Vegetais tradicionais africanos de volta à mesa

Material produzido pela Rádio Rural Internacional em 1° de dezembro de 2012, como parte do pacote de informações n° 95.

Original em inglês disponível em: http://www.farmradio.org/radio-resource-packs/package-95-researching-and-producing-farmer-focused-programs/african-traditional-vegetables-back-on-the-table/.


Observações para as emissoras:

Existem mais de trezentas espécies vegetais tradicionais africanas diferentes que servem de alimento no leste africano há muitos anos. Esses vegetais são conhecidos pelo seu valor nutritivo e medicinal.

Os vegetais tradicionais africanos eram parte importante da alimentação e da cultura das pessoas até a introdução de vegetais “modernos”, como o repolho e a cenoura. Nos últimos anos, entretanto, vem lentamente aumentando a popularidade dos vegetais tradicionais. Os vegetais antes desprezados agora estão sendo cultivados por pequenos agricultores, vendidos em mercados ao ar livre e supermercados e comidos pela população rural e urbana.

Este roteiro reúne as experiências de pessoas que cultivam e vendem vegetais tradicionais no Quênia com sucesso. Ele demonstra como os agricultores podem cultivar vegetais tradicionais para aumentar a sua renda e segurança alimentar.

Este roteiro é baseado em entrevistas reais. Você poderá utilizá-lo como inspiração para pesquisar e escrever um roteiro sobre um tópico similar na sua região. Ou poderá decidir produzir este roteiro na sua emissora, utilizando radioatores para representar as pessoas. Se o fizer, não se esqueça de dizer aos seus ouvintes no início do programa que as vozes são de atores e não das pessoas originalmente envolvidas nas entrevistas.


Roteiro:

Vinheta de abertura sobe e desce

Apresentadora: Adivinhe. Eles são nutritivos, crescem bem em ambientes secos, podem ser uma fonte de renda e são favoráveis para o meio ambiente. Se você respondeu vegetais tradicionais africanos, acertou, e é sobre isso que vamos aprender hoje.

(Vinheta de abertura sobe e desce)

Apresentadora: Olá, bem-vindo a Entre Agricultores. Meu nome é Winnie Onyimbo. No leste da África, vegetais tradicionais africanos como o amaranto, clorofito, couve de folhas africana ou da Etiópia, erva-moura africana e outros estão de volta à nossa mesa. Pouco tempo atrás, esses vegetais eram considerados retrógrados e não atraentes. Muitos moradores urbanos não sabiam cozinhá-los de forma adequada. Mas isso tudo mudou. Hoje vamos embarcar em uma viagem para seguir a cadeia de valor dos vegetais folhosos africanos. Ao longo do caminho, aprenderemos a sua importância na nossa alimentação e como eles podem ajudar a fortalecer a segurança alimentar na África. Visitaremos pessoas que não apenas produzem os vegetais, mas são apaixonadas por eles. Primeiro visitaremos um vendedor de sementes, depois um agricultor que cultiva vegetais tradicionais africanos, um cientista especializado em vegetais tradicionais e, por fim, o representante de um supermercado. Mas a nossa viagem começa e termina na cozinha.

Som de cozimento. Diminui e mantém-se ao fundo da conversa.

Apresentadora: Eu estou na cozinha da Anne. Anne cozinha e come vegetais folhosos africanos. Eu a estou vendo preparar uma refeição com os vegetais tradicionais que agora são muito populares no leste africano. (Pausa) Então, o que estamos cozinhando hoje?

Anne: Hoje estamos cozinhando amaranto e clorofito.

Apresentadora: Por que você prefere vegetais tradicionais africanos?

Anne: Eles são doces, mais saudáveis que couve-de-folhas e repolho e levam menos tempo para cozinhar.

Apresentadora: O cheiro é bom. Quanto tempo leva?

Anne: Menos de dez minutos.

Apresentadora: Muito bem, este é o tempo aproximado para podermos contar a história da minha viagem para conhecer os vegetais tradicionais africanos no Quênia. Minha primeira parada foi em Wangige, uma pequena cidade perto de Nairóbi, a capital do Quênia, onde conheci Kangara, um vendedor de sementes.

