Formatos radiofônicos

Material produzido pela Rádio Rural Internacional em 1° de dezembro de 2012, como parte do pacote de informações n° 95.

Original em inglês disponível em: http://www.farmradio.org/radio-resource-packs/package-95-researching-and-producing-farmer-focused-programs/radio-formats/.


Observações para as emissoras:

Programas de rádio para agricultores utilizam muitos formatos diferentes. Aqui fornecemos uma lista de formatos úteis a serem considerados para o seu programa. Incluímos uma breve descrição de cada formato, bem como sugestões sobre qual tipo de informação é mais adequado para comunicação em cada formato ou como cada formato incentiva e cativa a audiência.

Roteiro:

Introdução

Em muitas emissoras, o program regular (ou seja, diário ou semanal) para agricultores é uma “revista”, ou um programa com múltiplos formatos. A estrutura de revista oferece aos produtores a liberdade de empregar o formato mais eficaz para cada elemento no programa como um todo. Devido à sua diversidade de sons e abordagens, é interessante ouvir um programa com múltiplos formatos.

Mas qual formato deverá ser empregado para cada elemento do seu programa?

Uma coisa é identificar o conteúdo que você deseja incluir no seu programa agrícola. Mas a questão de como transformar esse conteúdo em rádio é tão importante quanto o próprio conteúdo!

Existem dezenas de formatos de apresentação de conteúdo no ar. Alguns são simples, econômicos e eficazes. Alguns são eficazes, mas sua produção é cara.

Você poderá, por exemplo, fornecer todo o conteúdo do seu programa em um roteiro de radioteato com vários personagens. Mas isso necessitaria de uma equipe excepcional de escritores e atores – um luxo fora do alcance da maioria dos programas agícolas!

Ou você poderá fazer com que o apresentador leia todo o conteúdo. Mas isso certamente aborreceria seus ouvintes, em vez de cativá-los. Eles não ouviriam pessoas comuns no rádio e não considerariam o seu programa como sendo o programa deles.

Alguns elementos de programas necessitam de formatos específicos. Preços de mercado, por exemplo, deverão ser sempre lidos pelo apresentador (ou outra personalidade no ar), utilizando um roteiro preparado que segue uma sequência regular e é transmitido sempre no mesmo horário. Os preços de mercado necessitam ser precisos; daí a exigência de um roteiro. E os preços de mercado mudam diária ou semanalmente. Daí a necessidade de apresentação clara e concisa. Quase todos os seus ouvintes já serão motivados a ouvir programas com preços de mercado. Por isso, você não precisa “revestir” as informações de mercado para torná-las interessantes.

Mas você pode tentar uma série de formatos para outros elementos do programa. Se o elemento de programa for sobre uma “questão com raízes profundas”, por exemplo, você pode decidir tratá-la com um dentre muitos formatos, incluindo entrevistas, grupo de discussão, telefonemas, entrevista com especialistas, falas gravadas ou uma mistura de mais de um formato (uma “questão com raízes profundas” é uma questão que se apresenta no caminho da produção agrícola e não é facilmente resolvida).

Formatos apropriados para um programa em forma de revista

Os formatos abaixo foram selecionados por três motivos:

  • eles podem ser eficazes, se forem utilizados adequadamente;
  • sua produção é relativamente simples; e
  • eles não necessitam de muitos recursos.

Os formatos mais comuns são mencionados em primeiro lugar e os formatos com emprego relativamente menor são relacionados mais para o final.

Entrevista

A entrevista é a principal estrutura de muitos programas agrícolas. Este formato normalmente envolve a formulação de perguntas pelo apresentador a uma pessoa, para fazer com que essa pessoa forneça comentários ou informações úteis. As entrevistas podem ser conduzidas no estúdio, no campo ou por telefone. Elas podem ser ao vivo ou gravadas com antecedência. Elas podem envolver questões difíceis (por exemplo, quando envolverem uma autoridade responsável) ou podem ser totalmente de apoio (por exemplo, ao incentivar um agricultor sem experiência no rádio a expressar suas opiniões).

A entrevista é um ótimo formato, pois:

  • ela permite aos ouvintes escutar por acaso a conversa de outra pessoa (todos somos curiosos);
  • o início e a retomada da entrevista interrompem longos períodos de fala; e
  • ela fornece ao apresentador uma forma de manter o foco na discussão.

