mercado. As mulheres de Wolodo e outros lugares também vendem umas para as outras na aldeia e em aldeias vizinhas.

Mariam Koné: Awa, a que preço você está vendendo a sua manteiga?

Awa Traoré: Eu consigo vender uma bola pequena de manteiga aprimorada por 50 francos CFA (cerca de US$ 0,10). Uma bola do mesmo tamanho de manteiga não aprimorada é vendida por 25 francos CFA. A manteiga de carité vendida no mercado de Marka-Coungo vem em uma cabaça. Algumas cabaças pesam de quatro a seis quilos. A manteiga então é vendida por quilo. Se a manteiga não tiver cheiro, o preço pode alcançar 600-650 francos CFA (cerca de US$ 1,25-1,35) por quilo. No começo da estação chuvosa, podemos vender por mais de 750 francos CFA. No mercado, geralmente há comerciantes das cidades grandes comprando.

Quando a Casa do Carité estiver em operação, a venda da manteiga de carité vai mudar completamente. Em vez das mulheres de Wolodo venderem manteiga de carité não processada, haverá processamento e venda de produtos processados no local, o que vai aumentar o valor da manteiga. A Casa do Carité fabricará sabão, manteiga para a pele e manteiga para o cabelo. Esses produtos serão vendidos em supermercados na cidade e também na Europa, América e em outros lugares da África.

Mariam Koné: Obrigada, Awa. (Pausa) Vou falar agora com a Sra. Mariam Dao, da Rádio Fanaka. Sra. Dao, a Sra. Awa Traoré acabou de nos contar a sua participação ativa no projeto da AFRRI sobre a produção de manteiga de carité aprimorada. Poderia nos dar mais detalhes?

Mariam Dao: Claro. A equipe de produção da Rádio Fanaka visitou cada aldeia para ajudar a identificar os problemas que dificultam a vida diária das pessoas. Juntos, vimos que, se as mulheres da região rural de Zan Coulibaly fossem treinadas, elas poderiam mudar a sua forma de produzir manteiga de carité. Assim que chegamos às aldeias com agentes de extensão rural, foi fácil identificar o problema. Foi assim que começamos as diferentes etapas de produção. Toda semana, eu aproveitava o meu programa Direitos das Mulheres para falar sobre as virtudes da manteiga de carité e, especialmente, da manteiga de carité aprimorada. Com uma série de treinamentos sobre a produção de manteiga de carité e programas apresentados com especialistas em manteiga de carité, as mulheres logo começaram a ganhar dinheiro e aumentar a sua segurança alimentar, como esperava a AFRRI do Máli. As mulheres entenderam rapidamente os métodos. A primeira tentativa de produção de manteiga de carité aprimorada na aldeia de Wolodo foi um grande sucesso.

Mariam Koné: A Sra. Awa Traoré também disse que a Rádio Fanaka permitiu que elas participassem do programa. Como foi isso?

Mariam Dao: Um dos objetivos do programa da AFRRI foi dar às pessoas rurais a oportunidade de explicar seus próprios problemas e tentar encontrar soluções adequadas. Os radialistas não podem falar em nome de outras pessoas. Mas, se as aldeias puderem identificar o seu problema, é muito mais fácil para nós ajudá-los.

Mariam Koné: Quais foram os desafios enfrentados pelo programa sobre manteiga de carité aprimorada?

Mariam Dao: O principal desafio é o fato de que algumas aldeias, como Dien e Ballan, não tiveram chance de produzir manteiga de carité aprimorada. Embora elas tenham se beneficiado do conselho de agentes de extensão e dos programas de rádio, o tempo tem estado imprevisível e elas não possuem equipamento como panelas, tigelas e recipientes para produzir manteiga de carité.

Mariam Koné: Obrigada, Mariam, pelos detalhes importantes.

Canção local de mulheres de Wolodo

Apresentadora: Depois de visitar Fana, nossa repórter foi para a aldeia de Ballan. Vamos ouvir.