Som de cozimento diminui

Som de carro dando a partida, depois diminui

Apresentadora: As sementes são o começo da cadeia de valor dos vegetais tradicionais africanos. Kangara vende apenas sementes de boa qualidade de vegetais tradicionais africanos.

Kangara: Compro minhas sementes de Nakuru. A demanda é muito alta hoje em dia. Muitas pessoas preferem esses vegetais, mesmo nas cidades grandes.

Apresentadora: Embora os desenvolvedores de sementes fossem inicialmente céticos quanto ao trabalho com vegetais tradicionais africanos, a sua popularidade em supermercados e em mercados ao ar livre criou a demanda por sementes de vegetais folhosos africanos.

Kangara: Eu vendo para os agricultores e para outros vendedores de sementes que querem amaranto, clorofito, couve de folhas e erva-moura africana. Forneço nas cidades e nas aldeias. Venho fazendo isso há trinta anos e criei meus filhos até a faculdade.

Sobe som de cozimento, que permanece ao fundo da apresentadora.

Apresentadora: Este foi Kangara, um vendedor de sementes de vegetais tradicionais. (Pausa) Do centro do Quênia, minha viagem para encontrar os vegetais folhosos africanos levou-me para Kiserian, um povoado na província queniana do Vale do Rift, onde encontrei Stephen Kimondo, um agricultor que cultiva apenas vegetais africanos.

Som de partida de carro, depois diminuiu sob sons do campo. Sons diminuem e ficam de fundo sob a conversa.

Apresentadora: Como as sementes de Stephen Kimondo são de boa qualidade e ele usa apenas esterco de vaca, a sua lavoura cresce bem e tem amplo mercado. (Pausa) Por que as pessoas têm tanto interesse em vegetais folhosos africanos?

Kimondo: As pessoas estão se afastando dos chamados alimentos quimicamente processados e voltando às suas raízes. E voltar às raízes significa vegetais tradicionais. Então eu dou às pessoas o que elas querem.

Apresentadora: Quando você começou a cultivar essas plantas?

Kimondo: Desde o ano 2000 e adoro o que faço.

Apresentadora: Para quem você vende?

Kimondo: Começamos com supermercados. Depois observamos que muitas pessoas não vão aos supermercados. Então dissemos, por que não vender para elas em mercados ao ar livre? Carregamos as sementes de manhã nos caminhões e levamos para o mercado ao ar livre.

Apresentadora: Que mudanças você viu desde que começou a vender para pessoas que compram vegetais nos mercados locais?

Kimondo: Você ficaria surpresa; não conseguimos atender à demanda do mercado. O mercado é muito grande. A maior parte das pessoas Maasai nunca teve o costume de comer vegetais, mas agora eles comem!

Apresentadora: Que tipo de fertilizante você usa?

Kimondo: Esterco comum de vaca. Aqui estamos rodeados pelos Maasai com seu gado. O nosso esterco é orgânico; não usamos fertilizantes químicos.

Apresentadora: E quanto à água? Vejo que você tem canos instalados entre as suas plantas. Onde você consegue água?

Kimondo: É verdade. Usamos um sistema de irrigação por gotejamento. Cavamos um poço e ligamos a irrigação por gotejamento à fonte de água do poço. Ela conserva muita água. O equipamento pulverizador é mais difícil de ser operado.

Apresentadora: Com que frequência você irriga?

Kimondo: Fazemos nossa irrigação à noite porque fica muito quente durante o dia.

Apresentadora: Vi que você tem muitas variedades diferentes de vegetais. Todos eles crescem durante as estações quentes e chuvosas ou você faz rotação dos vegetais de acordo com as estações?

Kimondo: Não fazemos rotação das safras, nós cultivamos de acordo com as estações. Cultivamos apenas vegetais tradicionais e a maioria deles tem bom resultado desde que você cultive a terra e regue as plantas.

Apresentadora: Sei que você os cultiva, mas você também come esses vegetais?