Entrevistas no estúdio são de fácil produção e são boas para obter:

  • Fatos de especialistas, incluindo episódios específicos e talvez alguma emoção. Entrevistar especialistas pode, entretanto, ser impessoal; por isso é importante cativar o especialista de forma pessoal, recordar episódios, revelar as relações pessoais do especialista com o assunto e manter as informações factuais em nível administrável. Se a entrevista tender muito para o factual, os ouvintes podem não se identificar como observadores da conversa, pois pode não haver conexão emocional com o entrevistado ou o apresentador.
  • Entrevistas pessoais com alguém que revela algo sobre si próprio ou conta uma boa história. Isso geralmente cativa a audiência mais facilmente e com mais sucesso, pois existem catalisadores emocionais, valores e sentimentos que compartilhamos como seres humanos.

Os radialistas deverão preparar-se para a entrevista tendo uma boa ideia, mas flexível, do que desejam abordar na entrevista. A partir da pesquisa prévia, você deverá ter um roteiro aproximado da história, boa ideia das questões que deseja formular e boa ideia do ângulo ou perspectiva que você acha interessante para os seus ouvintes.

Entrevistas de campo também são de produção razoavelmente fácil, desde que a emissora detenha os recursos para enviar os profissionais para o campo. A inclusão de sons de campo agrega elemento visual às informações sendo transmitidas. A audiência ainda é observadora, mas os ouvintes agora podem visualizar a cena. Os especialistas podem conduzir demonstrações, utilizando linguagem clara e descritiva, além de sons naturais para ajudar a audiência a visualizar claramente as informações e compreendê-las. Entrevistas de campo com sons naturais podem representar conexão mais forte da audiência com a história sendo contada, expressando as emoções. Uma entrevista de campo com um agricultor que está aguardando um veterinário para examinar a vaca da família, por exemplo, seria mais dramática e emocionalmente mais rica que uma entrevista em estúdio conduzida após a visita do veterinário.

Os apresentadores podem também entrevistar duas ou mais pessoas ao mesmo tempo. Ou o apresentador pode entrevistar uma pessoa e outra em seguida (e talvez outra). Os apresentadores podem também apresentar um convidado (e o tópico da entrevista) executando uma gravação ou clip do convidado falando sobre o assunto.

Programas de chamadas telefônicas/mensagens de texto

O apresentador convida os ouvintes a telefonar para a emissora e expressar suas opiniões sobre um tópico específico enquanto o programa está no ar. Estes formatos são baratos, de fácil produção e permitem que a audiência faça parte do programa, dirija a conversação e formule perguntas.

Chamadas telefônicas e mensagens de texto são eficazes para cativar os ouvintes. Elas funcionam melhor quando o apresentador enquadra o tópico na forma de pergunta, convidando os ouvintes a comentar sobre ela. Quando um especialista convidado aceita as perguntas, este formato pode ser uma forma útil de transmissão de fatos, pois esses fatos serão baseados em situações reais.

Conversa com o apresentador

Os ouvintes querem ter relação pessoal e positiva com o apresentador do programa e o apresentador pode fazer muito para incentivar isso. Um apresentador eficiente cria e estabelece essa relação amigável, expondo e compartilhando suas preocupações e alegrias, respeitando os ouvintes como iguais. A conversa com o apresentador normalmente ocorre no início e no final do programa, mas pode acontecer em qualquer momento útil.

Grupos de discussão

Grupos são diferentes de entrevistas individuais porque a audiência ouve diversas perspectivas sobre uma questão específica. Esta diversidade de perspectivas pode estimular uma discusão mais completa, intensiva e atraente. Em um grupo de mulheres agricultoras, por exemplo, as mulheres podem fortalecer-se com as palavras uma das outras e engajar-se em uma discussão mais ampla e profunda.

Como outras entrevistas em estúdio, os grupos de discussão são formas rápidas e eficazes de cobrir um campo razoavelmente amplo. Mas eles podem acabar por tornar-se uma série de entrevistas individuais, a menos que os membros do quadro tenham perspectivas diferentes ou um ponto específico de discordância. Um grupo eficaz é mais uma discussão entre os participantes que uma entrevista. O entrevistador é mais um moderador que um questionador. É mais interessante ouvir uma conversa ativa, que pode conduzir informações mais eficientemente que uma entrevista factual individual direta.