Entre os sons de cabras, burros e principalmente galinhas e bois cortando madeira, a repórter apresenta a aldeia de Ballan

Mariam Koné: Estamos ainda seguindo o caminho da manteiga de carité aprimorada. Estamos em Ballan, uma aldeia na zona rural de Guegneka, a cinco quilômetros de Fana. Existem campos em frente à aldeia. Entre os campos há uma aldeia dividida em três partes. Os campos da aldeia de Ballan estão cheios de árvores de carité cujos ramos se dobram com o peso de frutos de carité verdes. Este é um bom sinal para as mulheres de Ballan.

Enquanto entramos na aldeia, precisamos desviar de cascas de nozes de carité para chegar à praça pública. Somos recebidos pela Sra. Mah Diarra e seu grupo de mulheres sob a grande árvore do parlatório, onde recebemos a visita de pequenos pássaros multicoloridos. O nome do grupo de mulheres é Bankadi, que significa “acordo”. (Para as mulheres) Boa noite!

Vozes das mulheres: (Em coro) Boa noite!

Mariam Koné: Soube que as mulheres de Ballan podem produzir manteiga de carité aprimorada, a manteiga que vocês chamam de Tulu ngana. É verdade? Quem pode responder?

Mah Diarra: Eu posso.

Mariam Koné: Ótimo, mas primeiro se apresente para os nossos ouvintes.

Mah Diarra: Meu nome é Mah Diarra. Sou a presidente do grupo Benkadi de Ballan. Aprendemos novos processos agrícolas para garantir a segurança alimentar nos programas transmitidos pela Rádio Fanaka. Depois disso, o pessoal da rádio discutiu desafios de segurança alimentar com os homens da aldeia. A prioridade dos homens foi a produção de composto. Mas a principal preocupação dos grupos de mulheres foi aproveitar melhor a manteiga de carité. A produção de manteiga de carité é uma das principais atividades das mulheres da aldeia.

Foi quando a Sra. Mariam Dao, da Rádio Fanaka, contou sobre a manteiga de carité aprimorada. Mais que isso, ela veio para a aldeia com um agente de extensão rural para explicar como fazer. A Rádio Fanaka nos deu receptores de rádio e cartões de telefonia móvel para podermos participar do programa e dar nossos pontos de vista. Mas não produzimos a manteiga este ano.

Mariam Koné: Por que não? Vocês não entenderam todas as etapas da produção?

Mah Diarra: Sim, entendemos, mas o tempo foi imprevisível… por isso, as árvores de carité não produziram frutos no ano passado.

Mariam Koné: Notei que as árvores de carité vão dar frutos este ano. Isso quer dizer que vocês vão produzir manteiga de carité.

Mah Diarra: Sim, especialmente Tulu ngana, se conseguirmos encontrar materiais como bacias de alumínio, barris de borracha e panelas de alumínio para ajudar no processamento.

Mariam Koné: Obrigada pela ótima recepção e especialmente pela sua atenção.

Apresentadora: Depois de Ballan, Mariam nos leva para Dien, a cinco quilômetros de Fana.

Mariam Koné: (para os ouvintes) Estou agora em Dien, perto da estrada que liga Fana a Djoïla. A minha viagem coincidiu com a de mulheres que estavam voltando de uma visita de cortesia à presidente da associação das mulheres de Dien. Elas me receberam com alegria! (Para as mulheres) Boa noite, senhoras!

Mulheres: Boa noite!

Mariam Koné: Gostaria de falar com vocês por alguns minutos.

Mulheres: Sem problemas. Mas rápido, porque está na hora de fazer o jantar.

Mariam Koné: OK! (Para os ouvintes) Fui recebida pela presidente da associação das mulheres da aldeia, a Sra. Nadjé Mariko. O jardim era limpo e rodeado por uma parede em dois lados. Pude ver e ouvir pequenos animais e aves de criação. Falei com uma das mulheres do grupo.

(para Sitan Fomba) Sou Mariam Koné. Soube que as mulheres de Dien sabem preparar manteiga de carité aprimorada. É verdade?

Sitan Fomba: Sim!

Mariam Koné: Muito bem. Por favor, apresente-se para os nossos ouvintes.