Kimondo: Você ficaria surpresa. Como um quilo cru enquanto ando pela fazenda. Sempre que vejo uma folha bonita, pego e coloco na boca. Minha família também adora. Eles sabem que elas são nutritivas e medicinais. Você sabe que temos que dar o exemplo.

Apresentadora: Você disse que vem cultivando esses vegetais tradicionais desde o ano 2000. Como isso mudou a sua vida?

Kimondo: Eu adoro plantar. Se ganho um xelim ou dois, por que não continuar? O melhor é que você nunca consegue satisfazer o povo com vegetais africanos. Se eu tivesse cem acres, ainda faria isso e provavelmente ganharia mais dinheiro. Mas agradeço a Deus pelo pouco que tenho.

Apresentadora: Vejo que para você isso é mais que agricultura. Você vê o cultivo desses vegetais como uma forma de ajudar as pessoas.

Kimondo: Sim. Uma vez, o supermercado Uchumi no Quênia reuniu 87 agricultores de todo o país e aprendemos em um dia inteiro sobre o cultivo dos vegetais tradicionais. A maioria deles agora está cultivando esses vegetais tradicionais em todo o país. Eu também tento compartilhar meu amor pelos vegetais tradicionais na igreja. Quando as pessoas ouvem sobre os vegetais, eles ficam felizes e fazem pedidos dos produtos. Tenho visto muitas mudanças.

Apresentadora: Kimondo não vende apenas vegetais africanos comuns. Ele também introduziu o que alguns de nós chamaríamos de erva – e está vendendo!

Kimondo: Temos coisas como o picão preto. A maioria das pessoas não sabe que o picão preto é muito melhor que os vegetais tradicionais comuns; é muito difícil dizer às pessoas o que é até que elas mesmas cozinhem e provem. Eles me veem comendo e mostro como cozinhá-lo. Muitas pessoas têm vegetais tradicionais, incluindo o picão preto, nos jardins de suas cozinhas. Contamos às pessoas como cultivar os vegetais e cozinhá-los porque queremos que eles se beneficiem do que têm nos seus jardins. Incentivamos as pessoas a ir além daquilo que elas conhecem. É por isso que estamos agora vendendo muito picão preto e outras “ervas”.

Apresentadora: Este foi o entusiasmado Kimondo, agricultor de vegetais africanos da província queniana do Vale do Rift. (Riso abafado) Mas eu não sei se comeria picão preto.

Mmmm… os vegetais estão começando a cheirar muito bem. (Pausa) Mas voltemos à viagem. Minha parada seguinte foi a Bioversity International em Nairóbi para entender mais sobre o picão preto e outros vegetais tradicionais africanos. Tenho mais alguns minutos antes da minha refeição ficar pronta. Acho que posso incluir mais duas paradas antes de provar meus vegetais tradicionais.

Som de carro dando a partida, depois diminui.

Apresentadora: Na Bioversity International, conheci Patrick Maundu, cientista pesquisador de alimentos africanos. Segundo o Sr. Maundu, esses vegetais fornecem proteínas, ferro, vitamina A, iodo, zinco e até sete vezes mais selênio que o encontrado no repolho.

Apresentadora: Então, o que despertou seu interesse por esses vegetais africanos desprezados?

Maundu: Isso é o resultado de vários fatores. Um é o fato de que muitas pessoas agora têm consciência da sua saúde e estão tentando ao máximo possível comer alimentos saudáveis. Em comparação com o repolho e a couve de folhas, os vegetais tradicionais são bastante nutritivos. A segunda razão é porque as pessoas querem diversidade e comer outras coisas. A economia africana está avançando a cada ano e as pessoas têm um pouco mais de dinheiro para gastar em outras coisas. Então, por que não experimentar outros sabores? Outro fator é que as pessoas estão ficando cada vez mais conscientes da sua cultura; as pessoas querem voltar às suas raízes e a alimentação é um componente importante das nossas tradições. Acho que todos esses fatores juntos estão contribuindo com o que estamos vendo. Talvez eu deva mencionar outro ponto que poderíamos ignorar, que é o HIV e a AIDS/SIDA. Por quê? Porque as pessoas soropositivas querem comer alimentos saudáveis. Muitos médicos sugeriram que as pessoas deveriam diversificar o consumo de vegetais. Nossos vegetais tradicionais são muito ricos em nutrientes, então por que não dar uma chance para podermos viver de forma saudável?