Músicas com mensagens

O rádio é o meio perfeito para músicas.

As músicas podem:

  • agregar diversidade ao seu programa introduzindo outro tipo de som (além da voz humana);
  • refletir e reafirmar a cultura dos ouvintes;
  • estimular reação emocional a um assunto; e
  • ajudar os ouvintes a lembrar-se de informações complexas.

Alguns programas agrícolas criam ou utilizam uma música gravada localmente como parte da introdução do programa. Em outros casos, os produtores utilizam uma música existente com uma mensagem que se enquadra em um tópico do programa. Apenas tenha cuidado para que a música não distraia os ouvintes da mensagem final que você está tentando transmitir!

Miniteatro

O rádio captura e estimula a imaginação dos ouvintes. Por isso, é um meio perfeito para o teatro. O teatro pode ser simples como a gravação de uma conversa telefônica na qual dois dos seus funcionários são radioatores. Ou pode ser complexo, levando ao ar uma peça dramática produzida com pesquisadores, escritores e atores profissionais.

O radioteatro conta uma história, que pode ser de ficção ou baseada em acontecimentos reais, que pode educar e motivar os ouvintes sobre questões importantes e entretê-los ao mesmo tempo. O teatro pode também destinar-se principalmente a estimular a audiência a participar de discussões públicas.

Peças de teatro completas são caras e demoradas, frequentemente necessitando de escritores e atores especializados. Séries de teatro geralmente necessitam de doadores. O custo de roteiros de boa qualidade, atores profissionais e especialização técnica com qualidade superior é considerável. Minipeças de teatro mais curtas com apresentação única, com dois a cinco personagens, entretanto, têm custo mais acessível e são amplamente utilizadas. Miniteatro pode também envolver uma série curta de episódios conectados.

O radioteatro depende muito do diálogo para dirigir a ação dramática. Como a audiência pode apenas ouvir e não ver o que fazem os personagens do rádio, o diálogo precisa tornar claros o comportamento e as ações do personagem.

Voz do povo (ou vozes da aldeia)

Voz do povo significa que o radialista vai até onde estão as pessoas (o “povo”) e recolhe opiniões rápidas (a “voz”) sobre uma questão ou tópico previamente definido. Essas opiniões curtas são então editadas. A voz do povo é uma boa forma de programar entrevistas. Ela mostra à pessoa sendo entrevistada que existe uma variedade de opiniões públicas que ela necessita abordar. A voz do povo provavelmente estimulará o entrevistado a fornecer respostas mais completas e reveladoras.

Ao transmitir vozes da rua, a voz do povo também dá aos ouvintes a sensação de “propriedade” do programa de rádio. Ela valida as opiniões das pessoas e, é claro, a maioria das pessoas gosta de ouvir sua voz no rádio.

Parece bastante simples gravar vozes dos transeuntes, mas a voz do povo envolve mais que aquilo que chega ao ouvido:

  • a voz do povo deverá ser gravada com clareza no local, sem ser encoberta por veículos em trânsito ou música ambiente; procure um local com ruído de fundo estável, sem picos súbitos de tráfego ou música alta;
  • a melhor voz do povo é rápida, curiosa e inesquecível;
  • a voz do repórter normalmente não aparece na voz do povo, exceto, talvez, para formular uma pergunta adicional ou reiterar a pergunta original;
  • o assunto da voz do povo deverá ser algo sobre o quê as pessoas possuem opinião definida – frequentemente, um item do noticiário; evite assuntos vagos como o futuro do planeta; e
  • formule uma questão simples e aberta que seja facilmente compreendida e não resulte em uma série de respostas sim/não.

Lista em roteiro

Às vezes você necessita fornecer informações detalhadas e precisas. Neste caso, a leitura de um roteiro de lista pelo apresentador é o que faz mais sentido. Como mencionado acima, os preços de mercado são apropriados para uma lista em roteiro. Além disso, se o seu programa discutir uma prática agrícola que envolva uma série de etapas, é uma boa ideia fornecer uma lista em roteiro das etapas ao final da discussão. Isso ajudará os agricultores a lembrar-se das informações importantes. Uma lista curta em roteiro pode também tornar-se um anúncio spot que pode ser retransmitido em programas futuros ou durante intervalos comerciais.