Sitan Fomba: Meu nome é Sitan Fomba e sou a vice-presidente da associação das mulheres de Dien. Sim, aprendemos como produzir manteiga de carité aprimorada, ou Tulu ngana, graças ao projeto AFRRI da Rádio Fanaka.

Mariam Koné: Como o projeto da AFRRI Máli ajudou vocês a fazer Tulu ngana?

Sitan Fomba: Os programas transmitidos pela Rádio Fanaka nos ensinaram diferentes abordagens novas para garantir a segurança alimentar. Mas a principal preocupação dos grupos e associações de mulheres da aldeia foi como aproveitar melhor a manteiga de carité. Mas nós não produzimos a manteiga este ano.

Mariam Koné: Por que não?

Sitan Fomba: As árvores de carité não produziram nozes este ano.

Mariam Koné: Existem outros obstáculos que impediram vocês de produzir Tulu ngana?

Sitan Fomba: Nós não temos materiais como panelas de alumínio, sacos não sintéticos e outros utensílios.

Mariam Koné: Caro ouvinte, esta entrevista de Dien encerra o nosso programa.

Vinheta de encerramento por cinco segundos, depois diminui e permanece sob a apresentadora

Apresentadora: Esta reportagem de Mariam Koné é um relato vivo das atividades da AFRRI na região de Fana, no Máli. A Campanha de Rádio Participativa mudou a vida das mulheres rurais na região de Fana. Isso aconteceu graças aos conselhos fornecidos pelo programa e às diferentes sessões de demonstração conduzidas pelas agentes de extensão rural. Com isso, as mulheres da região de Fana, no Máli, fizeram com que a produção de manteiga de carité aprimorada se tornasse uma atividade lucrativa. De fato, na aldeia de Wolodo, o mau cheiro e outros inconvenientes da manteiga de carité são agora apenas uma lembrança ruim do passado.

Com isso, esperamos ter você novamente no próximo programa. Obrigada por ficar conosco e permaneça com os demais programas da nossa emissora! Até logo!

Vinheta sobe e desce


Créditos:

Contribuição de Mariam Koné, jornalista do jornal L’Annonceur

Revisão: Modibo G. Coulibaly, Diretor do Escritório Regional, África Ocidental, Farm Radio International

Fontes de informação:

  • Website da Intercoopérationhttp://www.dicsahel.org/. A Intercoopération é uma ONG suíça e parte da sua missão é proteger a floresta de carité.
  • Website do Ministério do Meio Ambiente do Máli: http://www.environnement.gov.ml/.
  • AFFRI Máli. Relatório da Campanha de Rádio Participativa (não publicado).

Entrevistas com:

  • Sra. Awa Traoré: Presidente da associação das mulheres de Wolodo.
  • Sra. Mah Diarra: Presidente do grupo Benkadi de Ballan.
  • Sra. Sitan Fomba: Vice-Presidente do grupo das mulheres de Dien.
  • Sra. Mariam Dao: apresentadora da Rádio Fanaka.

Todas as entrevistas foram realizadas em abril de 2011.

Agradecimentos:

  • Escritório Regional da Farm Radio International no Oeste da África, Bamako, Máli.
  • Chefes de aldeias das três regiões (Wolodo: Kissima Traoré; Ballan: Bafing Diarra; Dien: Amadou Fomba).
  • Rádio Fanaka, Fana, Máli.

A Rádio Rural Internacional (Farm Radio International) é uma organização canadense sem fins lucrativos dedicada a apoiar emissoras de rádio em países em desenvolvimento para fortalecer comunidades rurais e a agricultura em pequena escala.

Segundo a organização, o material da Rádio Rural Internacional pode ser copiado ou adaptado para distribuição gratuita ou a preço de custo, com crédito para a Rádio Rural Internacional e para as fontes originais.

Esta versão em português é um trabalho voluntário, independente da organização e oferecido gratuitamente para as emissoras de rádio dos países de língua portuguesa. O texto foi traduzido para o português do Brasil, mas pode ser adaptado com facilidade para o português falado em outras partes do mundo (para dúvidas sobre os termos empregados, utilize o formulário de contato em https://radioruralportugues.wordpress.com/creditos-e-contato/).

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