Apresentadora: Você poderia mencionar alguns vegetais e qual o valor nutritivo deles?

Maundu: Vegetais diferentes são ricos em diferentes nutrientes. Existem muitos tipos de amaranto folhoso, mas geralmente o amaranto é rico em ferro e vitamina A. Erva-moura africana é rica em cálcio. Outro vegetal que alguns dos nossos ouvintes podem conhecer é a moringa. A espécie mais comum é conhecida como Moringa oleifera. Ela é normalmente seca e moída até se transformar em pó que é encontrado nos supermercados. A moringa é conhecida como vegetal miraculoso, pois ela é rica em quase todo nutriente que você pode imaginar, incluindo alguns dos sais minerais raros de que o corpo precisa. Cada vegetal possui suas próprias vantagens e por issso é uma boa ideia comer o máximo possível de vegetais diferentes, para podermos aproveitar muitos tipos de nutrientes.

Apresentadora: Além do valor nutritivo desses vegetais, existe também o valor medicinal. Talvez você possa mencionar rapidamente alguns que você acredite que tenham valor medicinal.

Maundu: Muitos desses vegetais são bons para o estômago. Um deles é a juta. Quando você tem anemia, há plantas como o clorofito. Quando as pessoas têm amigdalite, você pode vê-las comendo erva-moura africana, pois elas acreditam que é um bom antibactericida e boa para a garganta.

Apresentadora: Qual é a importância desses alimentos folhosos africanos para a segurança alimentar na África?

Maundu: Na África, muitas pessoas não estavam comendo os vegetais que cresciam no jardim. Ao contrário, elas iam aos supermercados comprar coisas que não podem cultivar. Elas gastavam mais dinheiro para comprar alimentos menos nutritivos. E, por serem menos nutritivos, eles prejudicam a segurança alimentar na casa. Uma grande vantagem dos vegetais folhosos africanos é que, como cada comunidade tem a sua própria lista de vegetais que as pessoas cultivam na sua própria região, os vegetais são adaptados ao clima local. Por isso, as secas frequentes afetam menos esses vegetais. E os habitantes locais sabem como cozinhá-las. É parte da sua cultura. Em termos de segurança alimentar, o cultivo de vegetais locais aumenta suas chances de ter algo sobre a mesa o ano inteiro e também algo a mais para vender no mercado local.

Apresentadora: Vamos falar de vegetais que as pessoas normalmente não comem e acham que são ervas. Você poderia mencionar alguns?

Maundu: Posso mencionar alguns que não são plantados, mas são colhidos no mato: dois bons exemplos são o picão preto e o picão branco, que são comuns nas nossas fazendas. De vez em quando, os agricultores os colhem nos seus campos e incluem com seus vegetais por várias razões, talvez para melhorar o sabor ou alterar sua consistência – e isso é parte da cozinha africana.

Apresentadora: Muito bem, vamos falar sobre o seu cultivo. Conheci muitos agricultores que apenas espalhavam as sementes.

Maundu: A regra básica é que, se o vegetal crescer até um metro e meio de altura, não há necessidade de manter as plantas próximas. Mas, se a planta cresce apenas até trinta centímetros de altura, você precisa colocar as plantas mais próximas. Por exemplo, a erva-moura africana gigante é melhor quando espaçada a 30 cm de distância e plantada em fileiras. Para crotalária, que é uma planta popular no oeste do Quênia e norte de Uganda, é melhor espalhar as sementes, porque, mesmo se você as colocar muito juntas, isso não afeta o rendimento.

Apresentadora: Você disse que essas plantas são boas para a segurança alimentar porque elas são resistentes. E água e esterco, elas precisam de muito?

Maundu: Depende da planta. Por exemplo, alguns tipos de amaranto precisam de muito nitrogênio. A erva-moura africana também precisa de muito nitrogênio. Por isso ela cresce naturalmente perto dos currais, onde há muito esterco. Mas alguns vegetais folhosos africanos crescem bem em solos extremamente pobres. Alguns necessitam de muito esterco, outros não precisam de tanto e alguns precisam de muita água, como a erva-moura gigante africana. É por isso que você precisa diversificar a sua plantação, para cultivar a máxima variedade possível desses vegetais.