Poemas, concursos e outras competições (normalmente com prêmios modestos)

Estes podem ajudar os ouvintes a relembrar informações específicas. E podem também ser divertidos! Os agricultores lembram-se das informações quando participam, por exemplo, criando e enviando um poema, música ou outra criação sobre um tópico agrícola específico. Se as melhores ideias forem transmitidas, isso ajuda ainda mais os agricultores a lembrar-se. Outra forma de ajudar os ouvintes a lembrar-se de informações é encorajá-los a telefonar e recitar os pontos principais cobertos em uma entrevista.

Entrevista/discussão em roteiro

Organizações como a Rádio Rural Internacional fornecem roteiros para rádio sobre tópicos que podem ser úteis para os agricultores na sua região. Conduzindo alguma pesquisa local, você pode adaptar esses roteiros para cobrir questões de importância local, embora possa haver ocasiões em que a simples leitura de um roteiro no ar com mínimas alterações é apropriada.

Alguns roteiros assumem a forma de dois apresentadores de rádio discutindo um tópico. Os apresentadores não são especialistas no assunto, mas falam como não especialistas bem informados. Falando entre si, eles apresentam e fornecem uma visão geral do tópico. É uma boa ideia que os apresentadores desempenhem diferentes papéis ou tenham diferentes personalidades no ar. Um apresentador pode, por exemplo, formular perguntas (no interesse dos ouvintes) e o outro poderá responder às questões. Um apresentador poderá fornecer informações e o outro apresentador fornece entretenimento. Ter dois papéis ou “personalidades” diferentes cria uma dinâmica que mantém a audiência atenta. Este formato exige alguma pesquisa básica sobre o tópico; apenas o suficiente para decidir quais informações deverão ser incluídas em uma visão geral.

Outros roteiros para rádio (da Rádio Rural Internacional e de outras organizações) assumem a forma de roteiro de entrevista entre o apresentador e um especialista. Este formato possui um apresentador falando com uma pessoa que detém conhecimento especial sobre um tópico. Para adaptar esse formato em roteiro para transmissão, encontre outra pessoa na sua emissora que possa desempenhar o papel do especialista: outro radialista ou talvez o correspondente que trabalha com a sua emissora. Com essa segunda pessoa, pratique a leitura do roteiro à medida que você o traduz e adapta para a linguagem dos agricultores. Leia várias vezes até ter a certeza de que ele soa espontâneo, “sem roteiro” e interessante! E lembre-se: não tente enganar os seus ouvintes. Se o roteiro envolver um apresentador e um advogado, mas você não tem um advogado, deixe claro para os seus ouvintes que a entrevista original foi conduzida com um advogado e, como a questão é importante para os agricultores, você está “recriando” a entrevista com alguém que fala as palavras do advogado.

Monólogo com roteiro

Algumas emissoras simplesmente fazem com que um apresentador ou especialista leia um longo roteiro sobre como plantar mandioca ou armazenar milho. Isso normalmente não faz bom rádio! Os ouvintes se cansam de uma única voz e se cansam especialmente de uma única voz dizendo a eles o que fazer!
Poderá, entretanto, haver vezes em que faz sentido que o apresentador faça um rápido monólogo. Você poderá querer, por exemplo:

  • fornecer uma atualização sobre uma história que você já cobriu a fundo;
  • cobrir um assunto que você não teve tempo de relatar com formatos mais complicados, como entrevistas; ou
  • fornecer uma observação humorística ou satírica sobre uma situação atual.

Mesmo assim, evite este formato ao máximo possível, especialmente para textos longos. Ele poderá ser barato, mas não atende bem aos ouvintes e pode refletir falta de esforço criativo ou imaginação e falta de conexão com os agricultores.

Debate

O debate é apenas um grupo grande de pessoas que inclui a audiência local como participantes. O apresentador é o moderador, frequentemente com alguns especialistas no grupo para manter a discussão em andamento. O apresentador é encarregado de manter a discussão ativa incentivando perguntas e comentários interessantes e produtivos. Debates são uma forma de fornecer propriedade aos ouvintes com alta visibilidade. Eles geralmente são gravados e editados para execução.

Diário

Um diário é uma história sem narrador na qual o protagonista simplesmente fala sobre sua própria experiência. Como é apresentado no ar, não há censor nem intermediário entre o protagonista e a audiência; o protagonista simplesmente conta a sua história. Os protagonistas são incentivados a falar na sua linguagem local e normalmente falam por cinco a sete minutos. Os protagonistas podem ser pessoas que enfrentam situações extraordinárias, tais como pessoas que vivem com HIV e AIDS/SIDA. Ou podem ser pessoas comuns com histórias especiais para contar, como pessoas empregadas em profissões que estão se extinguindo com as mudanças culturais e tecnológicas.

Segmentos do diário são tipicamente transmitidos como um elemento de um programa semanal do tipo revista. Mas é necessária uma entrevista extensa para coletar material suficiente para elaborar um diário bem dirigido, pois a maioria das pessoas não sabe como é interessante a sua história pessoal, nem mesmo qual é a sua história pessoal. A chave é o estabelecimento da relação entre o entrevistador e o protagonista, de forma que o material resultante seja aberto e honesto. Os diários necessitam de conhecimento considerável de técnicas de entrevista: as questões são editadas, de forma que é necessário conhecimento de técnicas de entrevista para evitar falhas de compreensão ou transições inconvenientes.

A produção de diários radiofônicos é relativamente fácil e barata. Os diários podem, ao longo do tempo, cobrir ampla variedade de questões e podem ser altamente eficientes para alterar o comportamento social de formas positivas.

Em alguns casos, os diários são o ponto principal de um programa em formato de revista e outros elementos do programa concentram-se nos mesmos temas dos diários.

Falas gravadas

Estas são metade entrevistas, metade documentários. Um repórter vai a uma aldeia, entrevista agricultores e edita os seus comentários em seguida. O repórter cria então um roteiro no qual o apresentador formula as questões do repórter em tom de conversação e o repórter responde com suas próprias palavras, intercaladas com gravações das entrevistas de campo. As gravações ilustram pontos, transmitem emoções, levam a audiência a um novo lugar e desenvolvem personalidade. A criação de falas gravadas é mais fácil e rápida que um documentário, mas requer bom desempenho do apresentador e do repórter.

As falas gravadas apresentam uma nova voz (o repórter) ao seu programa e permitem que você transmita entrevistas de campo mesmo quando o apresentador não pôde viajar.

Minidocumentário

Documentário radiofônico ou “reportagem” é um programa dedicado à cobertura de um tópico específico em alguma profundidade, normalmente por meio de uma mistura de entrevistas com pessoas envolvidas com o tópico, transições em roteiro, comentários e debates, acompanhados por sons apropriados. Este formato requer bom conhecimento de redação, desempenho e sentido da história, além de boas técnicas de gravação e entrevista. Sua produção é demorada. Mas um documentário curto de cinco a sete minutos pode cativar os ouvintes, levá-los a viajar, apresentar-lhes pessoas interessantes e fornecer informações úteis.

Normalmente é uma boa ideia obter alguma experiência com o formato de falas gravadas antes de tentar um documentário. Lembre-se de que o documentário também é uma história, mesmo se houver política ou outro ponto a ser apresentado. Bons personagens conduzem a um bom documentário.

Aqui estão algumas instruções básicas para elaborar um documentário curto com impacto:

  • Se você puder escrever menos e melhor que o seu entrevistado disse, faça-o.
  • Ao editar, assegure-se de manter as melhores citações, “de ouro”, de todas as suas entrevistas. Muitas vezes, estas serão as citações expressas com sentimento e emoção.
  • Inclua números e fatos nas suas partes em roteiro.
  • Mantenha suas partes de ligação em roteiro da forma mais curta possível. Os ouvintes estão mais interessados em ouvir seus entrevistados.

Não tenha medo de executar gravações comparativas com diferentes convidados comentando o mesmo tópico ou respondendo à mesma pergunta. Apenas assegure-se de identificar os convidados antes e depois do segmento, para que os ouvintes não fiquem perdidos.

Formatos utilizados fora de programas em forma de revista

Os dois formatos a seguir normalmente são transmitidos fora de programas regulares em forma de revista.