Apresentadora: Para o pequeno agricultor ou para alguém da cidade que gostaria de cultivar esses vegetais, o que você aconselharia?

Maundu: Primeiro você precisa ter as sementes. Mas hoje em dia é fácil conseguir as sementes nas lojas de implementos agrícolas ou em instituições de pesquisa sobre vegetais folhosos africanos. Eles sempre poderão dar a você sementes para cultivo. Você pode até colocar terra em sacos com fertilizante e cultivar todo tipo de plantas, desde que você as regue. Por isso, o espaço não é problema, mesmo se você viver em apartamento.

Apresentadora: Muito bem, vamos falar de cozimento. Qual é a melhor forma de cozinhá-las?

Maundu: Muitas delas precisam ser cozidas apenas por dez minutos ou menos. Se você cozinhar por mais tempo, você corre o risco de perder muitas das vitaminas que são decompostas pelo calor, incluindo vitamina A e C. Então, a melhor forma é cozinhá-las o mais rápido possível sem comprometer o sabor.

Apresentadora: Este foi Patrick Maundu, cientista pesquisador de alimentos africanos da Bioversity International em Nairóbi.

Som de carro dando a partida, depois diminui.

Apresentadora: Tenho tempo para mais uma parada antes da minha refeição. Para a minha última parada, passei por um dos principais supermercados de Nairóbi para dar uma olhada nos seus vegetais e ver se os canais de comercialização para os vegetais folhosos africanos estão funcionando bem.

Sons de supermercado, depois diminui.

Apresentadora: Estou no supermercado Uchumi em Nairóbi, na seção de alimentos frescos. É final de tarde e muitos clientes estão fazendo fila para os vegetais. Posso ver amaranto, clorofito, couve de folhas africana, erva-moura africana, folhas de abóbora e folhas de feijão fradinho, tudo fresco, limpo e bem embalado. Esses legumes não eram vendidos por supermercados como este alguns anos atrás.

Edward Azere é o gerente do supermercado Uchumi na Rua Koinange em Nairóbi. Por que vocês vendem vegetais tradicionais?

Edward Azere: Os quenianos gostam muito dos vegetais tradicionais. Eles são bons para a saúde. Eles preferem vegetais tradicionais, especialmente amaranto, clorofito, erva-moura africana e feijão fradinho, que são muito nutritivos e também têm algum valor na medicina tradicional.

Apresentadora: Como é a venda desses vegetais tradicionais?

Edward Azere: Em nossas lojas em todo o país, os vegetais tradicionais são líderes no mercado de produtos frescos. Eles representam 80% das nossas vendas de produtos frescos. A demanda às vezes é maior que a oferta.

Apresentadora: Onde vocês compram os vegetais?

Edward Azere: Nossos fornecedores compram dos agricultores e eles nos fornecem de manhã muito cedo. Eles vêm até do oeste do Quênia e do Vale do Rift, porque no Uchumi acreditamos em produtos frescos. Não compramos nossos vegetais em Nairóbi porque não temos fazendas em Nairóbi, mas também porque poderão utilizar produtos químicos perigosos.

Apresentadora: Falei com Edward Azere, gerente do supermercado Uchumi em Nairóbi. Esta foi a última parada da minha viagem. Vamos ver se os vegetais africanos já estão prontos. Quero comer um prato apetitoso de amaranto e clorofito.

Som de passos, depois diminui.

Apresentadora: Aqui estou eu. Olá…

Anne: Você chegou bem na hora.

Apresentadora: O doce aroma de vegetais folhosos africanos. Não vejo a hora de experimentar. Hmmm… Muito bom!

E aqui termina minha viagem para descobrir a cadeia de valor dos vegetais folhosos africanos no Quênia. Obrigada por me acompanhar nesta viagem. Aprendemos por quê os vegetais folhosos africanos estão voltando às nossas mesas, sua importância para a nossa alimentação e como eles podem melhorar a situação da segurança alimentar na África. Ouvimos Kangara, um vendedor de sementes de vegetais tradicionais, e Kimondo, um agricultor que cultiva vegetais tradicionais africanos. Também ouvimos Edward Azere, representante de uma cadeia de supermercados, e Patrick Maundu, cientista na Bioversity International.Até a semana que vem, eu sou Winnie Onyimbo, de Entre Agricultores.


Créditos:

Contribuição de Winnie Onyimbo, Rádio Trans Mundial, Nairóbi, Quênia.

Revisão: Patrick Maundu, Bioversity International.

Fontes de informação:

Entrevistas com:

  • Gidreff Kangara, vendedor de sementes em Wangige, província central do Quênia, 31 de julho de 2012.
  • Stephen Kimondo, agricultor em Kiserian, província do Vale do Rift no Quênia, três de agosto de 2012.
  • Patrick Maundu, cientista pesquisador, Bioversity International, 18 de agosto de 2012.
  • Edward Azere, Gerente, Supermercado Uchumi, Nairóbi, 17 de setembro de 2012.

Para mais informações e receitas utilizando vegetais tradicionais:

Nomes comuns dos vegetais tradicionais africanos: a lista a seguir fornece os nomes comuns em diversos idiomas para alguns dos vegetais mencionados no roteiro. Esta lista não é completa. Na maioria dos casos, o idioma é mencionado em primeiro lugar e, em seguida, o nome comum. Em alguns casos, é apenas mencionado o nome do país, não o idioma específico. Na maioria dos casos, não incluímos os acentos. Esta lista é baseada em fontes da Internet e sua precisão não foi verificada.

Erva-moura africana (Solanum villosum): inglês: African nightshade. Adja: gboyame; Chagga: kimachame; Cotafon; gboyame; French : morelle jaune, morelle poilue ou velue; Holly: ossun; Kamba: kitulu; Kipsigis: isoiyot; Kisii: rinagu; Kimasai: nyafu; Kizigua: mnavu; Luhya: namaska, lisutsa; Luo: osuga; Maasai: ormomoi; Luganda: nsugga; Swahili: mnavu; Taita: ndunda.

Amaranto (espécie Amaranthus): inglês: amaranth. Adja: tete; Afrikaans: hanekam, kalkoenslurp, misbredie, varkbossie; Aizo: fotete, gboholou; Anii: alefo, guiweguifonon, ifofonon; Bariba: afonnou; Bemba: lengalenga; Boko: efo, gasia; Chichewa: bonongwe; Congo: bitekuteku (Amaranthus viridis, província de Kinshasa); Cotafon: fotete, tete; Dendi: abahoham; Fon: fotete; Francês: calalou, callalou; Fulani: boroboro; Gana: madze, efan, muotsu, swie; Giriama: logatsi; Gourmantche: aiinkpinnan; Hausa: alayyafu; Holly: thokoagbodjouba, tete ognibo, tetedudu, tetefounfoun, tetefufu; Idatcha: fotete; Ife: adjogodo; Kamba: woa; Kikuyu: terere; Kipsigis: kelichot; Kisii: embog; Kotokoli: alefo, karatchitou; Lozi: libowa; Luhya: libokoi; Luo: ododo; Maasai: nanyi; Mahi: fotete, tete; Nigéria: efo, tete, inene; Northern Soto: thepe; Nyanja: bonongwe; Oueme: soman; Otammari: adefo; Serra Leoa: grins (Crioulo), hondi (Mende); Suaíli: mchicha; Tchabe: efo docteur, olowon’djedja; Temne: ka-bonthin; Tonga: bonko; Tsonga (Shangaan): cheke; Tswana: imbuya, thepe; Venda: vowa, Wana: yonbita, yonbtena, yonman; Xhosa: umfino, umtyuthu, unomdlomboyi; Zulu: imbuya, isheke.