Spots de rádio

Os spots são curtos (normalmente 30 a 60 segundos), anúncios ou apresentações “chamativas” que comunicam uma única mensagem clara. Eles vêm sendo amplamente empregados em marketing social, por exemplo, para anunciar marcas de preservativos ou mosquiteiros tratados com inseticidas. Eles são amplamente empregados para comunicar mensagens sobre comportamentos saudáveis ou desejáveis, variando de comportamento social até a higiene.

Os spots frequentemente mostram pessoas com boas atitudes e melhorando suas vidas como resultado. Eles usam vozes que são claras, refletem a comunidade do ouvinte e/ou possuem tom competente e confiável.

A criação de spots de rádio é relativamente fácil e barata. Por serem curtos, eles são facilmente inseridos em programação limitada e podem ser incluídos em programas que já possuem ouvintes; não há necessidade de campanha para aumentar a audiência. Os spots são flexíveis: a mensagem e o esquema de transmissão podem ser alterados facilmente.
Os spots podem assumir uma série de formas: miniteatro, anúncios, apoio de autoridades ou personalidades; voz do povo, colagens ou montagens; diálogos, jingles musicais, formatos de pergunta e resposta ou concursos.

Lembre-se de que um spot bem produzido pode ser utilizado muitas vezes. Por isso, desenvolva-o com cuidado para garantir que permaneça renovado e eficaz após o uso repetido.

Chamadas

Chamadas são peças curtas, em média com 10-30 segundos de duração, produzidas para transmissão fora do seu programa agrícola. O propósito da chamada é:

  • atingir audiência de ouvintes regulares e ouvintes potenciais; e
  • dar-lhes motivo para sintonia na próxima ocasião; no próximo episódio do seu programa.

A chamada deverá sempre responder à pergunta: “por que eu devo me incomodar em ouvir o próximo programa?”

Alguns produtores não se preocupam em criar uma chamada para cada programa e algumas estações não se preocupam em fornecer tempo de transmissão para as chamadas. Eles estão errados. A chamada é parte essencial do serviço a ser fornecido pelo programa e pela emissora de rádio aos agricultores. É a atividade de estabelecimento de audiência mais importante que você pode fazer, depois do seu programa regular.

Se, por alguma razão justificável, você não puder criar uma chamada específica para o próximo episódio, assegure-se de ter uma chamada genérica muito bem produzida para o seu programa de rádio que você pode transmitir nos intervalos comerciais.

Conclusão:

Como você pode ver, existem muitos formatos possíveis para transmitir informações e cativar sua audiência. Experimente alguns formatos novos; talvez alguns spots, voz do povo, grupo de discussão ou debate. Não se esqueça de obter retorno dos ouvintes agricultores, dizendo se eles gostam dos novos formatos. Quanto mais “ferramentas” de formato você tiver à sua disposição, mais diversificados, interessantes, atraentes, convincentes e bem sucedidos serão os seus programas de rádio.

Créditos

Contribuição de Vijay Cuddeford, Editor-Gerente, Rádio Rural Internacional

Revisão: Doug Ward, Presidente, Rádio Rural Internacional, e David Mowbray, Gerente de Normas e Treinamento, Rádio Rural Internacional

Projeto realizado com apoio financeiro do Governo do Canadá, fornecido por meio da Agência Canadense para o Desenvolvimento Internacional (CIDA).


A Rádio Rural Internacional (Farm Radio International) é uma organização canadense sem fins lucrativos dedicada a apoiar emissoras de rádio em países em desenvolvimento para fortalecer comunidades rurais e a agricultura em pequena escala.

Segundo a organização, o material da Rádio Rural Internacional pode ser copiado ou adaptado para distribuição gratuita ou a preço de custo, com crédito para a Rádio Rural Internacional e para as fontes originais.

Esta versão em português é um trabalho voluntário, independente da organização e oferecido gratuitamente para as emissoras de rádio dos países de língua portuguesa. O texto foi traduzido para o português do Brasil, mas pode ser adaptado com facilidade para o português falado em outras partes do mundo (para dúvidas sobre os termos empregados, utilize o formulário de contato em https://radioruralportugues.wordpress.com/creditos-e-contato/).

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