Picão-preto (Bidens pilosa): inglês: blackjack. Adja: djankoui; Anii: boboyo; Bondei: twanguo; Chagga: imbara; Francês: coréope odorante; Gogo: mhangalale; Haya: obukuruna; Hehe: livanivani; Kamba: musee; Kikuyu: mucege; Luo: onyiego; Luhya: orogohe; Maasai: oloreperep; Matengo: injule; Mbwembwe Meru: ishashando; Ndebele: ucucuza; Ngoni: kisosoki, manyonyoli; Norte de Soto: monyane; Nyamwezi: lekalamata; Nyaturu: mpangwe; Sambaa: kitojo; Shona: nhungunira; Suaíli: kishona nguo; Tsonga (Shangaan): muxidji; Zulu: uqadolo.

Feijão fradinho (Vigna unguiculata): inglês: cowpeas. Acholi: boo, ngor, enkoole; Adja: ayiman; Aizo: ayiman, yiviman; Alur e Jonam: amuli, obo; Amárico: adenguare; Anii: atchakobo, guisei; Árabe: lubia hilo; Bariba: suiwurusu; Boko: blaa; Bugisu: likote; Chichewa: khobwe; Cotafon: ayiman; Etiópia: nori; Fon: ayiman; Francês: niébé; Giriama: tsafe; Gourmantche: titukpindi, toutoufari; Holly: ewa, eweewa; Idatcha: ewa; Kakwa: nyele, laputu; Kambe: nthooko; Kikuyu: thoroko; Kisii: egesare, kunde; Kokokoli: sonanfade; Langi: eggobe, ekiyindiru, mpindi; Luganda: kiyindiru, bojo; Luhya: likhuve; Luo: a lot-bo; Maasai: soroko; Mahi: ayiku, ayiman; Ndebele: ndlubu, indumba; Nigéria: agwa, akidiani; Norte de Soto: dinawa, monawa; Nyiha: kunde; Otammari: titu’nti, tituti; Oueme: ayiman; Oshiwambo: omakunde, olunya (branco com olho preto), omandume ou ongoli (preto, marrom e púrpura misturados); Runyankore: omugobe; Rutooro: omugobe; Runyoro: omugobe; Sesoto: linaoa; Setsuana: dinawa, nyeru, dinawa, morogo wa dinawa; Shona: nyemba; Siswati: tinhlumayi; Swahili: kunde; Tchabe: ewa; Teso: eboo, imere; Tonga: ilanda, nyabo; Tsonga (Shangaan): msoni; Tumbuka: nkunde; Uganda: amuli, boo-ngor, omugobe, boo (em Acholi e Luo); Wama: yangutu, yonguitu.

Crotalária (espécies de Crotalaria): inglês: crotalaria. Francês: crotalaria, crotalaire, chanvre de Bengale, sunn; Gourmantche: kumalikoungu; Kamba: kamusuusuu; Kipsigis: kipkururiet; Luhya: emiro, mitoo; Luo: mito, mitoo; Maasai: oleechei; Pokot: karma; Wama: kuanonman.

Couve de folhas da África ou da Etiópia (Brassica carinata): inglês: kale. Francês: chou frisé africain; Luhya: kanzira; Luo: kadhira.

Picão branco (Galinsoga parviflora): inglês: gallant soldier. Francês: Galinsoga à petites fleurs.

Erva-moura africana gigante (Solanum scabrum): inglês: giant African nightshade. Adje: lanman; Bariba: kopwonka; Francês: morelle scabre; Kamba: kitulu; Kikuyu: managu; Kipsigis: isoiyot; Luhya: namaska; Luo: osuga; Luganda: nsugga; Maasai: ormomoi; Suaíli: mnavu; Taita: ndunda; Wama: kotorokou.

Juta (Corchorus olitorius): inglês: jute mallow. Adja: demi; Aizo: azatalouga, nenouwi, ninhouin, ninjouinaman; Anii: ayoyo, banan, bawounna, gbannan; Árabe: molkhia; Bariba: yoyokun; Bembe: lusakasak; Boko: viohounda, viola, yoyogunan; Cotafon: ademe, demin, deminve; Dendi: ayoyo; Fon: ninnouwi; Giriama: vombo; Francês: corète, corète potagère, corette, corette potagère, craincrain, jute potager, krinkrin, mauve des Juifs, épinard égyptien, gombo de brousse; Gourmantche: minapuopuoma, oyo, tibagnalifare; Hausa: láálò, malafia, tùrgúnùùwáá; Holly: eyo, obeodundun, obeyofunfun, obeyoloyo; Idatcha: yoyo; Ife: ayoyo; Kisii: omotere; Kotokoli: ayoyo; Luhya: omurere; Luo: apoth; Mahi: nennuwi, ninnou; Ndebele: idelele; Norte de Soto: thelele; Nyanga: tindingoma; Otammari: tifaanti; Oueme: nenoun; Shona: nyenje, gusha; Serra Leoa: crain crain; Songhai: fakohoy; idiomas sul-africanos: telele, delele and gushe; árabe do Sudão: khudra; Suaíli: mlende; Tchabe: ooyo; Tonga: delele, cikombo bbuyu; Tsonga (Shangaan): guxe; Wama: sekefeman, yoyora, yroyrogou.

Moringa (Moringa oleifera): Adia: kpashima; Adje: drele; Aizo: celiman, yovokpatin; Bariba: yuru ara, yorwata yoroguma, goratonou, waguiri; Boko: worousolola, woso; Cotafon: kpatovi, kpatovigbe; Dendi: windi boundou; Inglês: moringa, horseradish tree, drumstick tree, sujuna, ben tree, ben oil tree; Fon: kpatima, yovokpatin, kpano, yovotin, kpanuman, kpanuyedede; Francês: ben ailé, ben oléifère, benzolive, arbre radis du cheval; Giriama: muzungi; Gourmantche: bouloubouli, ganbaaga; Gun: èkwè kpatin, kpajima; Hausa: jagalandi, bàgààrúúwár ÞMásàr, barambo, karaukin zaila, mákkà, ríímín násárà, sàmààrín dángáá, shùùkà hálíí, taɓa ni ka saamuu, zóógálé; Idatcha: langalanga, langali; Ife: ayinyere; Mahi: kpalouman, yovokpatin; Mina: yovo vigbe, yovo kpati; Oueme: yovokpatin; Saxwe: kotba; Swahili: mzunze, mlonge, mjungu moto, mboga chungu, shingo; Tchabe: agunmonliye, lagalaga; Yoruba and Nago: ewè igbale, ewè ile, ewè oyibo, agun oyibo, ayun manyieninu, ayèrè oyibo; Wama: masamanbu, yorikungufa.

Folhas de abóbora (Cucurbita moschata): inglês: pumpkin leaves. Francês: feuilles de citrouille; Holly: aguidi; Kisii: omuongo; Luhya: lisebebe; Luo: budho; Norte de Soto: mophotse; Suaíli: malenge; Tsonga (Shangaan): tinwembe; Zulu: intanga.

Clorofito (Cleome gynandra): inglês: spider plant. Adja: sabo; Bariba: garsia; Bembe: lubanga; Cotafon: kaya; Dendi: foulbe; Fon: akaya; Giriama: mwangani; Francês: plante-araignée, phalangère; Holly: djen’dje, effooko; Idatcha: efo; Ife: akaya, efun; Kalenjin: saget; Kamba: mwianzo; Kikuyu: thagiti; Kipsigis: isakyat; Lozi: sishungwa; Luganda: jjobyu; Luhya: tsisaka; Luo: alot-dek; Lusoga: yobyu; Maasai: lemba-e-nabo; Mahi: akaya: Marakwet: sachan, suroyo; Meru: munyugunyugu; Ndebele: elude; Nyanza: suntha; Okiek: isakiat; Pokot: suriyo, suriya, karelmet; Rendille: bekeila-ki-dakhan; Sabaot: sakiantet; Samburu: sabai, lasaitet; Sanya: mwangani; Setswana: lothue; Shona: nyeve, runi; Somali: jeu-gurreh; Suaíli: mwangani, mgagani; Tonga: shungwa; Tsonga (Shangaan): bangala, xibangala; Wama: garsia.

Urtiga (Urtica massaica) inglês: stinging nettle. Francês: grande ortie, ortie élevée; Kikuyu: thabai.


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